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Montaigne e a Educação

Bellini Bellini
Jun 18, 2017
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Hoje vamos falar sobre Montaigne e a Educação, relacionando as influências do ceticismo no âmbito educacional. Como sempre, a primeira parte do texto se refere a biografia do filósofo, no caso a biogradia de Montaigne, e a segunda etapa sobre sua real influência na educação.

A Biografia Montaigne

Michel Eyquem de Montaigne nasceu em 1533 perto de Bordeaux, no sudoeste da França, no  Castelo de Montaigne, propriedade de seu pai.

Montaigne e a Educação

Sendo educado em casa e em latim, formou-se em Direito na Universidade de Toulouse, mas acabou resolvendo seguir a carreira de professor.

No período de 1557 a 1570, foi Conselheiro do Parlamento de Bordeaux, sendo neste período que conheceu o  poeta e pensador Étienne de La Boétie, aonde se tornaram grandes amigos, até a morte precoce de La Boétie, em 1563, aos 33 anos.

Este fato abalou completamente Montaigne,  no qual abandonou a  função de conselheiro e se isolou das outras pessoas. Entretanto, neste período, se dedicou integralmente  à escrita, principalmente  da sua grande obra  “Os Ensaios”, que foi modificada continuamente.

Foi condecorado pela ordem de Saint-Michel e nomeado Cavalheiro ordinário da Câmara pelo rei Henrique 3º, em 1571 e  em 1577, pelo Rei Henrique 4⁰.

Apesar de ter começado a escrever sua obra Ensaios em 1572, ele só a publicou em 1580. Neste mesmo período,  começou uma viagem de 15 meses por vários países da Europa e, na sequência foi eleito prefeito de  Bordeaux,  aonde permaneceu no cargo até 1581.

Montaigne passou o resto da sua vida se dedicando a aprimorar a sua obra e, morreu em 1592, em seu castelo, de uma inflamação nas amígdalas.

Montaigne e a Educação

Montaigne recebeu uma  formação clássica e  teve como inspiração os grandes autores da Antiguidade, como Platão, Sócrates, Aristóteles, Virgílio, Horácio, Cícero, Sêneca, Plutarco,  Santo Agostinho( que era mais recente em seu tempo )  e, também  de seu grande amigo La Boétie.

Ensaios  foi sua  grande obra-prima, que surgiu após 20 anos de reflexão sobre a sociedade do século XVI, mas acima de tudo uma reflexão sobre ele mesmo,  na qual abordava  temas  que ainda hoje são  atuais, indo desde a  educação das crianças até a  preparação para a morte.

O filósofo abordava em seus textos,  principalmente,  questões sobre a  formação do  homem, aonde este deveria ser uma pessoal racional, liberto de crenças e superstições,  mas que trabalhasse o diálogo para ser capaz  de se  adaptar à sociedade em que estava inserido. No que se refere à Educação,  dois volume de Ensaios tratam sobre o assunto,  Do Pedantismo e Da Educação das Crianças.

Em o Do Pedantismo, o autor faz uma reflexão sobre a diferença de Saber  e  Inteligência, pois segundo ele,  se o saber não modifica a pessoa que o adquire, era melhor que não o tivesse adquirido, já que esse poderia transformá-lo em  uma pessoa arrogante.  Entretanto,  a inteligência  seria o  fato de usar com bom senso o conhecimento  aprendido e assim, para Montaigne, o modelo ideal de educação seria a  junção dos dois, no qual a memória do que foi adquirido soma-se ao bom senso e o juízo da inteligência.

Outro ponto apontado pelo autor  seria a questão de utilizar o saber somente como uma fonte de enriquecimento, pois as pessoas que não possuem aptidão natural procurariam estudar somente para ter uma profissão  e para saciar sua vontade por lucros e, não  para o aprimoramento interno, formando assim pessoas desvirtuosas.

Em a Da Educação das Crianças, o filósofo aborda questões direcionadas diretamente para a educação, desde como  e para que educar, mas vale a pena ressaltar que a origem nobre de Montaigne faz com que a obra seja direcionada para uma classe social mais específica.

Assim, o filósofo aponta  não um modelo educacional, mas corrobora o fato de que a educação é  a base para a  formação do individuo, porém sempre respeitando a sua natureza, conforme explicado abaixo:

As tendências naturais desenvolvem-se e se fortalecem pela educação, mas não se modificam. Tenho visto milhares de indivíduos voltarem-se para a virtude ou o vício, apesar de uma educação que os deveria impelir para o lado oposto. […] Não se arrancam as raízes das tendências originais; dissimulam-se tão somente.

Segundo o educador, o  objetivo maior da educação é fazer com que as crianças desenvolvam sua capacidade de pensar, sabendo discernir o que lhe é correto, por esse motivo ele acreditava que isso não poderia acontecer perto dos pais, pois esses tendem a não deixar os filhos se prepararem para a vida. Mas, apesar disso, ele defende a intervenção de um preceptor, desde que esse também não fale demasiadamente e deixe a criança se expressar também, pois essa seria a base de sua educação.

a educação das crianças de montaigne

Ainda sobre a função do preceptor, Montaigne, aponta que o mesmo não deva possuir um modelo rígido para educar e sim, se adaptar para cada criança, sempre levando em consideração a sua natureza. O educador deve também, ter uma função orientativa, explicando o sentido da aprendizagem, não só fazendo com a criança memorize o conteúdo, mas aprenda como aplicar em sua vida. O autor sugere ainda, o ensino da filosofia, pois essa amplia a concepção do mundo para as crianças.

Por fim, Montaigne e a educação não criaram um método exclusivo, mas suas reflexões são no estilo sugestivo, para que assim se for o caso aplicá-las a nossa realidade, mas assim como Rousseau, o ponto mais importante  de sua teoria, é o desenvolvimento da criança respeitando a sua natureza, o que nos faz refletir porque seja tão difícil a educação infantil,  já que sempre temos por base a generalização e o não respeito da sua individualidade.

Sérgio Xavier Gomes de Araújo da um show falando sobre os ensaios de Montaigne, da uma conferida para complementar a leitura:

Bom, é isso. Espero que você tenha gostado. Por favor aguarde vários outros textos aqui no Demonstre.com

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Comentário

  1. Duas coisas que me admiram em Montaigne e que foram muito bem destacadas nesse material, que aliás, como já frisei, faz parte de uma super série exclusiva do demonstre, sendo os pontos: o envolvimento do autor com as questões educacionais voltadas para criança e ainda, a capacidade de escrever séculos atrás textos que se aplicam à nossa realidade atual…

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