10 poemas de Vinicius de Moraes

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Olá, hoje o Demonstre criou uma lista de 10 poemas de Vinicius de Moraes. São poesias que trazem o lirismo típico do autor em versos – em sua maioria – sobre amor.

Vinicius de Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913 na cidade do Rio de Janeiro, com o nome de batismo Marcus Vinitius de Cruz de Melo Moraes. Foi poeta, compositor, cantor, dramaturgo, jornalista e diplomata. Entretanto, sempre considerou o ofício de poeta como sua maior vocação. Escreveu seus primeiros versos em 1922, enquanto ainda frequentava o colégio, e as primeiras canções em 1928.

Aos 17 anos de idade, ingressou na Faculdade de Direito da Rua do Catete, formando-se em 1933. No mesmo ano, publicou seu primeiro livro de poemas O Caminho Para A Distância pela Schmidt Editora. Dois anos mais tarde seu segundo livro, Forma e exegese, recebeu o prêmio Filipe d’Oliveira, além de comentários positivos de Manuel Bandeira. Chegou a publicar mais 10 livros de poesia ao longo de sua carreira. Nesse ínterim, também publicou livros de prosa, críticas cinematográficas, peças de teatro, e também lançou-se na indústria musical como cantor e compositor de MPB, samba e bossa-nova.

Poeta lírico, representante do Modernismo, Vinicius é comumente conhecido por seus sonetos, sempre abordando temas como o cotidiano, o amor, o afeto, a religiosidade e o sensualismo. E alguns destes sonetos estão presentes em nossa lista, juntamente de outras obras.

1. Poema de Vinicius de Moraes

Iniciamos a lista com A porta. Poema voltado para o público infantil que faz parte da obra A arca de Noé, publicada em 1970. É uma poesia que – metaforicamente – associa o homem, seu comportamento e sua maneira de tratar outros (bem ou mal) à uma porta.

A porta

Sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Não há nada no mundo
Mais viva que uma porta

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado

Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Eu fecho tudo no mundo
Só vivo aberta no céu!

2. Poema de Vinicius de Moraes

O próximo poema foi escrito em 1935 e publicado no mesmo ano no livro Forma e exegese. Trata-se de um poema de versos livres que denotam os sentimentos de um eu-lírico que não terá seu amor consumado, mas ainda insiste em manter a chama acesa por meio de uma paixão platônica.

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

3. Poema de Vinicius de Moraes

O poema a seguir foi originalmente escrito como canção, embora não tenha sido gravada. Publicado no livro Novos Poemas, de 1938, Ternura é a declaração de amor de um pai para sua filha, refletindo esse sentimento desde o nascimento da menina e durante todo o crescimento. É basicamente uma canção de ninar para se cantar antes de dormir.

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma…
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

4. Poema de Vinicius de Moraes

O próximo poema foi escrito em 1950 e publicado em 1954 na obra Antologia Poética. É um soneto que cria uma imagem metafórica da vida; os estágios de conhecimento e sabedoria; as experiências e decisões. Sobretudo, o eu-lírico enfatiza o tempo presente, sempre aproveitando o agora, apesar dos problemas.

Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
— Meu tempo é quando.

5. Poema de Vinicius de Moraes

O poema que se segue foi publicado postumamente em 2004, e também integrou o livro Poemas Esparsos, de 2008. Em Estudo, Vinicius verseja sobre seu sonho de poeta, deixando claro que, embora tenha tido outras profissões ao longo de sua vida, a poesia sempre foi sua paixão.

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Estudo

Meu sonho (o mais caro)
Seria, sem tema
Fazer um poema
Como um dia claro.

E vê-lo, fantástico
No papel pautado
Ser parte e teclado
Poético e plástico.

Com rima ou sem rima
Livre ou metrificado
– Contanto que exprima
O impropositado.

E que (o impossível
Talvez desejado)
Não fosse passível
De ser declamado.

Mas que o sonho fique
Na paz sine-die
Ça c’est la musique
Avant la poésie.

6. Poema de Vinicius de Moraes

O poema que se segue, Soneto de separação, discorre sobre a fugacidade do amor, o modo como tudo pode findar num instante. Seus versos apresentam antíteses que refletem a transição de um estado de espírito para o outro (riso torna-se pranto; calma tornou-se vento; etc.), o que denota o fim de uma relação.

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

7. Poema de Vinicius de Moraes

O poema a seguir foi publicado em 1937 no livro Novos Poemas. É um soneto onde o eu-lírico disserta sobre sua morada, identificando situações, coisas e momentos que lhe trazem o sentimento de reconforto e a sensação prazerosa de pertencer a algum lugar, o que, por sua vez, faz jus ao título.

Soneto de intimidade

Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

8. Poema de Vinicius de Moraes

No poema A Rosa de Hiroshima, o autor retrata o doloroso resultado do ataque contra a cidade de Hiroshima, Japão, ocorrido em agosto de 1945. O sofrimento das crianças, as mulheres desoladas, o poder radioativo da bomba atômica e suas consequências (câncer, por exemplo) estão entre as reflexões da poesia. Este poema foi publicado em 1954 como parte da obra Antologia Poética.

A rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

9. Poema de Vinicius de Moraes

O próximo poema foi publicado no livro Poemas, Sonetos e Baladas em 1946. Como boa parte das obras de Vinicius, este soneto também aborda temas concernentes ao amor, mas este aqui traz um paradoxo sentimental, pois, para o eu-lírico, o maior amor não é necessariamente o correspondido, mas aquele que ainda vibra e nunca fenece.

Soneto do maior amor

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

10. Poema de Vinicius de Moraes

O último poema da lista é um dos mais conhecidos de Vinicius de Moraes, Soneto de fidelidade. Seus versos decassílabos refletem o amor do eu-lírico por sua amada, demonstrando seu carinho e cuidado para com sua amada e, ao mesmo tempo, entregando-se totalmente a ela, apesar dos desafios de um relacionamento.

Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Obrigado por ler até aqui!

Vinicius de Moraes cresceu rodeado de poetas, cantores e compositores, o que provavelmente influiu em sua formação. Seus poemas também beberam da fonte de várias estéticas literárias: Trovadorismo, Romantismo, Parnasianismo, entre outros; (quase) sempre trazendo o lirismo típico de sua escrita. Em temas como o amor e a paixão, ele era extremamente visceral, como ficou evidente nesta lista.

Na manhã de 9 de julho de 1980, Vinicius foi a óbito por conta de um edema pulmonar. No entanto, apesar de sua morte, sua obra continua viva e atual, e – provavelmente – permanecerá assim por um bom tempo.

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