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  • Crítica | Aspirantes – O olhar de Ives Rosenfeld sobre desilusão, inveja e competitividade

É raro o Cinema Nacional apresentar um longa-metragem que aborda a realidade sobre o sonho em ser jogador de futebol profissional. A mídia consegue evidenciar muitos talentos do universo futebolístico, mas estes representam uma ínfima parcela, pois a grande maioria sempre fica pelo caminho. Essa premissa é o pano de fundo do filme Aspirantes. Um contexto bem apresentado, sem receio de expor os dribles corruptos acerca do esporte número 1 do Brasil.

Júnior (Ariclenes Barroso) é um rapaz que sonha em fazer carreira no futebol. Ele divide seu tempo entre a namorada grávida, um emprego que paga muito pouco e os treinos. Pouco a pouco, o jovem começa a desmoronar, diante da pressão em ser pai e a inveja com o crescente sucesso de seu melhor amigo Bento.

Filme Aspirantes

Ives Rosenfeld, em seu primeiro trabalho como diretor, constrói um longa que não teme em apostar num protagonista introvertido. Com muitas cenas contemplativas, a direção vai fundo em explorar o dia a dia de um personagem que enfrenta a pobreza, enquanto sonha em ser alguém no meio futebolístico.

Além de contribuir com o roteiro, Rosenfeld explana as mazelas dos aspirantes, que anseiam transformar os dias sobre o gramado numa fonte de renda. A imagem da desilusão é exposta minuciosamente, seja em cenas quietas ou em momentos carregados de diálogos. O esboço do âmbito machista, que sempre é regido pela competitividade, é o pontapé para abordar a inveja. Está lá, ao longo da projeção, esse pecado capital, que corrói o protagonista Júnior, inflando sua ira.

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Filme Aspirantes

O uso da câmera, sempre colocando o protagonista em primeiro plano, desfocando os demais personagens em cena, nos aproxima do caos interno do personagem principal. Além disso, essa técnica contribui para observarmos de perto os mínimos detalhes da atuação de Ariclenes Barroso; seja o seu olhar carregado de emoções, ou sua expressão corporal, que diz muito sobre Júnior. É isso o que nos aproxima do personagem, que é tímido e pensante.

Ariclenes cumpre com o difícil papel de um personagem que passa muito tempo flertando com o silêncio. O ator abraçou esse desafio, transmitindo na tela a evolução de um protagonista que sofre uma grande metamorfose. Um trabalho excepcional, que valida o prêmio que o artista levou como Melhor Ator no Festival do Rio.

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Filme Aspirantes

Bento (Sérgio Malheiros) representa o contraste em relação ao personagem Júnior. Ele está no caminho do sucesso, conquistando muitas coisas ao longo do filme. O ator entrega bons diálogos, mas seu desfecho deixa algumas perguntas em aberto, atrapalhando o arco do personagem.

Julia Bernat está contida, mas atuando com muita verdade. A atriz construiu as camadas de Karine em poucas cenas. E quando ela precisa explodir, ainda respeitando a sua construção, Bernat impressiona, emociona e espanta, em uma das melhores cenas do longa.

Karine Teles possui poucos minutos na película. Sua personagem representa o amor materno que falta para o protagonista. É assombroso o talento de Teles, que até mesmo em segundo plano, completamente desfocada, rouba a atenção. A atriz acerta não apenas no tom de sua personagem, como também na química com os demais atores em tela.

Aspirantes é uma obra corajosa, que acerta nas escolhas técnicas e com seu elenco. Um filme que nos coloca na pele de seu protagonista, que se transforma perante o silêncio da inveja. O filme estreia dia 28 de novembro nos cinemas.

É raro o Cinema Nacional apresentar um longa-metragem que aborda a realidade sobre o sonho em ser jogador de futebol profissional. A mídia consegue evidenciar muitos talentos do universo futebolístico, mas estes representam uma ínfima parcela, pois a grande maioria sempre fica pelo caminho. Essa premissa é o pano de fundo do filme Aspirantes. Um contexto bem apresentado, sem receio de expor os dribles corruptos acerca do esporte número 1 do Brasil.

Júnior (Ariclenes Barroso) é um rapaz que sonha em fazer carreira no futebol. Ele divide seu tempo entre a namorada grávida, um emprego que paga muito pouco e os treinos. Pouco a pouco, o jovem começa a desmoronar, diante da pressão em ser pai e a inveja com o crescente sucesso de seu melhor amigo Bento.

Filme Aspirantes

Ives Rosenfeld, em seu primeiro trabalho como diretor, constrói um longa que não teme em apostar num protagonista introvertido. Com muitas cenas contemplativas, a direção vai fundo em explorar o dia a dia de um personagem que enfrenta a pobreza, enquanto sonha em ser alguém no meio futebolístico.

Além de contribuir com o roteiro, Rosenfeld explana as mazelas dos aspirantes, que anseiam transformar os dias sobre o gramado numa fonte de renda. A imagem da desilusão é exposta minuciosamente, seja em cenas quietas ou em momentos carregados de diálogos. O esboço do âmbito machista, que sempre é regido pela competitividade, é o pontapé para abordar a inveja. Está lá, ao longo da projeção, esse pecado capital, que corrói o protagonista Júnior, inflando sua ira.

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Filme Aspirantes

O uso da câmera, sempre colocando o protagonista em primeiro plano, desfocando os demais personagens em cena, nos aproxima do caos interno do personagem principal. Além disso, essa técnica contribui para observarmos de perto os mínimos detalhes da atuação de Ariclenes Barroso; seja o seu olhar carregado de emoções, ou sua expressão corporal, que diz muito sobre Júnior. É isso o que nos aproxima do personagem, que é tímido e pensante.

Ariclenes cumpre com o difícil papel de um personagem que passa muito tempo flertando com o silêncio. O ator abraçou esse desafio, transmitindo na tela a evolução de um protagonista que sofre uma grande metamorfose. Um trabalho excepcional, que valida o prêmio que o artista levou como Melhor Ator no Festival do Rio.

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Filme Aspirantes

Bento (Sérgio Malheiros) representa o contraste em relação ao personagem Júnior. Ele está no caminho do sucesso, conquistando muitas coisas ao longo do filme. O ator entrega bons diálogos, mas seu desfecho deixa algumas perguntas em aberto, atrapalhando o arco do personagem.

Julia Bernat está contida, mas atuando com muita verdade. A atriz construiu as camadas de Karine em poucas cenas. E quando ela precisa explodir, ainda respeitando a sua construção, Bernat impressiona, emociona e espanta, em uma das melhores cenas do longa.

Karine Teles possui poucos minutos na película. Sua personagem representa o amor materno que falta para o protagonista. É assombroso o talento de Teles, que até mesmo em segundo plano, completamente desfocada, rouba a atenção. A atriz acerta não apenas no tom de sua personagem, como também na química com os demais atores em tela.

Aspirantes é uma obra corajosa, que acerta nas escolhas técnicas e com seu elenco. Um filme que nos coloca na pele de seu protagonista, que se transforma perante o silêncio da inveja. O filme estreia dia 28 de novembro nos cinemas.

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