Crítica: The Midnight Gospel

Olá, gente! O texto de hoje será uma crítica à nova série animada da Netflix, The Midnight Gospel, dos mesmos criadores de A hora da aventura.

Para quem nunca viu The Midnight Gospel

The Midnight Gospel é uma série animada da Netflix, produzida pelos mesmos criadores de A hora da aventura, daí, é fácil imaginar que um tom psicodélico estaria presente na série do início ao fim, em primeiro lugar.

The Midnight Gospel consiste em contar as diversas aventuras do personagem Clancy ao visitar diversos mundos em seu simulador de universos, a fim de gravar episódios para seu spacecast, sempre discutindo temas polêmicos ou de cunho existencial com algum habitante desses mundos.

A estética de The Midnight Gospel

Como já citado no tópico anterior, The Midnight Gospel segue uma linha psicodélica em sua estética, o que é um dos elementos que torna mais palatável o conteúdo muitas vezes pesado que a série traz em suas discussões, ajuda a tornar mais leve em grande parte das vezes a sua narrativa.

Um destaque à estética de The Midnight Gospel é a constante referência à órgãos sexuais masculinos e femininos em muitos objetos e até mesmo formas de alguns personagens. Isso contribui bastante para o tom da série que invoca sempre questões como nascimento, morte e renascimento.

A estrutura narrativa de The Midnight Gospel

The Midnight Gospel, que pode ser traduzido livremente para “evangelho da meia noite”, é um desenho que se propõe, antes de tudo, a conversar. A estrutura narrativa de 90% dos episódios constitui em entrevistas para o spacecast do Clancy enquanto eventos relacionados quase sempre à morte dos planetas que ele visita são passados em segundo plano.

É uma estrutura relativamente nova se levarmos em consideração apenas os desenhos animados, que pode ser confusa e ineficiente para transmitir as importantes mensagens que, sempre, serão últimas palavras. Os temas tratados e a forma como são discutidos são excelentes, o que torna ainda mais triste a confusão causada pela divisão de atenção entre o que está sendo discutido e o que está sendo passado em segundo plano, uma vez que por sua estética colorida e chamativa, é impossível muitas vezes o expectador dar a devida atenção às duas coisas simultaneamente. Por fim, uma estrutura interessante, com uma estética também interessante, mas que não funcionam bem juntas.

O existencialismo presente em The Midnight Gospel

Apesar de existir uma ou outra analogia à outro tema, o existencialismo é o tema mais presente nas discussões em The Midnight Gospel. Durante toda a série, o protagonista Clancy navega entre temas que abordam o que fazemos em vida e a nossa relação com a morte, seja através de paliativos que utilizamos para esquecê-la ou lidar melhor com ela, pela religião e misticismo ou até mesmo pela conformidade de ser algo inerente e, portanto, imutável.

Muitos desenhos possuem discursos sobre a questão viver e morrer escondidos nas entrelinhas, The Midnight Gospel faz isso de maneira explícita, provocando a discussão da maneira mais natural possível, o que é um ponto positivo. Sem enrolações, sem entrelinhas, a animação vai direto ao ponto de muitos debates.

Meu veredito sobre The Midnight Gospel

The Midnight Gospel possui elementos que isoladamente são trabalhados de maneira excelente, mas que juntos não funcionam bem e atrapalham o entendimento ideal do conteúdo discutido.

Não vá embora agora, aproveite e dê uma olhada em nossas outras críticas. Separei uma especialmente para você: uma conversa sobre Bojack Horseman.

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