Olá pessoal,  João Andrade é o poeta entrevistado da vez no programa Poetas Brasileiros. Espero que gostem da poesia do João Andrade!

João Andrade – Poetas Brasileiros

João Andrade é pai, poeta, contista, artista plástico e professor. Como artista plástico fez exposições e fez parte do projeto Arte e Luz, em Natal/RN. Andrade ganhou prêmios literários e integrou muitas antologias em diferentes partes do país. Além disso, é colaborador de jornais alternativos e sites literários no Brasil e em Portugal.

João Andrade – Publicações

O poeta João Andrade publicou além das várias antologias, os livros de poemas Por Sobre As Cabeças (2005), Cantigas De Mal Dizer (2010) Livro de Palavra (2013) e o de contos, Contos de Escuridão e Rutilância (2017), vamos conhecer um pouco das suas publicações:

João Andrade – Por Sobre As Cabeças (2005)

Vencedor de dois prêmios literários no ano de seu lançamento, Por Sobre as Cabeças é composto de poemas minimalistas em que o trabalho de recursos poéticos é usado para reforçar um conteúdo reflexivo e existencial. Seu título sugere a tomada de consciência diante de uma realidade alienante.

João Andrade - Por sobre as cabeças

João Andrade – Cantigas De Mal Dizer (2010)

O título dessa obra sugere um diálogo com as cantigas trovadorescas, porém a ideia é acrescida no desmembramento da palavra maldizer fazendo com que o conteúdo dos poemas passe a indicar uma identificação com o que não é dito nem vivido de modo satisfatório, conformado, domesticado.

João Andrade – Cantigas De Mal Dizer (2010)

João Andrade – Livro de Palavra (2013)

Os poemas desse livro resumem a trajetória poética de seu autor ao longo dos seus dois livros anteriores. Apresenta os recursos literários em função de um conteúdo que questiona a realidade e a condição humana em busca de seu papel como agente transformador de sua própria essência.

João Andrade – Livro de Palavra (2013)

João Andrade – Contos de Escuridão e Rutilância (2017)

É um livro composto de seis contos de realismo fantástico em que uma narrativa está dentro da outra, embora cada um tenha sua história própria. São contos de transformação, de perda, de superação dentro de um universo distópico e atemporal em que a esperança e o desespero andam de mãos dadas.

João Andrade – Contos de Escuridão e Rutilância (2017)

João Andrade – Poemas

O projeto poema de bom dia teve o prazer de mostrar um pouco da obra do poeta João Andrade. Vamos mostrar alguns dos seus poemas para lhe inspirar e adentrar um pouco no universo do poeta João Andrade. Todo esse material, assim como a entrevista estão sendo publicadas em nosso canal do youtube. Vamos conferir?

João Andrade –  Seja bem-vindo

Seja bem-vindo ao que em mim não tem nome,

ao que me desconserta, me descortina e me consome.

Seja bem-vindo ao que em mim passou em soluço,

passou em silêncio e saciado morreu de fome.

Seja bem-vindo ao que em mim não tem luz,

ao que me resume, me palavra e me traduz.

Seja bem-vindo ao que em mim amou em segredo

e pelo medo se fez coisa, se fez causa, se fez cruz.

Seja bem-vindo ao que em mim não tem após,

ao que me muda, me absurda e que não tem voz.

Seja bem-vindo à solidão que em mim

se fez ator, se fez ateu, se fez atroz.

Seja bem-vindo ao que em mim não há em mim,

ao que em ti não há em ti, ao que era amor e se fez algoz.

Seja bem-vindo ao que se consumiu na noite fria,

encontrou abrigo na agonia, foi engolido na noite veloz.

Seja bem-vindo ao desvio que existir não devia,

ao abismo, ao desvario que há em nós.

Confira o vídeo do poema Seja bem-vindo de João Andrade:

João Andrade –  Metades

Metade de mim é metade,

a outra metade também.

Uma metade não me cabe,

a outra não me cai bem.

Fico assim ferreiragullado,

buscando-me no todo além,

procurando em mim as metades aquém

como se metades eu contivesse,

quando são elas que me contêm.

Confira o vídeo do poema Metades de João Andrade:

João Andrade –  Conforme a luz

Conforme a luz, eu faço o dia,

conforme a causa, o dilema.

Se o doer é grande, eu faço o grito,

se é infinito, faço um poema.

Conforme as trevas, eu faço a noite,

Conforme o frio, o abraço.

Se o abandono é grande, faço o adeus

Se é infinito, eu me refaço.

Confira o vídeo do poema Conforme a luz de João Andrade:

João Andrade –  Eu me fiz como

Eu me fiz como

se um deus em mim bastasse.

Eu me desfiz porto

como se um adeus

em um mar em mim sobrasse.

Eu me refiz depois

como se eu fosse dois

e um em mim faltasse.

Eu me poetei raiz

para que o fruto

que havia em mim voasse.

Confira o vídeo do poema Eu me fiz como de João Andrade:

João Andrade –  Não creio no que me redime

Não creio no que me redime

pelo sacrifício a mim imposto.

Quando alcancei o que almejava,

o que eu saboreava não tinha gosto.

Não creio no que me define

pelo meu opaco, pelo meu oposto.

Quando tirei a máscara,

descobri que eu não tinha rosto.

 

João Andrade –  Não tenho

Não tenho estilo, sou destilado

no mais cruel dos venenos.

Não tenho visão, sou visionário

no dicionário dos pequenos.

Não tenho calma, trago na palma

a alma dos mais ou menos.

Não tenho fama, sou difamado

pelos mais amados, pelos mais amenos.

Não tenho abrigo, sou amigo das estradas,

das madrugadas, do sereno.

Não tenho dor, vivo doendo.

Não faço versos,

os versos, em mim, vão se fazendo.

 

João Andrade –  Parte da dor que sinto

Parte da dor que sinto é minha,

parte do amor que minto é nosso,

dentro do labirinto,

estanco o sangue ralo das veias,

arranco o tutano fino dos ossos.

Exponho-me drummonianamente

em tudo que pesa, em tudo que pulsa,

em tudo que piso, em tudo que passa,

em tudo que posso.

Preciso de todos, preciso de tudo,

sou parte nevrálgica do silêncio,

sou parte gritante do mudo.

 

João Andrade –  Este destino de palavras

Este destino de palavras que arranco de mim

são versos que não são meus,

que não são teus,

que não são alentos em noites de breu,

são preces mudas em meu peito ateu.

Este vazio de certezas pregado em meu eu

é o perdão que não imploro,

lástimas que não choro,

em lágrimas de despedidas que deploro,

sem lágrimas, sem mágoas, sem deus.

Este ser que inverto entre letras e versos

inventa horizontes para poder se dar adeus,

se reinventa em cada poema

para que na última cena,

na última sílaba,

eu possa descobrir quem fui eu.

 

João Andrade –  Dentro de mim

Dentro de mim, não há anjos nem catedrais,

não há demônios nem umbrais,

não há sonhos nem pesadelos,

não há para sempre nem nunca mais.

Dentro de mim, não há poema contra a farsa, contra a foice,

não há prece contra o medo, contra o tempo, contra o mal,

não há próteses, não há muletas, não há defesa,

não há guarda-chuva contra joãocabral.

Dentro de mim, não há palavra contra a palavra,

não há alento contra o vazio, não há deus contra o calafrio,

não há proteção contra as margens comprimindo o rio,

contra as calmarias abraçando o temporal.

Dentro de mim, não há norma contra a forma,

não há regra contra a arte, não há lei contra o normal,

não há credo contra o pecado, não há nada contra o tudo.

Mudo, escrevo meus versos com punhal.

 

João Andrade –  Não há motivo para meu canto

Não há motivo para meu canto,

no entanto canto mesmo assim.

Não há razão para o espanto

e não espanto os males que há em mim.

Não há caminho por onde sigo

e o que eu digo não é bom ou ruim.

Palavras carrego em sigilo

e somente elas estarão comigo

no fim.

Confira o vídeo do poema Não há motivo para meu canto como de João Andrade:

FIM da entrevista com João Andrade

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Até a próxima!

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