Os traços firmes e condizentes da estratificação social são o foco de Parasita. Diante de um mundo cada vez mais capitalista e egocêntrico, o longa explora as relações de poder e a psique existentes em diferentes grupos sociais.

No filme, temos uma família extremamente pobre formada pelo pai Ki-Taek ( Kang-Ho Song), o filho Ki-Woo (Woo-sik Choi) sua filha Ki-Jung (Park So-Dam) e esposa Chung-Sook (Chang Hyae Jin) vivem desempregados sob um porão sujo e precário no mundo subterrâneo de sua cidade. Quando o filho adolescente começa a dar aulas de inglês à uma garota da família rica dos Park, o grupo vê uma oportunidade de se infiltrar no luxo e no poderio dos burgueses.

images-2020-02-04t214224-869-1952185-6718327
Parasita

As situações são caricatas e quase metafóricas. Enquanto a família pobre é audaciosa e esperta, a rica é acomodada e ingênua. A trama acompanha o plano inteiro da família pobre, até suas inevitáveis consequências. Na cena da inundação, é visível a diferença entre os efeitos nas duas casas: completo desastre na casa pobre, e calmaria na casa burguesa.

images-2020-02-04t214234-743-5564194-9295649
Parasita

De forma nítida, o diretor Bong Joon Ho expressa a disparidade social coreana em sua obra. Ao longo do filme, os Park sentem certa diferença e asco pelos pobres. A falta de compreensão e hesitação na demissão de seus funcionários, o sentimento de nojo pelo “cheiro” de seus empregados. A sede por riqueza de Ki-Taek e Chung-Sook com seus filhos, acaba por fazer uma reflexão: assim como quando eles chegavam no porão, as baratas saíam correndo, eles estavam sob o mesmo poderio dos Park, como meros “pragas necessárias”.

A meritocracia é posta à discussão por Bong Hoon Jo. Ao final do filme, quando o desastre acontece, a filha de Ki-Taek morre e ele some no porão dos Park, o seu filho com promete ficar rico e reencontrar o pai comprando o casarão. Por um momento, o espectador até pensa que isso realmente aconteceu, quando aparecem cenas de Ki-Woo comprando a mansão. Porém, a cena corta rapidamente para o mesmo, no mesmo lugar que o filme começa: o porão.

De uma forma ou de outra, o parasitismo se estabelece. A questão é: quem é o parasita de quem? Os pobres que adentraram na família dos ricos ou o sistema que não permite a ascensão social e mantém suas desigualdades?

Uma coisa é certa: Parasita entra forte para a premiação do Oscar 2020.

Ouça o nosso podcast: