Olá pessoal, o natal está chegando e por isso, o Demosntre vai começar a postar uma série de textos temáticos sobre essa data comemorativa tão importante e esperado durante todo o ano. Vamos trazer sugestões de atividades, de leituras e outras ideias bem legais para você trabalhar em sala de aula. O primeiro texto da série de poesias sobre o natal. Espero que gostem!

10 poemas para o dia do Natal

Mais um Natal se aproxima. Junto dele, sentimentos de solidariedade, esperança e prosperidade pairam no ar. A espiritualidade, a religiosidade, a solidariedade e a amizade inerentes à essa data, ao que parece, fazem florescer tudo que há de bom no ser humano.

Para ajudar a espalhar esse espírito natalino, selecionei 10 poesias. São obras de poetas – em sua maioria – portugueses.

1 – Poesias sobre o natal de Mário de Sá-Carneiro

O primeiro poema é um poesia de Mário de Sá-Carneiro, escritor modernista português. Trata da alegria e expectativa infantil acerca deste dia tão especial.

10 poesias sobre o dia do Natal

A Noite de Natal

Era a noite de Natal
Alegram-se os pequenitos;
Pois sabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos.

Vão-se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes.

Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus lhes não deu nada.

– Deu-lhes sim, muitos bonitos.
– Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos.

2 – Poesias sobre o natal de Manuel Bandeira

As próximas três poesias foram escritas por Manuel Bandeira, um dos grandes poetas brasileiros (e o único brasileiro da lista). Todas estão acompanhadas pelas declamações de Roberto Mallet.

10 poemas para o dia do Natal

Canto de Natal

O nosso menino

Nasceu em Belém.

Nasceu tão-somente

Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas

O nosso menino.

Mas a mãe sabia

Que ele era divino.

Vem para sofrer

A morte na cruz,

O nosso menino.

Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita

O humano destino:

Louvemos a glória

De Jesus menino.

Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.

Natal sem Sinos

No pátio a noite é sem silêncio.
E que é a noite sem o silêncio?
A noite é sem silêncio e no entanto onde os sinos
Do meu Natal sem sinos?

Ah meninos sinos
De quando eu menino!

Sinos da Boa Vista e de Santo Antônio.
Sinos do Poço, do Monteiro e da Igrejinha de Boa Viagem.

Outros sinos
Sinos
Quantos sinos

No noturno pátio
Sem silêncio, ó sinos
De quando eu menino,
Bimbalhai meninos,
Pelos sinos (sinos
Que não ouço), os sinos de
Santa Luzia.

3 – Poesias sobre o natal de David Mourão Ferreira

O próximos versos são de David Mourão Ferreira, escritor e poeta português. “Voto de Natal” foi extraído do Cancioneiro de Natal, obra publicada em 1971 que venceu o “Prêmio Nacional da Poesia”.

10 poemas para o dia do Natal

Voto de Natal

Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho não se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas mãos! E a solidão estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida…
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
O calor destas mãos nos meus dedos tão frios?
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

Nasceu Um Menino, de José Régio

10 poemas para o dia do Natal

Nasceu um Menino

Nasceu, nasceu um Menino,
Nasceu um Menino mais,
No bercinho pouco fino
Das palhas duns animais!

Que num vil curral por quarto
E entre uns pedregulhos nus,
Teve a santa dor do parto
A Mulher que o deu à luz.

Mas de cada vez, no mundo,
Que mais um ser aparece,
Quem pode descer ao fundo
Do que o Destino nos tece?

À hora em que Este chegava,
Lá para um cerro distante,
Por cada fibra chorava
Una velho cedro gigante.

Chorava porque sabia
Que em seu peito condenado
Aquele Menino, um dia,
Seria crucificado.

Ora cada vez, no mundo,
Que nasce mais um Menino,
Quem pode descer ao fundo
Do que nos tece o Destino?

Já, pelos céus fora, um astro
Descendo sobre o curral,
Abre para sempre um rastro
De alvor sobrenatural.

E o velho cedro, que chora
Porque se julga precito,
Pelos séculos em fora
Será sagrado e bendito.

Que abertos pelos espaços,
No azul sereno e profundo,
Do sangue duns outros braços
Seus braços dão Vida ao mundo.

4 – Poesias sobre o natal de Miguel Torga

Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, Miguel Torga foi um importante escritor e poeta português do século XX. Torga escreveu inúmeros poesias natalinos, mas optei por Último Natal, obra de 1990, justamente por ser seus últimos versos sobre Natal.

10 poemas sobre o dia do Natal

Último Natal

Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Como ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.

5 – Poesias sobre o natal de Alberto de Serpa

“Natal” é uma poesia de Alberto de Serpa – poeta modernista português – que retrata a religiosidade tão comum desta celebração.

10 poemas sobre o dia do Natal

Natal

Os joelhos em terra,
as mãos erguidas, presas.
E Deus o céu descerra
aos murmúrios que rezas.

Brilham mais as estrelas.
Mais neve o céu derrama.
E, se por fora gelas,
por dentro és uma chama.

E beija a tua face
o luar que aparece,
como se Deus mandasse
um sim â tua prece.

6 – Poesias sobre o natal de Cabral do Nascimento

Para fugir do esteriótipo do Natal embranquecido pela neve, escolhi um poema de Cabral do Nascimento. Diferentemente do que se espera, estes versos natalinos evidenciam a tropicalidade. Outro clima, outras cores. Todavia, o espírito de Natal é o mesmo.

10 poesias sobre o dia do Natal

Natal Africano

Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz… Mas é Natal.

Que ar abafado! A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.

Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.

Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.

Obrigado por ler até aqui!

O Natal está longe de ser apenas uma data comemorativa. Seu objetivo vai muito além de reunir os familiares para uma celebração anual. Para cristãos Cristo é – e deve ser-  a figura central desta data. Tudo que ele pregou – amor, abnegação, perdão, fé, etc. – é o que nos instiga a ser cada dia melhores. Para aqueles que não são cristãos, a data passa valores de comunhão, união e afeto, trazendo sorrisos e carinho independente de crenças.

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