Crítica: A Bruxa de Blair (2016)

O primeiro A Bruxa de Blair, lançado no ano de 1999, foi um sucesso absurdo de público e um dos filmes mais marcantes dos anos 90. Confira a crítica sobre o reboot de 2016.

Entendendo A bruxa de Blair original

O ano era 1999, a expectativa para a virada do milênio nos trouxe não apenas a lenda do famigerado bug que afetaria sistemas computacionais financeiros em todo o mundo, mas também uma lenda misteriosa do interior dos Estados Unidos, filmada como se fosse real, elevando o que foi feito anteriormente por Holocausto Canibal a um nível muito mais comercial, influenciando muitos outros filmes posteriormente.

A bruxa de Blair, 1999

A bruxa de Blair (1999) introduziu também um conceito de marketing inovador no cinema. Toda a divulgação foi feita para parecer um documentário de gravações reais encontradas na floresta de Burkittsville, isso levou milhões de pessoas a lotarem os cinemas em todo o mundo (algumas salas ficaram realmente lotadas a ponto de ter expectadores de pé), transformando um filme de baixo orçamento (cerca de $ 60.000), em um fenômeno mundial com uma renda de mais de $ 240.000.000.

O Reboot de A bruxa de Blair de 2016

O filme original consistia de filmagens amadoras de um tipo de documentário que estava sendo feito por um grupo de jovens sobre uma lenda local, a lenda da bruxa da floresta de Burkittsville, que influenciava pessoas a sequestrarem crianças para ela.

A bruxa de Blair, 2016

No reboot de 2016 a ideia de um filme documental continua a mesma, dessa vez, com um aparato tecnológico condizente com a época em que se passa, e com o tema do documentário voltado para o desaparecimento dos jovens do filme original, com um laço emocional criado a partir da esperança do resgate de um dos jovens desaparecidos.

O que tem de bom e o que tem de ruim na narrativa?

O reboot de 2016 é completamente divisivo, por se tratar de um filme tão popular quanto foi A bruxa de Blair (1999), é natural que as pessoas gostem muito do reboot, ou não gostem nada.

Um ponto positivo é o ponto de vista da recontagem dos fatos a partir de um aparato tecnológico mais forte. Quando os personagens tem acesso a drones portando câmeras é normal achar em primeiro momento que situações que ocorreram no primeiro filme seriam mais difíceis de ocorrerem no segundo, como os personagens ficarem perdidos no meio da floresta, andando em círculos. No entanto, a previsibilidade do que acontece com os aparatos tecnológicos é um fator negativo a se levar em conta. Enquanto você lê essas palavras, provavelmente está imaginando o que deve ter acontecido com o drone, por exemplo, e tem 90% de chance de estar correto.

O laço emocional criado a partir da esperança do resgate de alguém desaparecido há 17 anos é algo irreal, inconcebível, parecendo muito mais um elemento preguiçoso inserido no roteiro para criar mais um elemento narrativo do que algo realmente relevante para a trama, bastando uma simples ideia de investigação dos fatos para o filme ser bem mais redondo nesse aspecto.

A geração do terror em A bruxa de Blair (2016)

A bruxa de Blair (2016) tem uma sensação de suspense semelhante ao original de 1999. Foi acertada a decisão de não inovar muito nesse sentido e apenas incrementar um fator ou outro bastante pontual. A distorção do tempo, em relação ao que é dia ou noite, diferente para cada grupo de personagens é um exemplo do que poderia ser feito de novo em relação à sua inspiração original.

Destaque para a função dada ao reboot para o clássico símbolo feito de galhos, que lembra bastante o Homem Vitruviano, do Leonardo Da’Vinci. No reboot, o diretor atribui a função semelhante a um boneco voodoo, seguido de uma demonstração bastante explícita do seu funcionamento que agrada bastante os amantes de um terror mais gráfico. Algo que, talvez pela proposta de marketing, para tornar as imagens mais críveis não existiu na primeira película.

Veredito sobre A bruxa de Blair (2016)

O reboot do clássico de mais de 20 anos atrás pode ser considerado uma boa homenagem ao que significou A bruxa de Blair. É interessante ver como o filme original influenciou uma série de outros filmes a seguir ideias semelhantes (Assim na terra como no inferno e Atividade Paranormal são dois bons exemplos) e uma homenagem tão direta a ele é justa, ainda que não seja perfeita, mas quantos filmes o são?

Não fique só nesse texto, leia outros textos semelhantes aqui no Demonstre. Gosta de filmes sobre bruxaria ou paganismo? Aqui tem uma crítica que separei exclusivamente pra você, fã do terror: Hereditário.

Add Comment