Lançado em 1984, Neuromancer de William Gibson é um ponto de transição na ficção cientifica. Vencedor dos prêmios Hugo Award, Nebula Award e Philip K. Dick Award – a tríplice coroa da ficção científica. Livro classificado entre os 100 grandes romances de língua inglesa, pela revista Time. Neuromancer coleciona motivos para que você enfrente as suas páginas.

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Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

E não pense que eu estou utilizando palavras atoa. O verbo é realmente enfrentar. Com cenários alucinantes e cenas de ação inacreditavelmente velozes. O livro é um soco na cara, seguido de um banho de água gelada e finalizado com um empurrão do precipício.

Imagine que você está em um avião. Quando, sem nenhum aviso, o autor chega, abre a porta, joga você lá de cima e depois joga uma mochila onde pode conter, ou não, um paraquedas. Essa é a sensação de ler Neuromancer. O autor segue engatilhando cena após cena sem se dar ao trabalho de fazer muitas explicações.

O mundo Cyberpunk é uma versão deteriorada dos nosso. É como se os episódios mais sombrios de Blackmirror tivessem se tornado verdade, todos ao mesmo tempo. Os personagens sobrevivem a base do uso indiscriminado de drogas. Seus corpos são transformados por implantes, garras, mutilações. Poderes mentais, inteligências artificiais, golpes de estado. William Gibson pegou todos os assuntos e fez deles o pano de fundo para um livro que vai testar o fôlego de qualquer leitor. Muitas vezes eu me vi obrigado a falar “calma, ok! Uau, caraca isso foi, isso foi, uau”.

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Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez

Temperado com questionamentos filosóficos, o livro é atual. Ele fala dos nossos problemas de hoje, das questões que enfrentamos hoje. Trata da inteligência artificial. Fala do poder quase inigualável das corporações e da sua maneira de atuar na vida dos seres humanos.

Questões que são seguidas por cenas de ação bem desenvolvidas e que passam longe de qualquer clichê. Gibson criou um cenário e estabeleceu um novo patamar para a ficção cientifica. Seu nome está entre os mais respeitados do cenário e o seu livro é um golpe na boca do estômago. Todo leitor que afirma gostar do gênero precisa aguentar esse livro.

Parte de uma trilogia chamada Spraw – contudo, o livro basta-se por si – a história de Neuromancer está focada em um cowboy, uma espécie de Hacker. Sua atividade acontece na Matrix. Ela é como a nossa internet, a diferença é que o cowboy insere a sua consciência na Matrix através de um dispositivo chamado deck, e assim, interage com os sites de maneira física. Ou física simulada, uma vez que o corpo do cowboy estará plugado e dormindo.

Usei a palavra site pois ela é familiar a você, no livro, o autor não determinou o nome das entidades que interagem com o cowboy na Matrix, na verdade, cada uma delas tem um nome próprio e características próprias. Enfim, é confuso, eu sei. Mas, vai valer a pena. Eu prometo!

Em uma edição muito amigável, com boas notas e um texto introdutório que ajuda a desvendar esse complexo mudo do Cyberpunk. Neuromancer está vivo (e bem vivo) após 20 anos do seu lançamento. O livro vai agradar aos fãs de ação, aos fãs de ficção cientifica e aos fãs de filosofia moderna. Na real! Vai agradar a qualquer leitor que goste de boas histórias.

Já leu o livro? Conhece a trilogia? Deixa o seu comentário na postagem e vamos conversar sobre o assunto.

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Ilustrações cyberpunk de Josan Gonzalez