Escola Nova: pioneiros da educação nova e progressista

Você conhece o movimento da Escola Nova? Muito estudado nos cursos de pedagogia e demais licenciaturas, a escola nova é um importante movimento Educacional pedagógico que não é tão conhecido assim da maioria das  pessoas.

E hoje nós vamos falar melhor para você sobre o que é a escola nova, a sua  importância pedagógica e todo o pioneirismo Educacional que este movimento colocou em voga no universo do ensino e da aprendizagem.

Toda a concepção de ensino é embasada em preceitos e princípios pedagógicos, isso é muito importante porque são estes elementos que conduzem norteiam as metodologias de ensino e a forma como a troca da educação é entendida por educadores e sociedade.

Vamos entender tudo isso melhor a seguir. Acompanhe.

A Escola Nova

Durante a história da educação diferentes movimentos pedagógicos embasaram as concepções e práticas de ensino exercidas pelos professores em sala de aula.

Imagem ilustrativa. Foto: Freepik.com.

Muitos pais, responsáveis e pessoas da sociedade em geral que observam um professor ministrando suas aulas não fazem ideia de que existe uma concepção pedagógica por trás da forma como esse professor organiza sua metodologia e exerce a sua docência. 

É claro que as pessoas entendem que a forma como um docente organiza suas aulas não vem do nada, e que os professores tem estudos, princípios e teorias que embasam a sua prática, mas daí para conhecer as correntes teóricas próprias da pedagogia é algo que poucas pessoas  de fora do mundo pedagógico conhecem.

Então, se você quer saber um pouco mais sobre esse universo pedagógico e entender melhor um dos movimentos educacionais mais importantes  da história da educação, vem com a gente agora, e nós vamos te explicar melhor sobre a Escola Nova.

E vamos começar falando sobre como surgiu esse movimento. Acompanhe.

Escola Nova – história

Também conhecida como Escola Ativa ou Escola Progressista, a Escola Nova foi um movimento Educacional nascido no final do século XIX e que ganhou força nos primórdios do século XX,  trazendo conceitos pedagógicos muito inovadores e até mesmo polêmicos para época em que surgiu.

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Imagem ilustrativa. Foto: Freepik.com.

O movimento da Escola Nova não teve um único fundador, mas tem vários educadores que participaram desse processo em diferentes partes do mundo.

Na Europa um dos principais fundadores do movimento o suíço Adolphe Ferrière,  quem também participou da fundação do movimento na América do Norte.

A Escola Nova chegou ao Brasil em 1882, pelas mãos de Rui Barbosa, e exerceu grande influência nas mudanças promovidas no ensino na década de 1920, quando o país passava por uma série de transformações sociais, políticas e econômicas. 

Naquele período época, o mundo passava um momento de crescimento industrial e de expansão urbana. Era uma época de muitas mudanças em que significava sobretudo na ideia de progresso ilimitado e de melhora crescente da sociedade humana.

E foi motivado por esse clima que um grupo de intelectuais brasileiros sentiu necessidade de preparar o país para acompanhar esse desenvolvimento.  A educação precisava ser adaptada para suprir as demandas dos novos tempos e formar esses indivíduos que viveriam nesse período inovador de progresso. 

A educação é um elemento chave para promover todas as transformações requeridas para acompanhar o andamento deste processo que estava mudando a sociedade humana e a  forma como é o seu organismo.

Tendo como principal inspiração as ideias político-filosóficas de igualdade entre os homens e do direito de todos à educação, esses intelectuais  percebiam o sistema estatal de ensino público, livre e aberto, como o único meio efetivo de combate às desigualdades sociais da nação.

Para que você possa entender melhor a importância dessas ideias naquele período, confira algumas curiosidades interessantes sobre como era o processo de ensino-aprendizagem vigente nas escolas do início do século XX e final do século XIX.

Como era o sistema de educação vigente na época em que a Escola Nova foi criada no final do século XIX?

O sistema de educação adotado naquele período é o tradicional, faltado na escrita autoridade do professor, com as crianças em fileiras em carteiras uma atrás das outras tendo de obedecer rigidamente a tudo que era dito pelos docentes e cumprir com todas as atividades escolares sem fazer perguntas. 

Quais outros acontecimentos eram comuns na escola tradicional vigente no momento em que os ideais da Escola Nova estavam sendo concebidos?

Eram aplicados castigos físicos com frequência  e a escola se pautava em uma metodologia de ensino que prezava pela reprodução do conhecimento já existente, não permitindo muito espaço para a criação e a inovação  por parte do aluno.

Como era a relação entre professor e aluno na escola tradicional enquanto as ideias da Escola Nova eram concebidas?

O professor é uma figura de autoridade inquestionável por parte dos alunos, tudo que ele falava devia ser seguido e obedecido,  deste modo, a relação professor e aluno  era uma relação vertical onde o professor ensinava e exercia sua autoridade, e o aluno cumpra rigorosamente todas as ordens e atividades dadas pelo professor. O aluno também não podia exercer um pensamento crítico sobre o conteúdo ministrado.

Escola Nova – princípios pedagógicos

Agora que você sabe quando surgiu o movimento da Escola Nova, e também compreende melhor como era o ensino nas escolas com a metodologia tradicional adotada  naquele período, vamos explicar um pouco mais sobre os princípios pedagógicos que embasam esse movimento progressista da Educação.

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Imagem ilustrativa. Foto: Freepik.com.

O aspecto mais importante da Escola Nova era um impulso espiritual da criança, ou seja, as suas inclinações naturais, seus talentos e suas aptidões.

Contrariando o modelo tradicional do ensino, a Escola Nova entendia que o aluno deveria ter plena liberdade para exercer o seu pensamento crítico, e assim a reflexão era um dos princípios pedagógicos mais importantes deste movimento.

O professor deve estimular o aluno a refletir e a ter uma visão crítica sobre tudo, descobrindo em si mesmo seus próprios talentos e aptidões, para dentro desta descoberta encontrasse seu melhor caminho na vida. 

O indivíduo era visto como senhor de sua própria vontade e deveria  exercer essa vontade sobre o mundo usando para tal a inteligência como instrumento, não devendo ficar preso a fórmulas e rigores dogmáticos.

Desta forma, a escola ideal seria  aquela em que o aluno fosse libertado da tutela autoritária do adulto, eu tivesse autonomia para o colocar o seu processo de aprendizado, e assim mesmo como um todo, sob a tutela da própria consciência moral. 

Na prática, deveria existir um modelo escolar no qual se confiaria aos alunos a disciplina e o seu funcionamento. Era portanto um modelo Educacional muito mais livre, e com princípios pedagógicos bem distintos da escola tradicional que vigorava no  período.

Acreditava-se que os alunos deveriam assumir autonomia da organização social escolar como uma pequena República, decidindo coletivamente as coisas que precisavam ser feitas e quais os rumos que deveriam ser seguidos.

Assim os alunos buscarem juntos soluções para os problemas enfrentados cotidianamente na escola e essa experiência os faria crescer conscientes de sua responsabilidade coletiva, e preparia  as crianças para buscarem soluções quando adultas para os problemas de ordem social e políticas do país.

Ou seja, a Escola Nova acreditava que dar autonomia ao aluno para agir desta forma era a melhor maneira de formar um cidadão plenamente consciente para atuar coletivamente na sociedade defendendo os interesses de todos quando fosse um adulto. 

Outro elemento muito defendido na Escola nova como princípio pedagógico fundamental era o trabalho escolar no sentido de possibilitar ao aluno a passagem daquilo que denominava de autoridade consentida, ocasião em que a criança recebe a matéria prima dos seus juízos e forma hábitos, para a autonomia crescente,  quando a criança se torna aí a senhora de si mesma e do próprio processo de aprendizagem.

Em tudo isso o professor deveria guiar a criança para que ela pudesse fazer essa passagem e adquira sua autonomia como um indivíduo.

Os criadores do movimento da Escola Nova estavam convencidos de que os métodos tradicionais de ensino já não tinham mais eficácia perante as transformações pelas quais a sociedade estava passando. 

Portanto,  essa escola tradicional já não estava dando conta de preparar indivíduos adequados ao convívio social, era necessário para mover uma mudança no sistema de ensino.

Confira outras informações importantes sobre as concepções da Escola Nova a seguir.

Como era visto o professor no modelo da escola nova?

Nesse novo conceito de escola o professor é entendido como um guia, alguém que deveria conduzir o aluno rumo a descoberta de suas próprias potencialidades inclinação natural, não vai figura de autoridade que estivesse ali para impor regras e dogmas, mas alguém que estivesse  presente para auxiliar o aluno enquanto este explorava o mundo e buscava o conhecimento segundo as inclinações naturais de sua própria consciência.

Qual a principal crítica que a Escola Nova recebeu?

Na época de seu surgimento a Escola Nova foi muito criticada pela excessiva liberdade que dava aluno, alegava se que não havia disciplina e que a criança não poderia se desenvolver se tornando um adulto saudável e autônomo, sem que tivesse limites e regras a cumprir, também não se acreditava muito que uma escola pudesse funcionar de forma organizada estando sobre a condução dos próprios alunos.

Quais as outras preocupações da Escola Nova quanto à organização escolar?

A Escola Nova acreditava que todo formalismo dos processos escolares cotidianos, especialmente a rígida relação vertical entre professores e alunos, e tudo aquilo que estivesse à margem do processo de desenvolvimento da autonomia do aluno, deveria ser banido da escola para sempre.

Escola Nova: o movimento no Brasil

Agora que você já conhece a Escola Nova entende os seus princípios educacionais,  vamos falar para você também um pouquinho sobre como esse movimento chegou no Brasil e a forma  que ele adquiriu por aqui.

Escola nova: pioneiros da educação nova e progressista
Manuel Bandeira (3º da esquerda para direita em pé), Alceu Amoroso Lima (5ª posição) e Dom Hélder Câmara (7ª) e sentados (da esquerda para direita), Lourenço Filho, Roquette-Pinto e Gustavo Capanema. Foto: Domínio Público.

Em nosso país, o movimento ganhou impulso na década de 1930, após a divulgação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova ocorrido no ano de 1932. Nesse documento,  os percursores da Escola Nova no Brasil faziam uma clara defesa da universalização da escola pública, laica e gratuita.

Atuação de todos esses educadores se estendeu pelas décadas seguintes sendo muito criticada por aqueles que defendiam o ensino privado e religioso.

Para além dos princípios pedagógicos da Escola Nova em si, podemos afirmar que os percursores deste novo modelo de Ensino em nosso país estavam preocupadas com questões essenciais como a qualidade é gratuidade do ensino que naquela época eram pontos falhos no nosso sistema de ensino.

De um ponto de vista histórico,  os principais fatos da Escola Nova  gira em torno da criação da Associação Brasileira de Educação em 1924 e a dissidência ocorrida na IV Conferência Nacional de Educação em 1931, que dividiu o pensamento renovador em dois grupos: liberais e católicos.

A Igreja Católica, que detinha muito poder Educacional sendo dona de muitos estabelecimentos de ensino exerceu uma forte oposição os princípios defendidos pela Escola Nova no nosso país.

O ponto mais importante da Escola Nova é a sua visão Educacional que liga o processo de ensino e aprendizado as questões sociais, trazendo uma nova visão Educacional que considera o contexto do aluno, sua vivência particular e a sociedade da qual ele faz parte.

A Escola Nova entende que a educação deve atender as demandas da sociedade, se adaptando às novas necessidades educacionais que vão surgindo com o passar do tempo e formando indivíduos autônomos, capazes de agir por si mesmos nesse contexto.

No entanto, a Escola Nova acabou caindo no esquecimento e sendo substituída por outros movimentos educacionais após 1964, quando o golpe militar ocorrido no Brasil deu Novos Rumos da Educação Nacional e silenciou os intelectuais que preconizavam o movimento da Escola Nova.

Na época atual,  temos uma nova concepção de modelo escolar Que Tem surgido como resposta às mudanças, principalmente aquelas oriundas da tecnologia e da internet, pelas quais  a nossa sociedade tem passado, trata-se da Escola 3.0.

Podemos dizer, que embora não saibamos se a Escola Nova teria se consolidado como um movimento educacional de sucesso, caso não tivesse sido interrompida pelos Novos Rumos educacionais que acometeram o país após o golpe militar de 1964, que muitos dos seus princípios pedagógicos são importantes e atuais mesmo nos dias de hoje.

Essa visão Educacional de que devemos considerar a sociedade e o contexto particular do aluno, destacando suas potencialidades e visando formar um indivíduo dotado de maior autonomia, é fator comum é muito importante nas metodologias de ensino aplicadas nas nossas escolas atualmente.

O que foi O Manifesto dos Pioneiros divulgado em 1932 pelo movimento da Escola Nova no Brasil? 

Esse Manifesto foi um importante documento que continha todas as diretrizes que embasam o movimento da Escola Nova e sua inserção no nosso país. Este documento apresentava  principais diretrizes políticas, sociais, filosóficas e educacionais do escolanovismo. 

Quais os principais representantes da Escola Nova no Brasil?

Nosso país teve intelectuais de peso divulgando o movimento pioneiros da escola nova, entre eles:

  1. Anisio Teixeira, o futuro mentor de duas universidades no país – a Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, desmembrada pelo Estado Novo de Getúlio Vargas – e a Universidade de Brasília, da qual era reitor, quando do Golpe Militar de 1964;
  2. Fernando de Azevedo (1894-1974), que aplicou a Sociologia da Educação e reformou o ensino em São Paulo na década de 1930;
  3. Lourenço Filho (1897-1970),  professor;
  4. Cecília Meireles (1901-1964), professora e escritora;
  5. Armanda Álvaro Alberto (1892-1974), educadora e militante feminista.

Quais as outras contribuições do intelectual educador Anísio Teixeira do movimento Escola Nova no Brasil?

Além dessas realizações, que mencionamos acima, Anísio foi o fundador da Escola Parque, em Salvador (1950), instituição que posteriormente inspiraria o modelo dos Centros Integrados de Educação Pública – CIEPs, no Rio de Janeiro, na década de 1980.

Escola Nova: dicas finais 

Como podemos ver logo esse texto a Escola Nova foi um movimento muito inovador no contexto social no qual era surgiu. 

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Imagem ilustrativa. Foto: Freepik.com

Podemos até dizer que mesmo nos dias de hoje seus conceitos de autonomia do aluno e abolição das formalidades e regras escolares em sua maioria, são temas polêmicos mesmo para a liberdade de pensamento Educacional que os nossos docentes possuem hoje.

Sem dúvida alguma uma escola organizada nos  prefeitos do movimento da Escola Nova teria um funcionamento muito diferente das escolas que temos habitualmente na nossa sociedade hoje.

 E você, o que pensa sobre isso?  Conte pra gente nos comentários!

 Essas foram as nossas dicas de hoje,  até a próxima!

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