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O que eu aprendi com Freinet

Lições de Freinet

Antes de Freinet… Nesta última sexta-feira eu levei uma pequena turma de alunos para uma praça e trabalhei inglês com eles de maneira bem leve, dialogando as características de cada um e fazendo com que eles repetissem a estrutura lexical de maneira menos agoniada do que acontece na sala de aula normalmente.
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Isso chamou a atenção dos que passavam, chamou a atenção dos que estavam por perto e fez inclusive com que alunos de outras escolas, que por sinal estavam ali na praça interagissem e tentassem repetir a estrutura algumas vezes.

Eu adorei, não porque eu estava seguindo uma didática ou um planejamento muito elaborado, mas porque eu vi naquele momento que a turma dita mais complicada da escola estava realmente envolvida e aprendendo.

Ao sair, uma senhora, antiga pedagoga da escola e pessoa que dou muito valor disse que aquilo lhe lembrava FREINET, e não é por acaso. Na faculdade eu ouvi bastante sobre ele. Lembro que é dele a noção que “não existe uma educação ideal”, e sim uma “educação de classes”. Gosto também na maneira como ele dialoga em seus estudos apresentando uma escola popular, moderna e democrática, tanto trabalhando especificamente cada uma, como fazendo um intercâmbio de ideias, já que desde sempre sua principal intenção era desenvolver novos métodos de se relacionar com os alunos. E que métodos!

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Acho que o Freinet foi o primeiro contato que tive sobre projetos e atividades pedagógicas. Lembro quando uma professora ainda na UFRN fez um jornal de classe, e como ao explicar passo a passo a atividade eu lembrava de como uma atividade semelhante me fez escrever nas séries iniciais. O Freinet me ajudou com suas atividades, com os cantinhos pedagógicos, com a percepção de que os muros da escola não são limites para ela, de que as aulas passeio também são uma alternativa, e que o professor tem na profissão a possibilidade e dever de fazer e ultrapassar todas as barreiras para fazer seus alunos aprenderem.

Bem, é isso que eu aprendi com Freinet, é por isso que eu planejo as minhas atividades e é por isso também que eu transformo a educação deles com todas as minhas forças, levando energias, levando o aprendizado e tentando fazer de cada aula uma aventura, mesmo que falhando, tentando e tentando até conseguir.

SER PROFESSOR É AÇÃO!

Bellini Bellini
Post Author
Felipo Bellini
Professor de inglês e tradutor. Leciono na educação básica como concursado pelo governo do estado do Rio Grande do Norte atuando no: Ensino Fundamental II, Ensino Médio regular e na Educação de Jovens e Adultos - EJA; gerencio a empresa Traduza, onde me responsabilizo tanto pela tradução de livros e artigos científicos, como orientação da equipe; e sou mestrando do programa de pós graduação em linguagem da UFRN. Na infância apresentei problemas de aprendizagem, o que me permitiu ter contato com diversas experiências para evoluir meu nível escolar, e no decorrer desse processo refletir a prática e interação como objetos necessários para a aquisição de conteúdo. Todo esse contato com as metodologias de aprendizagem e acompanhamento da minha família fez com que muito cedo assumisse minha primeira sala de aula, sendo monitor e depois professor em um curso pré-vestibular da cidade. O interesse na docência era claro, e com 17 anos entrei em Letras na UFRN. Participei desde o primeiro semestre de projetos de pesquisa e extensão; sendo os mais relacionados ao ensino o PIBID, o ÁGORA, o PROCEM e o Curso de Português para Estrangeiros com Cinema. Minha intenção era diversificar e experimentar o que estivesse ao meu alcance, afim de gerar o máximo de experiências na universidade. Por indicação consegui uma estadia para o País de Gales, no Reino Unido, onde fiquei durante 6 meses dando aula de português para estrangeiros na universidade de Cardiff, e recebi uma bolsa da CELTIC para cursar o nível C1 e um curso de literatura básico. No período fiz também o curso técnico de tradução acadêmica pela Cardiff Library (4 meses) e o de Counselor - Educational Issues (2 meses), o último me dando vivência dentro das escolas públicas do país. Após minha formação, em 2013, empreendi na área da educação, montando duas empresas. A primeira uma rede social para professores e alunos chamada TUTORA.ME, onde conseguimos a adesão de mais de 6 mil membros cadastrados, sendo mais de 25% deles ativos diariamente até o fim da plataforma no final de 2015. A segunda um cursinho popular chamado Garra-RN, onde o maior foco era o aprendizado dos alunos através da colaboração e aulas desafio. Esse método nos trouxe ótimos resultados na unidade de Goianinha, com mais de 70% dos alunos aprovados nos concursos públicos de interesse no fim de 2015 e início de 2016. Hoje posso dizer que minha maior motivação são as aulas que leciono no ensino público, onde sou concursado desde 2014. Adoro sair das aulas e ouvir dos alunos que eles tiveram a melhor aula até o momento. Minha busca está na transformação do espaço social e em como conseguir engajamento e metrificar a performance dos meus alunos através de suas atitudes pró-aprendizagem. Neste processo de formação docente que continuo passando encontrei no desenvolver da leitura e escrita com o alunado a resposta para precipícios sociais que nas dinâmicas e brincadeiras costumeiras das aulas de inglês não evidenciava. Passei a inserir dentro das aulas de inglês diversas atividades para resolver os problemas escolares e da comunidade, sempre na perspectiva do aluno. Foram desde cartas de protestos até fanpages para campanhas sociais. Pesquisas comunitárias, projetos de empreendedorismo e até um projeto de escola bilíngue que nas discussões me motivaram a seguir adiante e procurar o curso de Especialização do Ensino da Escrita, onde pretendo me aprimorar e retornar o máximo que puder para os meus alunos.

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