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A ONDA – Dica de filme

A onda: a experiência que saiu do controle

Sempre tive problemas para escrever sobre filmes, isso devido aos spoilers. Lembro que quando era crítico para alguns jornais e sites meus editores sempre puxavam a minha orelha por falar de mais. Isso que tinha liberdade para falar bem ou mal do filme… Bom, vou tentar ser sucinto e escrever pouco e de maneira que gere curiosidade em vocês.

Como os últimos textos que escrevi foram sobre educação, vou manter a linha e apresentar um dos melhores filmes que já vi relacionando experiências pedagógicas a reflexão política e social dos jovens. Ele alimenta o debate sobre ensino do pensamento político ao mesmo tempo que expõe os perigos dos movimentos radicais. Estou falando sobre “A Onda”, filme alemão, lançado em 2011 e que despertou minha curiosidade quando vi o trailer em um cinema da vizinhança.

No filme  um dos alunos de uma turma do ensino médio questiona o motivo de tantas pessoas acompanharem cegamente figuras ditatoriais como Hitler e o professor para responder essa questão decide cria um movimento secreto onde apenas os membros daquela turma poderiam participar. Utilizando do storytelling ele ambienta regras e adiciona comportamentos parecidos com o  que intitula “A Onda”, colocando os alunos como parte de uma sociedade aparentemente utópica e superior às demais.

O desfecho desse grupo é intenso e impactante, e  acaba servindo como um exercício próprio para que os alunos percebam a que nível o populismo e idolatria irracional, ferramentas do nazi-fascismo, fazem a pessoa chegar.

Acredito que ainda que não tenhamos uma postura geral dos corpos docentes quanto às ferramentas de incentivo a cidadania, e que mesmo que o discurso político em sala de aula seja delicado e complexo, é possível fazer os alunos pensarem em maneiras de fazê-los compreender o motivo de determinadas posturas, avaliando os diferentes movimentos e mostrando como posturas extremistas são perigosas para a sociedade.

A Onda é uma excelente referência e com um roteiro fantástico coloca de maneira sutil e impressionante o tema abordado. Super indico! <3

Obs: Hoje vivemos um dialogo intenso sobre o quanto os professores devem participar na formação do pensamento político dos alunos. Temos até projetos de lei, como o do Rogério Marinho, que tenta criminalizar o discurso político em sala de aula. Devo lembrar aqui que o professor acaba sendo a referência do aluno: 1º por ser o ser que mais entra em contato com o aluno depois dos pais; 2º por ser geralmente a primeira referência com estudo acima do 3º grau a manter diálogo contate com o mesmo; 3º ser aquele encarregado de mediar os conhecimentos enciclopédicos e fazer ter sentido o que a primeira vista é complexo para o aluno. Então, se houver uma lei para idiotalizar a população, só nos resta duas medidas: 1ª prender todos os professores, já que todo o discurso é político. 2º ignorar ela e continuar dando aula.

Bellini Bellini
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Felipo Bellini
Professor de inglês e tradutor. Leciono na educação básica como concursado pelo governo do estado do Rio Grande do Norte atuando no: Ensino Fundamental II, Ensino Médio regular e na Educação de Jovens e Adultos - EJA; gerencio a empresa Traduza, onde me responsabilizo tanto pela tradução de livros e artigos científicos, como orientação da equipe; e sou mestrando do programa de pós graduação em linguagem da UFRN. Na infância apresentei problemas de aprendizagem, o que me permitiu ter contato com diversas experiências para evoluir meu nível escolar, e no decorrer desse processo refletir a prática e interação como objetos necessários para a aquisição de conteúdo. Todo esse contato com as metodologias de aprendizagem e acompanhamento da minha família fez com que muito cedo assumisse minha primeira sala de aula, sendo monitor e depois professor em um curso pré-vestibular da cidade. O interesse na docência era claro, e com 17 anos entrei em Letras na UFRN. Participei desde o primeiro semestre de projetos de pesquisa e extensão; sendo os mais relacionados ao ensino o PIBID, o ÁGORA, o PROCEM e o Curso de Português para Estrangeiros com Cinema. Minha intenção era diversificar e experimentar o que estivesse ao meu alcance, afim de gerar o máximo de experiências na universidade. Por indicação consegui uma estadia para o País de Gales, no Reino Unido, onde fiquei durante 6 meses dando aula de português para estrangeiros na universidade de Cardiff, e recebi uma bolsa da CELTIC para cursar o nível C1 e um curso de literatura básico. No período fiz também o curso técnico de tradução acadêmica pela Cardiff Library (4 meses) e o de Counselor - Educational Issues (2 meses), o último me dando vivência dentro das escolas públicas do país. Após minha formação, em 2013, empreendi na área da educação, montando duas empresas. A primeira uma rede social para professores e alunos chamada TUTORA.ME, onde conseguimos a adesão de mais de 6 mil membros cadastrados, sendo mais de 25% deles ativos diariamente até o fim da plataforma no final de 2015. A segunda um cursinho popular chamado Garra-RN, onde o maior foco era o aprendizado dos alunos através da colaboração e aulas desafio. Esse método nos trouxe ótimos resultados na unidade de Goianinha, com mais de 70% dos alunos aprovados nos concursos públicos de interesse no fim de 2015 e início de 2016. Hoje posso dizer que minha maior motivação são as aulas que leciono no ensino público, onde sou concursado desde 2014. Adoro sair das aulas e ouvir dos alunos que eles tiveram a melhor aula até o momento. Minha busca está na transformação do espaço social e em como conseguir engajamento e metrificar a performance dos meus alunos através de suas atitudes pró-aprendizagem. Neste processo de formação docente que continuo passando encontrei no desenvolver da leitura e escrita com o alunado a resposta para precipícios sociais que nas dinâmicas e brincadeiras costumeiras das aulas de inglês não evidenciava. Passei a inserir dentro das aulas de inglês diversas atividades para resolver os problemas escolares e da comunidade, sempre na perspectiva do aluno. Foram desde cartas de protestos até fanpages para campanhas sociais. Pesquisas comunitárias, projetos de empreendedorismo e até um projeto de escola bilíngue que nas discussões me motivaram a seguir adiante e procurar o curso de Especialização do Ensino da Escrita, onde pretendo me aprimorar e retornar o máximo que puder para os meus alunos.

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