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Transgênicos: mocinhos ou vilões?

Afinal, qual a verdade sobre os transgênicos?

A grande maioria das pessoas já deve ter ouvido falar de transgênicos em algum momento. Mas você realmente sabe o que é e os seus prós e contras? A maioria das pessoas que converso fora do meu círculo de pessoas que estudam na área das ciências biológicas não sabem muita coisa sobre o tema. Decidi fazer esse post por causa da notícia divulgada essa semana de que a Câmara dos deputados aprovou um projeto que desobriga as empresas a identificar seus produtos transgênicos, querendo tirar, deste modo, o direito a informação já antes garantido por lei.
transgênicos - mocinhos ou vilôes
transgênicos – mocinhos ou vilões
 O que são os transgênicos?
Os transgênicos são organismos que foram submetidos a transgenia. A transgenia nada mais é do que retirar um gene de um organismo e colocar no núcleo de outro organismo distante e não aparentado para que ele exerça a mesma função.

Para que serve a transgenia?

Para que servem os transgênicos?

 A transgenia é usada para melhorar geneticamente um determinado organismo em uma função específica. Por exemplo na agricultura ela é utilizada para produzir plantas mais resistentes às pragas ou herbicidas ou para criar plantas que produzem mais grãos que o normal. Essas alterações acontecem de diversas maneiras, chegando até a modificar plantas afim de produzirem toxinas que controlam as pragas como é o caso da toxina Bacillus thuringiensis (Bt).

Transgênicos no mundo

Segundo a organização não governamental ISAAA – Centro de Conhecimento Global sobre Biotecnologia de Culturas em seu relatório executivo Status global dos cultivares transgênicos comercializadas – 2013: “Milhões de produtores avessos a risco, tanto grandes quanto pequenos, em todo o mundo, concordam que os retornos do cultivo de transgênicos são alto (…)”. Ele contabiliza que 27 países em 2013 eram produtores e o Brasil ocupava o segundo lugar, perdendo só para os Estados Unidos. No entanto, apesar dessa renda os defensores não apresentam dados realmente confiáveis de que não há impactos da transgenia agronômica nem no meio ambiente ou na saúde das pessoas.

Veja, que apesar desses 27 países produtores de transgênicos, muitos países europeus como França, Dinamarca, Grécia, Letônia, Rússia, Escócia, Nova Zelândia, Áustria, Hungria, Bulgária, Luxemburgo, Suíça e muitos outros países menores da Europa não aceitam seu cultivo. O mais recente foi a Irlanda do Norte, onde o ministro de meio ambiente, Mark Durkan, se justificou dizendo: “Continuo sem estar convencido das vantagens dos cultivos geneticamente modificados e considero prudente proibi-los”. Então nos cabe a reflexão: por que esses países não aceitam os maravilhosos transgênicos e o Brasil sim?

Aqui no Brasil são produzido uma porcentagem de 92% de soja (RR- resistente a glifosato, Roundup Ready), 47% de algodão Bollgard (BT + RR) e 90% milho bt transgênicos (ISAAA). Eles entraram de maneira ilegal e foram recebidos de braços abertos como uma maneira de aumentar a nossa produção e diminuir o avanço da área agrícola, além de aumentar a resistência às pragas. O site do Conselho de informações sobre biotecnologia afirma que a “Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) concluiu não haver diferenças entre os alimentos transgênicos do mercado e seus pares convencionais, a não ser a(s) nova(s) característica(s) que o(s) gene(s) inserido(s) no alimento transgênico permitiu(ram) expressar”. Os benefícios dos transgênicos são reforçados pelo Anderson Galvão, representante do ISAAA no Brasil que afirmou que “Os transgênicos permitiram a intensificação da produção global e, principalmente, brasileira, contribuindo para evitar que a agricultura disputasse área com reservas de biodiversidade nos 27 países em que são cultivados”.

Área plantada de transgênicos no mundo (2014)
Área plantada de transgênicos no mundo (2014)

Mas então, quais os problemas de se usar transgênicos?

Apesar das empresas que produzem os transgênicos defenderem que eles não causam mal algum e de que isso é comprovado por estudos científicos, esses estudos não são acessíveis a sociedade e por isso, a confiabilidade dessa qualidade é posta em dúvida, bem diferente dos cientistas que estão a cada dia provado seus malefícios de modo aberto e acessível a quem se propor a procurar.

Uma comprovação clara disso, foi que nesse ano de 2015 houve a publicação de uma Carta aberta escrita por 815 cientistas de 82 países, desses 10 são brasileiros, requerendo a total proibição dos transgênicos pelos danos que eles causam aos seres humanos. Eles argumentam que os transgênicos “não oferecem benefícios para os agricultores ou os consumidores. Em vez disso, trazem consigo muitos problemas que foram identificados e que incluem o aumento do uso de herbicidas, o desempenho errático e baixos rendimentos econômicos para os agricultores. Os cultivos transgênicos também intensificam o monopólio corporativo sobre os alimentos, o que está levando os agricultores familiares à miséria”. Ao longo da carta eles argumentam cientificamente os porquês da necessidade urgente da proibição dos transgênicos. Abaixo vou listar argumentos vindos dessa carta e de outras fontes.

Na carta eles dizem que tanto os Estados Unidos como o Reino Unido possuem provas dos riscos que esse tipo de alimento modificado pode trazer, principalmente no que diz respeito a disseminação de “(…) genes marcadores de resistência a antibióticos a ponto de tornarem doenças infecciosas incuráveis, a criação de novos vírus e bactérias que causam doenças e mutações danosas que podem provocar o câncer.”, como foi o caso da batata GM que usava o DNA promotor (35S), obtido do vírus fitopatogênico (CaMV), com características bem semelhantes aos vírus da hepatite B e o do HIV, que levou à morte de ratos em laboratório, causando portanto o banimento dessa variedade de batata.

Aqui no Brasil, em 2013, uma audiência do Ministério Público Federal (MPF) em que se debatia a liberação de cultivares transgênicos resistentes ao agrotóxico 2,4-D, a Karen Friedrich, pesquisadora e toxicologista da Fiocruz, tentou alertar sobre os perigos do uso desse agrotóxico: “o 2,4-D, afeta humanos desde o estágio fetal (pois o produto passa pela placenta da mãe para o feto), até a idade adulta. (…) há várias pesquisas brasileiras que mostram a presença de agrotóxicos no leite materno”.  Apesar disso, hoje o agrotóxico 2,4-D é o terceiro mais usado no Brasil e o uso de soja e milho transgênicos resistentes ao 2,4-D é permitido CTNBio. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) foi outra a alertar o perigo desse agrotóxico, no meio do ano, ao classificá-lo como provável cancerígeno para humanos.

Na carta aberta os 815 cientistas ainda argumentam que tanto a ONU como a FAO dizem que há alimentos suficientes para a população mundial sem levar em conta a produção dos transgênicos e que a fome ocorre devido aos monopólios empresariais que aumentam a desigualdade social deixando os pobres mais pobres e passando mais fome. Colocando por terra a necessidade de transgênicos para suprir a alimentação em escala global.

Sobre o monopólio das grandes empresas produtoras de transgênicos, em uma reportagem para o site reporterbrasil.org.br o Darci Frigo, advogado da organização socioambiental Terra de Direitos, afirma que “No Brasil, essas transnacionais compraram praticamente todas as pequenas e médias empresas de sementes, além de dominarem a cadeia agroalimentar desde a produção de sementes, agroquímicos e agrotóxicos até a parte de logística, transporte e exportação”. Dessa forma, os pequenos agricultores são “obrigados” a aderir ao monopólio dos transgênicos. Nessa mesma reportagem o pesquisador Paulo Brack, professor do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), disse que o agricultor gaúcho não encontra mais no mercado opções não transgênicas. Assim, os pequenos produtores tornam-se dependentes dessas empresas uma vez que as sementes deles compradas não germinam e por isso a cada nova safra eles são obrigados a comprar novamente da mesma fonte.

Além dos danos à saúde humana e do aumento da desigualdade social o uso dos transgênicos causa a perda de diversidade genética em espécies de plantas nativas e domesticadas por meio da polinização entre as plantas modificadas e as não modificadas. Ainda, segundo a carta aberta “Os herbicidas de amplo espectro utilizados com os cultivos transgênicos tolerantes a herbicidas não apenas dizimam espécies de plantas silvestres de forma indiscriminada, mas também são tóxicos para os animais. O glufosinato provoca defeitos congênitos em mamíferos (27) e o glifosato está ligado ao linfoma de Hodgkin. (28) Os cultivos transgênicos das Bt-toxinas matam insetos benéficos como as abelhas (29) e os crisopídios (30) e o pólen do milho Bt é letal para as borboletas monarca (31), assim como para os papiliônidos. (32) A Toxina Bt é exalada das raízes do milho Bt na rizosfera, onde se une rapidamente às partículas do solo e se converte em parte do mesmo.” Como vocês podem ver os transgênicos não são inofensivos como os que os defendem argumentam…

Espero que vocês tenham uma melhor noção dos transgênicos e dos males que eles podem trazer e quão absurdo é essa aceitação por parte do governo brasileiro a eles com tudo o que falei e citei até aqui. Hasta! 😀

Bellini Bellini
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Felipo Bellini
Professor de inglês e tradutor. Leciono na educação básica como concursado pelo governo do estado do Rio Grande do Norte atuando no: Ensino Fundamental II, Ensino Médio regular e na Educação de Jovens e Adultos - EJA; gerencio a empresa Traduza, onde me responsabilizo tanto pela tradução de livros e artigos científicos, como orientação da equipe; e sou mestrando do programa de pós graduação em linguagem da UFRN. Na infância apresentei problemas de aprendizagem, o que me permitiu ter contato com diversas experiências para evoluir meu nível escolar, e no decorrer desse processo refletir a prática e interação como objetos necessários para a aquisição de conteúdo. Todo esse contato com as metodologias de aprendizagem e acompanhamento da minha família fez com que muito cedo assumisse minha primeira sala de aula, sendo monitor e depois professor em um curso pré-vestibular da cidade. O interesse na docência era claro, e com 17 anos entrei em Letras na UFRN. Participei desde o primeiro semestre de projetos de pesquisa e extensão; sendo os mais relacionados ao ensino o PIBID, o ÁGORA, o PROCEM e o Curso de Português para Estrangeiros com Cinema. Minha intenção era diversificar e experimentar o que estivesse ao meu alcance, afim de gerar o máximo de experiências na universidade. Por indicação consegui uma estadia para o País de Gales, no Reino Unido, onde fiquei durante 6 meses dando aula de português para estrangeiros na universidade de Cardiff, e recebi uma bolsa da CELTIC para cursar o nível C1 e um curso de literatura básico. No período fiz também o curso técnico de tradução acadêmica pela Cardiff Library (4 meses) e o de Counselor - Educational Issues (2 meses), o último me dando vivência dentro das escolas públicas do país. Após minha formação, em 2013, empreendi na área da educação, montando duas empresas. A primeira uma rede social para professores e alunos chamada TUTORA.ME, onde conseguimos a adesão de mais de 6 mil membros cadastrados, sendo mais de 25% deles ativos diariamente até o fim da plataforma no final de 2015. A segunda um cursinho popular chamado Garra-RN, onde o maior foco era o aprendizado dos alunos através da colaboração e aulas desafio. Esse método nos trouxe ótimos resultados na unidade de Goianinha, com mais de 70% dos alunos aprovados nos concursos públicos de interesse no fim de 2015 e início de 2016. Hoje posso dizer que minha maior motivação são as aulas que leciono no ensino público, onde sou concursado desde 2014. Adoro sair das aulas e ouvir dos alunos que eles tiveram a melhor aula até o momento. Minha busca está na transformação do espaço social e em como conseguir engajamento e metrificar a performance dos meus alunos através de suas atitudes pró-aprendizagem. Neste processo de formação docente que continuo passando encontrei no desenvolver da leitura e escrita com o alunado a resposta para precipícios sociais que nas dinâmicas e brincadeiras costumeiras das aulas de inglês não evidenciava. Passei a inserir dentro das aulas de inglês diversas atividades para resolver os problemas escolares e da comunidade, sempre na perspectiva do aluno. Foram desde cartas de protestos até fanpages para campanhas sociais. Pesquisas comunitárias, projetos de empreendedorismo e até um projeto de escola bilíngue que nas discussões me motivaram a seguir adiante e procurar o curso de Especialização do Ensino da Escrita, onde pretendo me aprimorar e retornar o máximo que puder para os meus alunos.

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