Como tirar a mama do bebê de 2 anos

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O ser humano é o único mamífero em que o desamamentar não é primariamente determinado por fatores genéticos e instinto, sendo fortemente influenciado por fatores socioculturais.

Ao contrário do que ocorria séculos atrás, hoje a mulher tem opção por amamentar ou não, influenciada por múltiplos fatores, decide por quanto tempo vai (ou pode) amamentar.

Conflitos na amamentação

Como tirar a mama do bebê de 2 anos
Como tirar a mama do bebê de 2 anos

Existem algumas preferências culturais que entram em conflito com a expectativa da espécie, a exemplo disso listamos:
Não amamentação
Introdução precoce de outros alimentos na dieta da criança
Amamentação de curta duração

Algumas consequências dessa divergência já puderam ser observadas, como desnutrição e alta mortalidade infantil, sobretudo em áreas menos desenvolvidas onde as condições de qualidade de vida podem ser precárias.

Contudo, consequências a longo prazo não são totalmente conhecidas até o momento, já que transformações genéticas não ocorrem com a mesma rapidez com que podem ocorrer mudanças de hábitos.

Mesmo assim é possível perceber evidências de que o não amamentar segundo as expectativas da espécie pode ter repercussões negativas ao longo da vida dos indivíduos.

Inclusive a não amamentação ou amamentação sub-ótima pode favorecer o aparecimento de problemas como:

  • Doenças alérgicas
  • Diversas doenças do sistema imunológico
  • Alguns tipos de câncer
  • Obesidade
  • Diabete
  • Doenças cardiovasculares

Uma amamentação inadequada pode também interferir negativamente no desenvolvimento orofacial.

As mudanças culturais da amamentação

Com o aparecimento de novas pesquisas nessa área, outros males serão relacionados com os hábitos “modernos” de alimentação infantil, mas alguns aspectos dificilmente podem ser quantificados, especialmente os relacionados com a psique humana.

Em muitas culturas “modernas”, a amamentação prolongada frequentemente é vista como um distúrbio inter-relacional entre mãe e bebê.

Segundo diversas teorias, o período natural de amamentação para a espécie humana seria de 2,5 a sete anos. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses.

Apesar dessa recomendação, poucas mulheres no Brasil amamentam por mais de dois anos. As razões para a não amamentação prolongada variam desde dificuldade em conciliar a amamentação com outras atividades, até crença de que aleitamento materno além do primeiro ano é danoso para a criança sob o ponto de vista psicológico.

Uma parcela de mães, apesar de demonstrar desejo em continuar a amamentação, sente-se pressionada a desmamar por profissionais de saúde, seus maridos, parentes, vizinhos e amigos.

Algumas mães, de fato, desmamam para promover a independência da criança. No entanto, é importante lembrar que o desmame provavelmente não vai mudar a personalidade da criança. Além disso, o desmame forçado pode gerar insegurança na criança, o que dificulta o processo de independência.

A mãe também participa ativamente no processo, sugerindo passos quando a criança estiver pronta para aceitá-los e impondo limites adequados à idade. O Quadro 1 apresenta os sinais indicativos de que criança pode estar pronta para iniciar o desmame:

Quadro 1 – Sinais sugestivos de que a criança está madura para o desmame:

  1. Idade maior que um ano.
  2. Menos interesse nas mamadas.
  3. Aceita variedade de outros alimentos.
  4. É segura na sua relação com a mãe.
  5. Aceita outras formas de consolo.
  6. Aceita não ser amamentada em certas ocasiões e locais.
  7. Às vezes dorme sem mamar no peito.
  8. Mostra pouca ansiedade quando encorajada a não amamentar.
  9. Às vezes prefere brincar ou fazer outra atividade com a mãe ao invés de mamar.

Algumas vantagens do desmame natural encontram-se no Quadro 2:

Quadro 2. Vantagens do desmame natural

  1. Transição tranquila, menos estressante para a mãe e a criança.
  2. Preenche as necessidades da criança até elas estarem maduras para o desmame.
  3. Fortalece a relação mãe-filho.
  4. Ajuda a mãe a ser menos ansiosa com relação aos estágios de desenvolvimento de seu filho.
  5. O desmame abrupto é desencorajado, pois se a criança não está pronta, ela pode se sentir rejeitada pela mãe, gerando insegurança e muitas vezes rebeldia.
  6. Na mãe, o desmame abrupto pode precipitar ingurgitamento mamário, bloqueio de ducto lactífero e mastite, além de tristeza ou depressão, por luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais.
  7. Muitas vezes a mulher se depara com a situação de querer ou ter que desmamar antes de a criança estar pronta. Nesses casos, o profissional de saúde, em especial o pediatra, deve respeitar o desejo da mãe e ajudá-la nesse processo.


O quadro 3 apresenta os fatores que facilitam o encorajamento do bebê para o desmame:

Quadro 3. Encorajando o bebê a desmamar: facilitadores

  1. Mãe segura de que quer (ou deve) desmamar.
  2. Entendimento da mãe de que o processo pode ser lento e demandar energia, tanto maior quanto menos pronta estiver a criança.
  3. Flexibilidade, pois o curso é imprevisível.
  4. Paciência (dar tempo à criança) e compreensão.
  5. Suporte e atenção adicionais à criança – mãe não deve se afastar neste período.
  6. Ausência de outras mudanças ocorrendo: Ex.: controle dos esfíncteres.
  7. Sempre que possível, desmame gradual, retirando uma mamada do dia a cada 1-2 semanas.
  8. A técnica utilizada para fazer a criança desmamar varia de acordo com a idade da mesma. Se a criança for maior, o desmame pode ser planejado com ela. Pode-se propor uma data, oferecer uma recompensa e até mesmo uma festa.
  9. A mãe pode começar não oferecendo o seio, mas também não recusando. Pode também encurtar as mamadas e adiá-las.

Quero aprender mais!

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