redes de apoio à Educação Inclusiva

O que são as redes de apoio à educação inclusiva, como elas se formam e sua importância são algumas das questões que vamos debater no artigo de hoje. Vamos lá!?

Lembrando que o material de hoje é patrocinado pelo blog Pós-Graduação Prominas-Online e pela própria instituição Prominas Online.

A formação de redes de apoio à Educação Inclusiva

Quando falamos de educação especial inclusiva e de ensino de pessoas com deficiência, TGD, altas habilidades ou superdotação – ou ensino de pessoas com necessidades especiais – falamos amplamente do papel do professor, veículo principal da educação especial inclusiva e concretizador dos planos pedagógicos, planejamentos de aula e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de todos os alunos na sala de aula – com ou sem necessidades especiais.

redes de apoio à Educação Inclusiva

Essa visão do professor como criatura polivalente, amplamente capacitada e pronta para assumir os mais diferentes desafios pode fazer com que o recente projeto de educação especial inclusiva que eliminou o conceito de escola especial e trouxe toda a comunidade escolar para um único centro – a escola tradicional – pareça algo difícil de se atingir: afinal, que pessoa normal pode atingir esses altos níveis de profissionalismo e capacitação e corresponder a expectativas tão altas da sociedade?

A verdade é que o plano de educação especial inclusiva estruturado pelo MEC – Ministério da Educação vai muito além de uma melhor capacitação do professor da escola tradicional: ele inclui uma verdadeira reviravolta no conceito de educação e escola, baseado na inclusão de toda a comunidade e sua real participação na educação – especialmente na educação infantil.

O ideal, abraçado pela ONU – Organização das Nações Unidas em sua Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais – ou Declaração de Salamanca (cidade na Espanha) de 1994, como ficou mundialmente conhecida – deriva de um provérbio de origem africana que diz que “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Dessa forma, ficou estabelecido no documento que “para crianças com necessidades educacionais especiais uma rede contínua de apoio deveria ser providenciada, com variação desde a ajuda mínima na classe regular até programas adicionais de apoio à aprendizagem dentro da escola e expandindo, conforme necessário, à provisão de assistência dada por professores especializados e pessoal de apoio externo”. O documento, ratificado pelo MEC em 1996, prevê portanto a criação de toda uma rede de apoio, a verdadeira inclusão de toda a comunidade para o sucesso da educação especial inclusiva.

Muito além do sonho internacional

Afim de buscar a verdadeira implementação dos ideais descritos em Salamanca e conseguir ir além de suas definições o MEC definiu, em sua Resolução no4 de 02 de outubro de 2009:

  • 2º O AEE – Atendimento Educacional Especializado tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem.
  • Parágrafo único. Para fins destas Diretrizes, consideram-se recursos de acessibilidade na educação aqueles que asseguram condições de acesso ao currículo dos alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, promovendo a utilização dos materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e informação, dos transportes e dos demais serviços
  • 5º O AEE é realizado, prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra escola de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns.
  • 9º A elaboração e a execução do plano de AEE são de competência dos professores que atuam na sala de recursos multifuncionais ou centros de AEE, em articulação com os demais professores do ensino regular, com a participação das famílias e em interface com os demais serviços setoriais da saúde, da assistência social, entre outros necessários ao atendimento.
  • 10. O projeto pedagógico da escola de ensino regular deve institucionalizar a oferta do AEE prevendo na sua organização: (…) VII – redes de apoio no âmbito da atuação profissional, da formação, do desenvolvimento da pesquisa, do acesso a recursos, serviços e equipamentos, entre outros que maximizem o AEE.

Mas o que é, realmente, a rede de apoio?

A rede de apoio do professor de educação especial inclusiva é uma combinação de 4 fatores:

Educação Inclusiva

 

  1. A escola, incluindo todo o grupo de professores de todas as matérias e níveis educacionais, a direção, equipe de suporte, de administração e de manutenção operacional (incluindo a limpeza e alimentação). O envolvimento desses profissionais garante ao professor um ambiente onde é possível comparar experiências, atuar em conjunto e discutir, do ponto de vista operacional e pedagógico os medos, anseios, sucessos e fracassos das práticas aplicadas, de forma a melhorá-las continuamente e garantir não apenas a formação continuada da equipe, mas o sucesso e desenvolvimento real dos alunos.
  2. A família e amigos do aluno, com seu conhecimento profundo das necessidades especiais desse aluno, seus anseios, suas conquistas e quaisquer dificuldades temporárias que ele possa vivenciar (um primeiro interesse romântico, novas amizades, rompimento de amizades antigas, falecimentos na família, novas atividades externas à escola, problemas de saúde decorrentes ou não da deficiência). O envolvimento dessas pessoas garante ao professor uma janela externa a seu trabalho, onde é possível verificar, na prática, os resultados de cada atividade conduzida em sala de aula e como ela se traduz, realmente, no dia a dia do aluno.
  3. Profissionais da saúde que trabalham com o aluno, como médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, psicoterapeutas, nutricionistas, psiquiatras, especialistas em comunicação alternativa, Braille ou Libras e afins. O envolvimento desses profissionais garante ao professor a capacidade de melhor compreender os desafios e talentos de seus alunos, permitindo uma melhor adequação de recursos e um alinhamento com quaisquer tratamentos paralelos, permitindo um desenvolvimento global do aluno que é aperfeiçoado em várias frentes de maneira concomitante.
  4. As salas multifuncionais onde será conduzido, de fato, o AEE – Atendimento Educacional Especializado. A realização desse atendimento garante ao professor que o aluno terá acesso a materiais, ferramentas, conteúdos e técnicas que poderão ser usados em sala de aula para garantir seu desenvolvimento e inclusão real na turma, possibilitando cada vez mais a interação e integração do aluno com o grupo onde ele se insere – e por conseguinte, na sociedade.

Para criar uma verdadeira rede de apoio em sua escola ou comunidade, é importante garantir que o ambiente esteja apto a receber as salas onde o AEE pode ser realizado com sucesso. A criação desse ambiente e sua implementação é uma excelente base sobre a qual erguer os novos parâmetros de diálogo e trabalho em equipe que podem garantir o sucesso de seu plano pedagógico de educação especial inclusiva.

Para começar a criar suas salas e seu programa de AEE, o curso INSPEÇÃO ESCOLAR E AEE, uma pós-graduação de 720 horas para professores e profissionais da área de educação que aborda diversos aspectos da educação inclusiva, pode oferecer um insight importante a respeito de quais adaptações precisam ser realizadas – ou não – e qual o melhor ponto de partida. Entre os principais temas abordados estão:

  • AEE para deficiência física e mobilidade reduzida
  • AEE para deficiência visual: baixa visão e cegueira
  • AEE para deficiência auditiva e surdez
  • AEE para deficiências múltiplas e surdocegueira
  • AEE para deficiência intelectual, altas habilidades e superdotação

Comece agora mesmo sua jornada para um programa de educação especial inclusiva de sucesso.

3 COMMENTS

  1. É primordial que a rede de apoio exista de fato para que o o estudante com necessidades especiais possa exercer seu aprendizado com eficácia. O caminho do Brasil é longo, é preciso um trabalho de formiga. Cada um fazendo o seu pouquinho e trazendo mais colaboradores para a rede. Estou adorando essa série de postes sobre a educação de inclusiva. Continuem o bom trabalho. 🙂

  2. Gostaria de frisar aqui minha admiração pelo blog Demonstre no que tange ao trabalho que vocês realizam sobre educação especial!! Deve ser o 5°artigo que leio sobre inclusão e trabalho com estudantes especiais. É raríssimos vermos um programa de publicação com seções exclusivas para educação inclusiva. Esta arquitetura está transformando este blog em uma referência da divulgação de conteúdos relacionados à educação especial. Parabéns.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here