Crítica | A Possessão de Mary

“Mary”, nome original do longa de terror sobrenatural dirigido por Michael Goi, escrito por Anthony Jaswinski e estrelado pelo vencedor do Oscar Gary Oldman, chega aos cinemas no começo de 2020 e já pode brigar pelo posto de pior filme do ano.

A Possessão de Mary” nos apresenta David (Gary Oldman), um capitão de colarinho azul que luta para melhorar a vida de sua família. Estranhamente atraído por um navio abandonado que está em leilão, David impulsivamente compra o barco, acreditando que será o bilhete de sua família para a felicidade e para a prosperidade. Porém, logo depois que eles embarcam em sua jornada inaugural, eventos estranhos e assustadores começam a aterrorizar David e sua família, fazendo com que se voltem um contra o outro, duvidem de sua própria sanidade e testemunhem a presença de um espírito maligno.

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A Possessão de Mary / Paris Filmes

A premissa inicial do longa norte-americano é interessante ao revisitar um tema pouco explorado no cinema: navios assombrados. A mudança de ares com relação à massividade de produções de terror que tomam lugar em casas ou mansões é, inicialmente, boa, de modo que o espectador até se interesse pelo que irá ver no decorrer do filme. Esse interesse, contudo, dura apenas alguns minutos, e a produção, que tenta se desvencilhar do comum e apresentar algum diferencial, falha em todas as suas tentativas e se torna nada mais, nada menos do que ruim. Os problemas do longa são inúmeros e assistir ao filme até o final torna-se uma missão difícil e tediosa.

O roteiro de Anthony Jaswinski (“Águas Rasas”) é preguiçoso e, após uma tentativa extremamente rápida de tentar ser, no mínimo, medíocre, escolhe explorar cada clichê do gênero, fazendo com que o longa não tenha personalidade e, por vezes, não tenha muito sentido. A falta de inspiração na construção do filme é nítida e o espectador, em decorrência disso, é constantemente apresentado a subtramas que parecem ser esquecidas no decorrer da produção, a situações desnecessárias que não interferem em nada na obra como um todo e, finalmente, a uma história que não apresenta impacto algum.

“A Possessão de Mary” tenta se agarrar a qualquer coisa para evitar que naufrague, e não consegue. Nessa ocasião, a utilização recorrente de jumpscares é sofrível. A atmosfera de terror e suspense é praticamente inexistente e, assim, a produção optou pelo modo preguiçoso de assustar os espectadores e tentar transmitir o mínimo de emoção possível. As mudanças abruptas de imagens, juntamente com a repentina aparição de personagens e o uso de sons altos e assustadores definem o filme e, mesmo assim, não funcionam. A previsibilidade de tudo o que acontece é enorme e, assim, infelizmente, o público vive uma eterna quebra de expectativa.

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A Possessão de Mary / Paris Filmes

“Mary” não tem muitos pontos positivos. O roteiro raso, a construção preguiçosa e praticamente tudo o que existe sobre a produção o tornam um filme simplesmente ruim. E isso se estende para todo o seu elenco. Apesar da presença do incrível Gary Oldman, sua performance é extremamente contida e não agrega valor algum, assim como o personagem que ele interpreta, absolutamente comum e previsível. Emily Mortimer, que faz o par romântico (ou nem tão romântico) do ator, também é um grande problema. Uma atuação forçada e caricata, que tenta encarnar o espírito de uma Final Girl dos filmes de terror, a transforma em uma piada forçada. Nada parece se encaixar e ninguém consegue extrair algo minimamente bom de nenhuma das esferas da produção.

“A Possessão de Mary” não funciona. Distante de qualquer possibilidade de obter sucesso, o filme encarna a maldição da embarcação protagonista e demonstra que, desde o início, tudo está fadado ao fracasso.

Assista ao trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=tOqb-HlYTsA

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