Crítica | Manifesto

Filme do diretor Julian Rosefeldt, com Cate Blanchett no papel principal e assumindo a personagem de doze mulheres distintas entre si neste longa considerado um drama/experimental para poucos. Aqueles dotados de sede de conhecimento, apreço pela leitura e/ou história em geral não terão grandes problemas para compreender sobre do que se trata o filme, uma vez que o que Rosefeldt propõe é uma releitura dos grandes manifestos sobre a arte, filosofia e política ao longo dos séculos, aplicando cada discurso deles a realidade do século XX. Claramente o uso da ironia é algo presente em praticamente todas as cenas, o que potencializa a intenção do diretor em nos fazer perceber a familiaridade daquilo que é exposto com as nossas ações diárias.

O absurdo também permeia o roteiro, intencionalmente. Situações que são estrategicamente colocadas para desconstruir o discurso o qual acaba de ser feito, como quando uma das personagens faz uma oração pedindo pelo zelo dos animais, plantas, e pessoas de má conduta, mas se percebe que esta mesma pessoa que ora possui um pequeno acervo de animais empalhados em sua sala e em sua fala reproduz insultos os quais ela mesma repudia.

A todo o momento somos testados sobre a nossa conduta, sobre nossos valores e sobre o motivo pelo qual cremos no que nos foi dito. Reproduzimos algo que muitas vezes não compreendemos como pode ser o correto, ou o que para nós realmente faça sentido. O ser humano se anula, no lugar de indivíduos se tornam apenas mais uma seleção de ‘máquinas’ mortais para efetuar o trabalho. Não pense, apenas faça. Se cale, obedeça. Você esta errado…

Blanchett esta espetacular, o filme é dela. A cada mudança de personagem, a qual a atriz faz com brilhantismo, fica-nos a atenção em perceber os detalhes da nova caracterização, seja no olhar, na voz, no figurino ou no conjunto completo. Esta mulher é incrível! Aqueles que simpatizam com monólogos acharão a proposta interessante, uma vez que o discurso principal é tido de modo solitário, por vezes encarando-nos na tela.

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Manifesto é um longa atípico, sem dúvidas, não atinge a todos pela carência cultural da grande massa que, por acaso, o vir. Mas para aqueles que se propuserem a compreender certamente é uma boa experiência cinematográfica e pessoal.

Assista ao trailer:

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