Alfabetização de jovens e adultos

Em uma interpretação rigorosa, alfabetização é a instrução e a prática do sistema de escrita a partir do nosso alfabeto. Assim,os indivíduos que são alfabetizados devem ser capazes de decodificar esse sistema, através da escrita e da leitura. O que muda no processo de alfabetização de jovens e adultos da alfabetização de crianças é extraordinariamente o alvo a quem se destina essa prática. Os processos cognitivos são bastante parecidos, por um lado, mas igualmente guardam algumas significativas diferenças. As semelhanças estão no método ativo do aluno, por meio de estruturação de hipóteses sobre a codificação do alfabeto (escrita).

Alfabetização de jovens e adultos – As diferenças na alfabetização de jovens e adultos


Contudo, a alfabetização de jovens e adultos foi, durante muito tempo, pensada e executada semelhantemente ao que se propunha no processo de alfabetização das crianças. Nada que fosse relacionado a alfabetização direcionada a esse alvo nunca se diferenciava do que era dirigido às crianças. A infantilização de textos e atividades era repassada a jovens e adultos, desconsiderando seus conhecimentos e suas experiências de vida e expectativas, seus desejos e necessidades no que se relaciona a compreender, a ler e a criar.

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O processo de alfabetização em jovens e adultos também necessidade de elementos especiais na composição daqueles que irão trabalhar com esse público. Educadores de alfabetização precisam ter conhecimentos sobre as nuances dos jovens e adultos, demasiados diferentes dos das crianças; e precisam também entender, ao mesmo tempo, que eles apresentam diferenças nas demandas e nas expectativas referentes ao ato de compreender.

Alfabetização de jovens e adultos – Paulo Freire e a alfabetização de jovens e adultos

Nos anos de 1960, o educador Paulo Freire marcou bastante esse caráter específico no processo de alfabetização de jovens e adultos, ao expor uma proposta conscientizadora que considera não apenas a compreensão do sistema de leitura e escrita, mas também a construção desse processo agregado às suas experiências de vida.

Sua prática didática fundamentava-se na crença de que o educando assimilaria o objeto de estudo fazendo uso de uma prática dialética com a realidade, em contraposição à por ele denominada educação bancária, tecnicista e alienante: o educando criaria sua própria educação, fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído; libertando-se de chavões alienantes, o educando seguiria e criaria o rumo do seu aprendizado. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência política.

Autor de Pedagogia do Oprimido, livro que propõe um método de alfabetização dialético, se diferenciou do “vanguardismo” dos intelectuais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático. Trata-se da terceira obra mais citada em trabalhos acadêmicos da área de humanas em todo o mundo, à frente de clássicos como “Vigiar e punir” de Michel Foucault e “O Capital” de Karl Max.

Paulo Freire

Hoje, os programas direcionados a esse campo de estudo contribuem ao pensamento pedagógico baseado em Paulo Freire a assimilação mais ampla de processos de letramento e, consequentemente, a ideia de que a alfabetização não é apenas a habilidade de ler e escrever. É fundamental, logo, que o aluno compreenda e viva a escrita e suas funções no nosso meio social, para que sua experiência sirva como ferramenta de luta na conquista da cidadania. Assim, metodologias de propostas curriculares ou métodos de alfabetização de jovens e adultos devem caucionar o ingresso à alfabetização afiliado a utilização e funções sociais da escrita, e com isso, diminuir o número de analfabetos funcionais no futuro.

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