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Não sou eu, eu juro! | A emancipação da Infância

Sinopse: Léon Doré (Antoine L’Écuyer) tem dez anos de idade, muitos problemas e uma imaginação extremamente fértil. Seus pais vivem brigando e seus irritantes vizinhos sempre passam o verão na praia. Há ainda Léa (Catherine Faucher), a dona da razão. No verão de 1968 a mãe de Léon pede o divórcio e decide começar uma nova vida na Grécia. Desolado, o menino faz de tudo para esquecer a dor: bagunça a casa dos vizinhos, mente a todo momento, ignora as aulas e se apaixona.

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Talvez essa seja uma das obras que melhor transitou no universo infantil, trazendo compreensões evidentemente fidedignas a personalidade de uma criança, nesse caso em especial, o jovem Léon, um garoto extremamente inteligente crescendo no seio de uma família desestabilizada, e sofrendo, naturalmente, uma forte influência do desequilíbrio evidente do espaço.

O roteiro se destaca de forma brutal, e a dinâmica bem controlada que é desenvolvida por uma boa direção, associada com um ritmo cinematográfico que respeita as convenções do tempo tal qual ele se apresentaria no mundo real, fazem com que o filme seja deliciosamente bem desenvolvido, com direito a crescimento de personagem, mudanças na perspectiva da narrativa, e até mesmo o florear de novas percepções entre as personagens. Talvez seja esse o grande segredo que acaba congelando o telespectador de frente ao filme: o respeito as percepções temporais de um jeito que é praticamente natural.

Leon, interpretado pelo talentoso Antoine L’Écuyer, é também um dos grandes fatores que envolvem tão bem ao público. É a sua perspicácia, pessimismo, e compreensão de mundo emancipada, que intensificam esse envolvimento, haja visto que toda a obra acaba se valendo do olhar do garoto sobre o mundo para o desenvolver da sua perspectiva.

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Comumente, a abordagem que costuma emancipar o universo infantil, acaba muitas vezes por cair em um ponto muito confuso do espaço, porque adultifica o indivíduo enquanto desassocia dele o imaginário da criança, contudo, em Não sou eu, Eu juro!, o que se observa é o êxito na temática sobretudo pelo uso da abordagem, que não se absteve na evidenciação da perspectiva adulta, sendo permissiva com o transitar desse universo.

A fotografia é simples, sem grandes feitos, mas o enredo e a montagem se destacam tanto, que o público é rodeado por essa atmosfera envolvente, vidrando os olhos nos personagens, nos seus dramas pessoais e traumáticos, diga-se de passagem, evidenciados com eficácia com o simbolismo usado por exemplo no esconderijo de Leon, onde ele tem encontros casuais com Lea.

O que foi o erro do filme, foi não utilizar do universo por completo, em alguns momentos renegando uma musicalidade que poderia embrenhar no telespectador, e incrementar esse sentimento desenvolvido pelas personagens. Além disso, as temáticas abordadas se mostravam consideravelmente pesadas, e em alguns casos, como o de Lea e da sua família, ela poderia ter sido melhor explanada, ainda que a ausência disso não tenha comprometido a compreensão do público.

Dito isso, é preciso pontuar que esse é um dos mais eficazes roteiros que já vi, e que por isso, e pelas atuações plausíveis, Não sou eu, Eu juro! é um filme excelente, que merece ser visto por todos!

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