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Dokkaebi – O espírito trapaceiro da Coreia do Sul – Mitos e Educação

Dokkaebi – O mito do espírito trapaceiro da Coreia do Sul

Dokkaebi_pintura mitos e educação

 

Olá pessoal, tudo bem com vocês? Estamos aqui com mais uma lenda oriental que pode muito bem ser trabalhada em sala de aula. Hoje vamos falar dos Dokkaebi, espíritos arteiros da Coréia do Sul que apesar da sua aparência são pacíficos e amigáveis, sempre se preocupando em pregar peças.

Os Dokkaebi são um tipo de espírito, porém diferentes dos fantasmas normais. Enquanto os fantasmas surgem após a morte de um ser humano, os Dokkaebis surgem a partir de objetos sem vida que ficam muito tempo sem ser usados, como uma vassoura ou um sapato velhos por exemplo.

Apesar de alguns acreditarem que os Dokkaebis são maus, por causa de sua aparência grotesca e assustadora, eles são seres pacíficos e amigáveis que respeitam os humanos e, quando bem tratados por alguém, eles até mesmo recompensam essa pessoa.

Em geral as recompensas que os Dokkaebis dão são apenas às pessoas que merecem. Para isso eles carregam consigo um “bangmang’i dokkaebi”, que é um tipo de varinha mágica que lhes possibilita realizar qualquer pedido.

Porém um pedido concedido por um Dokkaebi tem uma condição: sempre que alguém recebe algo, outra pessoa estará perdendo alguma coisa equivalente, como uma forma de troca, visto que eles não tem o poder de criar objetos a partir do nada.

Eles gostam de ficar em lugares próximos à passagens pouco movimentadas e têm como passatempo pregar peças nos viajantes que por ali passam. Também podem desafiá-lo para uma partida de Ssireum – um tipo de sumô coreano – em que o objetivo é derrubar o adversário para fora de uma área demarcada.

Se você cruzar o caminho um Dokkaebi, melhor que você seja uma pessoa boa.

Como dito mais acima, eles costumam presentear as pessoas boas com recompensas. Por outro lado, trazem punição e azar quando merecido.

Uma lenda do Velho que trapaceou o Dokkaebi

Dokkaebi lenda

Sendo os Dokkaebi criaturas muito famosas no folclore sul coreano, eles dão origens a diversas lendas entre o povo de lá, e servem também como explicações para sorte e azar cotidiana das pessoas.

Uma das lendas mais conhecidas conta sobre um velho que vivia sozinho no alto de uma montanha e um certo dia recebeu a visita de um Dokkaebi. O senhor o recebeu bem e deu de beber à criatura, fazendo com que se tornassem amigos…

O Dokkaebi passou a visitar o velho com regularidade e eles sempre tinham longas e agradáveis conversas sobre as memórias do passado e causos engraçados.

Após um tempo, o velho senhor passava perto de um rio na floresta e ficou assustado ao ver seu reflexo na água: ele estava parecido com o Dokkaebi!

A partir de então o velho passou a ter muito medo de se tornar um Dokkaebi e por isso teve uma ideia para impedir que isso acontecesse.

Ele convidou o Dokkaebi para ir à sua casa e então perguntou a ele:

– Do que você mais tem medo?

– De sangue. – repondeu a criatura, e acrescentou: – e você, do que tem medo?

– Tenho medo de dinheiro. Por isso vivo aqui na montanha sozinho. – disse o velho.

No dia seguinte, o velho colocou seu plano em prática: matou uma vaca e derramou seu sangue por toda a casa.

Mais tarde, quando o Dokkaebi veio visitá-lo, ficou chocado ao ver todo aquele sangue e fugiu furioso dizendo:

– Eu voltarei com o seu maior medo!

No dia seguinte, o Dokkaebi trouxe alguns sacos de dinheiro e jogou para o velho, imaginando que estava se vingando do que este lhe havia feito. Após finalizar sua “vingança” a pobre criatura foi embora e nunca mais apareceu.

O velho então acabou por se tornar o homem mais rico da região onde vivia.

Curiosidades sobre os Dokkaebi

Dokkaebi_DOTA2

1 – Um Dokkaebi famoso é o personagem Kangdae, do jogo DOTA 2.

2 – Dokkaebis também aparecem em quatro jogos da série Shin Megami Tensei, sob o nome Tokebi.

3 – Em 1995 foi lançado para o MS-DOS um jogo coreano chamado Dokkaebi-ga Ganda. Era um jogo estilo plataforma (mesmo estilo de Mario, Sonic, etc), onde os personagens principais eram Dokkaebis.

4 – Acredita-se que há muito tempo atrás o Dokkaebi já foi um símbolo religioso.

5 – O Dokkaebi é o mascote da “Red Devil” – uma famosa torcida organizada da seleção coreana de futebol.

6 – Se você gosta de Pokémon, provavelmente deve conhecer o Togepi. Seu nome foi inspirado no nome Dokkaebi, pois assim como a criatura do folclore coreano, o pokémon também costuma recompensar as pessoas que merecem.

Sugestão de atividade para Professores

Dokkaebi_desenho

Como pudemos ver os espíritos brincalhões da Coreia do Sul tem grande relação com o passado das pessoas, em especial com os objetos do passado. Então, a primeira sugestão de atividade consiste em fazer um trabalho de memórias com os estudantes, pedindo para eles trazerem objetos antigos, mas que eles ainda guardam por ter uma espécie de valor emocional. Um circulo de compartilhamento de memórias é sempre bem vindo, assim como a construção de redações.

Ainda no diálogo dos objetos antigos, professores podem discutir sobre o consumo desenfreado, dialogando a globalização e reforma social do capitalismo nos bens de consumo. Partindo daí trazer discussões sobre sustentabilidade, reutilização e reciclagem são sempre bem vindos.

Outro atributo forte dos Dokkaebis é a percepção dos bons, baseados nos valores morais orientais menos rígidos: honestidade, humor, sabedoria, simplicidade e honra. Elucidar, questionar e abrir caminhos para encontrar esses valores podem ser uma atividade interessante, principalmente se você pedir para que os estudantes citem os valores mais expressivos nos colegas e vice versa.

Por último, uma atividade bacana é discutir sobre o ciclo das riquezas e consumo, e como para ganhar algo facilmente você imediatamente acaba retirando dos outros. É ótimo para elucidar as funções sociais e como é importante ter um papel cidadão no mercado, na escola e na sociedade em geral.

Galeria de Fotos dos Espíritos Trapaceiros

Sites, textos e livros sobre o assunto

Outra lenda com Dokkaebis (O velho do caroço):

http://www.koreapost.com.br/conheca-a-coreia/mitologia/lenda-coreana-o-velho-do-caroco/

Trecho do jogo Dokkaebi-ga Ganda:

https://www.youtube.com/watch?v=aslgMBkisAI

Site brazilkorea:

http://brazilkorea.com.br/fantasmas-coreanos-dokkaebi/

Bellini Bellini
Post Author
Felipo Bellini
Professor de inglês e tradutor. Leciono na educação básica como concursado pelo governo do estado do Rio Grande do Norte atuando no: Ensino Fundamental II, Ensino Médio regular e na Educação de Jovens e Adultos - EJA; gerencio a empresa Traduza, onde me responsabilizo tanto pela tradução de livros e artigos científicos, como orientação da equipe; e sou mestrando do programa de pós graduação em linguagem da UFRN. Na infância apresentei problemas de aprendizagem, o que me permitiu ter contato com diversas experiências para evoluir meu nível escolar, e no decorrer desse processo refletir a prática e interação como objetos necessários para a aquisição de conteúdo. Todo esse contato com as metodologias de aprendizagem e acompanhamento da minha família fez com que muito cedo assumisse minha primeira sala de aula, sendo monitor e depois professor em um curso pré-vestibular da cidade. O interesse na docência era claro, e com 17 anos entrei em Letras na UFRN. Participei desde o primeiro semestre de projetos de pesquisa e extensão; sendo os mais relacionados ao ensino o PIBID, o ÁGORA, o PROCEM e o Curso de Português para Estrangeiros com Cinema. Minha intenção era diversificar e experimentar o que estivesse ao meu alcance, afim de gerar o máximo de experiências na universidade. Por indicação consegui uma estadia para o País de Gales, no Reino Unido, onde fiquei durante 6 meses dando aula de português para estrangeiros na universidade de Cardiff, e recebi uma bolsa da CELTIC para cursar o nível C1 e um curso de literatura básico. No período fiz também o curso técnico de tradução acadêmica pela Cardiff Library (4 meses) e o de Counselor - Educational Issues (2 meses), o último me dando vivência dentro das escolas públicas do país. Após minha formação, em 2013, empreendi na área da educação, montando duas empresas. A primeira uma rede social para professores e alunos chamada TUTORA.ME, onde conseguimos a adesão de mais de 6 mil membros cadastrados, sendo mais de 25% deles ativos diariamente até o fim da plataforma no final de 2015. A segunda um cursinho popular chamado Garra-RN, onde o maior foco era o aprendizado dos alunos através da colaboração e aulas desafio. Esse método nos trouxe ótimos resultados na unidade de Goianinha, com mais de 70% dos alunos aprovados nos concursos públicos de interesse no fim de 2015 e início de 2016. Hoje posso dizer que minha maior motivação são as aulas que leciono no ensino público, onde sou concursado desde 2014. Adoro sair das aulas e ouvir dos alunos que eles tiveram a melhor aula até o momento. Minha busca está na transformação do espaço social e em como conseguir engajamento e metrificar a performance dos meus alunos através de suas atitudes pró-aprendizagem. Neste processo de formação docente que continuo passando encontrei no desenvolver da leitura e escrita com o alunado a resposta para precipícios sociais que nas dinâmicas e brincadeiras costumeiras das aulas de inglês não evidenciava. Passei a inserir dentro das aulas de inglês diversas atividades para resolver os problemas escolares e da comunidade, sempre na perspectiva do aluno. Foram desde cartas de protestos até fanpages para campanhas sociais. Pesquisas comunitárias, projetos de empreendedorismo e até um projeto de escola bilíngue que nas discussões me motivaram a seguir adiante e procurar o curso de Especialização do Ensino da Escrita, onde pretendo me aprimorar e retornar o máximo que puder para os meus alunos.

Comments

4 Comments
  1. posted by
    Frank
    jan 2, 2016 Reply

    Interessante trazer a discussão assuntos como consumismo e a lei da vantagem. Enquanto tudo a nossa volta nos leva a competição e o consumismo desenfreados, parar e refletir sobre esses assuntos e o quanto prejudicamos os outros e todos os envolvidos sofrem as consequências desse circulo vicioso baseado no egoísmo. Nem mais as igrejas e preocupam em pregar a bondade, o altruísmo e o amor ao próximo. Esse assunto definitivamente está fora de moda, da ordem do dia. Em algum lugar as pessoas precisam ser chamadas a reflexão e ao que estamos fazendo com o mundo, precisamos rever nossos valores, prioridade e conceitos.

  2. posted by
    Juh
    jan 2, 2016 Reply

    Velho esperto, não é qualquer um que tem medo de dinheiro. Isso demonstra que na maioria das culturas as pessoas tem muito apego ao dinheiro. Ele poderia dizer que tinha medo da longevidade ou da sabedoria, ou muitas outras coisas.

  3. posted by
    Dora
    jan 3, 2016 Reply

    Velho esperto, não é qualquer um que tem medo de dinheiro. Isso demonstra que na maioria das culturas as pessoas tem muito apego ao dinheiro. Ele poderia dizer que tinha medo da longevidade ou da sabedoria, felicidade ou muitas outras coisas.

  4. posted by
    Drica
    jan 3, 2016 Reply

    Uma história diferente, de outra cultura é uma maneira instigante de trazer a tona antigas discussões atemporais. E nada como uma boa discussão para despertar o interesse e a consciência das pessoas de todas as idades, principalmente os mais jovens que ainda estão abertos às mudanças. Além é claro de ampliar os horizontes e despertar o ser pensante que existe adormecido em cada pessoa.

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