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Parasita | A verdadeira história sobre viver nos porões da Coreia do Sul

Questionado sobre como a história “maluca” de Parasita – vencedor de Melhor Filme nos Oscar 2020 – foi inspirada, o diretor Bong Joon-hu disse que foi por ele mesmo ser um cara esquisito. Piadas à parte, a inspiração veio de uma premissa vivida pelo próprio diretor e com o toque de histórias de pessoas reais que vivem em porões na Coreia do Sul.

O aclamado filme internacional (estrangeiro), faz uma surpreendente narração sobre duas famílias sul coreanas: uma rica e outra pobre. A primeira, tem a melhor vida de luxo em uma mansão bem arquitetada; a segunda, vive em um casa semissubterrânea, ou porão, em condições precárias.

Parasita, uma história verdadeira

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Reprodução / BBC

Um filme de ficção como Parasita que apresenta um roteiro original aplaudido, traz para os debates a realidade de muitos moradores de Seul, capital da Coreia do Sul. Chamados de banjiha, esses apartamentos subterrâneos possuem pouco espaço, pouca luz solar e muita umidade, além da estrutura baixa. É comum pessoas de fora agacharem e olhar pela janela. Algumas até fumam na parte externa, cuspindo no chão que dá na janela de um dos minúsculos cômodos da casa.

A condição social econômica desses moradores de Seul nem sempre reflete a mesma retratada no filme. No caso de Oh kee-cheol, 31, morar neste lugar foi uma escolha. O que é comum entre milhares de jovens, que economizam enquanto trabalham para terem um futuro melhor. “Sabe, eu estou realmente satisfeito com o meu apartamento”, diz.

Mesmo que o jovem sul-coreano não passe as mesmas necessidades que a família Kim, ele sofre com o estigma social. “Eu escolhi esse lugar para poupar dinheiro, e estou conseguindo guardar bastante. Mas notei que não vou conseguir impedir que as pessoas sintam pena de mim” relata o jovem.

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Reprodução/BBC

Os banjihas não são apenas uma moradia peculiar em Seul. O tipo de arquitetura pequena remete a um período histórico da cidade: o do conflito entre as Coreias do Sul e do Norte. Em 1968, soldados do norte se infiltraram na capital do sul, com a missão de assassinarem Park Chung-hee, presidente sul-coreano da época. O plano não teve sucesso, mas aumentou-se a tensão e ocasionou entre os dois países. O governo sul-coreano resolveu mudar a arquitetura de todos os edifícios residenciais, construindo porões subterrâneos para casos de emergência. Até 1980, era ilegal alugar estes espaços, mas com a crise imobiliária da década de 80, o governo se viu obrigado a legalizar.

O “cheiro” do porão

Em uma das cenas perturbadoras de Parasita, o filho mais novo da família rica, Da-song, percebe que os integrantes da família pobre tem um cheiro característico. Incomodado, o patriarca tenta se livrar do mau cheiro, mas sua filha diz: “É o cheiro do porão. Ele não irá embora até que nós deixemos esse lugar”.

Em um outro caso de Seul, um fotógrafo de 26 anos, Park Young-jun, tinha acabado de se mudar para um banjiha quando viu o filme. Sua mudança foi por causa de espaço e dinheiro, mas depois do filme ele já tinha outra visão. “Eu não queria cheirar como a família Kim”. Park passou a queimar incenso e a arrumar seu apartamento, após o filme.

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Park Young-jun e sua namorada passaram a arrumar mais o apartamento após ver o filme Parasita. Reprodução/BBC

Bong Joon-hu e sua inspiração em Parasita

Quando o diretor Bong Joon-hu era jovem, ele aceitou um emprego como tutor de um menino pertencente a uma família rica em Seoul. A família tinha semelhantes condições mostradas no filme. Bong foi apresentado à família pela namorada, para dar aulas de matemática, mesmo ele sendo ruim na matéria. “É assim que as coisas funcionam. Não é como se eles publicassem muitos anúncios procurando ajuda doméstica – você é apresentado“, disse ele.

Esta premissa é basicamente o que vemos em seu filme premiado, Parasita. Assim como muitos de seus filmes, este faz uma desafiadora relação sobre as categorias sociais.

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CJ Entertainment

“Essa ideia de uma família pobre se infiltrando na vida de uma rica é onde eu mergulhei “, diz Bong ao The Hollywood Reporter. Ele acrescenta que suas ideias intelectuais para o projeto vieram mais tarde. Segundo o THR um consenso geral dos críticos sobre o filme foi uma contundente crítica ao capitalismo e à desigualdade de renda. Ele explica que:

“era mais uma questão de juntar esses personagens em um ambiente muito controlado e depois assistir as reações químicas se desenrolarem.”

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Bong já estava no processo de Parasita em 2013, quando um amigo que trabalhava com teatro pediu para que escrevesse uma história que se desenrolasse de forma limitada. Mas o diretor já tinha um cenário diferente em mente.

Eu pensei que muitos elementos cinematográficos fascinantes poderiam surgir porque, na realidade, ricos e pobres raramente se misturam. Eles estão sempre separados. Mas quando você trabalha como tutor ou governanta, você está nos espaços mais particulares e os dois lados são reunidos

Enquanto fazia o filme Okja, pra Netflix, Bong contatou seu colega de roteiro, Han Jin Won, para ir atrás de fatos e pesquisas que incrementassem o script de Parasita. Ele entrevistou durante meses, governantas, tutores e chofers, visitou e fotografou casas pobres e ricas em Seul. Já em 2017, Joon-hu estava surpreso pela rapidez em que conseguiu desenrolar o roteiro e terminar a metade do filme. Bong é um diretor brilhante, eis sua explicação sob como escrever Parasita fluiu:

“No começo, estava muito quieto e você mal percebia a linha de água descendo; mas perto do fim, você começa a ouvir um borbulhar enquanto tudo corre pelo ralo. Escrever Parasita era mais ou menos assim.

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