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Cinco poesias sobre a mulher – Dia da Mulher

Cinco poesias sobre a mulher

poesias sobre a mulher

Quando falamos em igualdade de gênero estamos, entre outras coisas, nos referindo ao respeito. Essa é a palavra de ordem, e no que remete a obras sobre a mulher, corriqueiramente nos deparamos com a ótica de homens “babando” por mulheres e prendendo-se aos seus “sorrisos”, suas “curvas”, e quaisquer outras coisas que incluam a admiração puramente romântica e física. Sabendo disso, o foco principal dessa seleção de poesias foi garimpar textos de mulheres sobre elas mesmas – uma vez que infelizmente por melhores que alguns escritores homens possam ser, a maioria deles se prende aos típicos clichês. E para comemorar o Dia Internacional da Mulher, por que não escolher poemas em que elas falam sobre elas mesmas?

Poema de Benédicte Houart

Benédicte Houart

São as mulheres que

fazem chorar as cebolas

como se descascassem a própria vida

e, arredondando-se então, descobrissem

um corpo, o seu

uma vida, a sua

e, no entanto, nada que de verdade

pudessem seu chamar

ou talvez sim, mas só

aquela gota de água salpicando

um canto do avental onde

desponta uma flor de pano colorida que

ainda ontem ali não ardia

Ref: Benédicte Houart é uma autora Belga nascida em 1968, fez parte do corpo docente do curso de Estética na Faculdade de Letras de Porto – Portugal. 

Drumundana, de Alice Ruiz

Alice Ruiz

E agora, Maria?

O amor acabou

a filha casou

o filho mudou

teu homem foi pra vida

que tudo cria

a fantasia

que você sonhou

apagou

à luz do dia

E agora, Maria?

vai com as outras

vai viver

com a hipocondria

Ref: Alice Ruiz é uma poetisa e tradutora Brasileira nascida em 1946. A autora ganhou o prêmio Jabuti no ano de 2009.

Devoção, de Laura Moreira

Devoção, de Laura Moreira

Pois que é nas mulheres que deposito minha fé

 

E a elas rezo para merecer essa irmandade,

À mais anônima e à que todas o nome conhecem

Às que habitam esferas passadas

 

e as que ao meu lado caminham.

À elas eu rezo para merecer essa irmandade,

Pois que é nas mulheres que eu deposito a minha fé.

 

Às mulheres que teceram, no anonimato ou na infâmia,

os espaços que ocupo, eu oriento as minhas orações:

Que eu possa ser filha, mãe e irmã de todas que encontrar,

 

Pois que é nas mulheres que deposito minha fé.

Nos ventres redondos, seios fartos,

Braços musculosos ou pernas fortes

Ou nos corpos frágeis recendendo suavidade,

 

– não importa –

 

Pois que é nas mulheres que deposito minha fé.

E elas ensinam e me ensinaram:

A nunca recriminar uma mulher livre,

 

– Nunca mais –

 

A nunca me reduzir em feminilidades,

 

– Nunca mais –

 

A nunca acreditar nas mentiras dos que definem,

A nunca calar diante do desamor.

Pois que é nas mulheres que eu deposito minha fé

E serão elas a me guiar nas trilhas incertas que abrimos juntas.

 

E que possa perpetuar a dívida eterna

Doando o que recebi a outras mulheres,

Nas quais deposito a minha fé.

 

As que nasceram e as que se tornaram,

As por dentro, as por fora

 

E as mil possibilidades da textura.

E que possamos combater

Intrincadas formas de opressão,

As que vivo e as que não.

 

Que contra todas eu possa lutar,

 

Pois que é nas mulheres que deposito a minha fé.

Que sejam elas a me dizer como ser mulher;

Ainda que desafie a compreensão,

 

Que estraçalhe seguranças mofadas,

 

Que me mostrem asperezas que não quero ver,

Pois são elas que entendem a necessidade do abraço

E são elas que determinam os meus passos.

Pois que é nas mulheres que deposito a minha fé.

Ref: Laura Moreira é uma atriz,, poetisa e militante do movimento feminista no Brasil.

Trecho da peça “viver sem tempos mortos”, Simone de Beauvoir.

Simone de Beauvoir
Apesar de não ser uma poesia em si, o trecho de Simone Beauvoir contém a essência poética que se pode esperar de uma grande mulher. Segue o trecho e um vídeo com a atriz Fernanda Montenegro recitando-o:

“A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou para mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente, o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo. Vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.”


Simone de Beauvoir nasceu em 1908, Paris, França; e foi uma importante escritora e filósofa, contribuindo diretamente para o movimento feminista. A inspiração da militância atual muito se apoia nas obras de Simone. Vale à pena conferir a apresentação de Fernanda Montenegro recitando essas belas palavras.

 Para cada uma de vocês, de Audre Lorde

NEW SMYRNA BEACH, FL - 1983:  Caribbean-American writer, poet and activist Audre Lorde lectures students at the Atlantic Center for the Arts in New Smyrna Beach, Florida. Lorde was a Master Artist in Residence at the Central Florida arts center in 1983.  (Photo by Robert Alexander/Archive Photos/Getty Images)
NEW SMYRNA BEACH, FL – 1983: Caribbean-American writer, poet and activist Audre Lorde lectures students at the Atlantic Center for the Arts in New Smyrna Beach, Florida. Lorde was a Master Artist in Residence at the Central Florida arts center in 1983. (Photo by Robert Alexander/Archive Photos/Getty Images)

Seja você mesma e aprenda a valorizar

Aquele impetuoso Anjo Negro

Que te eleva num dia

E te põe pra baixo no outro

 

Protegendo o lugar de onde seu poder emana

Correndo como sangue quente

De onde emana sua dor
Quando estiver com fome

Aprenda a comer

Qualquer coisa que te sustente

Até o amanhecer

 

Mas não se deixe enganar por detalhes

Apenas porque você os vive

Não deixe sua cabeça negar

Qualquer memória
Nem seus olhos

 

Nem seu coração

Tudo pode ser usado

Menos o dispensável
Você precisará se lembrar disso

Quando acusada de destruição

 

Mesmo quando forem perigosas, examine o coração das máquinas que você odeia

Antes de descarta-las

E nunca lamente sua falta de poder

A menos que esteja condenada a atenuá-las

 

Se você não aprender a odiar

Você nunca estará sozinha o suficiente

Para amar facilmente

Nem será corajosa o suficiente,

Embora isso não surja facilmente

 

Não finja ter crenças convenientes

Mesmo que elas pareçam certas

Você nunca defenderá sua cidade gritando.

 

Lembre-se de qualquer dor

Que surja do seu sonho

Mas não procure por novos deuses

No mar

Nem em qualquer parte de um arco-íris
Cada vez que amar

Ame profundamente

Como se fosse para sempre

Apenas o nada é eterno.

 

Fale com orgulho com suas crianças

Sempre que encontra-las

Diga-lhes que você é descendente de escravos

E que sua mãe foi uma princesa na escuridão.

Ref: Audre Lorde, nascida em 1934 foi uma escritora Americana de origem caribenha, ativista dos direitos civis e feminista. 

 

Por muito tempo viu-se no dia da mulher poemas totalmente voltados para a beleza feminina. Obviamente esse é o retrato de uma visão completamente sem sentido, uma vez que justamente no Dia Internacional da Mulher dever-se-ia refletir sobre as lutas das mulheres e sua força. Portanto, ater-se a estereótipos como a beleza feminina, sua delicadeza e sensibilidade é no mínimo irônico.

Sendo assim, nada melhor do que comtemplar mulheres falando sobre mulheres. Seus sonhos, suas esperanças, seus medos, suas forças e fraquezas são conhecidos e compartilhados por e entre elas, que são amplas conhecedoras de si.

Bellini Bellini
Post Author
Felipo Bellini
Professor de inglês e tradutor. Leciono na educação básica como concursado pelo governo do estado do Rio Grande do Norte atuando no: Ensino Fundamental II, Ensino Médio regular e na Educação de Jovens e Adultos - EJA; gerencio a empresa Traduza, onde me responsabilizo tanto pela tradução de livros e artigos científicos, como orientação da equipe; e sou mestrando do programa de pós graduação em linguagem da UFRN. Na infância apresentei problemas de aprendizagem, o que me permitiu ter contato com diversas experiências para evoluir meu nível escolar, e no decorrer desse processo refletir a prática e interação como objetos necessários para a aquisição de conteúdo. Todo esse contato com as metodologias de aprendizagem e acompanhamento da minha família fez com que muito cedo assumisse minha primeira sala de aula, sendo monitor e depois professor em um curso pré-vestibular da cidade. O interesse na docência era claro, e com 17 anos entrei em Letras na UFRN. Participei desde o primeiro semestre de projetos de pesquisa e extensão; sendo os mais relacionados ao ensino o PIBID, o ÁGORA, o PROCEM e o Curso de Português para Estrangeiros com Cinema. Minha intenção era diversificar e experimentar o que estivesse ao meu alcance, afim de gerar o máximo de experiências na universidade. Por indicação consegui uma estadia para o País de Gales, no Reino Unido, onde fiquei durante 6 meses dando aula de português para estrangeiros na universidade de Cardiff, e recebi uma bolsa da CELTIC para cursar o nível C1 e um curso de literatura básico. No período fiz também o curso técnico de tradução acadêmica pela Cardiff Library (4 meses) e o de Counselor - Educational Issues (2 meses), o último me dando vivência dentro das escolas públicas do país. Após minha formação, em 2013, empreendi na área da educação, montando duas empresas. A primeira uma rede social para professores e alunos chamada TUTORA.ME, onde conseguimos a adesão de mais de 6 mil membros cadastrados, sendo mais de 25% deles ativos diariamente até o fim da plataforma no final de 2015. A segunda um cursinho popular chamado Garra-RN, onde o maior foco era o aprendizado dos alunos através da colaboração e aulas desafio. Esse método nos trouxe ótimos resultados na unidade de Goianinha, com mais de 70% dos alunos aprovados nos concursos públicos de interesse no fim de 2015 e início de 2016. Hoje posso dizer que minha maior motivação são as aulas que leciono no ensino público, onde sou concursado desde 2014. Adoro sair das aulas e ouvir dos alunos que eles tiveram a melhor aula até o momento. Minha busca está na transformação do espaço social e em como conseguir engajamento e metrificar a performance dos meus alunos através de suas atitudes pró-aprendizagem. Neste processo de formação docente que continuo passando encontrei no desenvolver da leitura e escrita com o alunado a resposta para precipícios sociais que nas dinâmicas e brincadeiras costumeiras das aulas de inglês não evidenciava. Passei a inserir dentro das aulas de inglês diversas atividades para resolver os problemas escolares e da comunidade, sempre na perspectiva do aluno. Foram desde cartas de protestos até fanpages para campanhas sociais. Pesquisas comunitárias, projetos de empreendedorismo e até um projeto de escola bilíngue que nas discussões me motivaram a seguir adiante e procurar o curso de Especialização do Ensino da Escrita, onde pretendo me aprimorar e retornar o máximo que puder para os meus alunos.

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