Crítica: O Irlandês

Olá, pessoal, sejam bem vindos a sessão de críticas cinematográficas do Demonstre. Hoje vamos falar sobre o último filme do Martin Scorsese, O Irlandês.

O diretor de O Irlandês, Martin Scorsese

Martin Scorsese é um conhecido e aclamado produtor e diretor de cinema norte americano, popular por dirigir em sua gigantesca maioria, filmes relacionados à organizações criminosas ítalo-americanas, ou de crimes no geral.

Os bons companheiros, 1990

Entre seus filmes mais populares estão: Táxi Driver, Os bons companheiros e Gangues de Nova Iorque. Mas digirindo também filmes que não tem nada a ver com essa temática, como A invenção de Hugo Cabret.

O filme O Irlandês

O Irlandês é uma espécie de autobiografia do crime, feito por um dos criminosos na velhice. Por ele são contados todos os casos da sua vida no crime organizado, todas as pessoas que passaram por ela e tudo que aconteceu em seu agitado passado.

Contando com atuações clássicas de filmes do Martin Scorsese, como Robert DeNiro e Joe Pesci, O Irlandês se destaca também como um dos filmes a cravar o fortalecimento de vez da indústria cinematográfica do Streaming, sendo o primeiro filme de Scorsese a estrear apenas na plataforma Netflix.

O Irlandês e o envelhecimento no crime

O Irlandês é um filme de memória. Desde o início o personagem principal, interpretado pelo grande ator de filmes sobre o crime organizado, o “queridinho” de Martin Scorsese, Robert DeNiro, conta a uma espécie de entrevistador, direto do que parece ser uma casa de repouso, tudo o que viveu e as pessoas que conheceu dentro do crime organizado.

A película tem três fases, uma que pode ser interpretada como a fase jovem, a fase de desenvolvimento e das emoções fortes, onde Scorsese coloca DeNiro como um trabalhador comum que tem uma oportunidade de crescer de vida ingressando no crime organizado, e assim o vai fazendo cada vez com mais frequência, obedecendo ordens que vem do personagem do Joe Pesci. Passando por uma fase mais madura, que seria a fase adulta no crime, onde o indivíduo está mais frio e passa a tomar decisões mais calculadas. E por fim, chegando a velhice no crime, com um quê de exclusividade pare o personagem narrador da história, já que ele está vivo, com todos os hábitos herdados ao longo de muitos anos vivendo naquele meio, e todos os seus antigos companheiros mortos. Alguns executados por ele próprio, mas faz tudo parte da vida.

Com essa estrutura, Scorsese imprime todas as fases da vida em uma espécie de vivência peculiar, onde no fim da vida, todos os atos e acontecimentos muitas vezes chocantes são normalizados pelo narrador, mostrando que apesar da estrutura vital seguir um modelo básico de impulsividade, maturidade e conformidade, os universos de cada um é o que irá ditar o que é normal e aceitável para cada indivíduo, alheio às regras sociais. Destaque para a fotografia e arte, que acompanham de forma primorosa todas as fases.

O destaque de atuação em O Irlandês

Sendo indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante, mas não levando o prêmio no final, destaco a atuação do conhecido Joe Pesci. Consgrado por um quarteto de filmes que atuou sob direção de Martin Scorsese, com a companhia de Robert DeNiro (Os bons companheiros, Touro Indomável, Cassino e, agora O Irlandês), o ator mostrou toda a sua versatilidade, mesmo que com idade bastante avançada, ao fugir do tom cômico (ele que é também comediante), raivoso e histérico, já característico do Joe Pesci nos filmes dirigidos por Martin Scorsese, para alguém mais calmo, calculista e frio, sem deixar transparecer grandes emoções.

Isso também foi apresentado por Robert DeNiro e muitos outros atores que trabalharam na produção, que também vieram de outras obras do diretor. Tudo isso ajuda a imprimir ainda mais o tom de envelhecimento no crime que o filme propõe, servindo de bônus para quem acompanhou outras produções do velho Scorsese, mas não atrapalhando que verá esse filme como primeira experiência do diretor.

E aí, já viu O Irlandês? Vai ver?

O Irlandês veio pra sagrar de vez o sucesso dos serviços de streaming com um nome de peso em sua direção. O filme é, sem medo de dizer, uma verdadeira obra de arte que mostra a habilidade fílmica de um verdadeiro velho lobo do cinema, ao mesmo tempo que reafirma grandes atores que fizeram muito sucesso em um passado recente. Atuação, narrativa, fotografia e arte impecáveis.

Se você já viu, deixe o seu comentário abaixo e aproveite para ver mais críticas e textos sobre cinema aqui no Demonstre. Separei especialmente para você que gosta de filmes sobre crime, esse texto sobre o gênero Blaxploitation.

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