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1 Músicas de Viola

Músicas de Viola

Também conhecida como moda de viola, a música de viola, na verdade, é uma expressão da nossa boa e velha música caipira. Tradicionalmente, na região centro-oeste e sudeste, as modas de viola são previamente escritas e decoradas, e no Nordeste, os cantadores cantam de improviso.

Músicas de viola

Com o passar dos anos, a moda de viola se tornou um verdadeiro patrimônio nacional, obtendo grande sucesso, principalmente, através de duplas sertanejas que ficaram bem famosas com o passar dos anos.

Caboclo na cidade, de Chitãozinho e Xororó – Músicas de viola

Sem dúvida, Chitãozinho e Xororó é a dupla sertaneja mais importante e influente para essa nova geração, tanto é que até hoje está em atividade. “Caboclo na Cidade” transpira a música caipira.

Músicas de viola

Letra de Caboclo na cidade, de Chitãozinho e Xororó

Seu moço eu já fui roceiro no triângulo mineiro onde eu tinha meu ranchinho.
Eu tinha uma vida boa com a Isabel minha patroa e quatro barrigudinhos.
Eu tinha dois bois carreiros muito porco no chiqueiro e um cavalo bom, arriado.
Espingarda cartucheira quatorze vacas leiteiras e um arrozal no banhado.

Na cidade eu só ia a cada quinze ou vinte dias pra vender queijo na feira.
E no mais estava folgado todo dia era feriado pescava a semana inteira.
Muita gente assim me diz que não tem mesmo raiz essa tal felicidade
Então aconteceu isso resolvi vender o sítio e vir morar na cidade.

Já faz mais de doze anos que eu aqui já to morando como eu to arrependido.
Aqui tudo é diferente não me dou com essa gente vivo muito aborrecido.
Não ganho nem pra comer já não sei o que fazer to ficando quase louco.
É só luxo e vaidade penso até que a cidade não é lugar de caboclo.

Minha filha Sebastiana que sempre foi tão bacana me dá pena da coitada.
Namorou um cabeludo que dizia Ter de tudo mas fui ver não tinha nada.
Se mandou pra outras bandas ninguém sabe onde ele anda e a filha tá abandonada.
Como dói meu coração ver a sua situação nem solteira e nem casada.

Até mesmo a minha veia já tá mudando de ideia tem que ver como passeia.
Vai tomar banho de praia tá usando mini-saia e arrancando a sobrancelha.
Nem comigo se incomoda quer saber de andar na moda com as unhas todas vermelhas.
Depois que ficou madura começou a usar pintura credo em cruz que coisa feia.

Voltar “pra” Minas Gerais sei que agora não dá mais acabou o meu dinheiro.
Que saudade da palhoça eu sonho com a minha roça no triângulo mineiro.
Nem sei como se deu isso quando eu vendi o sítio para vir morar na cidade.
Seu moço naquele dia eu vendi minha família e a minha felicidade!

Composição: Dino Guedes / Geraldo Viola

Clipe de Caboclo na cidade, de Chitãozinho e Xororó

Áudio original da canção.

Rei do Gado, de Tião Carreiro e Pardinho – Músicas de viola

Tião Carreiro e Pardinho se conheceram no Circo Rapa Rapa, em Pirajuí, em 1954, e, a partir daí, firmaram uma parceria que gerou grandes sucessos, entre eles, “Rei do Gado”, que ficou bastante conhecida por causa da novela da Globo.

Músicas de viola

Letra de Rei do Gado, de Tião Carreiro e Pardinho

Num bar de Ribeirão Preto
Eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo
No alto meio da grã-finagem
Nisto chegou um peão
Trazendo na testa o pó da viagem
Pro garçom ele pediu uma pinga
Que era pra rebater a friagem

Levantou um almofadinha e falou pro dono
Eu tenho má fé
Quando um caboclo que não se enxerga
Num lugar deste vem pôr os pés
Senhor que é o proprietário
Deve barrar a entrada de quarquer
E principarmente nessa ocasião
Que está presente o rei do café

Foi uma sarva de parma
Gritaram viva pro fazendeiro
Quem tem bilhões de pés de cafés
Por este rico chão brasileiro?
Sua safra é uma potência
Em nosso mercado e no estrangeiro
Portanto vejam que este ambiente
Não é pra quarquer tipo rampeiro

Com um modo bem cortês
Responde o peão pra rapaziada
Essa riqueza não me assusta
Topo em aposta quarquer parada
Cada pé desse café
Eu amarro um boi da minha invernada
E pra encerrar o assunto eu garanto
Que ainda me sobra uma boiada

Foi um silêncio profundo
O peão deixou o povo mais pasmado
Pagando a pinga com mil cruzeiro
Disse ao garçom pra guardar o trocado
Quem quiser meu endereço
Que não se faça de arrogado
É só chegar lá em Andradina
E perguntar pelo rei do gado

Composição: Teddy Vieira

Clipe de Rei do Gado, de Tião Carreiro e Pardinho

Áudio original da faixa.

Tristeza do Jeca, de Tonico e Tinoco – Músicas de viola

Se Chitãozinho e Xororó são considerados a dupla sertaneja mais importante para a nova geração do gênero, Tonico e Tonico foi a mais importante dupla caipira do Brasil, aqueles que, inclusive, influenciaram os próprios Chitãozinho e Xororó.

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Letra de Tristeza do Jeca, de Tonico e Tinoco

Nestes verso tão singelo
Minha bela, meu amor
Pra você quero contar
O meu sofre e a minha dor
Eu sô que nem sabiá
Quando canta é só tristeza
Desde o gaio onde ele está

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Eu nasci naquela serra
Num ranchinho beira chão
Tudo cheio de buraco
Donde a lua fai clarão
Quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada
Principia um baruião

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Vou parar com a minha viola já não posso mai cantar
Pois o jeca quando canta tem vontade de chorar
O choro que vai caindo
Devagá vai se sumindo, como as água vão pro mar

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Composição: Angelino de Oliveira

Clipe de Tristeza do Jeca, de Tonico e Tinoco

Áudio original da faixa.

Menino da porteira, de Sérgio Reis – Músicas de viola

Na década de 60, antes de entrar para a música caipira, Sérgio Reis, era da Jovem Guarda, e essa fase ficou bem emblemática pela música “Coração de Papel”. Só nos 70, ele ingressou definitivamente no sertanejo, e uma das suas canções mais populares foi “Menino da porteira”.

Músicas de viola

Letra de Menino da porteira, de Sérgio Reis

Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo
Toque o berrante, seu moço, que é pra eu ficar ouvindo

Quando a boiada passava e a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda e ele saía pulando
Obrigado, boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando
Pra aquele sertão afora meu berrante ia tocando

Nos caminhos desta vida muitos espinhos eu encontrei
Mas nenhum calou mais fundo do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada, o menino não avistei

Apeei do meu cavalo e no ranchinho à beira chão
Vi uma mulher chorando, quis saber qual a razão
Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão
Quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração

Lá pras bandas de Ouro Fino levando gado selvagem
Quando passo na porteira até vejo a sua imagem
O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem

A cruzinha no estradão do pensamento não sai
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure, que eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão berrante eu não toco mais

Composição: Luizinho / Teddy Vieira

Clipe de Menino da porteira, de Sérgio Reis

Apresentação ao vivo do cantor.

Chico Mineiro, de Tonico e Tinoco – Músicas de viola

A carreira de Tonico e Tinoco é cheia de recordes. Fizeram quase 1000 gravações, divididas em 83 discos, e as gravadoras a que eles pertenceram já lançaram no mercado um total de 60 discos. Até hoje, venderam mais de 50 milhões de discos.

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Letra de Chico Mineiro, de Tonico e Tinoco

Cada vez que me “alembro”
Do amigo Chico Mineiro
Das viage que nois fazia
Era ele meu companheiro

Sinto uma tristeza
Uma vontade de chorar
Alembrando daqueles tempos
Que não mais há de voltar

Apesar de eu ser patrão
Eu tinha no coração
O amigo Chico Mineiro
Caboclo bom decidido
Na viola era dolorido e era o peão dos boiadeiro

Hoje porém com tristeza
Recordando das proeza
Da nossa viage motin

Viajemo mais de dez anos
Vendendo boiada e comprando
Por esse rincão sem fim

Caboclo de nada temia
Mas porém, chegou um dia
Que Chico apartou-se de mim

Fizemos a última viagem
Foi lá pro sertão de Goiás
Fui eu e o Chico Mineiro
Também foi o capataz

Viajamos muitos dias
Pra chegar em Ouro Fino
Aonde nós passemo a noite
Numa festa do Divino

A festa tava tão boa
Mas antes não tivesse ido
O Chico foi baleado
Por um homem desconhecido

Larguei de comprar boiada
Mataram meu cumpanheiro
Acabou-se o som da viola
Acabou-se o Chico Mineiro

Despois daquela tragédia
Fiquei mais aborrecido
Não sabia da nossa amizade
Porque nois dois era unido

Quando vi seu documento
Me cortou meu coração
Vim saber que o Chico Mineiro
Era meu legítimo irmão

Composição: Francisco Ribeiro / Tonico

Clipe de Chico Mineiro, de Tonico e Tinoco

Apresentação da dupla na TV.

Rancho fundo, de Chitãozinho e Xororó – Músicas de viola

Chitãozinho e Xororó são outros recordistas da música caipira: venderam mais de 37 milhões de álbuns e ganharam três Grammys Latinos. Também é deles a façanha de abrir espaço para a música sertaneja nas FM’s.

Músicas de viola

Letra de Rancho fundo, de Chitãozinho e Xororó

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade

No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as mágoas
Tendo os olhos rasos d’água

Pobre moreno que de noite no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo um cigarro por companheiro

Sem um aceno
Ele pega na viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal
Desse moreno

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite, nem de dia

Os arvoredos já não contam
Mais segredos
E a última palmeira
Já morreu na cordilheira

Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza

Tudo porque, só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Pra uma casa de sapê

Se Deus soubesse da tristeza lá serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na terra

Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade

Ele que era
O cantor da primavera
E que fez do rancho fundo
O céu melhor que tem no mundo

Se uma flor desabrocha
E o sol queima
A montanha vai gelando
Lembra o cheiro da morena
Composição: Ary Barroso / Lamartine Babo

Clipe de Rancho fundo, de Chitãozinho e Xororó

Bela apresentação ao vivo da dupla.

Romaria, de Renato Teixeira – Músicas de viola

Renato Teixeira ficou bastante conhecido por inúmeras colaborações com outros artistas, mas, sem dúvida, uma das melhores foi com a música “Romaria”, que ficou conhecida na voz de Elis Regina, mas, que também já foi cantada por ele mesmo.

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Letra de Romaria, de Renato Teixeira

É de sonho e de pó, o destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó, de gibeira o jiló
Dessa vida cumprida a sol

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

O meu pai foi peão, minha mãe, solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
Em busca de aventuras
Descasei, joguei, investi, desisti
Se há sorte eu não sei, nunca vi

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Me disseram, porém, que eu viesse aqui
Pra pedir em romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar, só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Composição: Renato Teixeira

Clipe de Romaria, de Renato Teixeira

Apresentação datada de 2011.

Terra Roxa, de Tião Carreiro e Pardinho – Músicas de viola

Além de serem consideradas uma das duplas sertanejas mais importantes do país, Tião Carreiro e Pardinho também são comumente associados como os precursores do pagode como o conhecemos hoje.

Músicas de viola

Letra de Terra Roxa, de Tião Carreiro e Pardinho

Um granfino num carro de luxo
Parou em frente de um restaurante
Faz favor de trocar mil cruzeiros
Afobado ele disse para o negociante
Me desculpe que eu não tenho troco
Mas aí tem freguês importante
O granfino foi de mesa em mesa
E por uma delas passou por diante
Por ver um preto que estava almoçando
Num traje esquisito num tipo de andante
Sem dizer que o tal mil cruzeiro
Ali era dinheiro para aqueles viajaaante aai aai

O negociante falou pro granfino
Esse preto eu já vi tem trocado
O granfino sorriu com desprezo
O senhor não tá vendo que é um pobre coitado
Com a roupa toda amarrotada
E o jeito de muito acanhado
Se esse cara for alguém na vida
Então eu serei presidente do estado
Desse mato aí não sai coelho
E para o senhor fica um muito obrigado
Perguntar se esse preto tem troco
É deixar o caboclo muito envergonhaaado aai aai

Nisso o preto que ouviu a conversa
Chamou o moço com modo educado
Arrancou da guaiaca um pacote
Com mais de umas cem
Cor de abóbora embolado
Uma a uma jogou sobre a mesa
Me desculpe não lhe ter trocado
O granfino sorriu amarelo
Na certa o senhor deve ser deputado
Pela cor vermelha dessas notas
Parece ser dinheiro que estava enterrado
Disse o preto não arregale o olho
É apenas o restolho do que eu tenho
Empataaado aaai aai

Essas notas vermelhas de terra
É de terra pura massapé
Foi aonde eu plantei a sete anos
Duzentos e oitenta mil pés de café
Essa terra que a água não lava
E sustenta o brasil de pé
Você tando montado nos cobre
Nunca falta amigo e algumas muié
É com elas que nós importamos
Os tais cadillac, ford e chevrolet
Pra depois os mocinhos granfinos
Andar se exiibindo que nem coronééé aai aai

O granfino pediu mil desculpas
Rematou meio desenxavido
Gostaria de arriscar a sorte
Onde está esse imenso tesouro escondido
Isso é fácil respondeu o preto
Se na enxada tu fores sacudido
Terra lá é a peso de ouro
E o seu futuro estará garantido
Essa terra é abençoada por Deus
Não é propaganda lá não fui nascido
É no estado do paraná
Aonde que está meu ranchinho queriiido aaai aai

Composição: Teddy Vieira

Clipe de Terra Roxa, de Tião Carreiro e Pardinho

Áudio original da canção.

Boi soberano, de Tião Carreiro e Pardinho – Músicas de viola

Tião Carreiro e Pardinho gravaram bastante. Foram quase 30 LPs, todos remasterizados em CDs, e que continuam em catálogo. “Boi soberano” está entre os seu maiores sucessos.

Músicas de viola

Letra de Boi soberano, de Tião Carreiro e Pardinho

Me alembro e tenho saudade do tempo que vai ficando
Do tempo de boiadeiro que eu vivia viajando
Eu nunca tinha tristeza, vivia sempre cantando
Mês e mês cortando estrada no meu cavalo ruano
Sempre lidando com gado, desde à idade de 15 anos
Não me esqueço de um transporte, seiscentos bois cuiabanos
No meio tinha um boi preto por nome de soberano

Na hora da despedida o fazendeiro foi falando
Cuidado com esse boi que nas guampas é leviano
Esse boi é criminoso, já me fez diversos danos
Tocamos pelas estradas naquilo sempre pensando
Na cidade de Barretos, na hora que eu fui chegando
A boiada estourou, ai, só via gente gritando
Foi mesmo uma tirania, na frente ia o soberano

O comércio da cidade as portas foram fechando
Na rua tinha um menino decerto estava brincando
Quando ele viu que morria de susto foi desmaiando
Coitadinho debruçou na frente do soberano
O soberano parou, ai, em cima ficou bufando
Rebatendo com o chifre, os bois que vinham passando
Naquilo o pai da criança de longe vinha gritando

Se esse boi matar meu filho eu mato quem vai tocando
E quando viu seu filho vivo e o boi por ele velando
Caiu de joelho por terra e para Deus foi implorando
Salvai meu anjo da guarda desse momento tirano
Quando passou a boiada, o boi foi se retirando
Veio o pai dessa criança e comprou o soberano
Esse boi salvou meu filho, ninguém mata o soberano!

Composição: Carreirinho

Clipe de Boi soberano, de Tião Carreiro e Pardinho

Rara apresentação ao vivo da dupla.

Moda da Pinga, de Inezita Barroso – Músicas de viola

Inezita Barroso foi uma artista esplêndida. Ganhou o título de doutora honoris causa em folclore e arte digital pela Universidade de Lisboa e, além disso, atuou em espetáculos, álbuns, cinema, teatro e produzindo espetáculos musicais de renome nacional e internacional.

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Letra de Moda da Pinga, de Inezita Barroso

Co’a marvada pinga é que eu me atrapaio
Eu entro na venda e já dô meu taio
Pego no copo e dali num saio
Ali mesmo eu bebo, ali mesmo eu caio
Só pra carregá é queu dô trabaio, oi lá!

Venho da cidade, já venho cantando
Trago um garrafão que venho chupando
Venho pros caminho, venho trupicando
Chifrando os barranco, venho cambeteando
E no lugar que eu caio já fico roncando, oi lá!

O marido me disse, ele me falô
Largue de bebê, peço pro favor
Prosa de home nunca dei valor
Bebo com o sor quente pra esfriá o calô
Se bebo de noite é pra fazer suadô, oi lá!

Cada vez que eu caio, caio deferente
Meaço pra trás e caio pra frente
Caio devagar, caio de repente
Vou de currupio, vou deretamente
Mas sendo de pinga eu caio contente, oi lá!

Pego o garrafão é já balanceio
Que é pra mode vê se tá mesmo cheio
Num bebo de vez por que acho feio
No primeiro gorpe chego inté no meio
No segundo trago é que eu desvazeio, oi lá!

Eu bebo da pinga porque gosto dela
Eu bebo da branca, bebo da amarela
Bebo no copo, bebo na tigela
Bebo temperada com cravo e canela
Seja quarqué tempo vai pinga na goela, oi lá!

Eu fui numa festa no rio Tietê
Eu lá fui chegando no amanhecê
Já me deram pinga pra mim bebê
Já me deram pinga pra mim bebê, tava sem fervê, oi lá!

Eu bebi demais e fiquei mamada
Eu caí no chão e fiquei deitada
Aí eu fui pra casa de braço dado
Ai de braço dado é com dois sordado
Ai, muito obrigado!

Composição: Ochelsis Laureano / Raul Torres

Clipe de Moda da Pinga, de Inezita Barroso

Áudio original da canção.

https://youtube.com/watch?v=x0aevIBTMi8

Saudades da minha terra, de Milionário e José Rico – Músicas de viola

Falar de sucesso quando o assunto é Milionário e José Rico é fácil. Afinal, estamos nos referindo a uma dupla que vendeu cerca de 35 milhões de exemplares de seus 29 discos gravados desde 1973.

Músicas de viola

Letra de Saudades da minha terra, de Milionário e José Rico

De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão eu quero voltar
Ver as madrugadas, quando a passarada
Fazendo alvorada, começam a cantar
Com satisfação, arrio o burrão
Cortando o estradão, saio a galopar
E vou escutando o gado berrando,
Sabiá cantando no jequitibá

Por Nossa Senhora, meu sertão querido
Vivo arrependido por ter te deixado
Esta nova vida aqui na cidade
De tanta saudade eu tenho chorado
Aqui tem alguém, diz que me quer bem
Mas não me convém eu tenho pensado
Eu fico com pena, mas essa morena
Não sabe o sistema que eu fui criado
Tô aqui cantando, de longe escutando
Alguém está chorando com o rádio ligado

Que saudade imensa do campo e do mato
Do manso regato que corta as campinas
Aos domingos ia passear de canoa
Nas lindas lagoas de águas cristalinas
Que doce lembrança daquelas festanças
Onde tinha danças e lindas meninas
Eu vivo hoje em dia sem ter alegria
O mundo judia, mas também ensina
Estou contrariado, mas não derrotado
Eu sou bem guiado pelas mãos divinas

Pra minha mãezinha já telegrafei
E já me cansei de tanto sofrer
Nesta madrugada estarei de partida
Pra terra querida que me viu nascer
Já ouço sonhando o galo cantando
O inhambu piando no escurecer
A lua prateada clareando as estradas
A relva molhada, desde o anoitecer
Eu preciso ir, pra perto ali
Foi lá que nasci, lá quero morrer.

Composição: Belmonte / Goia

Clipe de Saudades da minha terra, de Milionário e José Rico

Áudio original da faixa.

Estrada da Vida, de Milionário e José Rico – Músicas de viola

“As gargantas de ouro do Brasil”. Era como Milionário e José Rico eram carinhosamente conhecidos por seu público. “Estrada da Vida” é, sem dúvida, um de seus maiores clássicos.

Músicas de viola

Letra de Estrada da Vida, de Milionário e José Rico

Nesta longa estrada da vida
Vou correndo e não posso parar
Na esperança de ser campeão
Alcançando o primeiro lugar
Na esperança de ser campeão
Alcançando o primeiro lugar

Mas o tempo cercou minha estrada
E o cansaço me dominou
Minhas vistas se escureceram
E o final da corrida chegou

Este é o exemplo da vida
Para quem não quer compreender
Nós devemos ser o que somos
Ter aquilo que bem merecer
Nós devemos ser o que somos
Ter aquilo que bem merecer

Mas o tempo cercou minha estrada
E o cansaço me dominou
Minhas vistas se escureceram
E o final desta vida chegou

Composição: José Rico

Clipe de Estrada da Vida, de Milionário e José Rico

Apresentação ao vivo da dupla em 1999.

https://youtube.com/watch?v=VtQL6j6bu2I

Filho adotivo, de Sérgio Reis – Músicas de viola

Em 2015, Sérgio Reis chegou a receber o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja pelo CD/DVD Amizade Sincera II, em parceria com Renato Teixeira. Em sua longa carreira, “Filho adotivo” é, sem dúvida, um destaque.

Músicas de viola

Letra de Filho adotivo, de Sérgio Reis

Com sacrifício
Eu criei meus sete filhos
Do meu sangue eram seis
E um peguei com quase um mês
Fui viajante
Fui roceiro, fui andante
E pra alimentar meus filhos
Não comi pra mais de vez

Sete crianças
Sete bocas inocentes
Muito pobres, mas contentes
Não deixei nada faltar
Foram crescendo
Foi ficando mais difícil
Trabalhei de sol a sol
Mas eles tinham que estudar

Meu sofrimento
Ah! meu Deus, valeu a pena
Quantas lágrimas chorei
Mas tudo foi com muito amor
Sete diplomas
Sendo seis muito importantes
Que as custas de uma enxada
Conseguiram ser doutor

Hoje estou velho
Meus cabelos branquearam
O meu corpo está surrado
Minhas mãos nem mexem mais
Uso bengala
Sei que dou muito trabalho
Sei que às vezes atrapalho
Meus filhos até demais

Passou o tempo
E eu fiquei muito doente
Hoje vivo num asilo
E só um filho vem me ver
Esse meu filho
Coitadinho, muito honesto
Vive apenas do trabalho
Que arranjou para viver

Mas Deus é grande
Vai ouvir as minhas preces
Esse meu filho querido
Vai vencer, eu sei que vai
Faz muito tempo
Que não vejo os outros filhos
Sei que eles estão bem
E não precisam mais do pai

Um belo dia
Me sentindo abandonado
Ouvi uma voz bem do meu lado
Pai, eu vim pra te buscar
Arrume as malas
Vem comigo, pois venci
Comprei casa e tenho esposa
E o seu neto vai chegar

De alegria eu chorei
E olhei pro céu
Obrigado, meu Senhor
A recompensa já chegou
Meu Deus proteja
Os meus seis filhos queridos
Mas foi meu filho adotivo
Que a este velho amparou

Composição: Arthur Moreira / Sebastião Ferreira da Silva

Clipe de Filho adotivo, de Sérgio Reis

Grande apresentação do cantor.

Moreninha Linda, de Tonico e Tinoco – Músicas de viola

O gosto pela música de Tonico e Tinoco veio dos avós maternos Olegário e Isabel, que alegravam a colônia onde moravam com suas canções, ao som de um antigo acordeão. Tal influência foi fundamental na carreira da dupla.

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Letra de Moreninha Linda, de Tonico e Tinoco

Meu coração tá pisado
Como a flor que murcha e cai
Pisado pelo desprezo
Do amor quando se vai
Deixando a triste lembrança
Adeus para nunca mais

Moreninha linda do meu bem querer
É triste a saudade longe de você

O amor nasce sozinho
Não é preciso plantar
A paixão nasce no peito
Farsidade no olhar
Você nasceu para outro
Eu nasci pra te amar

Moreninha linda do meu bem querer
É triste a saudade longe de você

Eu tenho meu canarinho
Que canta quando me vê
Eu canto por ter tristeza
Canário, por padecer
Da saudade da floresta
Eu, saudades de você

Moreninha linda do meu bem querer
É triste a saudade longe de você

Composição: Priminho / Gumercindo da Silva / Tonico

Clipe de Moreninha Linda, de Tonico e Tinoco

Áudio original da faixa.

As andorinhas, de Trio Parada Dura – Músicas de viola

O Trio Parada Dura foi um enorme sucesso popular. Pra se ter uma ideia, foram 11 discos de ouro e três de platina. A personalidade do grupo era formada por letras irreverentes, o que garantiu sempre excelentes vendagens de seus trabalhos.

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Letra de As andorinhas, de Trio Parada Dura

As andorinhas voltaram
E eu também voltei
Pousar no velho ninho
Que um dia aqui deixei

Nós somos andorinhas
Que vão e quem vem
À procura de amor
Ás vezes volta cansada
Ferida, machucada
Mas volta pra casa
Batendo suas asas
Com grande dor

Igual a andorinha
Eu parti sonhando
Mas foi tudo em vão

Voltei sem felicidade
Porque, na verdade
Uma andorinha
Voando sozinha
Não faz verão

Composição: Alcino Alves / Rossi

Clipe de As andorinhas, de Trio Parada Dura

Áudio original da música.

Majestade o Sabiá, de Roberta Miranda – Músicas de viola

Roberta Miranda é a primeira cantora da Música Popular Brasileira a vender mais de um milhão e meio de discos no lançamento do primeiro álbum de sua carreira, um verdadeiro marco. “Majestade o Sabiá” foi um dos seus maiores sucessos.

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Letra de Majestade o Sabiá, de Roberta Miranda

Meus pensamentos tomam forma e eu viajo
Vou pra onde Deus quiser
Um vídeo-tape que dentro de mim retrata
Todo o meu inconsciente de maneira natural

Ah! Ah! Ah!
Tô indo agora prum lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A majestade, o sabiá

Tô indo agora tomar banho de cascata
Quero adentrar nas matas onde Oxossi é o deus
Aqui eu vejo plantas lindas e cheirosas
Todas dando-me a passagem
Perfumando o corpo meu

Ah! Ah! Ah!
Tô indo agora prum lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A majestade, o sabiá

Esta viagem dentro de mim foi tão linda
Vou voltar à realidade pra este mundo de Deus
É que o meu eu, este tão desconhecido
Jamais serei traído pois este mundo sou eu

Ah! Ah! Ah!
Tô indo agora prum lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A majestade, o sabiá

Ah! Ah! Ah!
Tô indo agora prum lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A majestade, o sabiá

Composição: Roberta Miranda

Clipe de Majestade o Sabiá, de Roberta Miranda

Áudio original da canção.

A Morte do Carreiro, de Zé Carreiro e Carreirinho – Músicas de viola

Zé Carreiro e Carreirinho possuem uma extensa discografia, mas que foi lançada em poucos anos. Ainda assim, foi suficiente para se firmarem como uma das duplas sertanejas mais importantes de seu tempo.

Músicas de viola

Letra de A Morte do Carreiro, de Zé Carreiro e Carreirinho

Isto foi no mês de outubro, regulava o meio dia
O sol parecia brasa, queimava que até feria
Foi um dia muito triste só cigarras que se ouvia
O triste cantar dos pássaros naquelas matas sombrias

Numa campina deserta uma casinha existia
Na frente uma paiada onde a boiada remuia
Na estrada vinha um carro com seus rocão que gemia
Meu coração palpitava de tristeza ou de alegria

Lá no alto do cerrado a sua hora chegou
O carro estava pesado, de uma tora escapou
Foi por cima do carreiro e no barranco emprensou
Depois de uma meia hora que os companheiro tirou

Quando puseram no carro já não podia falar
Somente ele dizia tenho pressa de chegar
E os companheiros gritavam numa cuada sem parar
Já avistaram a cadeirinha e as crianças no quintar

Os galos cantaram tristes ai ai ai ai
No retiro onde eu moro ai ai ai ai

Já levaram ele pra cama, não tinha mais salvação
Abraçava seus filhinhos fazendo reclamação
Sozinho seis inocentes, ficavam sem nennuma proteção
Fechou os olhos e despediu deste mundo triluzão

Clipe de A Morte do Carreiro, de Zé Carreiro e Carreirinho

Áudio original da faixa.

Nelore Valente, de Dino Franco e Mouraí – Músicas de viola

A dupla Dino Franco e Mouraí foi formada em 1980 e lançaram 11 discos ao todo. Foram pioneiros na regravação de antigos sucessos da música sertaneja, como “Sertaneja” e “A volta do caboclo”. “Nelore Valente” está entre seus maiores êxitos.

Músicas de viola

Letra de Nelore Valente, de Dino Franco e Mouraí

Na fazenda que eu nasci
Vovô era retireiro
Em criança eu aprendi
Prender o gado leiteiro
Um dia de manhãzinha
Vejam só que desespero
Tinha um bezerro doente
E a ordem do fazendeiro
Mate já este animal
E desinfete o mangueiro
Se esse doença espalhar
Poderá contaminar
O meu rebanho inteiro

Eu notei que o meu avô
Ficou bastante abatido
Por ter que sacrificar
O animal, recém nascido
Nas lágrimas dos seus olhos
Eu entendi seu pedido
Pus o bichinho nos braços
Levei pra casa escondido
Com ervas e benzimentos
Seu caso foi resolvido
Com carinho eu lhe tratava
E o leite que o patrão dava
Com ele era dividido

Quando o fazendeiro soube
Chamou o meu avozinho
Disse: você foi teimoso
Não matando o bezerrinho
Vai deixar minha fazenda
Amanhã logo cedinho
Aquilo feriu vovô
Como uma chaga de espinho
Mas há sempre alguém no mundo
Que nos dá algum carinho
E sem grande sacrifício
Vovô arranjou serviço
Ali num sítio vizinho

Em pouco tempo o bezerro
Já era um boi erado
Bonito, forte, troncudo
Mansinho e muito ensinado
Automóvel do atoleiro
Ele tirava aos punhados
Por isso na redondeza
Ficou bastante afamado
Até que um dia à noitinha
Um homem desesperado
Gritou pedindo socorro
Seu carro caiu no morro
Seu filho estava prensado

O carro da ribanceira
O boi conseguiu tirar
O menino estava vivo
Seu pai disse a soluçar
Qualquer que seja a quantia
Esse boi eu vou comprar
Eu disse:
“Ele não tem preço
A razão vou lhe explicar
A bondade do vovô
Veio o seu filho salvar
Esse nelore valente
É o bezerrinho doente
Que o senhor mandou matar

Clipe de Nelore Valente, de Dino Franco e Mouraí

Áudio original da faixa.

Moça Boiadeira, de Raul Torres e Florêncio – Músicas de viola

No início, Raul Torres cantava em dupla com seu sobrinho Serrinha, numa parceria que durou entre 1937 a 1942. Após a separação da dupla, Torres se juntou, enfim, a Florêncio, formando uma parceria de muito sucesso.

Músicas de viola

Letra de Moça Boiadeira, de Raul Torres e Florêncio

Fui negociá uma vacada
Na fazenda Corredêra
Eu levei cinco peão
Capataz Chico Noguêra

Nóis cheguemo na fazenda
Na tarde de quinta-feira
De noite fumo drumi
Pra aliviar a canseira

Levantemo bem cedinho
Pra vê as vaca na manguêra
Na hora da marcação
Acendemo uma foguêra

Tinha uma tipo mestiça
Perigosa e derradêra
Tava cos óio vermeio
Sortando uma faisquêra

Quando eu bati o marcadô
Só vendo que pagodêra
A bicha urrava tão feio
Qe balanceava as parmêra

Rebentô o laço e fugiu
Inté levantô poêra
Toquei meu cavalo em cima
Cerquei a vaca na carrêra

A vaca sumiu de vista
No meio da carrasquêra
Nisso apareceu uma moça
Vestida de boiadêra

Ela me falô sorrindo
Isso é coisa passagêra
Me diga onde foi a vaca
Que eu já passo uma trapêra

A moça tava montada
Numa besta marchadêra
Jogô por cima da vaca
Deu uma laçada certêra

Quando ela vinha de vorta
A turma ficô fancêra
De ver a moça brincando
Com a vaca na chichadêra

Eu quando fui pra ir simbora
Botei a mão na gibêra
Puxei quinhentos cruzêro
E fui dá pra boiadêra

Seu moço guarde o dinhêro
Que eu não sô interessêra
Leve sua boiada embora
Descurpe da brincadêra

Composição: Raul Torres / Sebastião Teixeira

Clipe de Moça Boiadeira, de Raul Torres e Florêncio

Áudio original da canção.

Sapato 42, de João Mulato e Douradinho – Músicas de viola

João Mulato gravou com diversos “Dobradinhos”, entre eles, Domingos Miguel dos Santos, o Bambico, jovem violeiro que foi muito importante na criação do ritmo do pagode de viola, tendo gravado com João Mulato dois LP’s.

Músicas de viola

Letra de Sapato 42, de João Mulato e Douradinho

Pensei que fosse bobagem, quando Tião me chamou
Pra mostras sapatos velhos, que ele colecionou
Lá na dispensa dos fundos, soluçando me falou
Tudo que aqui esta, com minha mãe começou
Meus primeiros sapatinhos com amor e com carinho foi minha mãe que guardou

Quando me entendi por gente, que eu pude raciocinar
Todos meus sapatos velhos continuei a guardar
Aquele lá marronzinho pus quando fui me formar
Aquele outro esportivo era só pra passear
Aquele lá de pelica quando eu saí na estica, num sábado pra casar

Agora olho os sapatos vem a saudade judia
Pois foi com os sapatinhos que passei melhores dias
Eu era um rei inocente que nem eu mesmo sabia
Pra me ver sempre feliz mamãe tudo me fazia
Foi quando anos depois eu calcei 42 ali meu sonho morria

O retrato dos meus pés em cada sola estampado
É o trilho da minha vida por meus próprios pés pisados
Seu moço também meu corpo anda um tanto judiado
É o peso dos pés no tempo por quem eu sou pisoteado
Os sapatos que guardei sem saber, colecionei os passos do meu passado

Clipe de Sapato 42, de João Mulato e Douradinho

Áudio original da faixa.

Caipira, e com orgulho!

A música de viola, ou simplesmente, a moda de viola, ou somente a música caipira, continua a ser influente para diversos artistas, e mostra que essa é uma tradição que sobreviveu ao tempo.

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