A babá: rainha da morte, uma aula de direção de clichês

A babá: rainha da morte, estreou na Netflix em 10 de setembro de 2020, como uma continuação direta (2 anos depois) dos acontecimentos do filme de 2017.

Dirigido por McG, conhecido produtor de As Panteras e diretor da quarta parte da série de filmes de ficção científica O exterminador do futuro. McG utilizou referências dos próprios filmes que dirigiu e muitos outros nessa criação.

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Muitos dos filmes de hoje são referenciados em filmes do passado que fizeram sucesso e não tem porque não serem, visto que referências do bom cinema são sempre bem vindas. O problema é que nem todos o fazem tão bem quanto A babá: rainha da morte.

A babá, o primeiro filme

Desde o filme original, de 2017, percebemos todas as referências a cultura pop dos filmes dos anos 90, 2000 e até mesmo um pouco dos anos 1980 em suas mortes gráficas, repletas de sangue e explosões corporais.

No primeiro instante em que o filme original nos é apresentado, percebemos imediatamente os estereótipos norte americanos que o diretor reforça, acredito, de forma satírica.

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A babá numa pegada bem Regina George (Meninas Malvadas), o negro que lembra bastante os filmes de comédia dos anos 2000, o fortão que possui tanto um pensamento como ações de valentão do ensino médio.

Enquanto isso, o pobre rapaz vítima do culto de sangue é só um típico menino comum norte-americano, que gosta de gibis e tudo mais e que se livra dos seus vilões no maior estilo Esqueceram de mim sangrento.

A babá: rainha da morte e a quebra dos estereótipos

Neste segundo filme os estereótipos perduram na volta de todos aqueles que assombraram o pobre Cole, mas com um diferencial: agora Cole está no ensino médio, a época perfeita para quebrar todos os estereótipos construídos pelo cinema americano que refletem a sua sociedade.

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O gancho dos adolescentes que fazem de tudo para virar celebridade na internet é genial e de certa forma lembra todos os mitos acerca de personalidades do passado que, em teorias de conspiração absurdas, fizeram pactos para serem quem são.

Destaque para a irreverente fala do personagem negro, comumente o primeiro a morrer em filmes de terror, ao constatar ser o último a sobreviver:

“Isso é herança do terror pós Jordan Peele”

Personagem Max, interpretado por Andrew Bachelor

Mais uma referência bem humorada do cinema atual, o qual o filme está repleto.

Como utilizar-se de clichês conhecidos para se fazer um bom filme

É inegável para quem tem algum repertório em cinema, mesmo que não seja propriamente cinema de terror, que A Babá, tanto o primeiro quanto o segundo possuem vários clichês que a maioria das pessoas já está cansada de ver.

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Mas como, mesmo utilizando-se desses clichês, o filme não segue a linha enfadonha de outros filmes que tentam se levar a sério mas que utilizam clichês para tentar conseguir empatia do público?

É simples, McG em sua direção excepcional dosa muito bem a quantidade de clichês e os mescla com as referências do que ele próprio produziu, não utiliza de clichês soltos para fisgar uma risada ou outra, mas como um elemento narrativo que se completa aos demais.

Resumo dos pontos fortes de A babá: rainha da morte

Abaixo alguns pontos que fazem desse filme um prato cheio pra quem gosta de elementos de terror e quer se divertir na Netflix:

Referências

O filme é repleto de referências dos anos 80, 90 e 2000, algumas delas dirigidas pelo próprio McG

É bastante gráfico

Para quem gosta de mortes bastante gráficas é uma boa, muito sangue estará visível na tela!

Clichês como elemento narrativo

Nada de clichês que estão lá só por cartilha, todos os clichês conversam perfeitamente com a narrativa e fazem todo sentido!

Estereótipos quebrados

Como todo filme de proposta teen, existem estereótipos. Esses no entanto são quebrados durante a narrativa de um jeito bastante divertido.

Um filme teen de comédia com pegada de terror

Quem não ama os famosos “terrir”? Os filmes de terror feitos para dar risada. Quando é feito em formato teen, se torna o filme perfeito para ver em uma tarde chuvosa.

Não tem como deixar de conferir hoje mesmo esse filme que está disponível para os assinantes da Netflix, é só clicar aqui: A babá – rainha da morte.

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