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Transtornos Globais do Desenvolvimento - TDG

Transtornos Globais do Desenvolvimento – TGD

Bellini Bellini
maio 28, 2017
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Olá pessoal, hoje vamos falar sobre os Transtornos Globais do Desenvolvimento – TGD. Essa é a continuação dos textos que estou fazendo sobre educação especial. Sugiro fortemente que leia os textos anteriores, para podermos nos aprofundar cada vez mais no assunto:

  1. O deficiente como ser Social
  2. Os benefícios da Inclusão
  3. Políticas Públicas de Inclusão

Lembrando que o retorno de textos bacanas e estudados ao blog, se dá pelo apoio e incentivo da empresa Prominas Online, que  está patrocinando o Demonstre para que o site evolua sempre. Visitem o blog deles, tem muita coisa bacana sobre o tema:

  1. Benefícios da Inclisão
  2. Meu aluno é surdo, e agora?
  3. Dicas sobre Inclusão Escolar

Bom, agora vamos falar dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, que esse é um tema sério e que tem que ser abordado de maneira ímpar aqui no blog. Por favor não deixem de comentar, ok?

Transtornos Globais do Desenvolvimento – TGD

A sigla TGD é utilizada no Brasil para se referir a um grupo de transtornos e deficiências de natureza parecida, chamados Transtornos Globais de Desenvolvimento ou Distúrbios Abrangentes do Desenvolvimento. A terminologia, derivada do inglês Pervasive Developmental Disorders (PDD), engloba transtornos que, segundo a literatura oficial “são distúrbios nas interações sociais recíprocas que costumam manifestar-se nos primeiros cinco anos de vida. Caracterizam-se pelos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos, assim como pelo estreitamento nos interesses e nas atividades (… ) que englobam os diferentes transtornos do espectro autista, as psicoses infantis, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Kanner e a Síndrome de Rett” (Texto de Paula Nadal na Novaescola).

Transtornos de Aprendizagem - TGD

Isso significa, basicamente, que esses transtornos podem ser diagnosticados ainda na primeira infância e têm como sintomas comuns a dificuldade de comunicação (falada e escrita), uma preferência pelo isolamento (tendem a evitar movimentar-se com as demais crianças e alguns, inclusive, evitam o toque humano a todo custo), a capacidade de focar-se inteiramente numa única atividade (como ficar observando um mesmo objeto por horas, sem responder ou perceber que estão sendo chamadas), uma preferência por atividades repetitivas (de movimento ou não), uma certa dificuldade motora (que pode vir a piorar com o tempo) e uma tendência a mudanças de humor (em alguns casos, incluindo momentos de extrema raiva e até violência).

Por se referir a um conjunto de transtornos, o TGD não caracteriza, em si, um diagnóstico médico – mas uma previsão de diagnóstico. Especialmente porque, para cada um desses transtornos, a idade e o comportamento ajudam a determinar-se um diagnóstico específico. Ou seja: o médico pode evitar realizar um diagnóstico final antes que a criança atinja uma determinada idade.

Diferentes transtornos

De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (ou APA, na sigla em inglês) e seu mundialmente famoso Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, atualmente em sua quinta edição, publicada em 2013), TEA, ou Transtornos do Espectro Autista é o diagnóstico correto para pessoas que sofram de “…um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento. Esses distúrbios se caracterizam pela dificuldade na comunicação social e comportamentos repetitivos (…). Pode ser associado com deficiência intelectual, dificuldades de coordenação motora e de atenção e, às vezes, (…) problemas de saúde física, tais como sono e distúrbios gastrointestinais, (…) síndrome de déficit de atenção e hiperatividade, dislexia ou dispraxia. Na adolescência podem desenvolver ansiedade e depressão”.

Estão incluídos sob esse único diagnóstico, portanto, o “Autismo e todos os distúrbios, incluindo o transtorno autista, transtorno desintegrativo da infância, transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS) e Síndrome de Asperger” (Autismoerealidade.org). Por outro lado, essas pessoas podem desenvolver uma habilidade extrema e se destacar muito no campo das habilidades visuais, música, arte e matemática.

Não estão englobadas sob essa característica as pessoas que sofram de “autismo atípico”, que geralmente vem sendo tratado apenas como TGD – apesar de isso gerar uma certa confusão. O autismo atípico afeta crianças com mais de três anos de idade que não necessariamente se enquadram em todas as características físicas, psíquicas ou clínicas dos transtornos definidos como TEA.

Também não se enquadram na categoria pessoas com Psicoses Infantis, caracterizadas especialmente pela dificuldade de compreender-se como indivíduo e identificar-se frente à sociedade como um “eu” distinto. Crianças que sofrem desse transtorno podem também ser erroneamente diagnosticadas como autistas graças a atrasos e dificuldades cerebrais similares às que ocorrem em pacientes de TEA.

O último dos transtornos incluído sob o espectro do TGD é a Síndrome de Rhett, que afeta particularmente meninas (os meninos que sofrem da síndrome tendem a não sobreviver).  Esse transtorno, segundo o site Bengalalegal.com “… É uma doença neurológica (…) clinicamente caracterizada pela perda progressiva das funções neurológicas e motoras após um período de desenvolvimento aparentemente normal, que vai de 6 a 18 meses de idade. Após esta idade, as habilidades adquiridas (como fala, capacidade de andar e uso intencional das mãos) são perdidas gradativamente e surgem as estereotipias manuais (movimentos repetitivos e involuntários das mãos), que é característica marcante da doença”.

Se você conhece crianças ou adultos com essas características e que ainda não têm um diagnóstico correto, incentive responsáveis e familiares a procurarem um diagnóstico correto e a saberem mais sobre o problema. Uma pesquisa online pode ajudar colegas, amigos, professores e familiares a lidarem melhor com as características de cada um desses males, permitindo uma melhor inclusão dos pacientes na sociedade e um tratamento mais adequado de suas necessidades.

O TDG na escola

Em 2008 o MEC – Ministério da Educação determinou, por meio de sua Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva que “Na perspectiva da educação inclusiva, cabe destacar que a educação especial tem como objetivo assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas turmas comuns do ensino regular, (…) para garantir o acesso ao ensino comum, a participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados de ensino; a (…) oferta do atendimento educacional especializado; a formação de professores para o atendimento educacional especializado (…)”.

TGD – Transtornos Globais do Desenvolvimento

Com essa determinação, o MEC garantiu a inclusão de alunos com todos os transtornos do espectro do TGD ao ensino público tradicional, fora de escolas especiais, permitindo que essas crianças tenham acesso à educação e à vida em sociedade. O que isso significa para o professor, amigo, colega ou familiar dessas crianças, no entanto? Como atender suas necessidades especiais em sala de aula e permitir a elas um desenvolvimento real e uma melhoria da qualidade de vida?

De acordo com o site Novaescola, “Estabelecer rotinas em grupo e ajudar o aluno a incorporar regras de convívio social são atitudes de extrema importância para garantir o desenvolvimento na escola”. O site recomenda ainda a utilização de ferramentas visuais e táteis que permitam ao aluno com TGD uma maior interatividade com o assunto ou tema a ser apresentado. É importante ter a presença de um profissional especializado e não ter medo de errar – como o TGD cobre um amplo espectro de transtornos que podem se manifestar em diversos graus, é importante a tentativa e erro para identificar o potencial dos alunos que aquilo que os favorece em sala de aula.

O aprendizado real e desenvolvimento desses alunos garante também sua inclusão social com seus colegas de sala – o professor que tem alunos com TDG deve investir em reforço positivo, elogiando os avanços dos alunos especiais e de seus colegas, individualmente, mas também as conquistas do grupo. Marcos educacionais comemorados e elogios ajudam essas crianças a sentirem-se seguras – o que é fundamental para seu sucesso.

Ainda muito vago? Um curso de especialização pode preparar não apenas pais, mas familiares e amigos que podem atuar na escola na ausência de um profissional especializado em TGD. Um excelente exemplo disso é o curso de EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA COM ÊNFASE EM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E MÚLTIPLA: uma pós-graduação de 735 horas para professores e profissionais da área de educação que aborda diversos aspectos da educação inclusiva visando ao aluno com necessidades especiais, como por exemplo:

  • Educação inclusiva e especial
  • Transtornos globais do desenvolvimento TGD
  • Deficiências múltiplas e surdocegueira
  • Deficiência auditiva e surdez
  • Deficiência intelectual

Não tenha medo – descubra o mundo desses alunos e permita-lhes descobrir, realmente, o nosso.

Referências:

MINISTÉRIO da Educação, Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica. Resolução nº4,de 2 de outubro de 2009. <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf> acesso em abr. 2017.

ALVES, Rubem. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas: Papirus, 6ª ed., 2003.

CARVALHO, Rosita Edler. Removendo barreiras para a aprendizagem: educação inclusiva. Porto Alegre: Mediação, 2000.

GLAT, Rosana; et all. Capacitação de professores: primeiro passo para uma educação inclusiva. In: MARQUEZINE, Maria Cristina e outros (coord.). Perspectivas Multidisciplinares em Educação Especial.. Londrina: Editora UEL, 1998.

FERREIRA, Maria Elisa Caputo; GUIMARÃES, Marly. Educação inclusiva. Editora: DP &A, 2008.

ALONSO, Daniela. Os desafios da Educação Inclusiva: foco nas redes de apoio. Disponível em <https://novaescola.org.br/conteudo/554/os-desafios-da-educacao-inclusiva-foco-nas-redes-de-apoio>, acesso em abr. 2017.

ZULIAN, Margaret Simone; FREITAS, Soraia Napoleão. Formação de professores na educação inclusiva: aprendendo a viver, criar, pensar e ensinar de outro modo. Revista do Centro de Educação, nº 18. Ed. 2001.

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3 Comentários

  1. Acho muito relevante que se fale desses transtornos, pois ainda é um tabu em muitas comunidades. Tanto que há ainda escolas que não estão preparadas ou simplesmente não querem de fato receber crianças com esses transtornos. Quantas mães sofrem sem encontrar uma escola que aceite receber suas crianças, seja ela pública ou privada. Outro dia mesmo ouvi um relato de uma mae que teve que recorrer a secretaria da educação para conseguir uma vaga próximo de casa, pois as escolas se negavam a fornecer uma vaga. Quanto mais se falar e se divulgar tanto desmitificando esses transtornos, quanto divulgando as leis que garantem direitos a pessoas que as possuem. Parabéns! Ótimo texto!

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  2. Olá, tudo bem? Uma coisa interessante a se ressaltar, em relação especificamente ao autismo, é que é um espectro. Então se você conhece uma criança com autismo, é muito improvável que a próxima criança que você conheça tenha os mesmo comportamentos, e exija os mesmos cuidados que a anterior. Ótimo artigo!

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