Olá, pessoal, faz um tempinho que eu não trago críticas aqui no Demonstre e hoje trarei a crítica do curta “1996”, premiado curta fantástico do festival Cine Taquary.

Como fazer um filme – 1996

Essa é a pergunta que enche o Google de sites que estampam sua resposta com suas irretocáveis palavras-chave, como se o cinema fosse uma fórmula pronta, uma cartilha a ser comprada, lida e executada e a partir dela você teria um bom filme.

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Alguns diriam que para se fazer um bom filme seriam necessários equipamentos de ponta, muito dinheiro para a arte e um elenco conhecido, no mínimo, nacionalmente. Ou seja, basicamente, apenas grandes giallos seriam bons filmes se fôssemos seguir a risca essas ideias.

Eu atrevo-me porém a descrever o que pra mim é um bom filme: onde o roteiro for redondo, a narrativa condizente com o roteiro, a fotografia, som e arte forem harmônicos, com boas referências e usadas de maneira correta e a direção de atores tenha se saído bem, aí temos um bom filme. E é isso que eu acho de 1996.

1996, existe found footage no Brasil?

O gênero found footage é um dos meus favoritos, justamente por não exigir uma produção tão grandiosa como outros gêneros e subgêneros do terror e da ficção científica, pelo menos não em sua originalidade. E respondendo a pergunta do título, sim, existem filmes found footage no Brasil, mas por que não tantos?

Sabemos que estamos em um país de desigualdade gritante e para se fazer cinema independente então, nem se fala. Nem todos podem ter uma câmera RED ou Black Magic ou mesmo uma DSLR, mas alguns podem ter acesso a um material mais simples, que os permita contar uma história. Uma câmera na mão e uma história na cabeça, esse era o lema do nosso Glauber Rocha em seu Cinema Novo que pode muito bem ser transportado para a realidade brasileira atual.

Ditos esses dois parágrafos, exergo filmes como 1996, como de boa importância para o nosso cenário de curta metragens, em especial de curta metragens de terror e ficção científica. O filme adentra em um gênero pouquíssimo explorado pelo audiovisual brasileiro e o faz pisando no chão, sabendo em quem se referenciar e deve servir como inspiração para os milhares de apaixonados pelo terror pelo Brasil que infelizmente não dispõem de muito material técnico. Veja abaixo o trailer de 1996.

Atenção para o fato de que não falo especificamente que o filme 1996 foi feito com um material tecnológico inferior, é possível identificar o uso de alguma tecnologia, no entanto, destaco o fator de debate que esse tipo de filme propõe, em especial um filme premiado, de que dá para se fazer cinema, e um bom cinema, com muito menos do que se imagina.

Porque nem todo terror precisa ser um Giallo – 1996

Os Giallos são caracterizados pela sua grandiosidade artística, no quesito do orçamento destinado à construções de detalhes astronômicos, majestosos. Pois bem, Rodrigo Brandão faz nos dias atuais um filme ambientado no século passado utilizando de uma arte simples, bem combinada com a fotografia em relação à escolha de planos utilizados para que ela funcionasse bem. Destaque para Aline Freitas, que fez a produção e à arte do curta metragem de uma forma visivelmente eficiente.

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Yuly Amaral no seu belíssimo Volkswagen Santana

Giallos também são conhecidos por estamparem, em suas formas mais comerciais, famosas musas italianas daquele período, como Edwige Fenech, e um outro erro de quem elege tópicos de como se fazer um bom filme é achar que utilizar atores famosos irá imprimir um ar importante à sua obra. Bobagem. Destaco a atuação simples, concisa, das atrizes Letícia Nogueira e Yuly Amaral, onde em determinados momentos a naturalidade dos diálogos e a forma como foram executados lembrou bastante como são apresentados os personagens do filme A Bruxa de Blair (1999), que acredito ter sido a referência principal, em seus momentos de início de desespero e desespero de fato, cada um no seu tempo.

Considerações finais acerca de 1996

Premiado no Curta Taquary na categoria de curtas fantásticos, 1996 é importante para demonstrar o quão um bom filme pode ser simples, se executado de maneira organizada. Rodrigo Brandão, diretor e roteirista, junto com a sua equipe fizeram um trabalho digno de referência, principalmente em universidades de cinema.

Gostou de ler sobre esse bom curta? Aproveite e veja mais críticas aqui no Demonstre! Temos aqui outra crítica, também escrita por Igor Gomes, de um filme que você pode gostar: Crítica: A Bruxa de Blair (2016)