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Cem Anos de Solidão – Uma análise completa e resenha literária

Bellini Bellini
jul 19, 2017
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Cem anos de solidão e Gabriel García Márques são nosso ponto de discussão hoje.

Depois de uma leitura aprofundada, de muitos diálogos e conversas, estamos aqui para nos debruçar sobre esse clássico moderno e esmiuçar cada ponto de uma maneira divertida e invormativa.

Conto contigo para explorar essa resenha literária, resumo, análise ou seja lá como queira chamar. Vamos lá!?

CEM ANOS DE SOLIDÃO: UMA RESENHA LITERÁRIA

O maior ícone da literatura colombiana, Gabriel García Márquez é o autor de hoje com a sua obra Cem Anos de Solidão, um divisor de águas para a cultura do povo colombiano. Vale a pena conferir o presente que nosso vizinho colombiano nos concedeu!

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ: QUEM FOI E SOBRE O QUE ESCREVIA?

Quando se pronuncia o nome de Gabriel García Márquez, três ideias vêm imediatamente à cabeça: Cem Anos de Solidão, América Latina e Socialismo.

Gabriel García Márquez nasceu em 1927, em Aracataca, Colômbia. Os anos de sua primeira infância marcaram decisivamente seu trabalho como escritor; a fabulosa riqueza da tradição oral latino-americana transmitida por seus avós nutriu boa parte de sua obra.

García Márquez estudou direito e jornalismo na Universidade Nacional de Bogotá, tendo nessa época iniciado suas atividades como jornalista.

Publicou sua primeira novela, La Hojarasca, em 1955, aos 28 anos, dando início a uma brilhante carreira literária que se estendeu até o fim de sua vida.

García Márquez acompanhou de perto o movimento guerrilheiro que culminou na Revolução Cubana (1959) e ajudou a fundar a Prensa Latina, agência de notícias cubana comprometida com os movimentos de libertação nacional no continente.

Cem Anos de Solidão (Cien Años de Soledad) foi publicado em 1967. É a obra mestra de Márquez, considerada umas das novelas mais importantes do século XX, tendo concedido ao autor o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Com uma perfeita estrutura circular, a novela cria um mundo próprio, recriação mítica do mundo real da América Latina, com um estilo que foi denominado “realismo fantástico”, pelo encontro constante do real com motivos e elementos fantásticos.

Gabriel García Márquez morreu em 2014.

Passaremos agora à análise de Cem Anos de Solidão e seu uso como material paradidático.

RESUMO DE CEM ANOS DE SOLIDÃO

O livro narra a história da família Buendía ao longo de sete gerações na cidade fictícia de Macondo.

José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán são um casal de primos que se casaram cheios de maus presságios e temores em função de seu parentesco, e do mito existente na região de que sua descendência poderia nascer com rabo de porco. José Arcadio Buendía mata Prudêncio Aguilar, após este tê-lo provocado mencionando os boatos que circulavam na cidade, segundo os quais José Arcadio e Úrsula nunca haviam tido relações sexuais em um ano de casamento (devido ao medo de Úrsula de que nascesse uma criança com rabo de porco).  Entretanto, Prudêncio Aguilar segue aparecendo para José Arcadio como fantasma. Esse é o motivo que leva José Arcadio Buendía e Úrsula a partirem. No meio do caminho, José Arcadio Buendía tem um sonho em que aparecem construções com paredes de espelhos e, perguntando seus nomes, respondem “Macondo”. Assim, ao despertar do sonho, ele decide parar a caravana, abrir uma clareira na mata e povoar o local.

A cidade é fundada por diversas famílias lideradas por José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán, que tiveram três filhos: José Arcadio, Aureliano e Amaranta (nomes que se repetirão nas próximas gerações). José Arcadio Buendía, o fundador, é a pessoa que lidera e se informa com as novidades que os ciganos trazem à cidade (ele tem uma amizade especial com Melquíades, que morre em várias ocasiões e que seria fundamental para o destino da família), e termina sua vida amarrado à árvore onde aparece o fantasma de seu antigo inimigo Prudêncio Aguillar, com quem conversa. Úrsula é a matriarca da família, que vive durante mais de cem anos cuidando da família e do lar.

A cidade vai crescendo pouco a pouco e com esse crescimento chegam habitantes do outro lado do pântano. Com eles vai se incrementando a atividade comercial e a construção em Macondo. Inexplicavelmente chega Rebeca, a quem os Buendía adotam como filha. Por desgraça, com ela também chega a epidemia de esquecimento, causada pela epidemia de insônia. A perda de memória obriga os habitantes a criarem um método para lembrar das coisas e José Arcadio Buendía começa a etiquetar todos os objetos para recordar seus nomes; entretanto, esse método começa a falhar quando as pessoas também se esquecem de ler. Um dia, Melquíades regressa da morte com uma bebida para reestabelecer a memória que surte efeito imediatamente e, em agradecimento, é convidado a viver na casa. Nessa ocasião, Melquíades escreve uns pergaminhos que só poderiam ser decifrados cem anos depois.

Quando a guerra civil é deflagrada, a população toma parte ativa no conflito ao enviar um exército de resistência, dirigido pelo coronel Aureliano Buendía (segundo filho de José Arcadio Buendía), para lutar contra o regime conservador. Em Macondo, enquanto isso, Arcadio (neto do fundador e filho de Pilar Ternera e José Arcadio, o primeiro filho de José Arcadio Buendía) é designado por seu tio chefe civil e militar, e se transforma em um brutal ditador, sendo fuzilado quando o conservadorismo retoma o poder.

A guerra continua e o coronel Aureliano se salva de morrer em várias oportunidades, até que, cansado de lutar sem sentido, firma um acordo de paz que dura até o fim da novela.

Depois que o tratado é firmado, Aureliano se dispara um tiro no peito, mas sobrevive. Posteriormente, o coronel regressa à casa, se distancia da política e se dedica a fabricar peixinhos de ouro em sua oficina, ao terminar certa quantidade, voltava a fundir os peixinhos em ouro, começando do zero num ciclo interminável.

Aureliano Triste, um dos dezessete filhos do coronel Aureliano Buendía, instala uma fábrica de gelo em Macondo, deixa seu irmão Aureliano Centeno a frente do negócio e parte da cidade com a ideia de trazer o trem. Regressa em pouco tempo, cumprindo sua missão, que gera um grande desenvolvimento, já que com o trem, chegam também o telégrafo, o gramofone e o cinema. Então, a cidade se converte num centro de atividade na região, atraindo milhares de pessoas de diversos lugares. Alguns estrangeiros recém-chegados iniciam uma plantação de banana próximo a Macondo. A cidade prospera até o surgimento de uma greve na plantação bananeira; para acabar com ela, entra em ação o exército nacional e os trabalhadores que protestam são assassinados e lançados ao mar.

Depois do Massacre dos Trabalhadores da Banana, a cidade é assolada pelas chuvas que se prolongam por quatro anos, onze meses e dois dias. Úrsula diz que espera o fim das chuvas par finalmente morrer. Nasce Aureliano Babilonia, o último membro da linhagem Buendía (inicialmente chamado de Aureliano Buendía, até que mais a frente descobre pelos pergaminhos de Melquíades que seu sobrenome paterno é Babilonia). Quando param as chuvas, Úrsula morre e Macondo fica desolada.

A família se vê reduzida e em Macondo já não há lembranças dos Buendía; Aureliano se dedica a decifrar os pergaminhos de Melquíades, até que regressa de Bruxelas sua tia Amaranta Úrsula, com quem tem um romance. Amaranta Úrsula dele engravida e tem um filho que ao nascer descobre-se ter rabo de porco; ela morre de hemorragia após o parto. Aureliano Babilônia, desesperado, sai rumo à cidade batendo de porta em porta, mas Macondo agora é uma cidade abandonada e só encontra um homem que lhe oferece aguardente, e Aureliano adormece. Ao despertar, se lembra do filho recém-nascido e corre para vê-lo, mas quando chega, as formigas o estão comendo.

Aureliano lembra que isso estava previsto nos pergaminhos de Melquíades. Com ventos de furacão assolando Macondo e o lugar onde ele estava presente, termina de decifrar a história dos Buendía que estava ali escrita com antecipação, concluindo que, ao terminar sua leitura, finalizaria sua própria história e com ela, a história de Macondo, que seria arrasada pelo vento e apagada de qualquer memória humana…”porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não têm uma segunda oportunidade sobre a terra”.

OS PRINCIPAIS TEMAS DE CEM ANOS DE SOLIDÃO

A análise dos principais temas e personagens proporcionarão uma visão mais abrangente do livro, lembrando que Cem Anos de Solidão é uma obra complexa e que esgotar seu significado está indubitavelmente além dos limites desta resenha.

A subjetividade da realidade vivida

A subjetividade da realidade vivida: Embora o realismo e a magia que Cem Anos de Solidão inclui pareçam à primeira vista serem opostos, eles são, na verdade, perfeitamente conciliáveis. Ambos são necessários para transmitir a concepção particular de Márquez do mundo. O romance de Márquez reflete a realidade não como ela é vivida por um observador, mas como ela é vivida individualmente por aqueles com diferentes origens. Essas múltiplas perspectivas são especialmente adequadas à realidade única da América Latina, capturadas entre modernidade e pré industrialização; dilaceradas pela guerra civil e destruídas pelo imperialismo. O realismo mágico transmite uma realidade que incorpora a magia que a superstição que a religião infunde no mundo.

Este romance trata narrativas bíblicas e mitologia latino-americana nativa como historicamente credíveis. Se García Márquez parece confundir realidade e ficção, é apenas porque, a partir de algumas perspectivas, a ficção pode ser mais verdadeira do que a realidade, e vice-versa. Por exemplo, em lugares como a cidade natal de Márquez, que testemunhou um massacre muito parecido com o dos trabalhadores em Macondo, horrores inimagináveis ​​podem ser uma visão comum. A vida real, então, começa a parecer uma fantasia que é ao mesmo tempo terrível e fascinante, e o romance de Márquez é uma tentativa de recriar e para capturar essa sensação da vida real.

A concepção cíclica de tempo

A Concepção Cíclica de Tempo: Dos nomes que retornam geração após geração para a repetição de personalidades e eventos, o tempo em Cem Anos de Solidão se recusa a ser dividido perfeitamente em passado, presente e futuro. Úrsula Iguarán é sempre a primeira a perceber que o tempo em Macondo não é finito, mas, em vez disso, cíclico. Às vezes, essa simultaneidade de tempos leva à amnésia, quando as pessoas não podem ver o passado mais do que eles podem ver o futuro. Outras vezes, o futuro torna-se tão fácil de lembrar quanto o passado. As profecias de Melquíades provam que eventos no tempo são contínuos: desde o início do romance, o velho cigano foi capaz de ver o seu fim, como se os vários eventos fossem todos ocorrendo ao mesmo tempo. Da mesma forma, a presença dos fantasmas de Melquíades e José Arcadio Buendía mostra que o passado em que esses homens viveram tornou-se o presente.

O poder da leitura e da linguagem

O Poder da Leitura e da Linguagem: Embora a linguagem esteja em um edênico estado imaturo no início de Cem Anos de Solidão, quando a maioria das coisas no mundo recém-nascido são ainda sem nome, a sua função rapidamente se torna mais complexa. Várias línguas preenchem a novela, incluindo a linguagem Guajiro que as crianças aprendem, as tatuagens multilíngues que cobrem o corpo de José Arcadio, o latim falado por José Arcadio Buendía, e a tradução final do sânscrito das profecias de Melquíades. Na verdade, este ato final de tradução pode ser visto como o ato mais significativo da história, uma vez que parece ser o único ato que torna a existência do livro possível e dá vida aos personagens.

Como García Márquez faz a leitura da força apocalíptica final que destrói Macondo e chama a atenção para a sua própria tarefa como escritor, ele também nos lembra que nossa leitura fornece a primeira respiração fundamental para cada ação que ocorre em Cem Anos de Solidão. Enquanto o romance pode ser pensado como algo com um significado claro, predeterminado, García Márquez pede ao seu leitor que reconheça o fato de que cada ato de leitura é também uma interpretação, e que tais interpretações podem ter consequências graves. Aureliano (II), não precisa somente ler os manuscritos, ele também deve traduzir e interpretá-los e, finalmente, precipitar a destruição da cidade.

PRINCIPAIS PERSONAGENS EM CEM ANOS DE SOLIDÃO

José Arcadio Buendía

José Arcadio Buendía: O fundador e patriarca de Macondo, José Arcadio Buendía representa tanto uma grande liderança quanto a inocência do mundo antigo. Nesta história da criação, ele faz um paralelo a Adão, cuja busca pelo conhecimento, espelhada nas atividades intelectuais de seus descendentes, eventualmente, resulta na perda da inocência de sua família. José Arcadio Buendía empurra sua família rumo à modernidade, preferindo os limites de sua oficina à visão de um tapete voador real que os ciganos trouxeram. Virando as costas para essa magia antiga em favor de suas ideias científicas mais modernas, ele apressa o fim do estado edênico de Macondo.

Para José Arcadio Buendía, no entanto, a loucura vem mais cedo do que desilusão. Imediatamente após ele achar que descobriu um meio para criar movimento perpétuo, ele enlouquece, convencido de que o mesmo dia se repete uma e outra vez. Em certo sentido, sua suposta descoberta do movimento perpétuo alcança um tipo de conhecimento total que pode ser muito profundo para a mente humana. Movimento perpétuo só poderia existir em um mundo sem tempo, o que, para José Arcadio Buendía faz sentido, pois é o tempo através do qual todo o romance se passa: passado, presente e futuro muitas vezes se sobrepõem. Esta sobreposição de tempo permite a José Arcadio Buendía aparecer aos seus descendentes sob a forma de um fantasma, de modo que sua presença será sempre sentida em Macondo.

Coronel Aureliano Buendía

Coronel Aureliano Buendía: representa a figura do soldado na história, comandando o exército liberal durante a guerra civil. Ao mesmo tempo, porém, ele representa a figura do artista: um poeta, um ourives realizado, e o criador de centenas de peixes de ouro finamente trabalhados. A incapacidade de Aureliano de experimentar profundas emoções contribui para seu grande sucesso como combatente e foco artístico, ainda que a representação do Coronel de Márquez, derretendo seu trabalho duro e começando tudo de novo sinalize que este equilíbrio e foco não valem o seu preço.

Aureliano (I) nunca é verdadeiramente tocado por nada nem ninguém. Sua noiva, Remedios Moscote, parece à primeira ter um efeito real sobre ele. Quando ela morre, no entanto, ele descobre que sua tristeza não é tão profunda quanto ele esperava. Durante a guerra, ele torna-se ainda mais endurecido à emoção, e, finalmente, a sua memória e todos os seus sentimentos estão desgastados. Ele queima todos os seus poemas, e, até o final de sua vida, para de fazer novos peixes de ouro. Em vez disso, ele faz vinte e cinco e, em seguida, derrete-os, usando o metal para o próximo lote. Desta forma, ele vive apenas no presente, reconhecendo que o tempo se move em ciclos e que o presente é tudo o que existe para um homem como ele, sem memórias.

A tentativa de suicídio do Coronel Aureliano Buendía nos mostra quão profundo o seu desespero é quando ele percebe que a guerra civil é fútil e que o orgulho é a única coisa que mantém os dois lados lutando. Sua desilusão é um comentário acerca do desespero que surge da futilidade, mas, também, sobre a futilidade que surge do desespero.

Úrsula Iguarán

Úrsula Iguarán: de todos os personagens do romance, Úrsula Iguarán vive durante mais tempo e vê mais novas gerações nascidas. Ela sobrevive a todos os três de seus filhos. Ao contrário da maioria de seus parentes, Úrsula é imperturbável pela ansiedade espiritual; neste sentido, ela é provavelmente a pessoa mais forte para viver em Macondo. Ela acolhe Rebeca, a criança de estranhos, e cria como sua própria filha; ela acolhe dezenas de estranhos à sua mesa; ela tenta evitar que a casa caia aos pedaços. A tarefa de Úrsula não é fácil, uma vez que todos os seus descendentes se envolvem em guerras e escândalos que fariam qualquer família mais fraca se dissolver. Com Úrsula como seu essencial, no entanto, os Buendía estão irrevogavelmente ligados, para melhor ou para pior. Para manter a família unida, Úrsula, por vezes, é bastante dura; por exemplo, ela chuta José Arcadio e Rebeca para fora da casa quando eles tentam fugir. Esta decisão é em parte resultado de seu medo inflexível do incesto. Mesmo que Rebeca e José Arcadio não sejam tecnicamente parentes, Úrsula fica apavorada com a possibilidade de que mesmo uma relação remotamente incestuosa resultará em alguém da família ter um bebê com cauda de porco. Seu próprio casamento com José Arcadio Buendía é incestuoso, porque eles são primos, e ela constantemente examina o comportamento de seus filhos em busca de falhas, muitas vezes dizendo: “(…) é pior do que se ele tivesse nascido com a cauda de um porco.” Por causa de seu medo do incesto, Úrsula é um personagem contraditório: ela mantém a família unida, mas tem pavor de que o incesto, o extremo da ligação familiar, traga o desastre para a casa Buendía.

Aureliano (II)

Aureliano (II):  é o exemplo mais puro da solidão no livro. Ele está totalmente isolado por sua avó, Fernanda del Carpio, porque ela tem vergonha por ele ter nascido fora do casamento. Ele nunca sai de casa até que esteja crescido. Por viver na solidão, no entanto, adquire um repertório de conhecimento quase mágico. Ele sabe muito mais do que poderia ter lido em livros de sua família e parece ter milagrosamente acessado um enorme estoque de conhecimento universal. Depois de ter uma relação incestuosa com sua tia, Amaranta Úrsula, Aureliano (II) observa o último da linhagem Buendía (seu filho, nascido com o rabo de porco) que está sendo comido por formigas. Ele finalmente traduz as profecias do velho cigano, Melquíades, que preveem tanto o ato de tradução quanto a destruição de Macondo, que ocorre durante a leitura. Aureliano (II) é, portanto, profeta da desgraça de Macondo, destruindo a cidade com um ato de leitura e tradução que é semelhante à nossa leitura de Cem Anos de Solidão.

SIMBOLOGIA EM CEM ANOS DE SOLIDÃO

Os símbolos são objetos, personagens, figuras, ou cores, usados para representar ideias ou conceitos abstratos.

O que significavam os peixinhos de ouro

Peixinhos de ouro: o significado dos milhares de peixinhos de ouro que o Coronel Aureliano Buendía faz muda ao longo do tempo. No início, estes peixes representam a natureza artística de Aureliano e, por extensão, a natureza artística de todos os Aurelianos. Logo, no entanto, eles adquirem um significado maior, exemplificando as formas como Aureliano tem afetado o mundo. Seus dezessete filhos, recebem um peixinho de ouro cada, e, neste caso, os peixes representam o efeito de Aureliano sobre o mundo através de seus filhos. Em outro exemplo, eles são usados ​​como chaves de acesso pelos mensageiros liberais para provar sua lealdade. Muitos anos mais tarde, no entanto, os peixes tornam-se itens de colecionador, apenas relíquias de um outrora grande líder. Esta atitude repugna Aureliano porque ele reconhece que as pessoas estão usando-o como uma figura decorativa, um herói mitológico que representa tudo o que eles querem que ele represente. Quando ele começa a entender que os peixinhos de ouro não são mais simbólicos dele pessoalmente, mas de um ideal equivocado, ele deixa de fazer novos peixes e começa a derreter os antigos continuamente.

A simbologia por trás da “estrada de ferro” em cem anos de solidão

A estrada de ferro: a ferrovia representa a chegada do mundo moderno a Macondo. Este por sua vez leva ao desenvolvimento de uma plantação de banana e ao massacre que se seguiu de três mil trabalhadores. A ferrovia também representa o período em que Macondo está ligada mais estreitamente ao mundo exterior. Após as plantações de banana acabarem, a estrada de ferro cai em desuso e o trem até mesmo deixar de passar em Macondo. O advento da ferrovia é um ponto de mudança. Quando surge, Macondo cresce e prospera; quando se vai, Macondo se desintegra rapidamente, dobrando de volta ao isolamento e, eventualmente, se apaga.

CEM ANOS DE SOLIDÃO EM SALA DE AULA

O livro pode ser trabalhado nos anos finais do Ensino Fundamental II e no Ensino Médio, nas disciplinas: Língua Portuguesa, Literatura e História e Artes. É uma leitura altamente recomendada nos cursos de graduação em Letras, História e Ciências Sociais.

O estilo de narrativa e a repetição dos nomes dos personagens podem gerar uma certa confusão inicial nos alunos, portanto é indicado ler a obra em sala de aula, por capítulos.

A obra é uma oportunidade única de se explorar a relação História/Literatura, pode-se relacionar os eventos fictícios do livro, como a Greve dos Trabalhadores das Bananas, aos acontecimentos históricos nos quais foram inspirados.

Por se tratar de uma obra riquíssima, Cem Anos de Solidão pode ser a base de um projeto transdisciplinar. O livro será estudado em diferentes disciplinas ao longo de um bimestre ou semestre, e como resultado final será realizada uma exposição, que pode se estruturar sobre os seguintes eixos:

  • Exposição dos principais elementos do livro (personagens, temas), através de painéis, com textos e imagens.
  • Realismo Fantástico, análise do gênero literário (antecedentes, principais autores).
  • A história Latino-Americana através de Cem Anos de Solidão (também podem ser feitos painéis com textos e imagens).
  • Os alunos também podem fazer releituras da obra através das artes visuais (desenho, pintura, etc.)
  • Uma montagem teatral ou leitura coletiva de trechos do livro podem ser boas opções de abertura ou encerramento do evento.

MOTIVOS PARA LER O LIVRO COM SEUS ALUNOS

  1. É um clássico da Literatura contemporânea.
  2. É um ícone da Literatura latino-americana, muitas vezes negligenciada no Ensino Fundamental e Médio.
  3. Permite abordar importantes tópicos da história da América Latina no século XX.
  4. É uma oportunidade ímpar de apresentar o realismo fantástico aos alunos.
  5. Foi e continua sendo objeto de inúmeros estudos, que podem auxiliar na formulação de estratégias pedagógicas.

MATERIAL NA WEB SOBRE CEM ANOS DE SOLIDÃO

Literatura Fundamental 14 – Cem anos de solidão – A professora Joana Rodrigues, do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo, fala sobre a obra Cem anos de solidão, do escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1982. https://youtu.be/K88uJ3yPvxY

Biografia de Gabriel García Márquez (em espanhol). http://www.biografiasyvidas.com/reportaje/garcia_marquez/

FIM

Bom, é isso por hoje. Espero que tenham gostado.

Nas férias aproveitei para ler outros textos e estou explorando propostas de atividades para adicionar as resenhas que venho desenvolvendo. Logo mais publico outro material no estilo.

Até a próxima!!! o/

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Comentário

  1. Olá. Não cheguei a ler o livro de Gabriel Márquez mas com certeza a história do livro me atiçou bastante à leitura. A resenha parece estar bem completa e com certeza, se fosse professor, passaria aos meus alunos.

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