Bom dia criatura maravilhosa que acompanha o “Uma poesia por dia”. Hoje o poeta é Bertold Brecht, com seu poema “Louvação da Desmemória”, Narrado por Felipo Bellini e traduzido por Geir Campos.

Louvação da desmemória

Boa é a desmemória!
Sem ela, como iria
deixar o filho a mão que lhe deu de mamar,
que lhe emprestou força aos membros,
e que o retinha para o experimentar.

Ou como iria o aluno deixar o mestre
que lhe emprestou o saber?
Com o saber emprestado
cumpre ao discípulo pôr-se a caminho.

Na casa velha
os novos moradores entram;
se lá estivessem ainda os que a construíram,
seria a casa pequena demais.

O forno esquenta, e do oleiro
ninguém se lembra mais. O lavrador
não reconhece o pão depois de pronto.

Como levantar-se de novo o homem de manhã, sem
o esquecimento que apaga os rastros da noite?
Como iria, quem foi ao chão seis vezes,
levantar-se pela sétima vez
para amanhar o pedregoso chão,
para subir ao perigoso céu?

É a fraqueza da memória que dá
força à criatura humana.

Bertold Brecht
(tradução de Geir Campos)

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