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Os benefícios da Inclusão: a diversidade na escola

Bellini Bellini
maio 01, 2017
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Olá, vamos aqui para o nosso segundo texto da série inclusão social. Já falamos sobre o deficiente enquanto ser social, e desta vez famos falar especificamente dos benefícios da inclusão, nos baseando no argumento da equidade para construirmos uma escola mais humanizada.

Lembro que este post é patrocinado pela Prominas Online, que está dando uma força na manutenção do blog Demonstre. Se quiser apoiar os nossos textos e conteúdos, não deixe de entrar em contato, ok? Bom, vamos ao debate:

Os benefícios da inclusão

A verdadeira inclusão social é baseada em equidade, não igualdade. Os dois termos podem parecer bastante similares, mas não poderia estar mais distantes: igualdade é a premissa que garante tratamento idêntico para todas as pessoas, em todas as situações. Equidade, no entanto, é o princípio de tratar-se diferentemente cada indivíduo, de forma a oferecer-lhe as mesmas possibilidades e oportunidades que os demais indivíduos gozam na sociedade.

Quem gosta de redes sociais já foi apresentado a diferentes representações desses dois conceitos. Uma representação famosa apresenta um quadrinho onde um elefante, um macaco, uma galinha e um peixe estão diante de uma mesa de juízes. O juiz se dirige ao grupo dizendo: “Vou oferecer uma refeição gratuita a um de vocês. Para decidir quem, vamos submetê-los a uma prova: todos têm que subir uma árvore. Quem completar mais rapidamente a tarefa, ganha a refeição”.

os benefícios da Inclusão

A representação é excelente: dos animais mencionados, apenas um tem habilidades necessárias para completar a tarefa. Ao tratar todos de maneira idêntica o juiz está, na verdade, prejudicando a maior parte do grupo e favorecendo apenas um dos animais.

Há inúmeros quadrinhos e representações como essas inundando as redes sociais todos os dias. Muito pode ser dito a respeito do que é um tratamento baseado na equidade, não na igualdade – e como proceder para sempre garantir esse tratamento na sociedade. Muito pouco é dito, porém, a respeito dos resultados dessa atitude.

Crianças que convivem com deficientes tendem a ver a deficiência como uma parte natura da vida, aceitando esses indivíduos sem julgamentos e se desenvolvendo em um universo em que ajuda-los é uma prática do dia a dia. Ao mesmo tempo, deficientes que convivem normalmente em sala de aula com crianças sem deficiências se desenvolvem mais plenamente, incluindo habilidades sociais mais amplas e capacidade de interagir melhor com o mundo e a sociedade.

Para validade isso, podemos avaliar como criamos transtornos em pessoas saudáveis na medida que as isolamos do convívio social. Uma criança isolada, que convive apenas com seus familiares diretos, tende a desenvolver timidez extrema e uma dificuldade enorme de se comunicar claramente com outras pessoas – sofra ela de uma deficiência ou não. Nos casos mais graves, essa socialização falha pode levar a graves problemas psicológicos e, no caso de alguns tipos de deficiência mental à ocorrência de surtos de pânico ou agressividade assim que um desconhecido se aproxima, fala ou toca a pessoa. Ao contrário, a socialização plena ajuda no desenvolvimento da cognição e capacidades motoras, facilitando a execução de tarefas do dia a dia e ampliando a capacidade mental.

Garantindo a inclusão plena

Para que haja de fato inclusão social, é necessário encarar todos os indivíduos como pessoas diferentes, que têm suas próprias necessidades, facilidades, talentos e dificuldades. Ao enxergarmos a sociedade como um grupo de pessoas que têm talentos e habilidades distintas, é fácil entender que um grande intelectual pode, por exemplo, não ter grandes habilidades atléticas– o esporte, nesse caso, pode ser considerado como a deficiência desse grande intelectual. Sob esse ponto de vista, todas as pessoas têm talentos e deficiências – e isso faz com que as pessoas com deficiências graves sejam tão normais quanto aquelas que, do ponto de vista médico, não possuem deficiências.

Unindo essa visão de mundo com o conceito de equidade e transmitindo às nossas crianças essa realidade ideal, é fácil vislumbrar um futuro onde não haja discriminação. Para chegarmos a essa utopia, basta ter a disposição de agir no mundo levando em conta esses dois princípios: todas as pessoas têm talentos e deficiências; e é necessário oferecer a todos as mesmas condições e oportunidades – o que significa que, em alguns casos, precisamos oferecer ferramentas que não existem nos corpos ou cérebros de algumas pessoas.

educação inclusiva

Na escola, isso pode parecer um pouco mais complexo. No entanto, o MEC – Ministério da Educação garantiu, em sua Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, publicada em 2008, uma série de premissas que podem ajudar o professor a garantir um ambiente de plena inclusão social, criando não apenas indivíduos melhores para o futuro, como uma comunidade melhor no presente. Para o professor, que lida com essas premissas no dia a dia, é importante observar as seguintes condições e, na sua ausência, buscar o auxílio da coordenação pedagógica, corpo docente, poder público e comunidade escolar, para garantir que as devidas adaptações sejam feitas.

Adaptações físicas

Todos os alunos precisam ter acesso a todas as atividades sem sofrer com problemas de natureza arquitetônica (falta de rampas de acesso, pisos adequados e locais para trânsito de cadeira de rodas, etc.) ou de necessidades físicas básicas (ambiente com iluminação adequada, sem odores ruins, bem ventilado, sem sofrer frio ou calor intensos, onde seja possível sentar-se confortavelmente, gozando o uso de ferramentas como órteses e próteses, cadeiras, comunicação alternativa, softwares ou materiais que possam ser lidos ou ouvidos em volume ou zoom adequado).

Adaptações psíquicas

saúde mental na escola

Os alunos devem ter acesso a um ambiente seguro, onde suas dúvidas ou problemas possam ser discutidos sem medo e com confiança de solução (há problemas familiares que possam prejudicar o desenvolvimento do aluno, problemas de natureza psicológica ou naturais de seu desenvolvimento e idade – nesses casos, acompanhamento psicológico, aconselhamento e acompanhamento de um especialista podem ser indicados).

Adaptações pedagógicas

adaptações pedagógicas

Todos os alunos devem ter acesso a todas as atividades sendo desenvolvidas em sala de aula, sem restrição (caso a atividade não possa ser adaptada para incluir todos é necessário buscar outro tipo de atividade, dessa vez inclusiva. Os alunos precisam de materiais adaptáveis e de atividades que possam, mesmo com ajuda dos colegas, serem desempenhadas por todos, sem exceção).

Adaptações tecnológicas

adaptações pedagógicas

É importante oferecer aos alunos um ambiente onde haja contato com a tecnologia, aspecto tão importante do dia a dia atual – sempre de maneira segura, zelando pela integridade, saúde e bem-estar de todos os indivíduos (em alguns casos, a tecnologia pode substituir materiais impressos oferecendo zoom, leitura em voz alta, ferramentas de comunicação alternativa, possibilidade de integração e participação em discussões de grupo e em atividades que antes segregariam o portador de deficiência e, em alguns casos, até permitir que o aluno se sinta mais seguro para discutir problemas psicológicos ou de compreensão com os demais sem medo de se expor).

Havendo dúvida de como proceder para garantir o desenvolvimento e inclusão de todos os alunos em sala de aula – e na sociedade – busque aconselhamento junto a um profissional especializado em educação inclusiva, educação especial, ludopedagogia ou psicopedagogia: esses profissionais têm o treinamento adequado para diagnosticar problemas e indicar diversos caminhos e soluções que podem ser colocados em prática por toda a comunidade escolar.

Um caminho para atingir os benefícios da inclusão:

Quer se tornar um desses profissionais especializados? Dê uma olhada no curso de LUDOPEDAGOGIA E PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL, uma pós-graduação de 495 horas para professores e profissionais da área de educação que aborda diversos aspectos da educação inclusiva para todos os alunos que possam estar com problemas de natureza permanente ou passageira, como:

  • A intervenção e avaliação psicopedagógica
  • Introdução à psicopedagogia e inclusão social
  • Neurociência e aprendizagem
  • Problemas de aprendizagem e fracasso escolar
  • Psicologia da aprendizagem e desenvolvimento

Então é isso. Acesse o link deles e saiba mais sobre esse tema tão interessante. e por favor não deixe de comentar. Preciso saber se o texto está bacana e como melhorar.

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6 Comentários

  1. Texto muito produtivo no tocante a necessidade das escolas, como também sociedade civil, entender como melhor interagir, na socialização, de pessoas com necessidades específicas, dentro do âmbito escolar e social. Precisamos de atitudes como essa, para que possamos entender e compartilhar ideias que podem ser comum a todos e não restrita a um grupo isolado.
    É necessário entender que todos nós somos diferentes, por isso somos todos especiais.

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  2. Muito bom!!
    Objetivamente mostra os aspectos relevante para se enxergar a natureza do ser “especial” ou diferente (não importa a nomenclatura) o que há na realidade, são pessoas, pessoas que amam viver independente dá sua, da minha, dá nossa forma de ver os outros e o mundo.

    Parabéns! Adoreio texto.?

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  3. Texto riquíssimo q permite ampliar nosso conhecimento de forma coerente e q pode ajudar em diferentes situações q possa surgir em sala d aula.

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  4. O post foi extremamente pontual e tocante. A charge representa muito bem as condições de disputa na sociedade atual. Me lembra um pouco a discussão sobre a lei de cotas e inclusão social racial. Nossa sociedade ainda está longe de alcançar um patamar de julgamentos justos, mas fazer as pessoas refletirem com textos como este é um passo essencial. Parabéns e obrigado!

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  5. Pingback: Inclusão - as políticas públicas têm avançado no Brasil?

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