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O deficiente como ser social

Bellini Bellini
abr 25, 2017
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Hoje vamos falar sobre inclusão social. Inclusão social e o deficiente como ser social agente, ativo e participante na comunidade que convive. Espero que vocês estejam animados para esse texto informacional e crítico, onde vamos debater frente a frente e refletir qual o próximo passo. O retorno de textos bacanas e estudados ao blog, se dá ao apoio e incentivo da empresa Prominas Online, que  está patrocinando o Demonstre para que o site evolua sempre. Visitem o material deles, tem muita coisa bacana!

Agora vamos ao texto do dia, já começando com uma indagação:

O Deficiente como ser social

Um aluno entra em sala de aula com um sorriso matreiro, parecendo um menino que acabou de pregar uma peça num colega de sala e, apesar de não ter intenção de ser pego e repreendido, não consegue segurar um sorrisinho malicioso que vence a tensão muscular e se deixa ver nos cantos da boca. Essa postura transparece, infantil, apesar dos 27 anos de idade do aluno, provocando na professora a pergunta: “Alguma novidade? Você parece perdido nos seus pensamentos… que sorriso é esse?”

O aluno coloca a mochila na mesa e, rindo, responde: “Aconteceu uma coisa muito engraçada ontem no escritório. Precisei abrir um chamado no suporte de TI para instalar um novo software no meu PC… fui promovido e preciso poder acessar esse programa…”, começa o aluno, ainda sorrindo. E segue dizendo que a empresa que presta esse tipo de suporte foi recentemente substituída por uma nova.

A jovem que o atendeu parece não entender que ele precisa apenas da instalação de um novo programa – ele é técnico em TI, não está tendo nenhum problema e não precisa verificar se o computador está ou não ligado na tomada. Ela segue seu padrão de atendimento, fazendo uma série de perguntas em rápida sucessão. A conversa, no entanto, não é telefônica: ela acontece pela janela de bate-papo online da página da empresa que, infelizmente, é um pequeno quadrado no canto inferior direito da tela que não pode ser movido ou aumentado. E esse aluno sofre de baixa visão: sua capacidade visual é de apenas 12% a 15% do considerado normal.

Incomodado com o tamanho das letras, praticamente invisíveis, o aluno conclui – com certa irritação – que a conversa ainda vai durar alguns minutos. Nesse momento, ele faz o que toda pessoa com esse tipo de deficiência faz: clica a tecla CAPS do seu computador, para poder escrever em letras maiúsculas e diminuir seu desconforto. Qual não é sua surpresa, porém, quando a atendente começa a pedir-lhe calma, dizer que ele não precisa se descontrolar e que ela está apenas fazendo seu trabalho. E, em seguida, diz que, se ele não se acalmar, vai chamar um supervisor para assumir a chamada. É quando cai a ficha: ela acha que ele está sendo grosseiro com ela, que está gritando – porque, online, palavras escritas em letras maiúsculas são interpretadas como gritos.

“Desculpe”, ele tecla. “Não estou gritando com você. Sou deficiente visual e não consigo enxergar as letras corretamente neste chat – elas são muito pequenas. Só por isso estou usando as maiúsculas. Sinto muito se você me entendeu mal…”, ele conta para a professora, rindo intensamente.

O dia a dia do deficiente

A história acima poderia ser uma obra de ficção, mas é inteiramente verdade. A experiência do deficiente com o mundo é sempre recheada de pequenas dificuldades que passariam despercebidas por uma pessoa considerada ‘normal’. São esses pequenos enganos e dificuldades que fazem com que o deficiente se sinta excluído da sociedade – ainda que ele consiga encará-los com bom humor, como fez o rapaz da história.

Uma rampa íngreme demais, ou com piso inadequado. Um poste que impede a passagem numa rua movimentada da cidade. Uma conexão telefônica ruim, com volume extremamente baixo ou uma caixa de diálogo online com letras pequenas demais. Nossa sociedade se esquece que as deficiências e necessidades especiais são tão variadas e diferentes quanto as pessoas que habitam uma mesma cidade. E que aquilo que é perfeitamente normal e simples pode impedir uma parcela enorme de cidadãos de participarem da vida social.

o deficiente enquanto ser social

O preconceito começa nos pequenos gestos, nas pequenas facilidades. Ele passa pelo rapaz que agarra o braço de um cego e o empurra adiante pelos corredores, certo de estar ajudando, quando a maneira correta seria se posicionar ligeiramente à frente do deficiente, permitindo-lhe colocar a mão em seu ombro ou braço, ou simplesmente dar-lhe passagem. Começa no senhor que toma uma cadeira de rodas e a empurra sem perguntar ao deficiente se está, de fato ajudando, se ele vai naquela direção, se precisa de ajuda.

Da mesma forma que começa – pequeno, despercebido – o preconceito pode chegar ao fim. Cada criança que cresce com um colega deficiente em sala de aula ou em seu convívio social desenvolve linhas de raciocínio mais amplas, tendendo sempre à tolerância e inclusão. É importante conviver e conhecer pessoas de diferentes origens étnicas, socioeconômicas, pessoas de outros países e com outras línguas maternas, com diferentes religiões e costumes, opções sexuais… e pessoas com diferentes deficiências. Para a criança, a convivência transforma um evento extraordinário em algo cotidiano – e esse é um dos melhores caminhos para eliminar o preconceito e realmente promover a inclusão do deficiente na sociedade.

Um webdesigner que teve um colega que sofria de baixa visão nunca faria uma janela de bate-papo que não pudesse ser aumentada, simplesmente porque a convivência lhe teria mostrado que essa é uma preocupação relevante. O mesmo acontece com um engenheiro civil que teve colegas com dificuldades de mobilidade – ele não precisa de uma lei, apenas, que regulamente a acessibilidade. Pensar na facilidade de acesso será para ele, natural. É como ter um vegetariano na família – quando há um churrasco, você imediatamente considera quais serão as opções vegetarianas ou veganas, porque a convivência fez disso um reflexo normal. É importante não apenas conviver com pessoas diferentes, mas incentivar nossos filhos a essa convivência.

A verdadeira inclusão social

Um profissional da área de educação que queria realmente fazer a diferença, ou parentes e amigos de pessoas com deficiência que não se sentem plenamente equipados para realmente incluir e melhorar a vida de seus alunos, colegas e familiares, podem buscar formações específicas na área de educação especial, como um bom ponto de partida para uma vida e convivência melhores.

Exemplo disso é o curso de EDUCAÇÃO ESPECIAL: uma pós-graduação com formações de 1.000 horas ou de 600 horas para professores e profissionais da área de educação que aborda diversos aspectos da educação inclusiva visando ao aluno com necessidades especiais. Entre os temas abordados no curso estão:

  • Fundamentos da educação especial
  • Educação especial e os diferentes tipos de necessidades especiais
  • Deficiências múltiplas e surdocegueira
  • Deficiência intelectual, altas habilidades e superdotação
  • Tecnologia Assistiva

Dessa forma, é possível não apenas promover uma convivência mais saudável, mas aprender mais a respeito do que podemos fazer, no nosso dia a dia, para eliminar as pequenas dificuldades – e realmente incluir todas as pessoas na sociedade.

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3 Comentários

  1. Verdade, Achei ótimo! Eu concordo q todos devemos ter os mesmos direitos e chances e as pessoas precisam pensar em ajudar os outros a ter esses direitos mesmo com suas deficiências.

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  2. Qualquer criança que cresce em convívio com alguém especial desenvolve linhas de raciocínio mais amplas, tendendo sempre à tolerância e inclusão. Em partes pode se dizer que sim, mas, não sei se é uma verdade absoluta. Minha irmã é portadora de uma síndrome rara, chamada Prader Willi, e desde pequena, quando digo pequena, é pequena mesmo, entre 4 e 5 anos, sofre de muitos preconceitos, em especial do próprios colegas da mesma idade. As escolas de ensino regular públicas ou privadas sempre despreparadas, tão como a sociedade o é, foram sempre uma agulhada cravada em cada dia letivo de um ano comum. Infelizmente o problema da exclusão e da falsa proposta terão muitos obstáculos à frente para serem solucionados. No caso da minha irmã em especial, hoje com 14 anos, a solução foi matriculá-la numa escola própria para deficientes, que por sinal é pública e com certeza uma das mais preparadas: APAE. Outras organizações não governamentais também realizam trabalhos interessantíssimos na área, mas sempre batem na barreira da falta de apoio financeiro do Estado e das empresas privadas. Temos ainda muito chão pela frente para começas a vencer esse alçapão, acredito que a “Educação Especial” seja um ótimo primeiro passo.

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  3. Acho que o Brasil ainda tem um longo caminho pra alcançar a inclusão social. Ainda dentro da universidade ela está longe de existir como deveria, imagine em outros locais. Quanto mais trouxermos essa discussão para dentro de sala de aula, mais esse assunto será debatido. Ótimo post! 😀

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