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AIDS: Como abordar o tema em sala de aula?

Bellini Bellini
dez 01, 2015
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 Dia internacional da luta contra a AIDS

Casa nova e post caprichado. Hoje vamos falar profundamente sobre como tratar a AIDS em sala de aula, indo desde a importância de criar campanhas de prevenção, até o tratamento com crianças soro positivo em sala de aula, e também muito material de apoio como planos de aula, vídeos, guias e afins. Espero que gostem do conteúdo!!!

Dia mundial contra a aids - A vida é mais forte

1º de dezembro é o dia da luta mundial contra a AIDS.

Para o docente, como abordar o tema em sala de aula pode ser uma dúvida pertinente, já que apesar de no mundo adulto a maioria das pessoas já terem ouvido falar sobre a AIDS, nem todas elas compreendem seus aspectos verdadeiramente como, por exemplo, a diferença entre a AIDS e o vírus HIV. Antes de entrar na didática propriamente dita é importante por os pingos nos “is”, para não haver dúvidas acerca da doença. A sigla AIDS é proveniente do inglês e em tradução livre significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Ou seja, ela é a doença. Tal doença possui um vírus causador, o chamado HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana).

Imunodeficiência é basicamente a incapacidade de um sistema defender-se de agentes invasores tais como vírus e bactérias. A AIDS não acontece naturalmente no organismo, ela é causada pelo vírus HIV e cabe o professor explicitar claramente isso. Um dos maiores problemas acerca da AIDS e do HIV é que o vírus pode ficar incubado por muito tempo no organismo antes da doença apresentar os sintomas. Isso significa que é possível ter o HIV sem ainda ter desenvolvido a AIDS.

Esse é um tema de saúde pública muito importante, porém existe certo receio ao debater temas relacionados à ele e ao sexo, principalmente em sala de aula. No caso das crianças, por exemplo, é preciso que o docente aborde o tema de forma a sim, conscientizar o aluno, entretanto, utilizando uma abordagem de fácil compreensão.

Para alunos do Ensino Fundamental I e II, é possível passar os primeiros cuidados básicos de prevenção da doença. A faixa etária que compreende o Ensino Fundamental I e II é de crianças que já são mais conscientes e possuem a capacidade de absorver melhor a informação do que seus coleguinhas da Educação Infantil. Então, você educador poderá começar a falar sobre o básico antes de abordar diretamente a AIDS e o HIV, como por exemplo:

  • Salientar a importância da boa alimentação e incentivar prática de exercícios físicos. – afinal, isso contribui diretamente para a saúde do organismo e aumento da capacidade de resposta do sistema imunológico.
  • Alertar sobre a importância de cuidados regulares com a higiene pessoal. Já é provado cientificamente que pessoas com uma boa higiene bucal (escovação e uso de fio dental regular) possuem menor risco de contrair doenças cardíacas. Nesse caso específico; bactérias que se alojam pela boca quando não há limpeza adequada circulam pela corrente sanguínea e podem se alojar no coração, e isso causa uma doença chamada endocardite bacteriana.

Esse foi apenas um exemplo de como cuidados básicos com o corpo ajudam a proteger a saúde. Nessa fase, o professor poderá utilizar-se de uma parceria com a disciplina de ciências (ou biologia) para ensinar de maneira simples como os vírus e bactérias agem (conforme o ano da turma e o nível de conhecimento destes) e quais riscos nós sofremos ao contraí-los em nosso organismo.

É extremamente importante o professor proporcionar essa base ao lado das disciplinas de ciências e biologia, porque o HIV é exatamente isso: um vírus, e as tais disciplinas podem fornecer o conhecimento necessário para que o tema seja abordado em seguida. Então, quando o aluno sabe de maneira simples (ou mais complexa conforme o ano e grau de conhecimento da turma) o que são os vírus e as bactérias, você já terá boa parte do trabalho realizado, tornando necessário apenas focar-se no vírus da AIDS propriamente dito.

Mitos a serem desmistificados sobre a AIDS

1º de dezembro - Dia mundial contra a aids

Existe um preconceito muito grande para com os portadores do vírus da AIDS no Brasil e em todo o mundo. Muitas vezes os alunos pensam que o simples toque ou contato físico não sexual já é capaz de transmitir o vírus e respectivamente sua doença. Isso não é verdade. Esses mitos acabam isolando o portador do vírus HIV simplesmente porque as pessoas receberam informações equivocadas e acreditaram nelas. Cria-se à partir disso quase que indivíduos intocáveis. Imagine então é essa situação para uma criança ou adolescente portadores do vírus HIV?

Conforme o site oficial do governo federal; segue as verdadeiras formas de contágio da doença, que precisam ficar claras:

HIV/AIDS

Como o HIV, vírus causador da AIDS, está presente no sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno, a doença pode ser transmitida de várias formas:

  • Sexo sem camisinha– pode ser vaginal, anal ou oral.
  • De mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou na amamentação – também chamado de transmissão vertical.
  • Uso da mesma seringa ou agulha contaminada por mais de uma pessoa.
  • Transfusão de sangue contaminado com o HIV.
  • Instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados.

Evitar a doença não é difícil. Basta usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar seringa, agulha e outro objeto cortante com outras pessoas. O preservativo está disponível na rede pública de saúde. Caso não saiba onde retirar a camisinha, ligue para o Disque Saúde (136).

Créditos ao site do governo federal: http://www.aids.gov.br/.

Outra dúvida comum não só para os alunos como também para muitos professores é se o contato da pele com o sangue contaminado pelo vírus HIV é capaz de transmitir contaminar o indivíduo saudável. A resposta é não. Desde que a pele do indivíduo saudável não esteja machucada, sangrando, ou adoecida a epiderme tende a ser uma barreira eficaz.

O vírus HIV precisa entrar na corrente sanguínea para ser capaz de infectar alguém. Porém, entrar em contato com o sangue de uma pessoa nunca é indicado, tenha ela HIV ou não, pois, existem microrganismos no sangue e doenças como a Hepatite são mais fáceis de serem contraídas.

Alunos do ensino médio certamente podem ser informados de maneira mais explícita sobre os aspectos citados até então. Crianças da Educação Infantil, porém, certamente que não. A dica é também abordar o estímulo a práticas saudáveis. E no que tange a aprender mais sobre a doença de forma educativa e solidária, esse vídeo pode ajudar e muito, pois foi produzido exatamente para conscientizar as crianças:
https://www.youtube.com/watch?v=i7fTXRb3EX0

Existe alguma criança portadora do vírus da AIDS na sua escola?

Dia mundial contra a aids

Nós sabemos que as crianças mal sabem o que é HIV e o vírus da AIDS, mas é essencial ensiná-las que o coleguinha portador não irá infectá-lo e que eles podem brincar juntos normalmente, apenas evitando algum tipo de contato sanguíneo. Seus alunos, independentemente da idade precisam saber que poderão interagir tranquilamente com portadores soropositivos e que acima de tudo devem respeitá-los como o fariam com qualquer outra pessoa.

No caso de existir alguma criança ou adolescente soropositivo na sua escola, você professor sabe o que fazer? Como integrá-lo com a turma acima de qualquer preconceito? Qual a importância da coordenação e da comunidade? Como agir? Quais são os cuidados especiais para crianças portadoras do vírus HIV? O que há de se fazer de diferente?

Por conta de desses questionamentos dos profissionais da educação e das escolas a ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS – criou uma cartilha chamada A AIDS E A ESCOLA: Nem indiferença, nem descriminação. Esse material pode ser baixado gratuitamente em seu desktop ou smartphone e discute não somente sobre a AIDS, mas também discute sobre a sexualidade e as drogas nas escolas, que inclusive são dois potenciais meios de transmissão da doença. Com esse material você terá um passo-a-passo completo:

http://www.abiaids.org.br/_img/media/aids%20e%20escola.pdf

Material de Apoio para Prevenção às DSTs:

Prevenção às DST/AIDS em Ações de Saúde e Educação. – É um trabalho voltado para a Educação no Brasil, ou seja, trata da nossa realidade. Essa cartilha fala, dialoga com o docente sobre as perspectivas culturais da sexualidade contemporânea, comenta sobre as atribuições dadas aos grupos de risco no país, reflete sobre os estereótipos atribuídos aos portadores, além da figura da mulher nesse contexto.

http://www.redece.org/prevaids.pdf

Atividades sobre Sexualidade e AIDS:

140 jogos e atividades sobre a sexualidade.
https://jucienebertoldo.files.wordpress.com/2013/05/140-atividades-e-jogos-sobre-sexualidade-e-sc3a1ude.pdf

Exercícios de perguntas e respostas que podem ser aplicados em sala.
http://exercicios.mundoeducacao.bol.uol.com.br/exercicios-biologia/exercicios-sobre-aids.htm
http://exercicios.brasilescola.uol.com.br/exercicios-biologia/exercicios-sobre-transmissao-aids.htm

Atividades sobre sexualidade. Possui diversas dinâmicas em grupo.
https://jucienebertoldo.files.wordpress.com/2013/05/sugestc3b5es-de-atividades-sobre-sexualidade-dinc3a2micas-de-grupo.pdf

Atividade sobre a AIDS para EJA
http://revistaescola.abril.com.br/blogs/eja/2014/06/18/atividade-sobre-aids-na-eja-esclarecer-duvidas-e-quebrar-preconceitos/

Planos de Aula sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis

Para o Ensino Fundamental I – Prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis.
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=22472

Para o Ensino Fundamental II – Plano de aula sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis.
http://cantinhoensinandoeaprendendo.blogspot.com.br/2012/06/plano-de-aula-dst.html

Plano de aula sobre a AIDS.
http://educacao.uol.com.br/planos-de-aula/fundamental/ciencias-aids.htm

Para o Ensino médio – Doenças Sexualmente Transmissíveis.
http://educacao.uol.com.br/planos-de-aula/medio/biologia-dst—doencas-sexualmente-transmissiveis.htm

Vídeos Extras Sobre o TEMA

Vídeo educativo: Brincar e crescer com HIV. Trata-se de um vídeo muito interessante que fale de como as crianças com AIDS descobrem a doença, como ela deve ser informada sobre a doença e orientada conforme a sua faixa etária. Conta com depoimentos e a opinião de uma psicóloga.

Ele aborda de uma maneira muito didática a melhor maneira de falar sobre a AIDS conforme a idade, desde os mais novos, tratando o vírus como “um bichinho” quando pequena, depois dizendo que de fato é um vírus, quando já tiver aprendido esse conceito em ciências e biologia.
https://www.youtube.com/watch?v=UMu186wq2T4

Vídeo de Campanha sobre o HIV – conteúdo indicado para Ensino Médio e EJA. Possui tom humorístico que basicamente conscientiza para o uso da camisinha. Não é recomentado para alunos abaixo do ensino médio por conta de desenhos explícitos.
http://tvuol.uol.com.br/video/sexovideo-educativo-sobre-a-aids-04021C3068CC818326

Conclusão <3

Com base nos métodos de abordagem, nas desmistificações acerca do vírus HIV e da AIDS, além das atividades, materiais de apoio, planos de aula e extras, com certeza você educador estará altamente munido para abordar o tema em sala nessa data tão importante que é o Dia Mundial de Combate a AIDS – em 1º de Dezembro. Somente com a conscientização em todos os níveis de ensino é que protegeremos nossas crianças e jovens não somente da do vírus da AIDS como também de outras doenças sexualmente transmissíveis e do preconceito.

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10 Comentários

  1. Ultimamente a pessoas não estão muito interessadas em AIDS e HIV. Agem como se o perigo houvesse passado e pudéssemos relaxar. A AIDS ainda é um perigo que ronda. AIDS não tem cara e não é doença de um grupo definido. E ao mesmo tempo que tem que se prevenir contra a AIDS é preciso combater o preconceito. Os aidéticos ou soro positivos não tem culpa de terem sido contaminados, não são pessoas piores por isso. Ninguém irá contrair AIDS por abraçar alguém contaminado.
    É importante falar de AIDS e dos preconceitos envolvidos para a crianças na mais tenra idade e reforçar e aprofundar sempre o tema quanto ficam maiores. É importante que fique claro a gravidade do tema e que a prevenção é possível.

    Reply
    • Oi Angi! Seja super bem vinda ao Demonstre.com !

      De fato a AIDS é um problema real, e vivenciamos hoje uma real epidemia, que infecta a população em números exponenciais. Perceba que isso não se limita aos índices estatísticos percentuais apenas, mas aos valores reais, pois quando saímos dos gráficos percentuais e partimos para os números de fato, percebemos que a transmissão do HIV só se multiplica. Sem dúvidas um motivador disso é não tratar do problema nas escolas, que enquanto a atividade sexual da maioria dos jovens começa em seus 13/15 anos, os setores pedagógicos e sociais ainda são cheios de TABUS e PRECONCEITOS, limitando a discussão de qualquer tema, deixando que o jovem comece na vida sexual sem qualquer orientação.

      Reply
    • Angi, concordo plenamente com você. Parece que as pessoas esqueceram que a AIDS existe. O professor Felipo do Demonstre foi bloqueado no facebook por uma aluna só porque postou esse post e outros sobre o assunto. Ela falou que não concorda que se deve falar de sexo e AIDS nas escolas abertamente. Uma menina do ensino fundamental. Imagine o restante da população. A AIDS continua a ser um tabu. As pessoas desconhecem e têm medo e discriminam quem é soropositivo. Pura ignorância. Como disse brilhantemente o primeiro ministro do Canadá, Trudeau, do porquê da metade da sua equipe ser de mulheres: “Porque estamos 2015”. Estamos em 2015 mas a sociedade age como se todas as lutas e avanços do século XX não existissem. O Brasil mesmo passa por uma onda de radicalismo sem precedentes, apesar de certos avanços contra o racismo e a violência contra mulher, por exemplo, e que mesmo assim ainda sofrem criticas. Temos que falar e falar até que as pessoas não encararem a AIDS como bicho de sete cabeças. É possível viver e viver bem sendo soropositivo desde que se cuide e outra coisa, a doença não se passa só de coexistir no mesmo lugar da pessoa portadora do HIV. Apesar de absurdo as pessoas ainda acham que a AIDS é uma sentença de morte e que é loucamente transmissível. Ao mesmo tempo o número de casos tem aumentado absurdamente e isso não está saindo na mídia. Sei de pessoas que contaminam outras sem saber, sei também de outras que contaminam de propósito e isso acontece porque as pessoas não estão se protegendo como deveriam. Estão vivendo com uma falsa segurança, como se não tivessem mais riscos de se pegar a AIDS ou qualquer outra doença sexualmente transmissível. Temos que mudar esse cenário com urgência.

      Reply
  2. Fico impressionada com a paixão da Maryane. Você tem sede de informar o mundo. Muitas pessoa tem a arrogancia de ter conhecimento para si, sem se importar com o mal que a ignorância ( no sentido de falta de conhecimento) faz à vida das pessoas.
    Confesso que me emocionei com a sua resposta, tive aimpressão que você anseia por salvar o mundo. Imagine se todas as pessoas fossem como você, porque não são apenas os políticos e poderosos que estragam o mundo. Se todas a pessoa não apenas desejassem o bem, mas desejassem com essa força, não teriamos problemas.
    O felippo tbem é super do bem, mas você é muito idealista 🙂 🙂

    Reply
    • Naomi, fico muito feliz que tenha gostado do meu comentário. Acho mesmo que nós detentores de informação devemos passá-la adiante para que esse cenário de ignorância melhore. Pois a luta contra a ignorância é o meio mais eficaz e prático para se combater a discriminação e os tabus. Espero que continue acompanhado o blog. Hasta! 😀

      Reply
  3. Tabus, preconceitos, crença, fanatismo, tudo isso é um entrave no desenvolvimento de um povo. Muitas coisas que poderiam ajudar as pessoas ficam impossibilitadas de serem postas em prática porque as pessoas não conseguem lidar de forma adulta com certos assuntos.

    Reply
    • João Paulo, concordo plenamente com você! Esses tabus e preconceitos acabam por engessar nossa sociedade e tornar agressões e violências a outras pessoas como aceitáveis dentro da sociedade que de civilizada só tem a teoria. O blog vai tratar em seus posts de mais assuntos tabus e outros tidos como polêmicos exatamente para contribuir com a desmistificação dos mesmos. Espero que acompanhe o blog e ajude-nos lutar contra essas ideias que só trazem entraves, como você mesmo disse. Hasta! 😀

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  4. Não dá para descuidar, a AIDS é uma doença muito séria e se a globo não fala as pessoas pensam que não existe ou que não precisamos nos preocupar. A globo só se interessa pelo que dá ibope. O telejornalismo não tem como objetivo informar, mas usar a informação para ter ibope.

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    • Sarah, infelizmente não só a Globo mas muitos outros canais são utilizados como ferramentas de controle. Sabemos disso. E sem dúvida se o cenário fosse outro e houvessem campanhas e mais campanhas que informassem sobre essa e outras doenças de forma massiva como a tv possibilita, por exemplo, a desinformação sobre a AIDS seria muito menor. Mas podemos contribuir para diminuir a ignorância falando sobre a AIDS e sobre outras doenças, compartilhando ou escrevendo textos e matérias explicativas. Espero que continue acompanhando o blog. Aceitamos sugestões de temas para os posts. Hasta! 😀

      Reply
  5. Na novelinha Malhação tem um rapaz que é soro positivo, a trama ainda não revelou mas já deu todos o indicativos. Bem interessante a mídia abordar esse assunto chacoalhar a molecada.

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