10 poemas de Cecília Meireles

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poemas de Cecília Meireles

Olá, o Demonstre traz hoje 10 poemas de Cecília Meireles. Uma mulher extraordinária que, além de grande poetisa, também foi professora, jornalista e pintora.

10 poemas de Cecília Meireles

poemas de Cecília Meireles

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901 na cidade do Rio de Janeiro. Antes de seu nascimento, seus pais já haviam perdido outros três filhos. Carlos, seu pai, falecera quando Cecília tinha apenas três meses de vida, enquanto que Mathilde, sua mãe, também morreu cerca de três anos mais tarde. Por conseguinte, Cecília mudou-se para a casa de sua avó Jacinta Benevides, sua única parente viva.

Quando concluiu o ensino primário, recebeu uma medalha de Olavo Bilac – que na época era inspetor na Escola Municipal Estácio de Sá – pelo esforço e desempenho. Foi nessa mesma época que ela escreveu seus primeiros versos. Alguns anos mais tarde, em 1919, publicou seu primeiro livro de poemas Espectros.

Voltou a publicar novamente em 1923 quando lançou seu segundo livro Nunca Mais… E Poemas dos Poemas, que mais tarde foi retirado de sua bibliografia a pedido seu. Em 1924, publicou seu primeiro livro infantil Criança, meu amor. Desde então, também publicou diversas obras de prosa, contos, crônicas e teatro, no entanto, a poesia sempre foi destaque em sua carreira.

1. Poemas de Cecília Meireles

Leilão de Jardim

Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão)

2. Poemas de Cecília Meireles

O poema a seguir é o primeiro de uma série de cinco poemas (Cinco motivos da rosa). Dividido em três quintetos, este poema reflete sobre a efemeridade da beleza, demonstrando ser algo frágil, fugaz e, quem sabe, finito.

Primeiro motivo da rosa

Vejo-te em seda e nácar,
e tão de orvalho trêmula,
que penso ver, efêmera,
toda a Beleza em lágrimas
por ser bela e ser frágil.

Meus olhos te ofereço:
espelho para a face
que terás, no meu verso,
quando, depois que passes,
jamais ninguém te esqueça.

Então, de seda e nácar,
toda de orvalho trêmula,
serás eterna. E efêmero
o rosto meu, nas lágrimas
do teu orvalho… E frágil.

3. Poemas de Cecília Meireles

Leveza

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.

E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.

E o que se lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.

E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.

E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.

4. Poemas de Cecília Meireles

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.

https://youtu.be/j3x-PAN84oQ

5. Poemas de Cecília Meireles

Inscrição na areia

O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
importância nenhuma.

Pausa rápida na sua leitura, só para dois avisos:

Poema de bom dia: Amor

Então, estamos começando o projeto Poema de bom dia, e você pode participar. Para poder participar, basta enviar um e-mail para: [email protected] os seguintes dados: nome, idade, endereço, telefone, email e cpf + sua poesia escrita no corpo de e-mail + arquivo de áudio ou vídeo com a poesia declama.

Esperamos seu material!!!

Projeto Poema de bom dia

O projeto Poema de bom dia é uma realização da Produtora Demonstre. Uma homenagem aos poetas locais e nacionais do nosso Brasil. Poemas diários para preencher seu dia de inspiração!

Amor – Álvares de Azevedo

Amemos! quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!

Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu!
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d’esperança!
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!

Vem, anjo, minha donzela,
Minh’alma, meu coração…
Que noite! que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento,
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

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Depressão é algo sério! Veja este vídeo!

Nele explico o que é depressão, as causas da depressão e seus sintomas.

Agora pode voltar para o seu texto! <3

6. Poemas de Cecília Meireles

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo

7. Poemas de Cecília Meireles

Amém

Hoje acabou-se-me a palavra,
e nenhuma lágrima vem.
Ai, se a vida se me acabara
também!
A profusão do mundo, imensa,
tem tudo, tudo – e nada tem.
Onde repousar a cabeça?
No além?
Fala-se com os homens, com os santos,
consigo, com Deus… E ninguém
entende o que se está contando
e a quem…
Mas terra e sol, luas e estrelas
griram de tal maneira bem
que a alma desanima de queixas.

Amém.

8. Poemas de Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
— depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…

 

9. Poemas de Cecília Meireles

Noções

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que
a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.

Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e
inúmera…

10. Poemas de Cecília Meireles

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?

FIM de 10 poemas de Cecília Meireles

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