Bourdieu e Passeron: sua influência na educação 

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Pierre Félix Bourdieu nasceu em 1 de agosto de 1930  no vilarejo de Denguin, no sudoeste da França, proveniente de uma família  de camponeses. Ao completar seus estudos básicos, mudou-se para Paris, aos 21 anos de idade, onde estudou na Faculdade de Letras,  no ano de 1951.

Em 1954,  graduou-se em filosofia e também iniciou sua vida profissional como professor, entretanto foi convocado a prestar serviços militares  na Argélia (então colônia francesa), aonde assumiu o cargo de professor na Faculdade de Letras da capital do país e escreveu  seu primeiro livro, sobre a sociedade local.

De volta a Paris,  Bourdieu, em 1960, se tornou membro do Centro de Sociologia Europeia. Em  1975, fundou as publicações Actes de laRechercheenSciencesSociales e Liber. Em 1982, propôs a criação de uma “sociologia da sociologia”, assunto que levou a diante durante anos. Em 1989, recebeu o título de Doutor honoris causa na Universidade Livre de Berlim e,em 1996 recebeu o mesmo título, na Universidade Johann Wolfgang Goethe, e na Universidade de Atenas.

Essas duas décadas, após seu retorno a França, foram os mais produtivos de sua carreira, transformando-o em um dos maiores sociólogo do século XX, com mais de trezentos trabalhos abordando o tema  do sistema capitalista. Em 1974, escreveu um dos livros mais importantes de sua carreira “A reprodução”, escrito em parceria com seu discípulo, o sociólogo também francês Jean-Claude Passeron, com quem também escreveu “Os herdeiros” (1964).

Pierre Bourdieu faleceu no dia 23 de janeiro de 2002 na cidade de Paris.

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Suas obras e influência na educação

                         Pierre Bourdieu publicou diversos trabalhos sobre educação, cultura, literatura, arte, mídia, linguística e política, sendo diretamente influenciado Weber  e Karl Marx, ele criou conceitos para entender a sociedades, separando-as por categorias.

Um dos principais conceitos apontados pelo filósofo é o de habitus,  que surge da necessidade compreender como as ações individuais, como os sentimentos, pensamentos e valores, pode incorporar na estrutura social.

“….um sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma matriz de percepções, de apreciações e de ações – e torna possível a realização de tarefas infinitamente diferenciadas, graças às transferências analógicas de esquemas …”

Outro ponto, abordado pelo autor é a teoria do “Capital”, que seria um estudo ampliado dos pontos abordados por Marx, expandindo o entendimento de  capital, para todos os recursos que se possam obter em uma atividade social, criando ainda os  sub-conceitos: Capital Social, Cultural, Econômico e Simbólico.

Nesse sentido, o conceito de “Capital Cultural”, explicado pelo  autor,  começou a aprofundar as questões das diferenças sociais que são evidenciadas pelas escolas, na qual  algumas habilidades como o gosto  pelas letras, musical e toda manifestação artística, que não de acesso a todos, tendem a intensificar as vantagens daqueles que já são privilégios de alguns poucos.

Dessa forma, em 1970, Pierre Bourdieu,publicou o livro “A Reprodução”, escrito em parceria com Jean-Claude Passeron (foto), que seria o resultado de  uma analise sobre o sistema escolar francês, principalmente  dentro do campo universitário, que viria a confirmar a questão das desigualdades promovidas pelas escolas.

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Assim, segundo os autores, desde quando a  criança começa sua aprendizagem,é recebida em um ambiente com divisões claras de classe, desde a organização pedagógica até o modo como prepara o futuro dos alunos.

Em a Reprodução, os autores demonstraram também, como que as características sociais, culturais e políticas, representam  as hierarquias existentes e as formas de dominação sociais. Em seus estudos, eles evidenciaram ainda,  o fato que  as pessoas normalmente acreditam que existem oportunidades de forma igual para todos, sendo que na verdade, as estruturas existentes, como as escolas, permeiam a estrutura social e reproduzem a situação atual da sociedade, sendo ainda, uma forma de ascensão social, conforme explicado abaixo:

Eis porque a estrutura das oportunidades objetivas da ascensão pela Escola, condiciona as disposições relativamente à Escola e à ascensão pela Escola, disposições que contribuem por sua vez de uma maneira determinante para definir as oportunidades de ter acesso à Escola, de aderir às suas normas e de nela ter êxito, e, por conseguinte as oportunidades de ascensão social”.

Assim, com base nesses estudos e no observado na sociedade atual, podemos concluir  que as escolhas de cursos e instituições de ensino passam a ser repletas de valores atribuídos socialmente, sendo  que é valorizado não o quanto o indivíduo sabe ou estudou, mas qual foi à faculdade cursada e o curso feito, e  dessa forma, a desigualdade social se acentuam mais ainda nos  currículos.

FIM

Bem interessante a trajetória desses dois filósofos, não? Neste mês de abril, estamos fazendo uma série com vários nomes da Filosofia que contribuíram para a educação. Não deixe de acompanhar e de compartilhar, ok?