Faça parte do nosso mundo mágico!

Por enquanto somos poucos, mas logo seremos uma legião! Inscreva-se! <3

O Dilema da Aprovação de alunos

A constante luta do professor: ensino X obrigatoriedade da aprovação.
A constante luta do professor: ensino X obrigatoriedade da aprovação.

 Aprovar ou não aprovar os alunos, és a questão.

 

As estatísticas dizem tudo. As estatísticas não dizem nada. Há muito temos um dilema complicado quando o assunto é educação, alunos, notas e resultados. Antes de entrar no assunto cabe aqui relacionar algumas verdades.
1ª – O maior índice de reprovação nas escolas públicas é a desistência;
2ª – As escolas expõem excelentes índices de aprovação e notas;
3ª – Os exames de avaliação expõem que nossos alunos não aprendem o básico;
Somente de ler e analisar essas verdades acredito que você já consegue prever para onde vou encaminhar esse diálogo. A convivência escolar é complicada, ano a ano pegamos turmas com uma defasagem maior, onde por razões estruturais, sociais e pedagógicas os alunos não tiveram uma educação adequada e possivelmente não terão condições de acompanhar o conteúdo proposto para aquele momento.

Por mais diversas que sejam essas situações, e por mais esforços oriundos do professor em busca de soluções e acompanhamento desses alunos, no fim eles evidentemente necessitam  de mais um período para recuperar o tempo perdido. Infelizmente essa exigência é cobrada de outra forma e a dificuldade de se reprovar um aluno em qualquer escola, seja pública ou privada, se torna terrível.

Veja que se você reprova um aluno você é questionado, debatido, investigado, avaliado. Se você reprova vários alunos você não ensinou a turma, ensinou alguns. Se você cobra o que está nos PCNs você exigiu demais. Se seus alunos não conseguiram fazer sua prova você que não ensinou direito. Se você fez a prova e apenas um grupo não passou, há algo de errado na avaliação desse grupo. Se um aluno reprovou por ‘apenas’ um ponto, quando a média final é 5, não custa nada dar aquela ajudinha…

Para evitar essa realidade, professores e escolas que são cobrados a ‘passar’ alunos e avaliados pela quantidade de alunos que fecham seus ‘ciclos de ensino’, passam a tomar medidas complacentes afim de facilitar para que os alunos passem. 1º a média cai. Normalmente a média bimestral das escolas públicas é 6, mas se o aluno chegar na recuperação e tirar um 5 ele passa de ano. 2º Os professores fazem provas cada vez mais fáceis, com respostas nas provas, com questões diretas, lendo antes a prova e passando o máximo de dicas possíveis. 3º As avaliações são divididas em notas iguais, fazendo com que uma prova tenha o mesmo valor de um texto copiado em um caderno, que tem o mesmo valor de um seminário, sem levantar um critério de dificuldade ou esforço real do aluno. 4º Incentiva-se as notas extras, com 10 por desfile, 10 por dança, +1 ponto por isso ou aquilo. 5º Após tudo isso, ainda são arredondadas as notas para ajudar aqueles que precisam de “décimos”. 6º Após tudo isso ainda chamam o professor no canto para ver a possibilidade de outros trabalhos ou uma ‘ajudinha’. 7º Após tudo isso ainda existe o conselho escolar. 8º Após tudo isso ainda há notas que são modificadas e ajustes resolvidos na sombra da noite.

Infelizmente o que as pessoas não percebem é que essa realidade é muito triste, e que as consequências para os alunos é gravíssima. Somos nós que reduzimos e diminuímos o nível do nosso conteúdo, repetindo assuntos anteriores várias vezes, ignorando problemas básicos e fazendo com que esse aluno saia sem base para encarar exames ou concursos. Veja que no começo do ano eu iniciei um curso preparatório para o IFRN. A média de acertos dos 30 alunos que fizeram a prova foi de 07/40 questões. No mesmo caminho a prova da OBMEP mostra o quanto os alunos apresentam deficiência. Veja que alunos que acertaram 03/20 passaram para a segunda fase do exame e foram parabenizados, quando a dificuldade das questões são simples ou moderada.

Mas a questão não está simplesmente nos exames. Está no cidadão que preparamos e onde queremos que eles cheguem. Como serão esses meninos no decorrer dos anos? Qual o futuro que espera um jovem ludibriado e que aprendeu a ludibriar todos os seus desafios? E qual comunidade que será formada se nossos jovens continuarem passando de ano, sem bagagens, sem histórias e sem vivências?

Encaremos que as situações são as mais diversas possíveis. São alunos que chegam no 6º ano do fundamental ou 3º ano do ensino médio sem capacidade de leitura, escrita e nem os cálculos básicos; falta constante de professores; salas superlotadas; deficiências de aprendizagens ou mesmo deficiências mentais não diagnosticadas e não acompanhadas. Uma pandemia de situação tristes e cruéis que oriundas e aliadas ao descaso público acabam por piorar a situação.

Mas isso pode mudar. E isso tem que mudar. Mais vale um aluno que apanhe e reprove, mas tenha força para lutar e continuar evoluindo, do que um aluno que coleciona anos perdidos e diplomas sem valor.

O desafio  do professor é matar um leão por dia para dar o melhor para aos seus alunos.
O desafio do professor é matar um leão por dia para dar o melhor para aos seus alunos.
Bellini Bellini
Post Author
Felipo Bellini
Professor de inglês e tradutor. Leciono na educação básica como concursado pelo governo do estado do Rio Grande do Norte atuando no: Ensino Fundamental II, Ensino Médio regular e na Educação de Jovens e Adultos - EJA; gerencio a empresa Traduza, onde me responsabilizo tanto pela tradução de livros e artigos científicos, como orientação da equipe; e sou mestrando do programa de pós graduação em linguagem da UFRN. Na infância apresentei problemas de aprendizagem, o que me permitiu ter contato com diversas experiências para evoluir meu nível escolar, e no decorrer desse processo refletir a prática e interação como objetos necessários para a aquisição de conteúdo. Todo esse contato com as metodologias de aprendizagem e acompanhamento da minha família fez com que muito cedo assumisse minha primeira sala de aula, sendo monitor e depois professor em um curso pré-vestibular da cidade. O interesse na docência era claro, e com 17 anos entrei em Letras na UFRN. Participei desde o primeiro semestre de projetos de pesquisa e extensão; sendo os mais relacionados ao ensino o PIBID, o ÁGORA, o PROCEM e o Curso de Português para Estrangeiros com Cinema. Minha intenção era diversificar e experimentar o que estivesse ao meu alcance, afim de gerar o máximo de experiências na universidade. Por indicação consegui uma estadia para o País de Gales, no Reino Unido, onde fiquei durante 6 meses dando aula de português para estrangeiros na universidade de Cardiff, e recebi uma bolsa da CELTIC para cursar o nível C1 e um curso de literatura básico. No período fiz também o curso técnico de tradução acadêmica pela Cardiff Library (4 meses) e o de Counselor - Educational Issues (2 meses), o último me dando vivência dentro das escolas públicas do país. Após minha formação, em 2013, empreendi na área da educação, montando duas empresas. A primeira uma rede social para professores e alunos chamada TUTORA.ME, onde conseguimos a adesão de mais de 6 mil membros cadastrados, sendo mais de 25% deles ativos diariamente até o fim da plataforma no final de 2015. A segunda um cursinho popular chamado Garra-RN, onde o maior foco era o aprendizado dos alunos através da colaboração e aulas desafio. Esse método nos trouxe ótimos resultados na unidade de Goianinha, com mais de 70% dos alunos aprovados nos concursos públicos de interesse no fim de 2015 e início de 2016. Hoje posso dizer que minha maior motivação são as aulas que leciono no ensino público, onde sou concursado desde 2014. Adoro sair das aulas e ouvir dos alunos que eles tiveram a melhor aula até o momento. Minha busca está na transformação do espaço social e em como conseguir engajamento e metrificar a performance dos meus alunos através de suas atitudes pró-aprendizagem. Neste processo de formação docente que continuo passando encontrei no desenvolver da leitura e escrita com o alunado a resposta para precipícios sociais que nas dinâmicas e brincadeiras costumeiras das aulas de inglês não evidenciava. Passei a inserir dentro das aulas de inglês diversas atividades para resolver os problemas escolares e da comunidade, sempre na perspectiva do aluno. Foram desde cartas de protestos até fanpages para campanhas sociais. Pesquisas comunitárias, projetos de empreendedorismo e até um projeto de escola bilíngue que nas discussões me motivaram a seguir adiante e procurar o curso de Especialização do Ensino da Escrita, onde pretendo me aprimorar e retornar o máximo que puder para os meus alunos.

Leave A Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *