Poemas de Ariano Suassuna

Ariano Suassuna é um gênio da literatura nacional, sua contribuição para poesia, romance, ensaios e peças. Além de suas aulas que lotavam teatros do mundo toda.

Biografia de Suassuna

Ariano Vilar Suassuna nasceu na Parahyba do Norte (Atual João Pessoa) em 16 de junho de 1927, filho de Rita de Cássia Dantas Villar e João Suassuna. Seu pai era presidente da Paraíba, Ariano nasceu na casa do Palácio da Redenção, Sede do distrito administrativo da Paraíba.

No ano seguinte, seu pai deixou o governo da Paraíba e a família passou a morar no sertão da Fazenda Acauã em Sousa.

Após a revolução de 1930, João Suassuna foi assassinado no Rio de Janeiro por motivos políticos e a família mudou-se para Taperoá, onde residiu de 1933 a 1937.

A performance dos mamulengos e o desafio da viola, o seu carácter de “improvisação” serão também uma das marcas da sua criação dramática.

O próprio Ariano Suassuna admitiu que o assassinato de seu pai ocupa um lugar importante em sua agitação criativa. Ele disse em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras:

Posso dizer que, como escritor, eu sou, de certa forma, aquele mesmo menino que, perdendo o pai assassinado no dia 9 de outubro de 1930, passou o resto da vida tentando protestar contra sua morte através do que faço e do que escrevo, oferecendo-lhe esta precária compensação e, em simultâneo, buscando recuperar sua imagem, através da lembrança, dos depoimentos dos outros, das palavras que o pai deixou.

O assassinato de João Suassuna veio na esteira da turbulência que se seguiu ao assassinato de João Pessoa, governador da Paraíba e candidato a vice-presidente do Brasil na chapa Getúlio Vargas.

Ariano Suassuna atribuiu a família Pessoa ao assassinato de seu pai ao contratar o bandido Miguel Laves de Souza para atirar nas costas da vítima no Rio de Janeiro.

Em razão disso, não concordava com a alteração do nome da cidade onde nasceu, de “Cidade da Parahyba” para “João Pessoa“, em homenagem ao governador assassinado.

A partir de 1942, vive em Recife, onde em 1945 conclui os estudos secundários no Ginásio Pernambucano, Colégio Americano Batista e Colégio Osvaldo Cruz. No ano seguinte começou a trabalhar na Faculdade de Direito do Recife, onde em 1950 se formou em Direito e Estudos Sociais.

Conheça alguns dos seus trabalhos magníficos.

Poemas de ariano suassuna
Poemas de ariano suassuna

A infância

Sem lei nem Rei, me vi arremessado
bem menino a um Planalto pedregoso.
Cambaleando, cego, ao Sol do Acaso,
vi o mundo rugir. Tigre maldoso.

O cantar do Sertão, Rifle apontado,
vinha malhar seu Corpo furioso.
Era o Canto demente, sufocado,
rugido nos Caminhos sem repouso.

E veio o Sonho: e foi despedaçado!
E veio o Sangue: o marco iluminado,
a luta extraviada e a minha grei!

Tudo apontava o Sol! Fiquei embaixo,
na Cadeia que estive e em que me acho,
a Sonhar e a cantar, sem lei nem Rei!

Poemas de ariano suassuna
Poemas de ariano suassuna

Nascimento – O exílio

Aqui, o Corvo azul da Suspeição
Apodrece nas Frutas violetas,
E a Febre escusa, a Rosa da infecção,
Canta aos Tigres de verde e malhas pretas.

Lá, no pelo de cobre do Alazão,
O Bilro de ouro fia a Lã vermelha.
Um Pio de metal é o Gavião
E suave é o focinho das Ovelhas.

Aqui, o Lodo mancha o Gato Pardo:
A Lua esverdeada sai do Mangue
E apodrece, no medo, o Desbarato.

Lá, é fogo e limalha a Estrela esparsa:
O Sol da morte luz no sol do Sangue,
Mas cresce a Solidão e sonha a Garça.

Poemas de ariano suassuna
Poemas de ariano suassuna

A morte – O sol do terrível

Mas eu enfrentarei o Sol divino,
o Olhar sagrado em que a Pantera arde.
Saberei porque a teia do Destino
não houve quem cortasse ou desatasse.

Não serei orgulhoso nem covarde,
que o sangue se rebela ao som do Sino.
Verei o Jaguapardo e a luz da Tarde,
Pedra do Sonho e cetro do Divino.

Ela virá – Mulher – aflando as asas,
com o mosto da Romã, o sono, a Casa,
e há de sagrar-me a vista o Gavião.

Mas sei, também, que só assim verei
a coroa da Chama e Deus, meu Rei,
assentado em seu trono do Sertão.

A mulher e o reino

Ó! Romã do pomar, relva esmeralda
olhos de ouro e azul, minha Alazã!
Ária em forma de Sol, fruto de prata
meu chão, meu anel, Céu da manhã!

Ó meu sono, meu sangue, dom, coragem,
Água das pedras, rosa e belvedere!
Meu candeeiro aceso da Miragem,
Meu mito e meu poder – minha Mulher!

Diz-se que tudo passa e o Tempo duro
tudo esfarela: o Sangue há de morrer!
Mas quando a luz me diz que esse Ouro puro

se acaba por finar e corromper,
Meu sangue ferve contra a vão Razão
E pulsa seu amor na escuridão!

Poemas de ariano suassuna
Poemas de ariano suassuna

Aqui morava um rei

Aqui morava um rei quando eu menino
Vestia ouro e castanho no gibão,
Pedra da Sorte sobre meu Destino,
Pulsava junto ao meu, seu coração.

Para mim, o seu cantar era Divino,
Quando ao som da viola e do bordão,
Cantava com voz rouca, o Desatino,
O Sangue, o riso e as mortes do Sertão.

Mas mataram meu pai. Desde esse dia
Eu me vi, como cego sem meu guia
Que se foi para o Sol, transfigurado.

Sua efígie me queima. Eu sou a presa.
Ele, a brasa que impele ao Fogo acesa
Espada de Ouro em pasto ensanguentado.

Poemas de ariano suassuna
Poemas de ariano suassuna

O mundo do sertão

Diante de mim, as malhas amarelas
do mundo, Onça castanha e destemida.
No campo rubro, a Asma azul da vida
à cruz do Azul, o Mal se desmantela.

Mas a Prata sem sol destas moedas
perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas;
e a Marca negra esquerda inesquecida
corta a Prata das folhas e fivelas.

E enquanto o Fogo clama a Pedra rija,
que até o fim, serei desnorteado,
que até no Pardo o cego desespera,

o Cavalo castanho, na cornija,
tenha alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando entre as Esfinges e a Pantera.

A estrada

No relógio do Céu, o Sol ponteiro
Sangra a Cabra no estranho céu chumboso.
A Pedra lasca o Mundo impiedoso,
A chama da Espingarda fere o Aceiro.

No carrascal do sol, azul braseiro,
Refulge o Girassol rubro e fogoso.
Como morrer na sombra do meu Pouso?
Como enfrentar as flechas desse Arqueiro?

Lá fora, o incêndio: o roxo lampadário
das Macambiras rubras e auri-pardos
Anjos-diabos e Tronos-vai queimando.

Sopra o vento – o Sertão incendiário!
Andam monstros sombrios pela Estrada
e, pela Estrada, entre esses Monstros, ando!

Poemas de ariano suassuna
Poemas de ariano suassuna

Lápide

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em vão – Sangue insensato e vagabundo —
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!

Qual é a naturalidade de Ariano Suassuna?

João Pessoa, Paraíba

O que significa Ariano Suassuna?

Ariano Suassuna foi escritor e dramaturgo brasileiro, autor do Auto da Compadecida, considerada sua obra prima que foi adaptada para o cinema e televisão. Além de escritor renomado e um dos maiores do Brasil, Ariano foi professor e idealizador do Movimento Armorial que valorizou as artes populares.

Onde Ariano Suassuna morreu?

Recife, Pernambuco

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