10 poemas de Manuel Bandeira

0
425
poemas de manuel bandeira

Hoje trago poemas de Manuel Bandeira para acalentar nosso dia.

Para quem não conhece, Manuel Bandeira foi um escritor brasileiro e professor, que ganhou fama inicialmente como crítico de arte e tradutor, além de ser historiador literário. Ele fez parte da primeira geração modernista no Brasil com uma obra recheada de lirismo poético.

Poemas de Manuel Bandeira

Manuel Bandeira optou pelo verso livre e língua coloquial, trazendo assim uma irreverência e liberdade autoral sem igual para sua poesia que trata do cotidiano e a melancolia.

Com isso, escolhi 10 poemas que fizeram a diferença na minha vida, e espero de coração que também façam na sua.

Estrela da manhã – poemas de Manuel Bandeira

Estrela da Manhã é um dos mais expressivos de todo o Modernismo. Ele clama a mulher amada, trazida através da metáfora “estrela”, trazendo na enumeração caótica das imagens um desconcerto amoroso para o eu-lírico. Ele apresenta a literatura contemporânea e o Manuel Bandeira em um tom erótico, denso e sugestivo, onde a estrela pode ser a mulher ou a própria vida do poeta: inatingível, difícil, até mesmo decadente.

Estrela da manhã

Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã

Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda a parte

Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa? Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigo

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas
comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás
Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
eu quero a estrela da manhã

Contrição – Poesias de Manuel Bandeira

Manuel Bandeira em Contrição expõe através de seu eu-lírico o desejo de purificar-se, na mesma medida que apresenta uma enorme culpa que o martiriza. São apenas as lembranças da infância que o confortam em meio ao sofrimento.

Contrição

Quero banhar-me nas águas límpidas
Quero banhar-me nas águas puras
Sou a mais baixa das criaturas
Me sinto sórdido

Confiei às feras as minhas lágrimas
Rolei de borco pelas calçadas
Cobri meu rosto de bofetadas
Meu Deus valei-me

Vozes da infância contai a história
Da vida boa que nunca veio
E eu caia ouvindo-a no calmo seio
Da eternidade.

A onda – Poemas de Manuel Bandeira

Com palavras parecidas entre si que chamam atenção e de metáforas, o Manoel Bandeira retoma o movimento da onda neste breve e maravilhoso poema:

A onda

A onda
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

Pneumotórax – Poesia de Manuel Bandeira

Nesse poema que mas parece uma crônica que um poema, em uma real Libertinagem como a que se entitula o livro que foi publicado, o eu-lírico faz graça com sua condição na medida que apresenta uma narrativa, em um paralelo com a vida de Manuel Bandeira.

Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Vou-me embora pra Pasárgada – Poemas de Manuel Bandeira

Talvez o poema mais conhecido de Manuel Bandeira, Vou-me embora pra Pasárgada reflete um local maravilhoso, mostrando a intenção de fuga do Eu-lírico e o local para onde todos nós gostaríamos de ir em um determinado momento.

Pausa rápida na sua leitura, só para dois avisos:

Poema de bom dia: Amor

Então, estamos começando o projeto Poema de bom dia, e você pode participar. Para poder participar, basta enviar um e-mail para: [email protected] os seguintes dados: nome, idade, endereço, telefone, email e cpf + sua poesia escrita no corpo de e-mail + arquivo de áudio ou vídeo com a poesia declama.

Esperamos seu material!!!

Projeto Poema de bom dia

O projeto Poema de bom dia é uma realização da Produtora Demonstre. Uma homenagem aos poetas locais e nacionais do nosso Brasil. Poemas diários para preencher seu dia de inspiração!

Amor – Álvares de Azevedo

Amemos! quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!

Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu!
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d’esperança!
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!

Vem, anjo, minha donzela,
Minh’alma, meu coração…
Que noite! que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento,
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

Facebook: https://bit.ly/2qr1CXu
Instagram @poemadebomdia: https://bit.ly/2qrbzDI
Website: http://demonstre.com/

Não deixe de se inscrever no canal do demonstre: https://www.youtube.com/demonstrec

Depressão é algo sério! Veja este vídeo!

Nele explico o que é depressão, as causas da depressão e seus sintomas.

Agora pode voltar para o seu texto! <3

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe – d’água.
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Poética – Poesias de Manuel Bandeira

Nesta poesia repleta de metalinguagem, o autor e seu lírico discutem sobre a necessidade de sermos mais libertos, e de como podemos sim aderir a isso apesar de insistirmos em ser tão restritos e comedidos.

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

A estrela e o anjo – Poemas de Manuel Bandeira

Quando a gente deseja tanto algo ou alguém, que se caísse na nossa cama seria o melhor  momento de catarse possível.

poemas de Manuel Bandeira

A estrela e o anjo

Vésper caiu cheia de pudor na minha cama
Vésper em cuja ardência não havia a menor parcela de sensualidade
Enquanto eu gritava o seu nome três vezes
Dois grandes botões de rosa murcharam

E o meu anjo da guarda quedou-se de mãos postas no desejo insatisfeito de Deus.

Momento num café – Poesia de Manuel Bandeira

Quem não gosta, não é mesmo?

poemas de Manuel Bandeira - momentos num café

Momento num café

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.

Profundamente – Poemas de Manuel Bandeira

Essas relações que nem sempre a gente consegue justificar…

poemas de Manuel Bandeira - profundamente

Profundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

*

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

O último poema – Poesia de Manuel Bandeira

E para finalizar…

poemas de Manuel Bandeira - último poema

O último poema

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Obrigado por ler até aqui!

Então é isso pessoal, muito obrigado por ter visitado o post.

Tenho outras listas de poesias aqui no blog, incluindo a última que postei:

10 poesias para o Dia das Mulheres

Se curtiu o texto e o blog, curta também nossa fanpage e veja os produtos dos nossos anunciantes aqui na lateral.

Até mais! o/

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here