A ‘Marvetização’ da DC Comics

Vamos direto ao ponto : A DC está tentando virar a nova Marvel nos cinemas. Isso se tornou muito claro nos últimos filmes da editora com os estúdios da Warner Bros. Mas vamos do começo.

2013, após o fim da excepcional trilogia do Batman dirigido por Christopher Nolan e uma tentativa mau sucedida de levar o Lanterna Verde às telas, o amado e odiado Zack Snyder toma as rédeas de um novo projeto e apresenta ao mundo sua versão mais melancólica e cabisbaixa do Superman, com Homem de Aço; um filme que assim como o diretor, divide opiniões. Mas mesmo entre as acusações de que o personagem não é daquele jeito, que deveria existir mais cor para simbolizar a esperança tanto falada e etc, não se pode negar que este é um filme diferente, e acima de tudo, original.

Os anos se passaram e a Warner viu a principal concorrente no mercado de heróis arrecadar bilhões com seus filmes e praticamente criar um padrão estrutural nos roteiros de todos seus longas, que até hoje os deixam super atrativos para o grande público. E com muito ‘atraso’, o estúdio mais uma vez chama Zack Snyder para acabar com o tempo perdido e colocar a DC Comics de volta no jogo. Mas não se podia simplesmente fazer um universo compartilhado igual ao da Marvel, precisava-se de algo novo, que separasse uma da outra. Então, de maneira corajosa e louvável, Snyder une os três maiores heróis da empresa e os colca em meio a um ambiente caótico, sombrio, com consequências reais. O que aconteceria se um alien super poderoso vivesse entre nós ? As pessoas iriam aprovar ? O governo o usaria como arma ? E assim surge o (mais uma vez) polêmico Batman V Superman.

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A proposta era boa e interessante, e parecia que os rumos do universo DC no cinema já estavam traçados nos seus próprios padrões existencialistas e sombrios. Mas, por diversos motivos, o longa não foi bem aceito nem pela crítica, muto menos pelo grande público. Talvez o tom pesado, sem alívios cômicos e uma trama que vai e vem com pequenas e grandes revelações tenha afastado a massa consumidora que vai ao cinema para ver explosões e histórias simples. Talvez. Mas a verdade é que foi sim algo marcante e surpreendente, positiva e negativamente, tanto que um ano depois ainda estamos discutindo-o, e ninguém nem sequer lembra-se de Guerra Civil, daquele mesmo 2016, e que também colocava heróis para brigar. E não seria surpresa se daqui há dez anos ainda discutissemos a existência de seres super poderosos na terra, além do, é claro, ”Salve Martha”.

Após ter Batman v Superman detonado, a Warner correu para tentar agradar todo mundo com Esquadrão Suicida, que passou por diversas refilmagens, teve cenas excluídas, e mudou drasticamente de tom para agradar à todos. E acabou não agradando ninguém.

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Ok, e agora, o que fazer ? Se arriscar não deu certo, e mudar de última hora também não, que tal começarmos com um plano seguro já em mente? Então, em 2017, chega aos cinemas Mulher-Maravilha, que poderia muito bem ser um filme da Marvel. Trama simples, paleta de cores vivas, protagonista de fácil aceitação do público (pelo menos uma), e ação desenfreada. Só se percebe que é um filme da DC Comics pela trilha sonora marcante e as já tradicionais cenas em slow motion. Mas era necessário. Se um time vem de três derrotas seguidas, é preciso trocar alguns jogadores e mudar o estilo de jogo. A Warner fez isso para recuperar a confiança que havia perdido, e deu certo para seus propósitos, afinal, seu principal filme com seus principais personagens estava chegando, e pra isso precisava de toda aceitação possível, vinda de todos os lados.

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Cá estamos no mês de lançamento de Liga da Justiça, que já é um sucesso comercial absoluto. Filme este que passou por diversos problema em sua produção, com a saída do diretor Zack Snyder na finalização, devido à problemas pessoais. Foi aí que entrou um velho conhecido dos fãs de filmes de heróis : Joss Whedon, diretor de Vingadores e Vingadores 2, assumiu a pós produção do longa, e foi o responsável pelo jeito do filme que você assistiu nos cinemas. A participação de Joss é notável de diversas formas, mas quando é possível distinguir quais partes do filme se responsabilizam a qual diretor, algo está errado. Como de costume na Warner, diversas cenas do trailer simplesmente sumiram do resultado final, e a película foi ‘enxugada’ para se tornar mais aceitável, essa palavrinha que andou perturbando os executivos da Warner.

Liga da Justiça não é um filme ruim, mas dá a impressão de que poderia ser algo a mais, e é mais triste ainda saber que talvez esse algo a mais exista, e tenha sido tirado do filme após a saída de Snyder. É grandioso, mas infelizmente faz parte do cinema fast-food, você consome rápido, é saboroso, mas não é o essencial. Ainda é um filme da DC Comics, mas aos poucos essa classificação vai perdendo o sentido. Agora, como diferenciar Marvel e DC, se as duas possuem filmes simples, sem grandes coisas à acrescentar ao espectador e que em breve serão esquecidos e trocados por outras produções ?

Mas, ainda há esperança. Assim como Mulher-Maravilha foi um divisor de águas, este talvez também seja. Não se pode arriscar em um filme tão importante assim, pelo menos é o que pensa o pessoal que cuida da grana da Warner. Talvez, com a confiança agora totalmente recuperada, vejamos os filmes voltarem a serem autorais, originais e únicos. Essa é a esperança do Aquaman dirigido por James Wan e que estreia em 2018, pois o próprio diretor é conhecido por esses mesmos adjetivos.

Talvez, o universo totalmente compartilhado não seja a melhor opção para a DC, e os filmes sem saiam melhor individualmente, não como parte de algo melhor. Talvez.

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