Autor: Igor Gomes

Formado em Comunicação Social: audiovisual e cinema, sou redator de blogs, crítico fundador da ACCiRN (Associação dos Críticos de Cinema do RN) e adoro escrever sobre cultura em geral. Telefone para contato (também whatsapp): (84) 99651-6451
shaft 2019

Shaft 2019 (ou como destruir um herói)

Shaft 2019 é como chamo o filme Shaft dirigido por Tim Story, diretor afro-americano conhecido pela adaptação de Quarteto Fantástico para o cinema e diretor do filme Taxi.

Shaft filho, pai e avô, em Shaft 2019.

Shaft 2019 é a continuação, presente no serviço de streaming Netflix, de um clássico do cinema Blaxploitation de 1971, onde um detetive resolve um caso de sequestro da filha de um dos chefes do Harlem.

Shaft, nesse contexto dos anos 1970, era um herói, um símbolo de mocinho negro no meio de tantos westerns lançados na época estrelados por mocinhos brancos como Clint Eastwood. Mas será que ele continuou como herói nessa continuação?

Shaft 2019, a decadência de um herói

É natural que passado tanto tempo de 1971, ano do filme original, o Shaft (personagem) não tivesse ainda o pique de sua versão jovem e cheia de vontade de mudar a periferia de Nova York.

John Shaft e seu filho, em Shaft 2019

No entanto, o que se vê do roteiro de Kenya Barris e Alex Barnow é algo totalmente distante do que se criou com o antológico filme de Ernest Tidyman. Mas vamos começar com uma breve contextualização: o que era o Blaxploitation?

Por que Shaft 2019 foge completamente do ideal Blaxploitation e por que isso não faz sentido?

O cinema Blaxploitation foi um cinema de ação surgido nos Estados Unidos, que reunia negros em sua produção, direção, atuação e que voltava o tema para a questão negra, apresentando elementos de problemática da época.

O problema das drogas, ao qual os negros eram submetidos era constantemente abordado como algo partido de um ente maior e não inerente aos negros como o presidente da época, Nixon, gostava de deixar nas entrelinhas.

shaft 2019
Cena de Foxy Brown, representante da Blaxploitation

Nesse cenário de drogas devastando comunidades, negros traindo negros a mando de brancos poderosos e cada um querendo seu lugar ao sol em uma sociedade que não ligava pra eles, surgiam os grandes heróis do cinema Blaxploitation.

Shaft era um deles. Esses heróis não reforçavam estereótipos de opressão, ainda que às vezes a própria narrativa o fizesse para que fossem quebrados em seguida.

John Shaft em 1971 - Shaft 2019
John Shaft em 1971

Eram heróis por serem heróis, por serem negros que faziam a diferença para a comunidade negra sem rebaixar outras comunidades oprimidas. Eram heróis dentro desse contexto e só.

Se você estiver interessado no cinema Blaxploitation, pode ler clicando no link deste parágrafo nosso texto sobre essa fase tão inspiradora do cinema estadunidense.

Veja um top 5 de filmes Blaxploitation para iniciar neste gênero

Abaixo, 5 recomendações da Demonstre Cinema para iniciar no cinema Blaxploitation:

Shaft (1971)

O detetive Shaft é contratado por um grande chefe da máfia do Harlem para encontrar a sua filha desaparecida.

Super Fly (1972)

Um traficante começa a perceber que sua vida não vai acabar bem nesse meio, então planeja uma maneira arriscada de sair dele.

Coffy (1973)

Observando as consequências do uso de heroína na sua irmã, a enfermeira Coffy inicia uma busca pelos que espalham essa droga entre as pessoas.

Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (1971)

Após defender um jovem negro de um ataque de policiais racistas, um homem precisa a todo custo fugir das autoridades que o perseguem.

Blacula (1972)

Um principe africano é amaldiçoado e torna-se um vampiro. Ele se alimenta de pessoas inocentes enquanto busca uma mulher parecida com sua esposa morta.

A partir dessa lista, você já conhecerá boa parte das nuances do gênero.

O Shaft mudou da água para o vinho (ou veneno) em Shaft 2019

Partido dos elementos apresentados no tópico anterior sobre o cinema Blaxploitation fica claro o porquê roteiro e direção estragaram um personagem icônico desse período.

O Shaft no novo filme é um detetive particular decadente, e isso não seria um problema, visto que é comum que se abandone ícones do passado, delegando a eles apenas um lugar na sargeta.

O problema é o tipo de decadência. O filme de 2019 impõe ao Shaft vários estereótipos que hoje não fazem mais sentido algum: o negro extremamente sexualizado que só pensa em sexo é um deles.

shaft 2019

Além do mais, ao longo de todo o filme, o personagem possui várias frases homofóbicas. Vejam só, um ícone audiovisual de um movimento de resistência que ataca outros movimentos que resistem.

Não existe espaço para esse tipo de associação do negro, nem na sociedade e muito menos na arte. A intenção de transformar o Shaft em alguém Badass seguindo os padrões de hoje nem sequer faz sentido, já que é inerente ao herói do Baxlploitation esse status, ou seja, ele já era o “bonzão”.

Considerações finais acerca de Shaft 2019

É um filme que mostra bastante a que veio, ainda que dirigido por um afro-americano: o reforço de estereótipos tanto do negro quanto do que é ser uma pessoa Badass.

Shaft 2019 decepciona pelo roteiro fraco, sem cenas de ação bem desenvolvidas,, como é uma característica dos filmes que ele se inspira, pela falta de um personagem realmente carismático, seja o Shaft ou o filho.

Mas, principalmente, por retirar um herói do pedestal em que foi posto em 1971, ao status de basicamente um trumpminion.

melhores filmes netflix

9 melhores filmes Netflix documentários

Existem diversos perfis de pessoas que utilizam a Netflix, uns preferem um determinado gênero à outro. Nesse artigo iremos listar os 9 melhores filmes Netflix da categoria de documentário.

melhores filmes netflix documentários
9 melhores filmes netflix documentários

Documentário é aquele tipo de filme feito para demonstrar a realidade de um determinado local ou pensamento, de acordo com a ótica de quem dirigiu. É um gênero que tem mais semelhança com o jornalismo.

No entanto, é sempre bom lembrar que não necessariamente um documentário irá mostrar a realidade absoluta, pois ele sempre partirá de um ponto de vista, que é o do próprio diretor.

Então, com vocês, 9 indicações do Demonstre para você que quer assistir documentários na Netflix!

A Terra é Plana – Melhores Filmes Netflix Documentários

A Terra é Plana é um documentário bastante ironizado na internet.

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A Terra é Plana – 9 Melhores Filmes Netflix Documentários

O objetivo do documentário A Terra é Plana, produzido pela própria Netflix, não é exatamente provar ou tentar provar o formato plano da Terra, mas apresentar o ponto de vista daqueles que defendem essa teoria.

Vale a pena para entender melhor como essas pessoas pensam, os perfis que elas possuem, e pra saber que esse movimento existe de verdade! Não sendo apenas um meme da internet.

Baseado em Fatos Raciais – Melhores Filmes Netflix Documentários

O próprio título em português já faz uma brincadeira com o tema do documentário.

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Baseado em Fatos Raciais – 9 Melhores Filmes Netflix Documentários

Baseado em Fatos Raciais traça uma linha histórica do uso e proibição da maconha nos Estados Unidos e relaciona as a criminalização como sendo fruto direto do racismo.

É importante para entender como o preconceito racial pode alterar estruturas sociais durante décadas.

Cidade de Deus: 10 anos depois – Melhores Filmes Netflix Documentários

Cidade de Deus é um dos filmes mais consagrados do nosso cinema nacional.

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Cidade de Deus: 10 anos depois – 9 Melhores Filmes Netflix Documentários

O documentário Cidade de Deus: 10 anos depois, volta à comunidade para ouvir pessoas envolvidas no filme e conhecer a sua situação de vida 10 anos depois do sucesso do filme.

As pessoas melhoraram de vida? Algumas conseguiram sair da favela? O que o filme impactou para as pessoas que vivem nesse contexto? Tudo isso pode ser visto no documentário.

Cuba e o Cameraman – Melhores Filmes Netflix Documentários

Cuba sempre teve uma imagem quimérica para uns e tenebrosa para outros.

melhores Filmes Netflix Documentários
Cuba e o Cameraman – 9 Melhores Filmes Netflix Documentários

Nesse documentário, Cuba e o Cameraman, um homem viaja à cuba várias vezes para traçar paralelos entre a antiga Cuba e a Cuba mais atual. Vale a pena para observar algumas mudanças pós revolução.

No entanto, um adendo importante é sobre observar o documentário com um olhar neutro, tendo em vista que foi produzido por um adversário histórico do governo cubano.

Conversando sobre O Irlandês – Melhores Filmes Netflix Documentários

O Irlandês é o último filme lançado do aclamado diretor Martin Scorsese.

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Conversando sobre O Irlandês – 9 Melhores Filmes Netflix Documentários

Em Conversando sobre O Irlandês vemos várias entrevistas sobre o que foi construir essa obra tão marcante para o diretor e para atores que acompanham o trabalho do Scorsese há décadas.

Algumas figuras imponentes como Robert DeNiro e Joe Pesci estão presentes nessa conversa sobre o primeiro filme de Scorsese para um serviço de Streaming. Vale muito a pena.

El Pepe – Melhores Filmes Netflix Documentários

El Pepe é um documentário sobre o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica.

melhores Filmes Netflix Documentários
El Pepe, uma vida suprema – 9 Melhores Filmes Netflix Documentários

Neste documentário, Mujica fala sobre a vida e como levar a vida com simplicidade, focando nas coisas mais importantes e nos elementos que mais trazem uma verdadeira felicidade.

É um documentário que ensina sobre humanidade, leveza e a felicidade externa à sociedade de consumo.

Fyre Festival – Melhores Filmes Netflix Documentários

Você já ouviu falar no fiasco que foi o Fyre Festival?

melhores Filmes Netflix Documentários
Fyre Festival – 9 Melhores Filmes Netflix Documentários

No documentário é apresentada toda a mega estrutura que foi montada para um festival litorâneo que seria simplesmente um dos maiores de todos os tempos, mas que deu errado.

Meu tricolor de aço – Melhores Filmes Netflix Documentários

Você é daqueles que gosta de documentários sobre futebol?

melhores Filmes Netflix Documentários
Meu Tricolor de Aço – 9 Melhores Filmes Netflix Documentários

Meu tricolor de aço é um documentário sobre o Fortaleza Esporte Clube, um dos maiores clubes do Ceará e mais tradicionais clubes do Brasil. Em seu retorno à série A do campeonato brasileiro depois de muitos anos.

Pra quem é fã do esporte, é impossível não se emocionar com os depoimentos e montagem do documentário, vale a pena!

Os Capacetes Brancos – Melhores Filmes Netflix Documentários

Os Capacetes Brancos foi o primeiro filme distribuido pela Netflix a ganhar um Oscar!

melhores Filmes Netflix Documentários
Os capacetes brancos – 9 Melhores Filmes Netflix Documentários

O documentário conta a rotina de um grupo chamado White Helmets, que ajuda as pessoas vítimas da guerra incensante de parte do Oriente Médio, em específico a Síria.

O curta-metragem britânico ganhou o Oscar de melhor curta-metragem de documentário na edição de 2017.

um resumo de alguns dos melhores filmes Netflix documentários a Demonstre recomenda

Aqui você vai ver o título e um resumo do que trata cada um dos filmes recomendados:

A Terra é Plana

O documentário mostra o ponto de vista daqueles que defendem a teoria da Terra Plana.

Baseado em Fatos Raciais

O filme traça uma linha do tempo da criminalização da maconha nos EUA e relaciona com o crescente preconceito racial do país.

Cidade de Deus: 10 anos depois

Como está a comunidade e as pessoas que fizeram parte de um dos maiores sucessos do nosso cinema nacional?

Cuba e o Cameraman

Uma viagem histórica sobre a Cuba pós revolução, feita a partir da ótica de um Cameraman Estadunidense.

Conversando sobre O Irlandês

Conversas entre aqueles que fizeram parte da primeira produção de Martin Scorsese exclusivamente para uma plataforma de Streaming.

El Pepe

Uma conversa com o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, sobre a vida e a questão de levá-la com simplicidade.

Fyre Festival

O documentário mostra toda a mega produção de um festival litorâneo que foi um fracasso, o Fyre Festival.

Meu Tricolor de Aço

Acompanhe a volta do Fortaleza Esporte Clube à série A do campeonato brasileiro com depoimentos e imagens emocionantes dos bastidores do clube e da torcida.

Os Capacetes Brancos

Os capacetes Brancos mostra o cotidiano de um grupo que atua em missões de resgate em parte do Oriente Médio afetado pela guerra.

E aí, gostou das indicações de filmes Netflix documentários? Você pode também navegar pelo nosso site e encontrar resenhas de filmes que possam te interessar. Aqui, vou deixar um link para você: Documentário O fim e o princípio.

filmes de terror da netflix

7 Filmes de terror da Netflix

O terror é um dos gêneros mais amados por todos os que curtem apreciar a sétima arte. Neste artigo iremos apresentar alguns dos melhores filmes de terror da Netflix, escolhidos por quem é estudioso da área.

A Netflix possui uma gama enorme de filmes em seu catálogo e a categoria de terror é uma das mais carentes de um bom conteúdo, é verdade, no entanto, é possível encontrar bons filmes, clássicos do gênero, à sua espera.

Então sem mais enrolação vamos iniciar a nossa lista de filmes de terror da Netflix, começando por um filme que marcou bastante a infância e adolescência de quem nasceu nos anos 90.

Anaconda – Filmes de terror da Netflix

Muita gente não julga esse filme como terror, mas vamos aos fatos: quando se cria todo um clima de suspense e medo em volta de uma criatura monstruosa que devora pessoas de uma maneira bastante gráfica, não podemos ver de outro modo não é mesmo?

Anaconda - Filmes de terror da Netflix

Anaconda é um filme sobre uma expedição cinematográfica na Amazônia que acaba perdendo os rumos e dando de cara com um dos maiores animais da fauna brasileira. Exagerado, porém bastante divertido.

A Bruxa de Blair (2016) – Filmes de terror da Netflix

A Bruxa de Blair (2016) é um reboot que funciona como uma espécie de continuação dos acontecimentos do homônimo de 1999.

A Bruxa de Blair (2016) - Filmes de terror da Netflix

O filme tem um clima de suspense bem interessante, bastante parecido com o primeiro, o que diz bem mais de suas referências no original do que o filme tido como A Bruxa de Blair 2, que é o intitulado O livro das sombras. Vale bastante a pena principalmente para quem viu o original e gostou.

Cujo – Filmes de terror da Netflix

Filmes baseados em obras do mestre literário do terror Stephen King são sempre um prato cheio para os fãs do gênero.

Cujo - Filmes de terror da Netflix

Cujo é adaptado de um conto de Stephen King, onde um cão São Bernardo, amado pela família, que nunca foi vacinado contra a raiva, adquire a doença a partir de uma mordida de morcego e passa a ter um instinto assassino. Muito bom para conhecer uma obra famosa do autor através do filme.

Invocação do mal – Filmes de terror da Netflix

Invocação do mal é um dos filmes de terror contemporâneos mais amados pelos fãs do gênero.

Invocação do mal - Filmes de terror da Netflix

Baseado em histórias reais de dois famosos caçadores paranormais dos Estados Unidos, invocação do mal conta a história de uma família que se mudou para uma casa onde acontecimentos sobrenaturais vem acontecendo.

Um enredo clássico no terror norte americano, com uma pegada mais moderna.

Cargo – Filmes de terror da Netflix

Essa é uma das categorias mais amadas até mesmo por quem não é fã do gênero terror: os zombie movies.

Cargo - Filmes de terror da Netflix

Cargo é um longa derivado de um curta metragem de sucesso que leva o mesmo nome. Infectado pelo vírus zumbi, o protagonista tem apenas 48 horas para achar um lugar seguro para a sua filha antes de ser completamente consumido pelo desejo voraz que caracteriza os mortos vivos.

A Babá – Filmes de terror da Netflix

Engana-se quem acha que todos os filmes de terror servem para te dar medo incondicional.

A Babá - Filmes de terror da Netflix

A Babá é um filme que carrega bastante a pegada do Terrir, ou seja, de um terror com bastante teor satírico de comédia. O filme faz uma homenagem aos filmes trash, ao mesmo tempo que nos apresenta uma divertida história de uma babá que pertence a um culto satânico e deseja sacrificar o garoto que ela cuida.

Se você quer saber um pouco mais desse tipo de filme e porquê apesar de fazerem rir devem ser levados a sério, temos um artigo especial para você: Filmes trash: a crítica através do surrealismo cômico

A casa de cera – Filmes de terror da Netflix

A casa de cera presente no catálogo da Netflix é um remake de um clássico do terror do século passado.

A casa de cera - Filmes de terror da Netflix

Para os amantes do terror gráfico, o filme é uma maravilha: apresenta assassinatos, corpos sendo transformados em bonecos de cera, muito sangue e um enredo agonizante.

A casa de cera conta a história de dois amigos que, a caminho de um jogo de futebol, viram vítimas de maníacos que possuem um gosto peculiar: transformar suas vítimas em bonecos de cera vivos.

Essa é uma boa lista de filmes de terror da Netflix para começar

Vamos recapitular rapidamente os filmes indicados:

Anaconda

Uma expedição perdida na floresta amazônica dá de cara com uma super cobra caçadora, praticamente imparável.

A Bruxa de Blair (2016)

Um reboot do clássico de 1999, em A Bruxa de Blair (2016) mais uma equipe de filmagem volta a antiga floresta de Blair em busca de pistas de uma garota desaparecida.

Cujo

Adaptado de um conto do mestre do terror Stephen King, Cujo conta a história de um cão São Bernardo que após contrair raiva adquire um instinto assassino.

Invocação do mal

Baseado em relatos reais, uma famosa família de investigadores paranormais dos Estados Unidos são chamados para ajudar uma família atormentada por demônios.

Cargo

Representante dos famosos filmes de zumbi, um pai contaminado pelo vírus tem apenas 48h para achar um lugar seguro para a sua filha, antes de ser totalmente consumido pela doença.

A Babá

Uma homenagem aos filmes trash. A Babá conta a história de um garoto que se afeiçoou por sua babá, mas então descobre que ele para ela é apenas parte de um sacrifício para um culto satânico.

A casa de cera

Um reboot de um clássico de 1953, A casa de cera retrata acontecimentos na vida de dois pobres jovens que a caminho de um jogo de futebol, acabam se envolvendo com maníacos que tem uma mania peculiar: transformar suas vítimas em bonecos de cera vivos.

Essas são nossas 7 dicas iniciais de filmes de terror da Netflix. Se você gostou comenta aqui em baixo, recomende mais filmes e vamos encher esse post de boas recomendações!

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1996: como fazer um filme bom e simples

Olá, pessoal, faz um tempinho que eu não trago críticas aqui no Demonstre e hoje trarei a crítica do curta “1996”, premiado curta fantástico do festival Cine Taquary.

Como fazer um filme – 1996

Essa é a pergunta que enche o Google de sites que estampam sua resposta com suas irretocáveis palavras-chave, como se o cinema fosse uma fórmula pronta, uma cartilha a ser comprada, lida e executada e a partir dela você teria um bom filme.

Alguns diriam que para se fazer um bom filme seriam necessários equipamentos de ponta, muito dinheiro para a arte e um elenco conhecido, no mínimo, nacionalmente. Ou seja, basicamente, apenas grandes giallos seriam bons filmes se fôssemos seguir a risca essas ideias.

Eu atrevo-me porém a descrever o que pra mim é um bom filme: onde o roteiro for redondo, a narrativa condizente com o roteiro, a fotografia, som e arte forem harmônicos, com boas referências e usadas de maneira correta e a direção de atores tenha se saído bem, aí temos um bom filme. E é isso que eu acho de 1996.

1996, existe found footage no Brasil?

O gênero found footage é um dos meus favoritos, justamente por não exigir uma produção tão grandiosa como outros gêneros e subgêneros do terror e da ficção científica, pelo menos não em sua originalidade. E respondendo a pergunta do título, sim, existem filmes found footage no Brasil, mas por que não tantos?

Sabemos que estamos em um país de desigualdade gritante e para se fazer cinema independente então, nem se fala. Nem todos podem ter uma câmera RED ou Black Magic ou mesmo uma DSLR, mas alguns podem ter acesso a um material mais simples, que os permita contar uma história. Uma câmera na mão e uma história na cabeça, esse era o lema do nosso Glauber Rocha em seu Cinema Novo que pode muito bem ser transportado para a realidade brasileira atual.

Ditos esses dois parágrafos, exergo filmes como 1996, como de boa importância para o nosso cenário de curta metragens, em especial de curta metragens de terror e ficção científica. O filme adentra em um gênero pouquíssimo explorado pelo audiovisual brasileiro e o faz pisando no chão, sabendo em quem se referenciar e deve servir como inspiração para os milhares de apaixonados pelo terror pelo Brasil que infelizmente não dispõem de muito material técnico. Veja abaixo o trailer de 1996.

https://youtu.be/M7Lc_tint0Q

Atenção para o fato de que não falo especificamente que o filme 1996 foi feito com um material tecnológico inferior, é possível identificar o uso de alguma tecnologia, no entanto, destaco o fator de debate que esse tipo de filme propõe, em especial um filme premiado, de que dá para se fazer cinema, e um bom cinema, com muito menos do que se imagina.

Porque nem todo terror precisa ser um Giallo – 1996

Os Giallos são caracterizados pela sua grandiosidade artística, no quesito do orçamento destinado à construções de detalhes astronômicos, majestosos. Pois bem, Rodrigo Brandão faz nos dias atuais um filme ambientado no século passado utilizando de uma arte simples, bem combinada com a fotografia em relação à escolha de planos utilizados para que ela funcionasse bem. Destaque para Aline Freitas, que fez a produção e à arte do curta metragem de uma forma visivelmente eficiente.

Giallos também são conhecidos por estamparem, em suas formas mais comerciais, famosas musas italianas daquele período, como Edwige Fenech, e um outro erro de quem elege tópicos de como se fazer um bom filme é achar que utilizar atores famosos irá imprimir um ar importante à sua obra. Bobagem. Destaco a atuação simples, concisa, das atrizes Letícia Nogueira e Yuly Amaral, onde em determinados momentos a naturalidade dos diálogos e a forma como foram executados lembrou bastante como são apresentados os personagens do filme A Bruxa de Blair (1999), que acredito ter sido a referência principal, em seus momentos de início de desespero e desespero de fato, cada um no seu tempo.

Considerações finais acerca de 1996

Premiado no Curta Taquary na categoria de curtas fantásticos, 1996 é importante para demonstrar o quão um bom filme pode ser simples, se executado de maneira organizada. Rodrigo Brandão, diretor e roteirista, junto com a sua equipe fizeram um trabalho digno de referência, principalmente em universidades de cinema.

Gostou de ler sobre esse bom curta? Aproveite e veja mais críticas aqui no Demonstre! Temos aqui outra crítica, também escrita por Igor Gomes, de um filme que você pode gostar: Crítica: A Bruxa de Blair (2016)

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Da 5 Bloods, a crítica

Olá, pessoal. Movimentando nossa sessão de críticas cinematográficas hoje trago Da 5 Bloods, o novo filme do diretor americano Spike Lee, lançado na Netflix.

Da 5 Bloods, mais um filme para o streaming

Spike Lee é um dos diretores que mais recentemente se destacou em filmes com o tema racial, mesmo que ele o tenha feito bastante durante toda a sua longa carreira, é impossível falar hoje de filmes que tratam o tema sem lembrar de Infiltrado na Klan, por exemplo, e ao lado de Jordan Peele, tem sido consagrado hoje por tratar do tema dos negros em uma época de luta tão intensa.

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Pouco tempo depois do seu último lançamento, Spike Lee agora lança um filme em um serviço de streaming, prática que será cada vez mais comum e fortalece esses serviços no meio cinematográfico, sempre tão tradicional e de certa forma avesso à evolução sempre que ela aparece longe de grandes salas fechadas. Dito isso, Da 5 Bloods já é importante, ao menos para o fortalecimento desse novo tipo de exibir cinema.

A apresentação dos negros em Da 5 Bloods e o seu papel na guerra

Spike Lee possui um pé na Blaxploitation, isso já era bastante visível em Infiltrado na Klan quando ele demonstra em um dos diálogos do filme vários cartazes de heróis e anti heróis dos filmes do cinema negro dos anos 1970, isso se mantém presente em Da 5 Bloods, não por referências explícitas mas pela estrutura de apresentação que é bastante semelhante.

da 5 bloods

É característica do Blaxploitation um negro badass, capaz de derrotar vários inimigos sozinho, com um poder de luta superior muitas vezes (na grande maioria) a homens brancos, bem como também é comum é figura do “mau negro”, o que trai muitas vezes a seus companheiros. A utilização da black music, seja ela à capela, acústica, diegética, etc, também foi característica desse cinema e tudo isso é incorporado em meio a uma paródia satírica de Apocalypse Now, filme de 1979. Nessa parte da direção, analisando superficialmente, o filme funciona. Mas é justamente sobre a parte que não funciona que eu quero dedicar os meus próximos parágrafos.

O Afro Americano em Da 5 Bloods, com ênfase no Americano

Spike Lee sempre dirigiu muito bem filmes com o contexto racial dos Estados Unidos, dentro dos Estados Unidos. O Problema é que dessa vez ele abordou um contexto de guerra que envolve estrangeiros, e isso evidenciou a clara visão americana que o diretor possui, ainda que um pouco destacado do cidadão médio do país por estar em uma posição de afro americano.

Atenção, a partir de agora pode haver spoliers de Da 5 Bloods.

No começo do filme nos é apresentadas várias imagens sobrepostas, o que já se tornou uma marca do diretor. Dessa vez, imagens sobre negros e suas manifestações acerca da guerra do Vietnã, incluindo discursos do Malcoml X e Martin Luther King Jr, sobre como os negros não deveriam ir para a guerra matar vietcongs por uma espécie de aproximação racial, o que dá a entender que o diretor concorda com essa visão.

Até então, não existe problema, é um discurso coeso dentro da narrativa, o problema vem com o desenrolar da película. É compreensível que esse discurso se aplique aos que estão nos Estados Unidos, para os que já adentraram na guerra, o contexto de guerra existe e isso é imutável, para quem está entre matar ou morrer, não existe alternativa ou discurso humanitário.

Da 5 Bloods

A grande questão é, fora do contexto da guerra americana, décadas depois, o que se mostra dos vietnamitas ainda é a visão esteriotipada criada pela propaganda estadunidense dos anos 1960 e 1970. O vietnamita caipira, que grita, que tem aqueles trejeitos tão característicos da caricatura que foi montada em cima disso é presente mesmo fora de um contexto de guerra e, ainda, nos dias de hoje.

Não cabe, em um contexto racial, engrandecer uma raça oprimida enquanto estereotipa outra raça oprimida inclusive pelo país de onde veio a primeira raça, é incongruente, não existe coerência nisso. É a demonstração da visão americana que o diretor ainda carrega sobre alguns assuntos, longe da visão da raça negra. Isso torna o filme menos, ou até não tocante, mesmo para quem é negro, pois é impossível não enxergar o estereotipamento, principalmente para quem também sofre com isso.

O veredito sobre Da 5 Bloods

Da 5 Bloods é um filme que utiliza bem algumas referências passadas, que possui até certo ponto uma boa direção, mas que ao imprimir esse caráter estereotipado ao povo vietnamita deixa de fazer sentido e passa a parecer, ainda com todo o contexto da luta negra, mais um filme sobre americanos bravos e lutadores. Infelizmente.

Confira outras críticas do nosso portal, você pode gostar dessa: Crítica: O Irlandês

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Crítica: The Midnight Gospel

Olá, gente! O texto de hoje será uma crítica à nova série animada da Netflix, The Midnight Gospel, dos mesmos criadores de A hora da aventura.

Para quem nunca viu The Midnight Gospel

The Midnight Gospel é uma série animada da Netflix, produzida pelos mesmos criadores de A hora da aventura, daí, é fácil imaginar que um tom psicodélico estaria presente na série do início ao fim, em primeiro lugar.

the midnight gospel

The Midnight Gospel consiste em contar as diversas aventuras do personagem Clancy ao visitar diversos mundos em seu simulador de universos, a fim de gravar episódios para seu spacecast, sempre discutindo temas polêmicos ou de cunho existencial com algum habitante desses mundos.

A estética de The Midnight Gospel

Como já citado no tópico anterior, The Midnight Gospel segue uma linha psicodélica em sua estética, o que é um dos elementos que torna mais palatável o conteúdo muitas vezes pesado que a série traz em suas discussões, ajuda a tornar mais leve em grande parte das vezes a sua narrativa.

The Midnight Gospel

Um destaque à estética de The Midnight Gospel é a constante referência à órgãos sexuais masculinos e femininos em muitos objetos e até mesmo formas de alguns personagens. Isso contribui bastante para o tom da série que invoca sempre questões como nascimento, morte e renascimento.

A estrutura narrativa de The Midnight Gospel

The Midnight Gospel, que pode ser traduzido livremente para “evangelho da meia noite”, é um desenho que se propõe, antes de tudo, a conversar. A estrutura narrativa de 90% dos episódios constitui em entrevistas para o spacecast do Clancy enquanto eventos relacionados quase sempre à morte dos planetas que ele visita são passados em segundo plano.

The Midnight Gospel
The Midnight Gospel

É uma estrutura relativamente nova se levarmos em consideração apenas os desenhos animados, que pode ser confusa e ineficiente para transmitir as importantes mensagens que, sempre, serão últimas palavras. Os temas tratados e a forma como são discutidos são excelentes, o que torna ainda mais triste a confusão causada pela divisão de atenção entre o que está sendo discutido e o que está sendo passado em segundo plano, uma vez que por sua estética colorida e chamativa, é impossível muitas vezes o expectador dar a devida atenção às duas coisas simultaneamente. Por fim, uma estrutura interessante, com uma estética também interessante, mas que não funcionam bem juntas.

O existencialismo presente em The Midnight Gospel

Apesar de existir uma ou outra analogia à outro tema, o existencialismo é o tema mais presente nas discussões em The Midnight Gospel. Durante toda a série, o protagonista Clancy navega entre temas que abordam o que fazemos em vida e a nossa relação com a morte, seja através de paliativos que utilizamos para esquecê-la ou lidar melhor com ela, pela religião e misticismo ou até mesmo pela conformidade de ser algo inerente e, portanto, imutável.

The Midnight Gospel

Muitos desenhos possuem discursos sobre a questão viver e morrer escondidos nas entrelinhas, The Midnight Gospel faz isso de maneira explícita, provocando a discussão da maneira mais natural possível, o que é um ponto positivo. Sem enrolações, sem entrelinhas, a animação vai direto ao ponto de muitos debates.

Meu veredito sobre The Midnight Gospel

The Midnight Gospel possui elementos que isoladamente são trabalhados de maneira excelente, mas que juntos não funcionam bem e atrapalham o entendimento ideal do conteúdo discutido.

Não vá embora agora, aproveite e dê uma olhada em nossas outras críticas. Separei uma especialmente para você: uma conversa sobre Bojack Horseman.

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Bojack Horseman: uma conversa sobre a série

Olá, pessoal, sejam bem vindos a mais um texto do Demonstre. Hoje, gostaria de propor uma conversa sobre Bojack Horseman, uma série original Netflix.

Bojack Horseman e os desenhos para adultos

Não é novidade pra ninguém que há algum tempo os desenhos animados deixaram de ser um produto audiovisual exclusivo para crianças e passaram a abranger temas universais voltados para idades mais avançadas.

Alguns desenhos como Os Simpsons, Uma família da pesada e American Dad, utilizam da estética animada para tratar de temas políticos e sociais na forma de humor negro (o verdadeiro humor negro, não confundir com insultos gratuitos propagados por certos ditos humoristas do nosso cotidiano).

Bojack Horseman, produzido pela Netflix, chega para tratar de temas mais profundos ligados ao psicológico humano.

O contraponto entre o dinheiro e a felicidade em Bojack Horseman

Logo na abertura da série, algo é deixado explícito: uma sequência de imagens de uma rica mansão na cidade de Hollywood, onde o rosto (ou seria cara?) do Bojack, em uma expressão nula, indiferente a vida que tem, é passado acima de tudo.

Bojack é um cavalo (a série coloca animais e humanos convivendo no mesmo espaço e com o mesmo nível de racionalidade) que ficou famoso como ator de uma sitcom dos anos 90 que levava o nome de Horsin’ Around, onde ele interpretava o papel do personagem principal.

A série fez extremo sucesso nos anos em que foi exibida, o que garantiu a Bojack uma fortuna considerável que forneceu conforto financeiro ao ator durante toda a sua vida.

Bojack Horseman

No entanto, apesar disso tudo, Bojack não é feliz. Mesmo com o dinheiro ganho em Horsin’ Around, Bojack se sente sozinho.

Recorrentes pesadelos com situações familiares conturbadas e relações amorosas que não deram certo é um lembrete, em todos os episódios da série de 6 temporadas, de que dinheiro não é o único elemento gerador de felicidade, e que, mesmo com as recorrentes piadas que lemos na internet que dizem “eu prefiro ser triste em Los Angeles” e coisas do tipo, quem é depressivo não vê sua riqueza e não olha para nada além do vazio que sente.

Os traumas e a quase impossibilidade de seguir em frente

Apesar da série ser protagonizada por um cavalo, ela apresenta muitas características da psique humana que temos que lidar em toda a nossa existência.

Uma delas é a auto estima que resta após diversos momentos traumáticos que vamos sofrendo ao longo de nossa vida, seja na escola, no ambiente familiar com pessoas que em tese deveriam nos amar, cuidar de nós e nos dar apoio, ou em qualquer etapa que seja do nosso desenvolvimento.

Bojack Horseman

Não há posses capazes de cicatrizar feridas antigas do nosso psicológico, o sentimento de não ser amado e de ser insuficiente é uma das constantes da série, nos lembrando sempre da fragilidade do nosso emocional perante situações que nos marcaram negativamente, tão presentes em nosso pensamento cotidiano que nem mesmo momentos de extrema felicidade conseguem sobrepor.

Um lembrete de que é preciso estar sempre “criando cascas” para lidar com uma tristeza que muitas vezes não tem fim.

Viver é rasgar-se e remendar-se

Apesar de tudo isso a vida continua, ela não para e não te dará tempo para descansar e rever suas questões com a tranquilidade que elas merecem. Essa é outra mensagem que Bojack Horseman passa para os seus expectadores, uma mensagem dura que faz da animação, na minha opinião, o desenho animado para adultos “mais adulto ainda”.

Bojack Horseman

Bojack precisa de constante apoio, e não só ele, cada personagem tem uma história que envolve cicatrizes a serem lidadas, a Princess Carolyn e sua rotina pesada aliada com o sonho de ser mãe e formar uma família, Daiane e suas questões existenciais, Todd e a sua constante busca por si mesmo, Sr Peanbutter e sua incapacidade de ser feliz sozinho, todos eles vivem sob apoio uns dos outros.

Viver, como dizia Guimarães Rosa, é rasgar-se e remendar-se, estando sempre pronto para remendar outro rasgão e seguir em frente.

Cada personagem possui um problema diferente que deve lidar durante toda a sua existência, e assim também somos nós, tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidos com aqueles animais que passam na tela da Netflix, encontrando sentidos de vida e felicidades que nos permitam ter certos confortos e ajudar a passar uma bandagem em nossas feridas.

Bojack Horseman é uma das séries mais completas sobre a psique humana da atualidade, no entanto, devo ter a responsabilidade de recomendar a série apenas para quem possui o psicológico satisfatoriamente estável, caso contrário, alguns elementos presentes na série podem desencadear gatilhos indesejáveis.

Espero que você tenha gostado da nossa breve conversa sobre Bojack Horseman

Mas espere, não vá embora agora, temos críticas cinematográficas, artigos sobre cinema e fotografia e muito mais sobre produções audiovisuais que você pode ver. Aqui, separei uma crítica especialmente para você: O Irlandês, o mais recente filme do diretor Martin Scorsese.

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O Farol, a crítica

Robert Eggers surge mais uma vez após o estrondoso sucesso do seu, já clássico do terror, A Bruxa. Dessa vez, em O Farol, ele apresenta um terror sensorial cheio de interpretações.

O Farol

O filme retrata o cotidiano de um jovem aprendiz, Ephraim (Robert Pattinson), ao se mudar parcialmente para uma ilha onde irá se desenvolver para um dia ser um faroleiro, guiado pelo velho Wake (Willem Dafoe).

O isolamento, a crescente perturbação do aprender, as necessidades sexuais inerentes ao homem e o aparente inalcançável, porém, tornam todo essa experiência um estágio para a loucura.

O Farol é o segundo longa metragem dirigido por Robert Eggers. Conhecido por A Bruxa (2015), o diretor já é referência no terror contemporâneo, produzindo junto com diretores como Ari Aster, clássicos instantâneos do gênero no século XXI.

O Farol, o falo do homem acima da natureza

O homem desde sempre desejou conquistar as forças naturais e moldá-la ao seu conforto e necessidade, seja por questões de próprio prazer, seja por questões mercadológicas capitalistas.

O farol é um símbolo de conquista humana sobre os mares, um guia em formato fálico que não permite ao gigante oceânico por a perder navios mercantes e seus valiosos tesouros no escuro abismo.

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Essa relação de homem com a natureza é um dos fatores perturbadores em O Farol, desde o plano em que é apresentado o falo de pedra erguido em uma ilhota em meio ao gigante oceano, à relação de superstição com as gaivotas, entendemos que existe sempre um meio termo entre a sensação da conquista e da grandiosidade do homem sobre as forças naturais e a certeza, ainda que subconsciente, da sua insignificância, posteriormente confirmada.

A fraqueza dos imperadores – O Farol

O homem é um animal racional, no entanto, sua racionalidade é controlada em boa parte do tempo por instintos primitivos e limitada pelos próprios.

A ambição, a perda das paixões, a inevitável substituição pelo novo e o desejo sexual são evidenciados no longa como fatores enlouquecedores dos que, em seu sentimento de majestade, se colocam no meio da natureza e se atrevem a conquistá-la, como imperadores de um pequeno território que se aventuram em conquistar uma galáxia.

o farol

O Farol representa em muitas vezes o desejo que cega e que mata, o desejo que apaga a racionalidade e transforma os homens em animais ansiosos pelo prazer do possuir.

O gigante de pedra, nesse sentido, torna-se a última peça a se agarrar por uns, já abalados por paixões perdidas e pela velhice que corrói e lembra da sua finitude, e uma nova conquista a se buscar por outros, que com seu vigor e crescente desejo, se acham merecedordes imediatos dos prazeres que buscam.

O uso da mitologia em O Farol

O farol é como um elemento divino, um gerador de uma estrela única capaz de orientar embarcações no caminho certo ao destino, salvando-as da morte. Sendo assim, quem controla o farol é um deus que possui a chama do conhecimento do bem e do mal.

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Essa relação fica bem clara em planos do filme que separa, em questão de nível, o personagem Wake do jovem Ephraim, o professor e o aluno, o ser superior e seu assistente, o Deus e o servo (essa relação se torna bem visível em um certo plano do filme onde Wake se transforma, literalmente, em um farol para Ephraim).

E como Prometeus, Ephraim age sempre a partir de determinado momento, com o intuito de tocar o fogo dos deuses e ser, a partir daí, detentor também da chama. Uma clássica utilização a mitologia para representar a ambição.

A mitologia está presente também para representar outro aspecto importante do homem: seus desejos sexuais.

Desde o início a figura da sereia é apresentada como um tormento, uma maldição para o homem se isola na ilhota e isso é, entre aspas, “personificado” mais tarde, sendo a sereia, que encanta pescadores para seus domínios através da sexualidade de sua canção, mais um elemento enlouquecedor do homem, belissimamente utilizado.

A fotografia de O Farol

É impossível não destacar a fotografia do longa. O filme gravado em preto e branco, com câmeras antigas e um aspect ratio (enquadramento da imagem visível na tela do cinema) que traz referência do expressionismo alemão, O Farol concorreu ao oscar de direção de fotografia desse ano.

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Além de contribuir com a questão da construção da sensação de perturbação mental (tanto para os expectadores, quanto em relação aos personagens), com o preto e branco, também o aspect ratio impõe uma sensação de proximidade aos personagens, isolados juntos, como também uma sensação claustrofóbica de solidão quando são divididos na tela, seja por pilares, seja pela insignificância de estarem apertados junto ao símbolo que controla seu micro universo.

Veredito sobre O Farol

O Farol é um filme com muitas interpretações possíveis, dependendo de quem assiste. E pode ir de interpretações simples até as mais complexas.

O fato é que Eggers construiu mais um bom filme, bem referenciado e com estética impecável no que se propõe a fazer, mais uma confirmação do talento do jovem diretor dessa nova safra de filmes de terror que veio para impor cada vez mais respeito.

Não deixe de acompanhar outras críticas do nosso blog, aqui temos uma sobre Hereditário, outro terror contemporâneo, clássico instantâneo.

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Departamentos cinematográficos

Olá, pessoal! Sejam bem vindos a mais um texto do Demonstre. Hoje vamos falar sobre os departamentos cinematográficos que existem na produção audiovisual.

A produção fílmica – departamentos cinematográficos

Não é segredo para ninguém que a produção audiovisual, seja ela para cinema de curta ou longa metragem, para internet ou televisão, exige a participação de um grupo de pessoas nas mais diversas funções que esse tipo de produção exige.

São diversos departamentos observáveis de cara, estritamente necessários para se fazer um filme: o departamento de fotografia, arte, som e direção. Mas além deles existem outros invisíveis e tão importantes quanto, vamos ver a seguir.

Produção – departamentos cinematográficos

Começando com um dos departamentos mais importantes. A produção é responsável por todo o planejamento do filme, desde a sua concepção até a sua realização e exibição, a produção nunca para de trabalhar.

No departamento de produção existem muito mais profissionais do que os produtores executivos, possuindo produtores para parte dos sets, assistentes, platôs e até “estagiários”, conhecidos aqui no Brasil por “boy de set”.

Direção – departamentos cinematográficos

É curioso ressaltar que toda a valorização por parte do público à figura do diretor na atualidade nem sempre existiu, até o final dos anos 1950 a figura do produtor era a que vinha a ser aclamada.

No entanto, com a consagração do movimento cinematográfico francês Nouvelle Vague, que possuía basicamente uma ideia de uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, a figura do diretor passou a ser mais vista e valorizada pelos amantes da sétima arte.

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Diretor Ari Aster, durante as filmagens de Midsommar

O diretor é o responsável por unificar todos os departamentos na realização do que está escrito no roteiro, para que todos possam, por assim dizer, fazer o mesmo filme, com toda a unidade que essa realização exige.

Existe dentro desse departamento também o assistente de direção, que não tem normalmente decisões narrativas, mas sim próximas à de um produtor, que assegura que tudo esteja pronto na hora adequada.

Direção de fotografia – departamentos cinematográficos

A direção de fotografia, que faz em conjunto com a arte um departamento conhecido por cinematografia, é responsável pela montagem visual do que foi escrito no roteiro e está sendo coordenado pelo diretor, em relação a planos, angulações de câmera e esquemas de iluminação.

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Moonlight, vencedor do Oscar de Fotografia

Apesar de ser visto normalmente como um departamento técnico, a direção de fotografia é extremamente narrativa, pois é através dos esquemas de luz e da escolha dos planos que se constrói a atmosfera do filme, seja ela de terror, de romance, dramática etc.

Direção de arte – departamentos cinematográficos

É na direção de arte que acontece a realização e planejamento, sempre junto ao diretor, de todo o cenário e mise-en-scène do projeto a ser realizado.

Além disso, o departamento de arte também é responsável pelos figurinos e maquiagens, além de montar, junto com o departamento de fotografia em um departamento já citado chamado de cinematografia, toda a paleta de cores do filme.

Departamento de som – departamentos cinematográficos

É claro, é impossível existir uma produção audiovisual sem som (mesmo no cinema mudo, existia!). Esse departamento será responsável tanto pela captação do som direto, ou seja, do som gravado em cena, como também pela edição do som, em suas categorias de desenho de som e mixagem de áudio. Um dos departamentos mais importantes do cinema.

Edição – departamentos cinematográficos

Após realizadas todas as etapas de produção, chegamos a pós produção, a montagem final do filme que vamos ver nas telonas ou no nosso serviço de streaming favorito.

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É na edição que a montagem de todas as cenas gravadas acontece. Além disso, é também feito todo o tratamento de cor e áudio final do filme, em processos tão técnicos que merecerão um texto só para eles aqui em breve.

Atuação – departamentos cinematográficos

Evidentemente não haveria cinema sem as grandes estrelas que dão seus rostos e seu corpo para as telonas! O departamento de atuação é, sem sombra de dúvida, o mais popular para o expectador médio.

Nele estarão, além de atores, também preparadores de elenco e, dependendo da produção, pode haver até mesmo um diretor só para eles (este, estando ligado ao departamento de direção).

O que achou dessa breve explicação sobre alguns departamentos cinematográficos?

Espero que tenha sanado todas as suas dúvidas sobre como acontece uma produção fílmica. Fique a vontade para ver muito mais sobre cinema aqui no Demonstre, visite nossa sessão de críticas cinematográficas.

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O Irlandês, a crítica

Olá, pessoal, sejam bem vindos a sessão de críticas cinematográficas do Demonstre. Hoje vamos falar sobre o último filme do Martin Scorsese, O Irlandês.

O diretor de O Irlandês, Martin Scorsese

Martin Scorsese é um conhecido e aclamado produtor e diretor de cinema norte americano, popular por dirigir em sua gigantesca maioria, filmes relacionados à organizações criminosas ítalo-americanas, ou de crimes no geral.

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Os bons companheiros, 1990

Entre seus filmes mais populares estão: Táxi Driver, Os bons companheiros e Gangues de Nova Iorque. Mas digirindo também filmes que não tem nada a ver com essa temática, como A invenção de Hugo Cabret.

O filme O Irlandês

O Irlandês é uma espécie de autobiografia do crime, feito por um dos criminosos na velhice. Por ele são contados todos os casos da sua vida no crime organizado, todas as pessoas que passaram por ela e tudo que aconteceu em seu agitado passado.

Contando com atuações clássicas de filmes do Martin Scorsese, como Robert DeNiro e Joe Pesci, O Irlandês se destaca também como um dos filmes a cravar o fortalecimento de vez da indústria cinematográfica do Streaming, sendo o primeiro filme de Scorsese a estrear apenas na plataforma Netflix.

O Irlandês e o envelhecimento no crime

O Irlandês é um filme de memória. Desde o início o personagem principal, interpretado pelo grande ator de filmes sobre o crime organizado, o “queridinho” de Martin Scorsese, Robert DeNiro, conta a uma espécie de entrevistador, direto do que parece ser uma casa de repouso, tudo o que viveu e as pessoas que conheceu dentro do crime organizado.

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A película tem três fases, uma que pode ser interpretada como a fase jovem, a fase de desenvolvimento e das emoções fortes, onde Scorsese coloca DeNiro como um trabalhador comum que tem uma oportunidade de crescer de vida ingressando no crime organizado, e assim o vai fazendo cada vez com mais frequência, obedecendo ordens que vem do personagem do Joe Pesci.

Passando por uma fase mais madura, que seria a fase adulta no crime, onde o indivíduo está mais frio e passa a tomar decisões mais calculadas. E por fim, chegando a velhice no crime, com um quê de exclusividade pare o personagem narrador da história, já que ele está vivo, com todos os hábitos herdados ao longo de muitos anos vivendo naquele meio, e todos os seus antigos companheiros mortos. Alguns executados por ele próprio, mas faz tudo parte da vida.

Com essa estrutura, Scorsese imprime todas as fases da vida em uma espécie de vivência peculiar, onde no fim da vida, todos os atos e acontecimentos muitas vezes chocantes são normalizados pelo narrador, mostrando que apesar da estrutura vital seguir um modelo básico de impulsividade, maturidade e conformidade, os universos de cada um é o que irá ditar o que é normal e aceitável para cada indivíduo, alheio às regras sociais. Destaque para a fotografia e arte, que acompanham de forma primorosa todas as fases.

O destaque de atuação em O Irlandês

Sendo indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante, mas não levando o prêmio no final, destaco a atuação do conhecido Joe Pesci.

Consgrado por um quarteto de filmes que atuou sob direção de Martin Scorsese, com a companhia de Robert DeNiro (Os bons companheiros, Touro Indomável, Cassino e, agora O Irlandês), o ator mostrou toda a sua versatilidade, mesmo que com idade bastante avançada, ao fugir do tom cômico (ele que é também comediante), raivoso e histérico, já característico do Joe Pesci nos filmes dirigidos por Martin Scorsese, para alguém mais calmo, calculista e frio, sem deixar transparecer grandes emoções.

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Isso também foi apresentado por Robert DeNiro e muitos outros atores que trabalharam na produção, que também vieram de outras obras do diretor.

Tudo isso ajuda a imprimir ainda mais o tom de envelhecimento no crime que o filme propõe, servindo de bônus para quem acompanhou outras produções do velho Scorsese, mas não atrapalhando que verá esse filme como primeira experiência do diretor.

E aí, já viu O Irlandês? Vai ver?

O Irlandês veio pra sagrar de vez o sucesso dos serviços de streaming com um nome de peso em sua direção. O filme é, sem medo de dizer, uma verdadeira obra de arte que mostra a habilidade fílmica de um verdadeiro velho lobo do cinema, ao mesmo tempo que reafirma grandes atores que fizeram muito sucesso em um passado recente. Atuação, narrativa, fotografia e arte impecáveis.

Se você já viu, deixe o seu comentário abaixo e aproveite para ver mais críticas e textos sobre cinema aqui no Demonstre. Separei especialmente para você que gosta de filmes sobre crime, esse texto sobre o gênero Blaxploitation.

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Filmes found footage

Olá, pessoal, sentiram falta dos nossos textos sobre gêneros do cinema? Hoje vamos falar sobre filmes found footage, um estilo de terror bem peculiar.

O terror e os seus subgêneros – filmes found footage

Não é novidade pra ninguém que o terror é um dos gêneros mais segmentados em subgêneros que existe.

Isso se deve à liberdade muito mais ampla que o terror sempre teve como característica, desde liberdade de escolhas estéticas (como podemos observar na diferenciação de um terror trash para um terror folclórico por exemplo, o folk horror), até a liberdade de modelos narrativos.

Hoje vamos falar sobre um dos modelos mais amados e de sucesso do terror. Os filmes found footage.

O início dos filmes found footage

Apesar do terror quase sempre proporcionar uma perturbadora imersão do seu expectador, poucos filmes poderiam ser interpretados como algo de fato real por quem assiste. Isso mudou a partir de 1980, quando o primeiro found footage de relevância foi lançado, o italiano Holocausto Canibal.

Mas o que são exatamente os filmes found footage?

Found footage pode ser traduzido par ao português como “fitas perdidas” ou “filmagens perdidas”.

Geralmente são filmes gravados como se fossem parte de um documentário, seja ele profissional como em A Bruxa de Blair (que já já falaremos) e Holocausto Canibal, ou com premissa amadora como o recente Atividade Paranormal, onde algo de ruim acontece com seus realizadores e a fita com as gravações é achada tempos depois e vem a público.

Filmes found footage

O sucesso desse tipo de filme parte da apelação ao publico de que aquelas imagens são reais e provam que o mundo possui segredos inacessíveis para nós que estamos no conforto dos nossos lares.

Iniciando no cinema Found Footage

Abaixo listarei alguns dos filmes mais populares do found footage que são obrigatórios para iniciar nesse segmento tão apaixonante do terror:

A bruxa de Blair (1999)

A bruxa de blair não foi o primeiro found footage, mas foi o que certamente consagrou e popularizou de vez o gênero entre os expectadores.

Feito com baixíssimo orçamento e lotando cinemas em todo o mundo, utilizou da propaganda de que o filme continha imagens reais encontradas numa floresta dos Estados Unidos para criar todo o clima que o fez histórico.

Filmes found footage

A bruxa de Blair é um “mockumentary”, ou seja, um falso documentário, filmado por uma equipe bem pequena, que se deslocou para o interior dos Estados Unidos em busca de informações sobre o desaparecimento de crianças e a relação com uma lenda local sobre uma bruxa que habita a floresta de Burkittsville. Filme obrigatório.

Holocausto Canibal (1980)

Esse não é recomendado para todo mundo. Holocausto Canibal é um dos filmes mais controversos de todos os tempos e o pioneiro no found footage.

Uma curiosidade sobre Holocausto Canibal é que ele é tão real (e em alguns momentos do filme é de fato real), que o diretor Ruggero Deodato foi chamado para depor, sendo acusado de ter feito um filme snuff, onde os atores são assassinados de verdade.

Claro que isso não era verdade, no entanto, é necessário trazer a informação de que as mortes de animais no filme são todas reais.

Filmes found footage

Holocausto Canibal é também um falso documentário onde uma equipe de filmagem profissional adentra a floresta amazônica em busca de uma tribo que vive isolada do resto do mundo.

Tudo parece bem até que a conhecida arrogância do homem branco desperta um pesadelo (bastante gráfico) que eles nunca sonharam em viver. Esse é um filme para quem tem estômago, massacres e estupros são bastante explícitos.

Cloverfield Monstro (2008)

Cloverfield Monstro é o primeiro found footage sobre os amados filmes de monstros gigantes que invadem cidades, vale muito a pena conferir.

Filmes found footage

O filme é todo feito com base em uma filmagem amadora que inicia-se em uma festa, onde acontecimentos desastrosos começam a aparecer na cidade, sendo oriundos de uma criatura gigantesca que ninguém sabe de onde veio.

Atividade Paranormal (2007)

Atividade Paranormal foi o filme que trouxe de volta o gênero às telonas depois de 8 anos do lançamento de A bruxa de Blair.

Filmes found footage

Atividade Paranormal conta a história de um casal que acabou de se mudar para uma casa nova, onde o marido registra toda a rotina de uma nova vida com uma câmera que ele comprou. Até que acontecimentos paranormais se inserem na rotina do casal e o marido deve filmar tudo para conseguir ajuda.

O que achou do nosso texto sobre filmes found footage?

Existem, claro, muitos outros filmes do gênero, explore para conhecer mais! Aproveite e veja outros textos sobre gêneros do cinema aqui no Demonstre, com certeza você gostará de conhecer alguns gêneros que não são tão populares assim, separei um especialmente para você: Blaxploitation.

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Dude – a vida é assim, uma crítica

Quem não gosta de filmes teen? Na maioria das vezes eles refletem de uma maneira bem simples o pensamento adolescente, Dude – a vida é assim, não foge a regra.

Dude – a vida é assim e os “dramatic teen movies”

Os novos filmes que compõem o que eu gosto de chamar de dramatic teen movies estão começando a aparecer para o cinema. Com a indicação de Lady Bird, passei a dar maior atenção a esse “subgênero” moderno. Seguindo, Dude – a vida é assimé mais um bom exemplo de como esse cinema possui potencial.

Dude - a vida é assim

O filme de estréia da Olivia Milch na direção trata de quatro melhores amigas em seu último ano de ensino médio, lidando com os problemas da vida adolescente sempre regadas a álcool, drogas e festas.

Em meio a clichês já esperados em “filmes teen”, Dude – A vida é assim, expõe um ponto da vida adolescente, o qual todos já passamos mas acabamos por esquecer ao atingir a vida adulta: o medo frente à mudança do estilo de vida com o fim do ensino médio.

“A vida é assim”

​Nem tudo é como a gente quer, mas a vida é assim. Não podemos ver as pessoas que gostamos todos os dias, mas a vida é assim. Temos que aprender a conviver com algumas partidas que não estamos preparados, mas a vida é assim.

É normal sentir-se frustrado em relação às coisas da vida, inseguros quanto o que será de nós no futuro, principalmente na fase adolescente, e o filme busca transmitir toda essa instabilidade emocional através de uma boa escolha de planos que são filmados com câmera na mão, ou com leves movimentos que distorcem ou comprimem nossa visão ao longo do tempo, nada brusco, apenas gradual.

Dude – a vida é assim: roteiro

Se na escolha de planos Dude – a vida é assim cumpre sua função, em boa parte do roteiro também o faz.

É bem verdade que os clichês existem, o adolescente que usa drogas, que é sexualmente desinibido e que está o tempo inteiro falando sobre namoros de colégio estão presentes, no entanto, o que é deixado nas entrelinhas, escondido pelos clichês, é a imagem de um adolescente frágil, em fase de desenvolvimento emocional, onde ele molda sua personalidade para lapidar-se nos anos que se seguem.

dude a vida é assim

O desenvolvimento dos personagens, dos diálogos e das situações ocorrem bem no primeiro e segundo ato, porém, no terceiro ato, que comporta o final do filme, toda a carga dramática que acumulou até aqui parece ter sido jogada fora para dar lugar a um final digno de uma série dos anos 2000, bem menos do que o cinema atual, com um público cada vez mais especializado, exige.

Dude – a vida é assim: veredito

Apesar disso, é um fato que podemos esperar mais filmes com temática adolescente com uma boa carga dramática, Lady Bird nos ensinou que isso é possível e Olivia Milch com o seu novo filme nos põe cientes do desenvolvimento desse tipo de película.

Dude - a vida é assim

É importante para o público juvenil, que se sentirá representado não apenas por comédias adolescentes sobre garotas malvadas e meninos tarados, mas por algo que reconheça e expresse as suas emoções mais ocultas.