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Livro | Condenada | Chuck Palahniuk

Condenada é o livro de 2013, lançado pela editora Leya e escrito por Chuch Palahniuk – mesmo autor do livro Clube da Luta que deu origem ao filme.

O livro faz parte de uma sequência, Condenada e Maldita (ambos pela Leya), e conta a história de uma pré-adolescente que morreu e foi parar no inferno.

Madison, por ser filha de milionários astros do cinema, acaba tendo uma vida incomum e está habituada a não manter raízes e nem possuir amigos. Ela morre em um colégio interno na Suíça e vai parar no inferno. Lá encontra um grupo de companheiros com as características típicas do filme O Clube dos Cinco (o autor faz referências ao filme).

Um punk, um esportista, uma líder de torcida e um nerd passam a ser os companheiros de Madison em um mundo habitado por demônios gigantescos. Tormentos infinitos – personagens que são devorados até os ossos só para depois se recomporem e serem devorados novamente – um mar de esperma, rios de suor. Enfim, o inferno é escatológico e completo.

O grande lance na narrativa de Chuck é transformar as coisas cotidianas em ferramentas de crítica social aguda. Com um humor negro – diria, com um humor absurdamente sem pudores – o autor apela para os sentidos de modo a criar um ambiente opressor.

Madison é uma personagem muito consciente de si. Ela procura analisar seus passos e o seu passado. Presa no inferno, a menina revisita diversos momentos da sua vida enquanto desvenda alguns acontecimentos. Existe aquela sensação de que Madison não sabe realmente por qual motivo foi parar no inferno e o livro vai desvendando esse mistério.

Mas Condenada não é somente um livro sobre autodescoberta da personagem principal. Ele também trata de alguns temas sociais importantes e faz piadas – muitas vezes escatológicas – sobre muitos problemas. O autor, que é conhecido por ser corrosivo como Diabo Verde, cria situações frenéticas para demonstrar como algumas das nossas certezas são ridículas. Assim como no Clube da Luta, Chuck usa suas páginas e a sua narrativa sem pudor para questionar certas verdades da sociedade.

Uma que vale mencionar: o autor diz que os vivos são muito arrogantes em relação aos mortos. Vejamos se eu consigo explicar: para o autor, sempre que você testemunha um acidente pela televisão, automaticamente, você acredita que a vítima morreu por que cometeu um erro. Acidente de carro com vítima fatal? Correu muito. O cara morreu de bicicleta? Correu pouco. Troca de tiros? Não prestava.

Pelo fato de você estar vivo, automaticamente, considera todos aqueles que morreram como estúpidos. É quase como uma arrogância automática dos vivos. Qual é a sacada? Que um dia você vai morrer, por motivos estúpidos ou não, você vai morrer. E aí? Portanto o autor chama os vivos de pré-mortos.

Com insights bacanas e uma narrativa bem fluída – aqui fica o mérito para os tradutores – Condenada é um livro interessante e fácil de terminar. Algumas piadas e cenas escatológicas podem incomodar à princípio. Mas tente ter em mente que o autor não procurou fazer um “American Pie”, ele na verdade usou a narrativa debochada para atingir o público, chamar a sua atenção.

Já leu, gostou do livro? Conhece o autor? Deixa um comentário na postagem.

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Livro | Os pássaros | Frank Baker

Os autores adoram distopias. Existe uma infinidade de livros que tratam sobre o tema o fim dos tempos como o conhecemos. Muitos destes livros foram lançados em períodos de pré-guerra, durante uma guerra ou na iminência de uma guerra. E não é para menos, é comum as pessoas mais sensíveis procurarem entender o mundo em transformação através da criação de um outro mundo fictício. E por qual motivo eu estou falando isso?

Estou dizendo isso, pois, ao contrário do que você possa pensar, o livro Os Pássaros, escrito por Frank Baker em 1936 e lançando no Brasil pela Darkside em 2016 (que janelinha hein) não conta a história do filme do Hitchcock. Deixa eu repetir bem lentamente, o filme “Os Pássaros” do Alfred Hitchcock não tem a mesma história do livro. Independente de que a capa do próprio livro diga sobre o assunto. Agora, isso significa  que o livro seja ruim? Nem um pouco.

Ambientado em uma Inglaterra pós-apocalíptica, o livro conta a história dos dias finais da sociedade como a conhecemos através do ponto de vista de um personagem idoso que viveu os últimos momentos dessa sociedade.

Vivendo em um mundo turbulento e ameaçado por guerras, os cidadãos das grandes capitais do mundo recebem a visita de pássaros misteriosos que parecem dotados de uma missão própria. A dramaticidade da situação evolui de maneira bem gradativa e as cenas de ação são intercaladas por monólogos e análises filosóficas particulares do personagem.

Abordando os mais diversos temas e colocando o dedo na ferida de muitos assuntos, o livro faz um panorama geral da insegurança e da incerteza que estavam presentes no inicio do século XX. Lançado naquele período entre guerras, o livro é um recorte das angústias que viviam os moradores dos grandes centros urbanos.

Apesar de ser um livro reflexivo e temperado com críticas, o livro é uma história de suspense com toques de terror. Os pássaros invadem o cotidiano com um desprezo visível por tudo aquilo que os humanos prezam. Defecam nas estátuas de grandes líderes. Debocham das lideranças religiosas. E tornam a vida dos cidadãos insuportável. A força do livro está na sensação de claustrofobia que essas criaturas causam aos humanos. O personagem chega a se sentir como um rato que é perseguido por um falcão.

A edição é muito bem feita. Claro que existe um certo apelo feito ao filme do Alfred, mas não se engane. Os temas tratados no livro passam longe do filme de suspense.

Um livro muito interessante e uma história de distopia que foge do comum. É um daqueles livros que deixam muitas perguntas sem resposta e fazem o leitor decidir por si o que poderia ter acontecido ou não.

Repleto de cenas angustiantes, o livro será uma alternativa para todos aqueles que adoram Stephen King mas gostariam de tentar algo novo. Além de possuir insights filosóficos para os que gostam de marcar o livro e refletir sobre a história. Vale a leitura.

Se você já leu, quer ler ou apenas tem algo para compartilhar sobre o assunto, comenta aí na publicação e bora falar sobre livros.

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Literatura| 5 livros para aprender Cinema (e como usá-los)

Eu demoro horas escolhendo um livro. Não importa o assunto às opções transbordam pela internet. Para facilitar a sua vida, vou te passar 5 livros para aprender Cinema

Importante dizer, apenas ler não é garantia de sucesso, é preciso utilizar o conhecimento; sendo assim eu vou te indicar 5 tarefas para concluir junto com cada livro, pense nelas como 5 etapas que você precisa superar antes de começar o próximo livro. Quero deixar claro, essa lista não é para preguiçosos, você vai precisar ralar um pouquinho.

Resolvi deixar de fora os livros sem tradução para o Português, livros com a palavra práxis no título, livros focados somente nos filmes da Nouvelle vague. O objetivo é falar em bom português e de forma acessível sem perder a qualidade.

Joia, without further ado, aqui vão 5 livros para aprender Cinema (e como usá-los)

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Robert Mckee – Story. Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiro

Tudo começa pelo roteiro, ele é quem vai ditar as regras do filme. É sobre o roteiro que os Diretores vão trabalhar, um filme tecnicamente ruim pode ser salvo por um roteiro interessante, já o contrário…

Mckee explora a mecânica envolvida na criação da história, como estruturar as cenas, como pesar a carga emocional das personagens, qual o melhor modo de apresentar um diálogo. Longe dos assuntos técnicos, ele não ensina como preencher um cabeçalho, qual é a fonte correta, nada disso. Mckee esmiúça as ferramentas necessárias para construir uma história.

 Tarefa

Elabore uma lista com 5 conceitos aprendidos no livro e use eles para analisar qualquer cena de uma Série que você esteja acompanhando. Encaixou? Fez sentido? Depois de fazer isso algumas vezes você vai acabar viciando. E o melhor, entendendo a mecânica das cenas você vai compreender, e quem sabe, analisar melhor os filmes taxados de “paradões”.

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Conversas com Scorsese – Richard Schickel

Scorsese é apaixonado por filmes e um grande Diretor, suas obras atingem diversos públicos e o seu nome é unanimidade entre os amantes do Cinema. O autor Richard Schickel é teórico do Cinema e amigo do Scorsese, nesta conversa eles e analisam o reflexo que a vida imprime nos filmes do Diretor e exploram como ele resolveu diversos problemas no set de filmagem.

Tarefa

Ter uma aula de Cinema com o Scorsese é privilégio dos maiores. Intercale os filmes do Diretor com a sua leitura, procure assistir aos mais antigos, tente traçar um paralelo entre o que está na tela e o que ele diz sobre aquele filme. Observe como um grande Diretor transforma problemas particulares em material vivo para o Cinema.

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Conversas Com Kubrick – Michel Ciment

Talvez este seja o livro mais trabalhoso da lista, de todo modo, se você está aqui é porque não vai desistir na metade. Kubrick foi um gênio, simples assim. Você pode aceitar essa afirmação de cabeça baixa ou pode mergulhar no universo deste folclórico Diretor. Além da biografia, o livro contém entrevistas, matérias e análises feitas por profissionais que trabalharam para ele.

Tarefa

Assista aos filmes do Kubrick. Vou te propor começar pelo filme de 1957 “Glória Feita de Sangue” e caminhar até 1999 com o filme “De Olhos Bem Fechados”, a tarefa é a mesma, compare a crítica com o resultado na tela. Digerir Kubrick é aprender em uma única pílula Roteiro, Fotografia, Direção de Arte; aprender Kubrick é aprender Cinema.

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História do Cinema: dos clássicos mudos ao Cinema moderno – Mark Cousins

Parabéns, não tem volta, esteja pronto para notar a diegése, analisar a mise-en-scène e jamais deixar de comentar as nuances da semiótica. Leitura fácil, Cousins aborda os mais diversos filmes, fala com entusiasmo das obras Africanas impossíveis de encontrar e dos filmes que você já assistiu diversas vezes. Passeio pela história do Cinema, fonte de muitas referências e leitura sem fim, cada visita é uma descoberta.

Tarefa

Você conhece o livro 1.000 Filmes para ver antes de morrer, faça o mesmo com este livro, só é preciso uma adaptação. Muitos filmes citados são impossíveis de encontrar, mesmo assim, você pode substitui-los por outros do mesmo país. Cousins cita um filme indiano de 1940, encontre filmes da mesma região lançados na mesma época, aproxime o máximo que puder. Vou te propor 5 filmes para cada continente. Combina uma coisa comigo, chega de preconceito, não adianta focar nos filmes conhecidos; é o momento de cavar fundo atrás do seu filme Iraniano preferido.

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A Linguagem do Cinema– Robert Edgar-hunt

Para fecharmos os 5 livros para aprender Cinema (e como usá-los) vamos terminar com um manual

Aqui os autores explicam conceitos técnicos, sobretudo na Direção de Arte. Os exemplos são ilustrados com filmes acessíveis e o resultado é um manual de fácil absorção. Livrinho joia para fixar os conceitos, alguns dirão – ei, esse livro deveria vir em primeiro lugar – discordo, Cinema, como toda Arte, é para ser sentido antes de ser racionalizado.

Tarefa

Se você chegou até aqui é porque não precisa mais da minha ajuda. Depois de estudar Roteiro, analisar o Scorsese, conhecer a obra do Kubrick e dar espaço para os filmes estrangeiros desconhecidos; você não precisa mais de muitos conselhos sobre Cinema. Só nos resta bater um bom papo, a sua última tarefa é comentar o que você achou dessa experiência e dividir os seus 5 livros para aprender Cinema (e como usá-los).

É isso, dê suas dicas, comente, discuta, concorde e bons filmes.

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