Adrien Brody (PERFIL) Mais do que ‘O Pianista’

Largos ombros e fineza lúgubre. Artista além do atuar. Adrien Brody is in the building! (Frase usada por ele mesmo quando vai à entrevistas na rádio SwayUniverse.)

Já aos 43, esbanja elegância e casualidade no visual. Transmite o talento, o profissionalismo/responsabilidade, e o explorar da vida — o que aprendeu desde a infância pela criação dos pais. Exemplos de homem ensinados por Sylvia Plachy e Elliot Brody, no caos lírico do distrito do Queens da década de 70. Acredito que não ficou sem frequentar o Bronx também, com a pegada de más influências de gangues e toda a cultura dos subúrbios de NYC. Desde a adolescência está em contato com um cenário cultural hip-hop e cinematográfico, sem jamais deixar de ser o cara mais tranquilo e elegante de terno em um tapete vermelho.

Falar sobre Cinema e suas delícias requer estar por dentro do roteiro e etc, e, ainda mais que isto, estar atraído pelo feito de um ator ou atriz. Seja o filme que for, de início de carreira ou de prestígio de nomeação por Hollywood. E o feito de um ator em cena, durante vários personagens analisados, pressupõe-nos seu talento de tornar  real uma característica, um sotaque, um estilo de traje, um comportamento. Raros atores – ouso dizer isto sobre Brody – possuem o charme e o talento de trabalharem com atuação nas grandes telas com diversidade e encaixe. Não somente é profissional mas é também artista, permitindo-se absorver e transparecer personagens e personalidades diferentes.

Um sofrer de infância que cobra, a mudança de adolescentes, por um professor substituto (Detachment,2011), um retorno há lugares e passados sombrios atormentando a mente de um psicólogo (Backtrack,2015), uma experiência comportamental invocando o lado mais vingativo de um cara simples, da paz (The Experiment,2010).

Interessante pensar como os atores que amamos são profundos em seus papéis e aprendem com eles. Porque é de exclusivo contato que um ator presencia no ato dos filmes. É saber que a roupa, o cenário o transforma em outra pessoa. E dá certo. Encaixa.

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Não é somente através do Adrien Brody Pianista, e sua conquista na noite do Oscar em 2003, que se entende o perfil do cara.  Apesar, é óbvio, que depois de vê-lo como um pianista polonês judeu, dirigido por um Roman Polanski, o respeito é bem maior.  O que dizer de sua atuação calma e bonita como homem músico; mordendo a própria gengiva e tremido pela fome e magreza experimentadas; e de sua dedicação extrema para chegar a um estado de tragédia, próprio do pianista representado na biografia.

Este ator das diversidades acredita na linha do representar o que é desafiador e está em constante mudança. É o que sempre afirma em entrevistas, ao falar sobre o que de melhor o showbiz pode oferecer. As inspirações de Adrien vão desde um caractere do subúrbio perigoso e profano, até um de épica sociedade da fama, como na minissérie Houdini (2014). Percebe-se em seus personagens, que está sempre encaixado, aprovado, transformado. Que a atuação está bem aplicada.

Brody é bad guy em longas de roteiros atrativos e criminais. Mas não somente isto, é adornado com a expressão de personagens ousados e sentimentais . O Ritchie, de O Verão de Sam (1999), tem a vida adulta de  um jovem punk , e é o principal alvo de investigações sobre um serial killer. O Bloom, de The Brothers Bloom (2008), como vigarista sensível á beira de deixar a profissão do crime ao se apaixonar comicamente. Em personagens assim, o easy talk, a forma como Brody pratica as falas de um jeito arrastado e provocativo de gírias, não passa despercebido em filmes de envolvimento ao crime e às ruas.

No romance difícil e gostoso Love the Hard Way (2001) , ele está como um ladrão pomposo pela jacketa de couro animal e apaixonante como escritor às escondidas em um storage . Conhece uma estudante ingênua, por acaso, se envolvendo tão profundamente que um muda o estilo de vida pelo outro. Parece ter sido um romance barato, tirado das ruas do Bronx. Mas é exatamente isso. E olha só, é ótimo. Muito anos 2000, em seu comecinho, e muito envolvente – a trilha é desconhecida mas é gostosa com o hip hop devagar e atenuado por um jazz de subúrbio, deixando as faixas sensuais.

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Love the Hard Way, 2001
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American Heist, 2014

A atuação de Brody para caras de “vida curta” mas cheia de adrenalina, marca ainda em American Heist (2014), onde não convence com trama e elenco fracos, porém destaca um ex-detento empolgadíssimo para um último golpe. Tanto em Love the Hard Way quanto neste, a característica de um Brody atraente influenciado pelo background das ruas e do estilo bad guy, tatuado, apropriadamente com uma arma e um cigarro, me convence de que este perfil traçado, é o cara que mais atrai a sociedade cinéfila feminina. Sem rebaixar o posto do bem vestido John Wick, é claro.

Invertendo para  good guy

…Adrien e Penélope Cruz são ardentes em Manolete (2007)! Sem falar na aparência com o verdadeiro toureiro espanhol, sua atuação é muito bonita e delirante, como o próprio encenar corporal nas cenas em que está na arena. Destaque para o vermelho do Capote de Manolete e do vestido de Penélope.

O que dizer ainda de personagens lúdicos, quase animados, de Wes Anderson. O fictício anti-vilão Dmitri e o irmão do meio, Peter. Não só isto, mas a comédia impossível possível de Wes, fez Adrien bem especial. O primeiro, ele personifica um Conde de gostos arrojados e linguajar grosseiro,  deixando-o sensacional em The Grand Budapest Hotel (2014). O último, ele é parte de um trio de irmãos que não se veem há um tempo, sendo aquele que obtêm mais ego que o mais velho e mais indecisões que o mais novo (The Darjeeling Limited, 2007).

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Outro, ainda, quase animado personagem, é o Salvador Dalí de Midnight in Paris (2011). Forte no sotaque e emblemático na aparência e nas “visões” persistentes de “rinocerontes”. Mesmo que sua participação não passe de 5 minutos, sua presença é importante e divertida para um papel de grande semelhança e de precisão performática de.

Wes escalou Adrien, novamente, no fim de 2016 para um curta publicitário da marca H&M. Apenas 3:52 min e é excelente, veja aqui. Outra participação em curtas, foi no projeto incrível Jameson First Shot super apoiado pelo super Kevin Spacey. Veja um dos 3 curtas.

Adrien fucking Brody, é um cara apaixonante de certo. O  perfil de ator crescido no Queens/Bronx e filho de pessoas artisticamente presentes, o faz ser ator de O Pianista e ator com a bandeira do hip hop e a arte grafitada social. Em conversa descontraída na rádio, ele afirma sua criação e influências familiares como importante pilar para aprender com os papéis diversos, de se colocar em desafios, de preocupar-se com as mazelas da sociedade. Adrien atua, faz beats em seu ipad, pinta, e compartilha a ideia de um mundo melhor. Uma olhada em sua conta do Instagram, é possível ver isto tudo e se simpatizar por sua fineza e autenticidade.

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