Olá, pessoal, sejam bem vindos a mais um texto do Demonstre. Hoje, gostaria de propor uma conversa sobre Bojack Horseman, uma série original Netflix.

Bojack Horseman e os desenhos para adultos

Não é novidade pra ninguém que há algum tempo os desenhos animados deixaram de ser um produto audiovisual exclusivo para crianças e passaram a abranger temas universais voltados para idades mais avançadas.

Alguns desenhos como Os Simpsons, Uma família da pesada e American Dad, utilizam da estética animada para tratar de temas políticos e sociais na forma de humor negro (o verdadeiro humor negro, não confundir com insultos gratuitos propagados por certos ditos humoristas do nosso cotidiano).

Bojack Horseman, produzido pela Netflix, chega para tratar de temas mais profundos ligados ao psicológico humano.

O contraponto entre o dinheiro e a felicidade em Bojack Horseman

Logo na abertura da série, algo é deixado explícito: uma sequência de imagens de uma rica mansão na cidade de Hollywood, onde o rosto (ou seria cara?) do Bojack, em uma expressão nula, indiferente a vida que tem, é passado acima de tudo.

Bojack é um cavalo (a série coloca animais e humanos convivendo no mesmo espaço e com o mesmo nível de racionalidade) que ficou famoso como ator de uma sitcom dos anos 90 que levava o nome de Horsin’ Around, onde ele interpretava o papel do personagem principal.

A série fez extremo sucesso nos anos em que foi exibida, o que garantiu a Bojack uma fortuna considerável que forneceu conforto financeiro ao ator durante toda a sua vida.

Bojack Horseman

No entanto, apesar disso tudo, Bojack não é feliz. Mesmo com o dinheiro ganho em Horsin’ Around, Bojack se sente sozinho.

Recorrentes pesadelos com situações familiares conturbadas e relações amorosas que não deram certo é um lembrete, em todos os episódios da série de 6 temporadas, de que dinheiro não é o único elemento gerador de felicidade, e que, mesmo com as recorrentes piadas que lemos na internet que dizem “eu prefiro ser triste em Los Angeles” e coisas do tipo, quem é depressivo não vê sua riqueza e não olha para nada além do vazio que sente.

Os traumas e a quase impossibilidade de seguir em frente

Apesar da série ser protagonizada por um cavalo, ela apresenta muitas características da psique humana que temos que lidar em toda a nossa existência.

Uma delas é a auto estima que resta após diversos momentos traumáticos que vamos sofrendo ao longo de nossa vida, seja na escola, no ambiente familiar com pessoas que em tese deveriam nos amar, cuidar de nós e nos dar apoio, ou em qualquer etapa que seja do nosso desenvolvimento.

Bojack Horseman

Não há posses capazes de cicatrizar feridas antigas do nosso psicológico, o sentimento de não ser amado e de ser insuficiente é uma das constantes da série, nos lembrando sempre da fragilidade do nosso emocional perante situações que nos marcaram negativamente, tão presentes em nosso pensamento cotidiano que nem mesmo momentos de extrema felicidade conseguem sobrepor.

Um lembrete de que é preciso estar sempre “criando cascas” para lidar com uma tristeza que muitas vezes não tem fim.

Viver é rasgar-se e remendar-se

Apesar de tudo isso a vida continua, ela não para e não te dará tempo para descansar e rever suas questões com a tranquilidade que elas merecem. Essa é outra mensagem que Bojack Horseman passa para os seus expectadores, uma mensagem dura que faz da animação, na minha opinião, o desenho animado para adultos “mais adulto ainda”.

Bojack Horseman

Bojack precisa de constante apoio, e não só ele, cada personagem tem uma história que envolve cicatrizes a serem lidadas, a Princess Carolyn e sua rotina pesada aliada com o sonho de ser mãe e formar uma família, Daiane e suas questões existenciais, Todd e a sua constante busca por si mesmo, Sr Peanbutter e sua incapacidade de ser feliz sozinho, todos eles vivem sob apoio uns dos outros.

Viver, como dizia Guimarães Rosa, é rasgar-se e remendar-se, estando sempre pronto para remendar outro rasgão e seguir em frente.

Cada personagem possui um problema diferente que deve lidar durante toda a sua existência, e assim também somos nós, tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidos com aqueles animais que passam na tela da Netflix, encontrando sentidos de vida e felicidades que nos permitam ter certos confortos e ajudar a passar uma bandagem em nossas feridas.

Bojack Horseman é uma das séries mais completas sobre a psique humana da atualidade, no entanto, devo ter a responsabilidade de recomendar a série apenas para quem possui o psicológico satisfatoriamente estável, caso contrário, alguns elementos presentes na série podem desencadear gatilhos indesejáveis.

Espero que você tenha gostado da nossa breve conversa sobre Bojack Horseman

Mas espere, não vá embora agora, temos críticas cinematográficas, artigos sobre cinema e fotografia e muito mais sobre produções audiovisuais que você pode ver. Aqui, separei uma crítica especialmente para você: O Irlandês, o mais recente filme do diretor Martin Scorsese.

Olá, pessoal, sejam bem vindos a mais um texto do Demonstre. Hoje, gostaria de propor uma conversa sobre Bojack Horseman, uma série original Netflix.

Bojack Horseman e os desenhos para adultos

Não é novidade pra ninguém que há algum tempo os desenhos animados deixaram de ser um produto audiovisual exclusivo para crianças e passaram a abranger temas universais voltados para idades mais avançadas.

Alguns desenhos como Os Simpsons, Uma família da pesada e American Dad, utilizam da estética animada para tratar de temas políticos e sociais na forma de humor negro (o verdadeiro humor negro, não confundir com insultos gratuitos propagados por certos ditos humoristas do nosso cotidiano).

Bojack Horseman, produzido pela Netflix, chega para tratar de temas mais profundos ligados ao psicológico humano.

O contraponto entre o dinheiro e a felicidade em Bojack Horseman

Logo na abertura da série, algo é deixado explícito: uma sequência de imagens de uma rica mansão na cidade de Hollywood, onde o rosto (ou seria cara?) do Bojack, em uma expressão nula, indiferente a vida que tem, é passado acima de tudo.

Bojack é um cavalo (a série coloca animais e humanos convivendo no mesmo espaço e com o mesmo nível de racionalidade) que ficou famoso como ator de uma sitcom dos anos 90 que levava o nome de Horsin’ Around, onde ele interpretava o papel do personagem principal.

A série fez extremo sucesso nos anos em que foi exibida, o que garantiu a Bojack uma fortuna considerável que forneceu conforto financeiro ao ator durante toda a sua vida.

Bojack Horseman

No entanto, apesar disso tudo, Bojack não é feliz. Mesmo com o dinheiro ganho em Horsin’ Around, Bojack se sente sozinho.

Recorrentes pesadelos com situações familiares conturbadas e relações amorosas que não deram certo é um lembrete, em todos os episódios da série de 6 temporadas, de que dinheiro não é o único elemento gerador de felicidade, e que, mesmo com as recorrentes piadas que lemos na internet que dizem “eu prefiro ser triste em Los Angeles” e coisas do tipo, quem é depressivo não vê sua riqueza e não olha para nada além do vazio que sente.

Os traumas e a quase impossibilidade de seguir em frente

Apesar da série ser protagonizada por um cavalo, ela apresenta muitas características da psique humana que temos que lidar em toda a nossa existência.

Uma delas é a auto estima que resta após diversos momentos traumáticos que vamos sofrendo ao longo de nossa vida, seja na escola, no ambiente familiar com pessoas que em tese deveriam nos amar, cuidar de nós e nos dar apoio, ou em qualquer etapa que seja do nosso desenvolvimento.

Bojack Horseman

Não há posses capazes de cicatrizar feridas antigas do nosso psicológico, o sentimento de não ser amado e de ser insuficiente é uma das constantes da série, nos lembrando sempre da fragilidade do nosso emocional perante situações que nos marcaram negativamente, tão presentes em nosso pensamento cotidiano que nem mesmo momentos de extrema felicidade conseguem sobrepor.

Um lembrete de que é preciso estar sempre “criando cascas” para lidar com uma tristeza que muitas vezes não tem fim.

Viver é rasgar-se e remendar-se

Apesar de tudo isso a vida continua, ela não para e não te dará tempo para descansar e rever suas questões com a tranquilidade que elas merecem. Essa é outra mensagem que Bojack Horseman passa para os seus expectadores, uma mensagem dura que faz da animação, na minha opinião, o desenho animado para adultos “mais adulto ainda”.

Bojack Horseman

Bojack precisa de constante apoio, e não só ele, cada personagem tem uma história que envolve cicatrizes a serem lidadas, a Princess Carolyn e sua rotina pesada aliada com o sonho de ser mãe e formar uma família, Daiane e suas questões existenciais, Todd e a sua constante busca por si mesmo, Sr Peanbutter e sua incapacidade de ser feliz sozinho, todos eles vivem sob apoio uns dos outros.

Viver, como dizia Guimarães Rosa, é rasgar-se e remendar-se, estando sempre pronto para remendar outro rasgão e seguir em frente.

Cada personagem possui um problema diferente que deve lidar durante toda a sua existência, e assim também somos nós, tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidos com aqueles animais que passam na tela da Netflix, encontrando sentidos de vida e felicidades que nos permitam ter certos confortos e ajudar a passar uma bandagem em nossas feridas.

Bojack Horseman é uma das séries mais completas sobre a psique humana da atualidade, no entanto, devo ter a responsabilidade de recomendar a série apenas para quem possui o psicológico satisfatoriamente estável, caso contrário, alguns elementos presentes na série podem desencadear gatilhos indesejáveis.

Espero que você tenha gostado da nossa breve conversa sobre Bojack Horseman

Mas espere, não vá embora agora, temos críticas cinematográficas, artigos sobre cinema e fotografia e muito mais sobre produções audiovisuais que você pode ver. Aqui, separei uma crítica especialmente para você: O Irlandês, o mais recente filme do diretor Martin Scorsese.

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