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Livro | Leia Novembro de 63 do Stephen King

Stephen King já é conhecido por todos e seria uma loucura minha querer apresentá-lo para alguém.

Neste livro, lançado em novembro de 2011 nos EUA e editado em setembro de 2013 aqui no Brasil, Stephen aborda aspectos da cultura pop americana e de como os fatos históricos podem ser absorvidos e resinificados por essa cultura.

Uma das qualidades do autor é o hábito de impregnar os seus personagens com um certo realismo decadente. Na história, o professor universitário está tentando encontrar o melhor modo de viver um divórcio recente quando se depara com a coisa sobrenatural que será tema do livro.

Usando elementos que mesclam ficção cientifica, terror e romance policial. O autor faz uma construção gradativa da personalidade dos personagens e do mundo em que elas vivem.

O livro tem quase 750 páginas (versão Brasileira) e graças a isso é possível acompanhar a narrativa sendo bem desenvolvida. A atmosfera da história conta ainda com o cuidado da pesquisa bem-feita e as cenas se passam em locais ficcionais, porém plausíveis.

É gostoso testemunhar como King ambienta muito bem as suas histórias no interior americano dos anos 60.

Dotado de uma visão privilegiada, King sabe colocar a sua lente de aumento de forma a criar um clima de imersão muito eficaz. Não admira que o autor tenha se transformado em uma mina de ouro para a indústria cinematográfica.

Vamos falar dos pontos negativos.

Eu sou um sortudo e uma exceção. Sortudo por poder acompanhar o livro em dois idiomas e exceção por ter tempo para fazê-lo. Graças a isso, pude observar alguns “erros”, ou melhor, decisões dos tradutores, que não tiveram o mesmo efeito na edição em português. Vamos ao mais aparente:

Longe de querer implicar com os tradutores, que fazem das tripas coração para transportar significados, é preciso mencionar que os diálogos, em alguns casos, não funcionam como deveriam.

Eu não gosto quando a voz dentro da minha cabeça é obrigada a ler diálogos com sotaque, salvo exceções. No caso dos livros do King, parte da potência da narrativa está localizada nas vozes dos personagens e alguns deles, alguns, perdem grande parte do impulso quando comparados com o original.

Vou tentar ser mais claro, alguns personagens tiveram sotaques brasileiros encaixados no que “seria um equivalente” ao sotaque americano. Como leitor, isso me incomoda. Essa prática já apareceu em publicações do H.P. Lovecraft, em livros do Kafka, até em O Morro dos Ventos Uivantes.

Não pretendo levantar bandeiras e apontar o dedo para esse ou aquele tradutor (ou para essa ou aquela editora), pois é uma prática do nosso mercado. Que deveria ser abandonada.

Mesmo assim…

Novembro de 63 é uma história page turner, fará você grudar nela até terminar o livro.

Com cenas chocantes e personagens fortes. Este livro do Stephen King é uma escolha excelente para os órfãos de escritores mais rústicos, daqueles que não sentem pudor em mutilar os seus protagonistas. Vale a leitura.

Se quiser discordar de mim, basta deixar um comentário. Valeu pela leitura.

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Literatura | 5 livros sobre cinema

Há várias maneiras de apreciar um filme, há diversos tipos de espectadores e, consequentemente, diferentes espécies de gêneros* e estilos** de filmes.

O cinema é uma arte que abarca outras, sendo algumas obrigatórias e inerentes à própria forma do “fazer cinema”. São as outras artes: 1- música (som); 2- dança (movimento); 3- pintura (cor); 4- escultura (volume); 5- teatro (representação); 6- literatura (palavra); 8- fotografia (imagem); 9- Quadrinhos; 10- jogos virtuais; 11- arte digital (gráficos computadorizados em 2D, 3D e programação). Lembrando que o “7” é o próprio cinema.

Nesse sentido, o cinema recebe muita influência do meio, tanto de forma direta (o cinema e sua linguagem autônoma), quanto de forma indireta (pela influência das linguagens das outras artes), salientando também os aspetos sociais que inspiram e/ou possibilitam roteiros (o que contar) e narrativas (como contar).

À vista disso, o cinema entendido como “arte” em sentido lato possui respaldado literário acadêmico, isto é, para quem tem interesse em se aprofundar na área, eis o objetivo desta lista de livros. Vamos lá?

1- A Arte do Cinema: Uma Introdução – David Bordwell e Kristin Thompson

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Desde sua primeira edição (1979) esta obra é referência no ensino estadunidense, sendo traduzida para diversas línguas e submetida à revisões e atualizações periódicas.

A obra possui uma linguagem acessível e fluída, composta por 12 capítulos divididos em 6 partes repletas de imagens de alta qualidade com cunho exemplificativo e explicativo.

Na primeira parte há uma apresentação evolutiva da técnica e da realização cinematográfica, o detalhamento dos processos de produção, distribuição e exibição. Nas segunda e na terceira, respectivamente, expõem-se sobre a forma fílmica e o estilo (mise em scène; cinematografia, montagem, som e estilo). A quarta parte ocupa-se dos tipos de filmes e a quinta da “análise crítica de filmes”, demonstrando a metodologia para a análise de filmes, baseada nos elementos expostos nos conteúdos do livro. Por fim, na última parte, a história do cinema. Vale salientar que cada fim de capítulo conta com um bom resumo, listas de filmes ou recomendações de complementos midiáticos.

Bem, só pelo exposto acima, já seria mais do que uma boa defesa da obra, no entanto há também um índice onomástico de títulos e o glossário de termos cinematográficos.

Um grande trabalho acadêmico! Um curso!  Muito completo e como já demonstrado, contempla todas as áreas envolvidas no estudo da sétima arte! Vale cada centavo!

2- História do Cinema Mundial – Fernando Mascarello (organizador)

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De acordo com o organizador, o objetivo da obra é expor historicamente (cronologicamente) a evolução do cinema enquanto arte e técnica. A linguagem é descomplicada e a leitura agradável.

Sobre o início da leitura, pode-se afirmar que é muito completo, apesar de breve, fazendo jus ao título “História” da obra. Desde as criações dos instrumentos óticos de projeções de imagens, passando pelo “cinema de atrações” e, depois, o “cinema de transição”, onde já se inicia a divisão e especialização do trabalhos e funções (diretor, roteirista, cenógrafos, maquiadores…) devido o aumento da produção cinematográfica e a exigência de racionalização executiva.

Ao longo dos capítulos, os autores apresentam 17 momentos-chaves da trajetória do cinema mundial muito bem contextualizados e atentos às especificidades das técnicas implicadas nas produções, levando-se em conta aspectos econômicos, políticos, socioculturais e tecnológicos

5 “capítulos” abarcam essa “viagem”: 1) primeiro cinema; 2) vanguardas dos anos 1920 (Impressionismo francês, Expressionismo alemão, montagem soviética e Surrealismo); 3) gêneros hollywoodianos (Western e film noir); 4) cinema moderno (neorrealismo italiano, Nouvelle Vague, documentário moderno, Cinema Novo brasileiro e Cinema Novo alemão); e 5) vertentes contemporâneas (cinema e gênero, cinema pós-moderno, cinema de terras e fronteiras, cinema hollywoodiano contemporâneo e cinema e tecnologias digitais).

Uma excepcional aula de História ao alcance das mãos e dos bolsos!

3- Hitchcock Truffaut: Entrevistas – Edição Definitiva

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Esta indicação, diferente das duas anteriores, possui um conteúdo mais denso e consiste na transcrição de 500 perguntas feitas por Truffaut ao Hitchcock como resultado de 50 horas de entrevistas pautadas sobre a carreira do mestre do suspense e analisada de forma cronológica.

A proposta da conversa foi:

  1. As circunstâncias que cercaram o nascimento de cada filme;
  2. A elaboração e a construção do roteiro;
  3. Os problemas de direção específicos de cada filme;
  4. A avaliação por ele mesmo do resultado comercial e artístico de cada filme em relação às expectativas iniciais 

Apesar dos termos mais densos para não iniciados, a “conversa” flui de forma coloquial e passa uma atmosfera amigável.

Alguns exemplos de temas abordados:

– Diferença entre “suspense” (a expectativa diante do desdobramento de uma situação de risco da qual o espectador possui todos os dados e, por isso mesmo, tem o que temer) e “surpresa” (a violência inesperada, instância do choque).

“A arte de criar o suspense é ao mesmo tempo a de botar o público ‘por dentro da jogada’, fazendo-o participar do filme. Nesse terreno do espetáculo, um filme não é mais um jogo que se joga a dois (o diretor + seu filme) e sim a três (o diretor + seu filme + o público).

– Elogio à mise en scène de Hitchcock que revela muito bem as emoções além do que é manifesto nos diálogos.

– Uso de MacGuffin (artifício de roteiro pautado em um objeto, pessoa ou sensação que motivam a impulsão narrativa, mesmo que depois esse artifício não tenha tanta relevância para a história).

Por fim, cabe dizer que é recheado de ilustrações de fotos de bastidores e fotogramas.

Aqui, aula de cinema com quem fez cinema! E com quem, né? Dispensa explicações!

4- Story: Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiro – Robert McKee

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Agora, um livro especificamente sobre roteiro, “o que contar”, e, dentro disso, o FORMA para a elaboração de uma boa história. McKee é um respeitado professor universitário norte-americano, atuou como consultor de grandes estúdios cinematográficos e televisivos. A obra em questão é conhecida como “a bíblia do roteiro”, vamos, brevemente, evidenciar os porquês.

Em primeiro lugar, ele deixa claro que “Story” é sobre princípios, e não regras, sobre formas eternas e universais, e não fórmulas, mas o que isso quer dizer?

Os princípios são os elementos que compõe a estrutura do roteiro, as ideias norteadoras da “arte” que dão sentido lógico, compreensivo e racional à narrativa, regras são normas imperativas, que traz em si o caráter de exigência.

Logo, a proposta é ensinar o sistema básico da criação de roteiros (estrutura), por meio de conceitos básicos como: estilo; composição; crise; clímax; resolução; criação de personagens, e outros diversos vocábulos derivados.

Dessa forma, McKee incita o leitor/aprendiz a subverter os possíveis conteúdos narrativos, sem abrir mão da boa forma.

O roteiro é a primeira etapa do processo produtivo audiovisual, nesse sentido, uma lista de indicações literárias sobre cinema não poderia negligenciar essa etapa.

O livro é cheio de exemplos! Tudo sobre estrutura/construção de roteiro e seus elementos em um único livro!

5- Grandes Filmes – Roger Ebert

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A última indicação desta lista, aparentemente, pode soar como somente um guia recomendativo, mas não! Até porque o autor deixa claro na introdução que a obra é uma continuidade da “A magia do Cinema”, que possui outros títulos considerados “bons” e não “os melhores”. É explícito também que as escolhas dos filmes contidos nesses dois livros são baseadas de acordo com as preferências de Roger, sem abrir mão das qualidades técnicas, papel histórico e influência dentro da evolução do cinema.

O trabalho conta com uma breve sinopse dos filmes e o mais importante: análises dos mesmos, tendo em vista aspectos técnicos. Eis o trunfo da obra: a materialização de boas análises de filmes. Bom para quem quer apreciar boas análises, ótimo para quem quer aprender vendo boas análises.

Vá na fé!

Em 2017, O Vinícios, outro redator do Cinerama, já havia escrito uma lista com 5 livros sobre cinema, aqui está o link:

“5 Livros para aprender sobre cinema”

Assim sendo, ficam como complementares as listas, não deixem de conferir o link acima também!

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*Gênero: vários tipos de filmes que o público e os cineastas reconhecem devido a convenções narrativas familiares. Gêneros comuns são o musical, o policial, a ficção científica.

**Estilo: uso repetido e marcante de técnicas cinematográficas particulares, características de um único filme ou de um grupo de filme (por exemplo, a obra de um cineasta ou um movimento nacional).

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Qual é o valor que você dá para a liberdade?

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The Wolf of Wall Street

Qual é o valor que você dá para a liberdade?

Você se considera livre? O que faz com que você pense que tem liberdade?

A grande questão sobre a nossa visão da liberdade pode ser feita em comparação com o outro. Simples assim, você se acha livre por que o vizinho parece ter um quintal muito menor que o seu, não é mesmo?

Basta ver como a política de alguns países é feita e você chegará a conclusão de que sim, isto o que nós estamos vivendo se chama liberdade. Aqui, somos livres!

Será que somos, essa é a grande questão. Você é realmente livre?

Você e a sua liberdade inalienável de rodar na rodinha do hamster

Existe a liberdade, e talvez isso esteja fora da discussão, mas qual é o gosto dela? Ou a cor, ou o cheiro?

Vejamos um exemplo concreto: se você quiser exercer a sua liberdade pode agora mesmo criar um site e utiliza-lo para escrever o que desejar sobre quem for. Até mesmo postar vídeos ou áudio expressando as suas ideias, elas ficarão disponíveis para que o mundo as conheça. Isso só pode ser liberdade, não é mesmo?

A liberdade de quem escolhe entre duas coisas

Muito bem, o seu site libertador – libertador – será feito em uma lista de até 10 plataformas, mas tenho certeza de que a escolha final será bem reduzida. Ainda estou seguro de que eu acertaria a plataforma escolhida, mesmo sem conhecer você ou seu site.

Após o site pronto, se você quiser que ele seja visto terá que buscar canais de divulgação, desejando que ele seja mostrado ao público. Se quiser que o site entre nas buscas terá que jogar o jogo de apenas uma empresa: o Google. Simples assim, o seu conteúdo deverá ser feito conforme o Google preferir, para que o Google coloque nas primeiras páginas.

Se resolver que as redes sociais são mais indicadas para promover o seu conteúdo, então as suas opções sobem para o número esmagador de 5: Facebook, Instagram, Twitter, Youtube e – vá lá – uma outra da sua preferência.

Sua incrível liberdade resolvida por meia dúzia de empresas

Eu sou de 87, então, quando tinha perto de 13 anos e sentei pela primeira vez de frente para um computador prometeram-me que ele seria o responsável pelo acesso ao conhecimento global, todo o conhecimento do mundo estaria lá.

Pode até estar, mas se não estiver dentro das regras de rankeamento do Google, tudo o que sobra mesmo é o senso comum.

Alguém pode dizer “ah mas…. você pode utilizar outros sites de busca, pode utilizar outros navegadores, você…” Pode, mas se quiser que meu o realmente encontre um grande público, o jogo é esse e nós dois sabemos.

Tudo é assim, tudo é assado

Essa realidade está presente em como funcionamos atualmente, no cerne das nossas escolhas. Você verá que a sua grande e inacreditável seleção de escolhas não passa de uma ilusão. 

Diversas opções de telefonia,  todas com o mesmo serviço, todas com o mesmo preço, todas com as mesmas reclamações. Até o atendimento é o mesmo. 

Ao tentar comprar roupas estará no mesmo esquema, eletrodomésticos, peças para o seu notebook, câmeras para o seu trabalho, lentes… escolha um produto, a incrível opção de compras estará reduzida. Muito mais do que você imagina. 

Se quebrarmos em peças, você descobrirá que nem mesmo o seu celular chinês super lado B descoladíssimo que é difícil de encontrar, encomendado direto da China. Esse celular foi fabricado com as peças de 3 empresas, duas delas presentes no mercado nacional. Ele é só uma carcaça nova, com um nome legal e um punhado enorme de mais do mesmo dentro. 

Isso se ficarmos só no consumismo, fingindo que todo o resto é brincadeira

Aqui estou falando só das vontades que você pode ter como consumidor ou criador de conteúdo. Sua liberdade de escolher entre dois shampoos diferentes, mas que o dinheiro irá parar no mesmo conglomerado.

Não quero nem tocar no assunto de: alguém – não você – decide se o seu tomate terá ou não agrotóxico. Alguém – não você decide qual é a % ideal de fumaça no ar que você respira. Alguém – não você – decide qual a proporção fezes de rato/alimento que pode estar presente no fast-food do shopping.

Decisões enormes que influenciam diretamente a sua vida são tomadas por pessoas que não são você. Aí o que você faz? Se adapta. Aprende as barracas em que as verduras não contém agrotóxicos, descobre modos de fazer mais dinheiro ao longo da vida para não depender da aposentadoria, não pega mais o ônibus, não come mais no shopping, usa uma máscara para ajudar na respiração…

Mas você sabe que a sua liberdade está tolhida, não sabe? Você sente isso. Eu sei. 

Então o que eles fazem?

A pior coisa que pode cair no colo de quem manda é ele ter um grupo de súditos descontentes com certas decisões. Para ele isso é péssimo, seja ele uma grande empresa instalada no Vale do Silício ou um político.

Saída fácil para resolver o problema?

Faça o descontente acreditar que o risco é o vizinho – ei, você, eu sei que você sente que tem pouco, eu sei que você sente que está perdendo, mas tá vendo aquele vizinho ali. Ele tem menos ainda, e posso contar uma coisa? Ele não liga para você e para o seu modo de fazer as coisas, ele quer vir aqui, pegar tudo o que é seu (que é pouco e custou tanto suor) e levar para ele. De graça, ainda de quebra se ele puder ele vai transar com as mulheres que vivem com você.

E o que você faz?

Você se fecha, se protege, fica com medo. Fica com muito medo, entra em estado de choque. Para quem vê de longe, parece muito um cachorro acuado. Nota-se o desespero, os dentes para fora, a raiva, a angústia.

Se nós ao menos pudéssemos ver…

Tática repassada, reprisada, com leves variações, mas já até desgastada. E infalível.

Faça-os brigar, enquanto nós curtimos uma liberdade genuína.

Mas e o Cinema, Cinerama?

Os filmes que falam sobre a liberdade, qual é o custo dela?

As produções artísticas são reflexos das preocupações e angústias da nossa época. Gosto de pensar que os melhores filmes, os livros marcantes, as músicas que comovem, ou os quadros que deixam impressões foram produzidos em decorrência do que tocava mais fundo nos nossos dias.

Produções assim, que dialogam com o que existe de mais profundo na história de cada época, são imortais. 

São quadros eternizados, sinfonias que para sempre tocarão a canção da vitória, compostas com o auxílio de canhões para aumentar a imersão dos apreciadores. Livros que foram banidos por um certo tempo, apenas para ressurgirem depois como verdadeiros manuais sobre a alma humana.

E claro, muitos filmes. Filmes serão eternizados e ganharão destaque, disso não tenho dúvida. Esses filmes falarão sobre o que? Falarão de liberdade?

Talvez o cinema já tenha produzido alguns imortais. Talvez não. Infelizmente nós não estamos apreciando nenhum deles.

Estamos ocupados demais defendendo com unhas e dentes o pouco que nós temos. Virando nossa raiva para outras pessoas que têm quase tão pouco quanto nós. Acuados, como cachorros raivosos. 

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Conversa | Você, o suicídio e a cultura Pop

Papo sincero sobre comportamento autodestrutivo, suicídio e a nossa participação no processo.

A cultura Pop perdeu muitas pessoas para o suicido ou comportamento autodestrutivo. Faça o teste, tente elaborar uma lista de pessoas que tiraram a própria vida nos últimos 20 anos e você descobrirá que o suicídio está presente na música, nos filmes e nos autores.

Sendo assim, vou usar meu espaço no Cinerama para levantar uma conversa sobre o tema. Quero escrever o que eu penso sobre o suicídio e o que podemos fazer sobre o assunto.

No final, eu peço que você deixe um comentário contando alguma experiência ou ponto de vista.

Se você topar, vamos em frente, se não topar, tudo bem, têm vários artigos legais sobre filmes, séries e novidades aqui no site. Não tem erro.

O que você pensa sobre o suicídio?

Para muitos, tirar a própria vida é o último ato da depressão. Quando a doença atinge um estágio tal que qualquer esperança é retirada. O suicídio aparece como um alento ou uma resolução dessa doença.

Outros acreditam que o suicídio seja fraqueza, ato covarde de abandonar o barco. Sendo assim, o suicida é aquele que já não consegue mais arcar com as dificuldades da vida.

Por outro lado, outros não sabem e não querem pensar no assunto. Uma espécie de negação silenciosa e consensual. Eu não falo, não ouço, não vejo e você faz o mesmo, tá.

Qual é o seu perfil? Talvez o seu seja um quarto ponto de vista. 

Por que esse tema e por que em uma página de Cinema?

As artes e o suicídio estão intimamente conectados. Poderíamos criar uma longa fila de nomes: Marilyn Monroe, Kurt Cobain, David Foster Wallace, Chester Bennington, Chris Cornell…

Se decidirmos incluir na lista o comportamento autodestrutivo, nomes como: Heath Ledger e Amy Winehouse farão parte das perdas.

Segundo o livro: “O Demônio do Meio-dia. Uma anatomia da Depressão”, apenas falar sobre o tema já tem efeitos positivos, pois, naturaliza o debate e quebra essa casca grossa que existe nele.

Esse é o grande lance do suicídio, ninguém olha para ele até que aconteça.

Quando Robin Williams decidiu tirar a própria vida, o assunto entrou em pauta, durou pouco, é verdade. Depois, infelizmente, voltou ao esquecimento.

Silenciar o suicídio parece não estar fazendo efeito

Dados da OMS apontam para o crescimento de 74% no consumo de antidepressivos, a organização estima que até 2020 a depressão seja a doença mais incapacitante do mundo.

Você conhece um suicida em potencial

Debata, pesquise, informe-se e converse.

Com números alarmantes sobre o consumo de antidepressivos e estatísticas que confirmam o aumento do comportamento autodestrutivo, é provável que você conviva ou conheça um suicida potencial. (mesmo que o Instagram insista na opinião contrária)

Não existe uma fórmula mágica para fazer você descobrir quem é essa pessoa, saber em qual estágio da doença ela se encontra e como proceder caso descubra quem ela é.

Mas existe o diálogo, uma das melhores formas de conhecer e se aproximar de alguém.

Sendo assim, para tentar validar tudo o que eu escrevi até aqui, sou um fã incondicional do Kurt Cobain, David Foster Wallace, Chris Cornell, Robin Williams e mais uma porrada de pessoas incríveis que deixaram de existir pela falta do diálogo.

Se vale de argumento, quem escreve também já teve suas experiências com análises, remédios prescritos para depressão e tenta (assim como eu sei que vocês também tentam) entender o mundo.

Alguns dias com sucesso, alguns dias sem nem vontade de levantar da cama.

Torço para que o debate exista, desejo força para todos que estiverem passando por um momento de dificuldade e que o cinema e as boas histórias possam nos ajudar na nossa construção de sentido.

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Conan, o Bárbaro | Panini Comics anuncia aquisição de licença para publicar todas as HQs do personagem

Editora e Conan Properties International firmam parceria de longo prazo e editora passará a publicar todas as histórias em quadrinhos do personagem, no Brasil e em outros países. (? Reprodução)

A Panini Comics anunciou nesta quinta-feira, 21 de junho, que fechou parceria com a Conan Properties, detentora dos personagens criados por Robert E. Howard. A partir desta data, a empresa cede todos os direitos de publicação para a editora, com exceção dos produtos da língua inglesa.

A Panini é uma das mais antigas licenciadas da Conan Properties, publicando o portfólio de revistas em quadrinhos em territórios selecionados por quase 25 anos, inicialmente publicando os materiais clássicos da Marvel Comics durante a posse da Marvel, de 1994 a 2000, e, então, por meio de acordos diretos com a CPI e a Dark Horse.

O novo acordo estende o escopo da licença para todos os territórios – exceto países de língua inglesa – e, a partir de agora, a editora passará a publicar os novos quadrinhos em vários territórios como Brasil, Espanha, França, México, Alemanha, Itália, Escandinávia, Turquia e Sérvia. No futuro próximo, irá expandir para outros lugares, tanto diretamente quanto em parceria com outras editoras, enquanto continua mantendo vivo os conteúdos de arquivos históricos das coleções, revistas em quadrinhos e periódicos.

As publicações serão de todo o catálogo histórico do personagem apresentado em formato de revista em quadrinhos ou graphic novel, desde os revolucionários quadrinhos e revistas da Marvel de 1970 a 2000 (Conan the Barbarian, Savage Sword of Conan etc.), para as diversas séries e minisséries bem-sucedidas da Dark Horse Comics entre 2003 e 2018, e então para a novas e reinauguradas produções da Marvel que serão lançadas em 2019 nos Estados Unidos pela geração atual de estrelas da nona arte.

A Panini trabalhará em conjunto com a Conan Properties, que atualmente está em processo de expansão de Conan, o Bárbaro por meio de videogames (“Conan Exiles”, da Funcom) e a série de televisão live action, que estreará em breve, produzida para a Amazon Video, pelos melhores criadores de Hollywood (Miguel Sapochnik, de Game of Thrones). A editora também desenvolverá conteúdo original para os quadrinhos com artistas europeus e latinos, para complementar a variedade de histórias em quadrinhos existentes e futuras, com graphic novels que irão se aventurar em novos universos.

Com um crescente público internacional para o personagem Conan, estamos ansiosos para manifestar sua posição como um dos maiores ícones dos quadrinhos. Estamos impressionados com o crescimento da Panini ao redor do mundo e acreditamos que esse aumento de colaboração será ótimo para os fãs e para nossos outros parceiros”, comenta Fredrik Malmberg, presidente da CPI.

Estamos muito felizes em anunciar essa parceria e sermos os responsáveis por trazer as novidades e os relançamentos de Conan para os fãs brasileiros. O Grupo Panini está há quase 25 anos se dedicando as publicações de Conan e agora essa proposta será estendida para diversos outros países”, diz José Eduardo Martins, presidente da Panini Brasil.

Veja também: Cinema 3D, está chegando a sua hora de dar tchau

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Livro | Frankenstein | O verdadeiro monstro de Mary Shelley

Ler um clássico é desafiador. A linguagem distante somada as referências incomuns criam uma barreira entre o leitor e o livro. Frankenstein ainda contém um obstáculo extra, é a ideia preconcebida incorreta a respeito do monstro.

A cultura pop usou esse nome de todas as maneiras possíveis. Ele aparece em desenhos animados, filmes, animações – até em embalagens de cereal – e para piorar, todas as suas aparições (ou pelo menos, 99,99%) estão incorretas, diferentes, e bem diferentes, de como ele foi apresentado no livro.

A trajetória desse monstro além do livro e importância da sua autora são questões que podem ser discutidas em outro momento. Até porquê, esta edição da Darkside da qual vamos falar, contém textos de apoio excelentes, de modo que o livro acaba ficando completo por si.

Focando na história: Frankenstein é um aluno universitário naturalista. Muito influenciado pelas descobertas da época na área de energia elétrica e evolução – estamos falando da época do avô do Darwin, não confundir – Frankenstein é um produto do seu tempo. Curioso ao ponto de se tornar obsessivo. O estudante elabora pesquisas e experiências com o intuito de animar um corpo artificial.

Dedicado ao aperfeiçoamento da condição humana, o cientista consegue animar um corpo que é, em todos os fatores, superior aos humanos. Rápido, resistente e com excelente capacidade cognitiva, o monstro criado por Frankenstein é uma aberração de enorme potência.

Renegado pelo seu criador, a criatura descobre o mundo sozinha. Isolado do convívio humano graças a sua aparência monstruosa, o monstro é obrigado a viver nas sombras e absorver as qualidades humanas por um filtro de rancor e desprezo.

Leitor ávido, ele elabora delicados pensamentos filosóficos, inclusive faz análises frias sobre a sua própria condição. Amargurado contra o seu criador, o monstro torna-se um pesadelo para Frankenstein.

Estamos nas primeiras décadas de 1800, o que faz com que o texto se enquadre nos quesitos do Romantismo. Contudo, Mary Shelley procurou incorporar as descobertas recentes da ciência em seu livro. O resultado é que, possivelmente, Frankenstein esteja entre os primeiros – se não, o primeiro – livro de ficção cientifica já lançado. (dependendo dos quesitos escolhidos).

A história é intensa, sua narrativa é carregada e eu não vou fingir que seja fácil para um leitor de 2018 encarar um romance Romântico de 1818. Mas, pense comigo, um livro que sobreviveu por 200 anos (e ainda tem muito conteúdo para viver por mais 200), certamente merece a sua atenção e é um desafio válido.

Esse é o lance com os grandes romances e com os grandes clássicos. A sua leitura pode ser áspera e difícil no começo, contudo, terminar um clássico é recompensador. Você sabe que enfrentou um ótimo livro e aperfeiçoou a sua capacidade como leitor.

Essa edição contém textos de apoio e outros contos da escritora. Um material ótimo para contextualizar o leitor e ainda serve para ilustrar a importância da narrativa. As imagens e a encadernação estão muito bem feitas, o que aumenta o poder de imersão do livro.

Se você quiser descobrir as origens dessa criatura que transborda pela indústria do cinema, não deixe de ler o livro de Mary Shelley e reaprender tudo o que você pensava saber sobre o assunto.

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HQ | V de Vingança | Sem mocinhos nem finais felizes

Quadrinhos são uma maneira diferente de experienciar uma história ou conto. Com peso-pesados como Watchman, Maus e Batman O Cavaleiro das Trevas, os quadrinhos estão presentes nas nossas livrarias contendo histórias tão – ou mais – negras e violentas quanto a suas séries ou filmes preferidos.

V de Vingança é um exemplo excelente do poder narrativo dos quadrinhos. Roteirizado por Alan Moore e a arte feita por David Lloyd, o quadrinho é dono de uma história potente e sem tempo para respirar.

O grande lance dos quadrinhos é que as cenas são resumidas ao extremo. Ele está no meio do caminho entre um livro e um filme. Todas as referências de imagens que você tem estão condensadas em um quadro único, com a função de demonstrar qual é a sensação daquele momento. Os balões de diálogos ou os trechos do narrador também estão concentrados e resumidos ao extremo, ou seja, a dinâmica da história ganha velocidade.

Em V de Vingança essa vantagem dos quadrinhos foi utilizada de maneira surpreendente e o resultado é uma história que te segura da primeira até a última página.

Nota-se uma paixão presente pela história que está sendo contada, David Lloyd e Alan Moore acreditavam naquela narrativa e mais do que produzir um simples quadrinho, eles procuraram produzir um protesto.

Lançada no final dos anos 80, o quadrinho trata o leitor como um adulto que ele é.

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Vamos falar da história:

Não vou acreditar que você vai pegar esse quadrinho pela primeira vez sem ter visto o filme de 2005, contudo, não pretendo discutir o filme escrito pelos irmãos Wachowski – embora seja um filme que eu goste bastante – vou procurar manter o foco no quadrinho.

Ambientado em uma Inglaterra pós-guerra nuclear. A história é narrada do ponto de vista de alguns personagens, entre eles o próprio líder político (aqui, uma diferença clara quando comparado ao filme). E claro, pelo ponto de vista do anti-herói V.

V é um personagem cheio de contradições. Seu anarquismo poético funciona como uma força motriz para as suas ações, que torna as suas cenas tão interessantes. V não quer apenas derrubar o autoritarismo, ele quer passar uma mensagem. Seus modos de agir e os seus monólogos deixam claro que, mais do que explodir prédios e derrubar poderosos, V procura destruir os ideais que colocaram os autoritários no poder. De modo que, ele busca libertar a mente da população, ante de libertar o seu corpo.

V de Vingança é uma obra sobre a política. Assim como os livros de George Orwell, o quadrinho ganha camadas a medida que o leitor se interessar pelo assunto. Isso não significa que ele não possa ser lido apenas como uma história comum. Quem estiver procurando uma história de anti-herói encontrará uma boa, quem estiver procurando um estudo político sobre o Fascismo, também ficará feliz.

Com esse personagem que ganhou notoriedade e até algumas interpretações incorretas, desenvolvido por um grupo de jovens que sentiram a mão pesada de Margaret Thatcher nos anos 80 e repleto daquele medo/receio por um futuro incerto que atinge todas as gerações. V de Vingança é uma história bem contada, veloz e que não faria mal nenhum para você, independente do seu gosto político.

Carregado de sexo, depressão e traições. O quadrinho é sufocante, pesado, opressivo. Existe um mundo deformado e angustiante, as páginas parecem a descrição de um pesadelo.

O quadrinho V de Vingança é a história crua, matéria prima sem nenhum filtro. Vale a leitura.

Já leu? Gostou? Gosta das outras obras do mesmo autor? Deixa o seu comentário.

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Livro | Sobre a Escrita | Stephen King

Com mais de 70 livros lançados, Stephen King tem as suas histórias transitando por todos os níveis do entretenimento. Cinema, séries, o autor é uma presença constante na indústria e o seu nome foi um dos mais citados de 2017. Se você é fã do autor, o livro Sobre a Escrita é uma visão da sua caixa de ferramentas. Uma espiada rápida na maneira como King cria e monta suas histórias.

Divido em 3 partes, duas delas com histórias particulares e uma com dicas práticas de como abordar a sua escrita. King distanciou o livro de um manual frio. Ele não fica te dizendo o que você deve fazer ou o que você não deve fazer. Ele aponta os caminhos que funcionaram na vida dele e as maneiras que ele escolheu para utilizar certos recursos da escrita.

Obviamente, apesar do livro não ser um manual arrogante sobre como escrever, King dá seus pitacos sobre certos bons costumes do escritor. Na parte dedicada às dicas práticas, o autor aponta todas as coisas que ele acredita fazerem parte de uma boa escrita e demonstra as que fazem parte de uma escrita ruim.

Sempre direto e passando longe de todo blá blá blá sentimental que um livro assim poderia trazer. King conta suas histórias particulares e traça um paralelo entre certos acontecimentos e o resultado na sua escrita. No fim, a mensagem é uma só. Esforce-se muito e escreva aquilo que só você pode escrever, pois você tem um kit único de experiências – isso ficou um pouco autoajuda, eu sei.

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Uma conversa franca do autor com o seu público. King fala para quem quer se tornar escritor ou para aqueles que gostam da escrita, esse é o público alvo principal do livro. Contudo, se você admira Stephen King e gostaria de atingir camadas mais profundas sobre as suas histórias, o Sobre a Escrita é uma ótima fonte de informações e eu tenho certeza de que o livro mudará a forma como você analisa os livros dele – e talvez, de todos os autores que você admira.

Existem problemas na versão traduzida. Como algumas dicas funcionam melhor em inglês, a adaptação para o português faz com que certos detalhes da escrita percam um pouco o pulso, principalmente na parte onde ele analisa uma história e corrige ela ao vivo. Existe também, claro, a parte em que ele fala sobre procurar editores e as formas que ele fez isso, todas um tanto ultrapassadas, mas lembre-se, ele lançou o livro em 2009.

De todo modo, Sobre a Escrita é um autorretrato honesto.  Além de ser um livro de dicas sobre como escrever melhor e quais os caminhos para chegar até lá. Com alguns puxões de orelha e muitos insights, King presenteou seus fãs com uma biografia interessante e um bom companheiro para os leitores do autor.

E por fim, o ele termina com duas listas de indicações de livros, desafio você a checkar todos eles.

Gosta do Stephen King? Já leu esse livro? Deixa o seu comentário e vamos conversar. É sempre bom poder ouvir o que você tem a dizer.

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Livro | Neuromancer | William Gibson

Lançado em 1984, Neuromancer de William Gibson é um ponto de transição na ficção cientifica. Vencedor dos prêmios Hugo Award, Nebula Award e Philip K. Dick Award – a tríplice coroa da ficção científica. Livro classificado entre os 100 grandes romances de língua inglesa, pela revista Time. Neuromancer coleciona motivos para que você enfrente as suas páginas.

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Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

E não pense que eu estou utilizando palavras atoa. O verbo é realmente enfrentar. Com cenários alucinantes e cenas de ação inacreditavelmente velozes. O livro é um soco na cara, seguido de um banho de água gelada e finalizado com um empurrão do precipício.

Imagine que você está em um avião. Quando, sem nenhum aviso, o autor chega, abre a porta, joga você lá de cima e depois joga uma mochila onde pode conter, ou não, um paraquedas. Essa é a sensação de ler Neuromancer. O autor segue engatilhando cena após cena sem se dar ao trabalho de fazer muitas explicações.

O mundo Cyberpunk é uma versão deteriorada dos nosso. É como se os episódios mais sombrios de Blackmirror tivessem se tornado verdade, todos ao mesmo tempo. Os personagens sobrevivem a base do uso indiscriminado de drogas. Seus corpos são transformados por implantes, garras, mutilações. Poderes mentais, inteligências artificiais, golpes de estado. William Gibson pegou todos os assuntos e fez deles o pano de fundo para um livro que vai testar o fôlego de qualquer leitor. Muitas vezes eu me vi obrigado a falar “calma, ok! Uau, caraca isso foi, isso foi, uau”.

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Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

Temperado com questionamentos filosóficos, o livro é atual. Ele fala dos nossos problemas de hoje, das questões que enfrentamos hoje. Trata da inteligência artificial. Fala do poder quase inigualável das corporações e da sua maneira de atuar na vida dos seres humanos.

Questões que são seguidas por cenas de ação bem desenvolvidas e que passam longe de qualquer clichê. Gibson criou um cenário e estabeleceu um novo patamar para a ficção cientifica. Seu nome está entre os mais respeitados do cenário e o seu livro é um golpe na boca do estômago. Todo leitor que afirma gostar do gênero precisa aguentar esse livro.

Parte de uma trilogia chamada Spraw – contudo, o livro basta-se por si – a história de Neuromancer está focada em um cowboy, uma espécie de Hacker. Sua atividade acontece na Matrix. Ela é como a nossa internet, a diferença é que o cowboy insere a sua consciência na Matrix através de um dispositivo chamado deck, e assim, interage com os sites de maneira física. Ou física simulada, uma vez que o corpo do cowboy estará plugado e dormindo.

Usei a palavra site pois ela é familiar a você, no livro, o autor não determinou o nome das entidades que interagem com o cowboy na Matrix, na verdade, cada uma delas tem um nome próprio e características próprias. Enfim, é confuso, eu sei. Mas, vai valer a pena. Eu prometo!

Em uma edição muito amigável, com boas notas e um texto introdutório que ajuda a desvendar esse complexo mudo do Cyberpunk. Neuromancer está vivo (e bem vivo) após 20 anos do seu lançamento. O livro vai agradar aos fãs de ação, aos fãs de ficção cientifica e aos fãs de filosofia moderna. Na real! Vai agradar a qualquer leitor que goste de boas histórias.

Já leu o livro? Conhece a trilogia? Deixa o seu comentário na postagem e vamos conversar sobre o assunto.

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Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez
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Livro | Joyland | Stephen King

Lançado no Brasil em 2015, Joyland é um livro de suspense com toques de terror. Os personagens atuam como investigadores e a tensão é gradativa. Distante do horror de um Louca Obsessão ou das cenas frenéticas de um Novembro de 63, nesse livro, King trabalhou mais os aspectos psicológicos do seu personagem principal. Contudo, ainda é um livro de suspense e ainda é um livro do Stephen King.

A história se passa em um parque de diversões sazonal e na cidadezinha ao redor desse parque. Fonte de trabalho para jovens em período de férias, o parque tem o seu auge durante o verão, quando diversos adolescentes são atraídos pela grana extra.

David Jones é um desses jovens que foi contratado para trabalhar apenas pelo período de férias. Angustiado pela perda de um relacionamento recente, Jones usa o parque como válvula de escape para as suas frustrações.

Contudo, ao ser inserido na vida da comunidade ao redor do parque e receber elogios vindos do dono do lugar, Jones acaba criando um sentimento de pertencimento que faz com que ele fique apegado ao local. Assim, resolve ficar trabalhando pelo resto do ano, ou até que consiga decidir o que fazer da vida.

Stephen King é um autor que sabe transformar as questões comuns do cotidiano em matéria prima para personagens honestos e cheios de contradições. Jones é um pedacinho de cada um de nós, aquele pedacinho que sabe que algumas porradas da vida são doloridas para caramba.

Passando longe dos clichês e concentrado em uma boa trama, o autor desenvolveu bem os personagens secundários, de modo a inserir Jones e um mundo estranhamente familiar.

O cotidiano descrito pelo autor é muito palpável, é possível acreditar que a rotina de um parque seja daquela maneira – e o autor pede desculpas, caso ele tenha escrito alguma bobagem. A narrativa é contada com tanta confiança, que você cria um vínculo com aqueles personagens e suas tarefas. Você vira um colega de trabalho ali no parque de diversões. É o poder de um bom livro, fazer você testemunhar coisas incríveis apenas com as palavras.

A trama é direcionada em 2 caminhos. Em primeiro plano estão um assassinato e a busca, ou as lendas envolvendo, o assassino. Em segundo plano está o folclore em volta do fantasma da vítima. Os alicerces dessa trama são as dores da perda e a negação – presente no personagem principal e em uma personagem secundária.

King pega aqueles sentimentos que nós aprendemos a soterrar aos 17 anos e expõe tudo no papel. Cria diálogos francos sobre perder um namoro adolescente, fala claramente sobre a morte de uma pessoa querida e diz, sem passar a mão na cabeça, que está tudo bem, e que é normal sentir-se frustrado sobre os caminhos que a vida toma.

Se durante o livro King segurou todas as tensões e foi distribuindo elas gradativamente. O final é um Thriller de ação. O autor deixou todas as cenas potentes e dinâmicas para os momentos derradeiros da história. Prepare-se para chegar nos últimos capítulos e esquecer de comer, de conversar ou de responder o celular.

Um livro curto, com uma tradução bem agradável e leve – tanto em conteúdo, quanto fisicamente haha, fácil de levar daqui para lá e de lá para cá – Joyland é uma ótima escolha para todos aqueles que quiserem desligar as telinhas por 5 minutos.

Curtiu o livro? Gosta do autor? Deixa um comentário, Stephen King é sempre uma ótima fonte de discussões.

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Livro | Mitologia Nórdica | Neil Gaiman

No Brasil, Neil Gaiman ainda não atingiu o patamar de reconhecimento que outros escritores como George R. R. Martin ou Stephen King atingiram. Mesmo com o sucesso do seu Sandman e do relativo sucesso atingido pelo livro Deuses Americanos, o autor ainda encontra obstáculos para atingir o grande público.

Nada que seja um problema maior, é só curioso observar como alguns bons escritores acabam encontrando dificuldade e perdem feito para as pataquadas escritas por Youtubers, que vendem igual água no Carnaval. Então estou pedindo a sua ajuda fã de Stephen King, George Martin e Tolkien. Na próxima vez que você for a uma livraria, procure um livro do Neil Gaiman. Depois me escreva o que você achou do livro.

Mitologia Nórdica é o recorte que Gaiman fez sobre os mitos que povoaram e influenciaram a vida dos povos Escandinavos e Germânicos.

Sem se deixar contaminar por um viés Hollywoodiano, o livro apresenta os deuses e as criaturas nuas. Expondo seus defeitos, suas falhas e os seus traços, quase, humanos.

Com uma abordagem leve e dividido em contos. O livro trata dos acontecimentos e lendas de maneira quase, eu disse quase, didática. A leitura é bem leve e, fazendo alguns ajustes, é possível que o livro seja lido por crianças de qualquer idade. Veja bem, um livro com linguagem infantil está longe de ser um livro para crianças. Vale lembrar que o imortal O Hobbit é um livro feito para o público infantil, mesmo assim a profundidade da sua narrativa encanta adultos até os dias de hoje – assim como tudo feito por Tolkien.

  • Deixa eu entender, então você está comparando Mitologia Nórdica com Tolkien??!! Eu começo a escrever um textão agora eu espero mais um pouco?!!

Só espera um pouco. Lógico que o Neil Gaiman não é um Tolkien e o seu Mitologia Nórdica não é um Hobbit mas, por trás das histórias mais simples e dos enredos mais singelos, o livro possuí mensagens profundas. Também preciso acrescentar um fato: nem sempre a história tem traços infantis, a parte em que o deus Loki é amarrado com as entranhas do próprio filho é um bom exemplo disso.

Mitologia Nórdica é um livro que mostra o retrato de um povo complexo e de uma terra distante. Para um brasileiro, poder contemplar esse mundo de invernos rigorosos e verões de dias sem fim é um privilégio. Gaiman foi respeitoso ao lidar com as lendas e a sua abordagem abre muito espaço para pesquisas.

Existe sangue, existe violência e existe sexo, mas, todos esses acontecimentos estão no plano de fundo. Utilizados apenas para demonstrar certas características daqueles deuses.

Se a sua única abordagem sobre Thor e Loki é de que eles são irmãos e trabalham para um cara de sobretudo e tapa-olho. Bem, você pode expandir um pouco o seu conhecimento e descobrir que eles são sobrinho e tio (mas se serve de consolo, o chefe deles ainda usa um tapa-olho).

Com uma encadernação bonita e um preço – até o momento dessa publicação – bem abaixo da média dos livros. Mitologia Nórdica é uma leitura leve, que serve muito bem para acompanhar as suas outras leituras, já que ele está dividido em pequenos contos e caso você se perca em algum momento, o livro tem um glossário no final explicando quem é quem desse universo místico de Asgard.

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Livro | Maldita | Chuck Palahniuk

Continuação do livro Condenada, escrito pelo autor de O Clube da Luta, Maldita é o segundo livro que conta a história de Madison, a garota pré-adolescente que morreu e foi parar no inferno.

Elaborado de uma maneira diferente do primeiro, o livro percorre caminhos diversos na vida da personagem principal. Muito mais centrado em Madison, Maldita conta detalhes da vida dela e reproduz cenas do passado.

Com a mesma carga ácida e algumas das mesmas piadas, Maldita é um livro que flerta constantemente com o nonsense. O autor se livrou de todas as amarras – se é que ele tinha alguma – e traçou a sua história sem qualquer tentativa de obedecer a uma estrutura convencional. O livro não tem plot twists ou deus ex machina, ele é formado por isso.

Com cenas absurdas sobre cenas absurdas, a narrativa ganha peso e fica até indigesta em alguns momentos. Mas fique firme, mesmo que o livro pareça ridiculamente escatológico e – um tanto – apelativo, valerá continuar a sua leitura.

Condenada e Maldita são os dois livros de uma possível série que o autor está preparando. Apelidada de “A Divina Comédia de Chuck Palahniuk”, os livros fazem com que os leitores se sintam desconfortáveis e em alguns momentos francamente ofendidos.

Carregado de crítica social e apontando o dedo para as bizarrices do nosso cotidiano, Chuck utiliza a sua Madison para expor como somos patéticos e como é fácil fazer com que fiquemos na defensiva. E o livro faz isso mesmo, quando você menos esperar, estará reclamando – Puts Chuck, que cena absurda e idiota, que diálogo babaca, que humanos mais imbecis… que… puts! e nesse momento você cai na real, se o livro te ofendeu, é porque, talvez, ele esteja te criticando também.

Um pouco mais adulto que o anterior, Maldita é a continuação que a primeira história merecia. Com um final que vai fazer muitos leitores quererem pular da sacada, o livro é um teatro do absurdo. Madison habita um mundo deformado pelo sexo, drogas, violência, cultos religiosos e cineastas egocêntricos. Ou seja, Madison está presa no nosso mundo.

A história conta ainda com algumas descobertas ou amarra algumas pontas  que ficaram soltas no primeiro livro, mas não espere por muito. Longe de querer criar uma histórinha bem estruturadinha e personagens factíveis. O autor deu preferência para o bizarro e amarrou as suas pontas com doses e mais doses de humor debochado.

Leia o Maldita, porque, se o seu estômago aguentou o Condenada, não tem razão para parar por aqui.

O que achou o livro? Curtiu? Está pensando em comprar? Deixa o seu comentário e vamos falar sobre livros.

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(a imagem não faz parte do projeto editorial do livro)
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