Raul Seixas, um baiano verdadeiramente “arretado”, foi responsável por uma das grandes revoluções em nossa música, quando ele misturou ritmos regionais com rock de maneira muito natural. Uma influência que dura até os dias atuais.

Músicas de Raul Seixas

As músicas de Raul Seixas foram tão emblemáticas que muitas delas se tornaram hinos e objetos de cultos por aí (literalmente). E, são algumas dessas que vamos mostrar a partir de agora.

Eu Nasci há Dez Mil Anos Atrás – Músicas de Raul Seixas

Raul Seixas sempre foi conhecido por suas canções de cunho místico, e que melhor exemplo pra citar essa característica do que “Eu Nasci há Dez Mil Anos Atrás”? Uma música ao mesmo tempo estranha e cativante.

Letra de Eu Nasci há Dez Mil Anos Atrás

Um dia, numa rua da cidade, eu vi um velhinho sentado na calçada
Com uma cuia de esmola e uma viola na mão
O povo parou para ouvir, ele agradeceu as moedas
E cantou essa música, que contava uma história
Que era mais ou menos assim:
Eu nasci há dez mil anos atrás
e não tem nada nesse mundo que eu não saiba de mais
Eu vi Cristo ser crucificado
O amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo para pagarem seus pecados,
Eu vi,
Eu vi Moisés cruzar o mar vermelho
Vi Maomé cair na terra de joelhos
Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho
Eu vi,
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba de mais
Eu vi as velas se acenderem para o Papa
Vi Babilônia ser riscada do mapa
Vi conde Drácula sugando o sangue novo
e se escondendo atrás da capa
Eu vi,
Eu vi a arca de Noé cruzar os mares
Vi Salomão cantar seus salmos pelos ares
Eu vi Zumbi fugir com os negros para floresta
pro quilombo dos palmares
Eu vi,
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Eu vi o sangue que corria da montanha
quando Hitler chamou toda a Alemanha
Vi o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha
Eu li,
Eu li os simbolos sagrados de Umbanda
Eu fui criança para poder dançar ciranda
E, quando todos paraguejavam contra o frio,
eu fiz a cama na varanda
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos atrás)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Não, não porque
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos atrás)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Não, não
Eu tava junto com os macacos na caverna
Eu bebi vinho com as mulheres na taverna
E quando a pedra despencou da ribanceira
Eu também quebrei a perna
Eu também,
Eu fui testemunha do amor de Rapunzel
Eu vi a estrela de Davi brilhar no céu
E para aquele que provar que eu tou mentindo
eu tiro o meu chapéu
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais

Compositores: Raul Seixas / Paulo Coelho

Clipe de Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás

Como vários clipes de Raul (e, daquela época, em geral), a qualidade das imagens não é lá muito boa, mas, explicita bem a loucura do nosso “maluco beleza”.

 

Mosca na Sopa – Músicas de Raul Seixas

Que melhor música para abrir o primeiro disco de Raul, “Krig-ha, Bandolo!” (de 1973), do que “Mosca na Sopa”, cuja letra já avisava: “Eu sou a mosca que perturba o seu sono”? Gravada em um terreiro de candomblé, a canção é a mescla perfeita entre sonoridades bem distintas.

Letra de Mosca na Sopa

Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar
Eu sou a mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar
E não adianta vir me dedetizar
Pois nem o DDT pode assim me exterminar
Porque ‘cê mata uma e vem outra em meu lugar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Atenção, eu sou a mosca
A grande mosca
A mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto
A zum zum zumbizar
Observando e abusando
Olha do outro lado agora
Eu tô sempre junto de você
Água mole em pedra dura
Tanto bate até que fura
Quem, quem é?
A mosca, meu irmão
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
E não adianta vir me dedetizar
Pois nem o DDT pode assim me exterminar
Porque ‘cê mata uma e vem outra em meu lugar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar
Eu sou a mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar
Eu sou a mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar
Mas eu sou a mosca que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar

Compositores: Raul Seixas

Clipe de Mosca na Sopa

Raul sempre foi irreverente por natureza, como bem mostra esse clipe para a música “Mosca na Sopa”, um dos primeiros grandes sucessos dele.

 

Metamorfose Ambulante – Músicas de Raul Seixas

Muito se acusam as músicas de Raul Seixas de serem meramente um manual de auto-ajuda, mas, a verdade é que o cantor e compositor baiano não queria converter ninguém, e sim, provocar a sociedade vigente, como na estupenda letra de “Metamorfose Ambulante”.

Letra de Metamorfose Ambulante

Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
É chato chegar a um objetivo num instante
Eu quero viver nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
Eu vou lhes dizer aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha, velha, velha, velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha, velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Compositores: Raul Seixas

Clipe de Metamorfose Ambulante

Raulzito tinha um séquito fiel de seguidores, como pode ser visto em qualquer vídeo de algum de seus shows, como esse aqui, por exemplo.

 

Meu Amigo Pedro – Músicas de Raul Seixas

Mais uma música de Raul Seixas bastante provocativa nas entrelinhas, que aparenta ser uma coisa, mas pode ser outra bem diferente. Prova incontestável da maestria da parceria entre Raulzito e Paulo Coelho.

Letra de Meu Amigo Pedro

Muitas vezes, Pedro, você fala
Sempre a se queixar da solidão
Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro
É pena que você não sabe não
Vai pro seu trabalho todo dia
Sem saber se é bom ou se é ruim
Quando quer chorar vai ao banheiro
Pedro, as coisas não são bem assim
Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você, meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno
Pedro, onde ‘cê vai eu também vou
Pedro, onde ‘cê vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou
Tente me ensinar das tuas coisas
Que a vida é séria e a guerra é dura
Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura
Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
Quando os dois pensavam sobre o mundo
Hoje eu te chamo de careta, Pedro
Que você me chama vagabundo
Pedro, onde ‘cê vai eu também vou
Pedro, onde ‘cê vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou
Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou à perdição
Há tantos caminhos, tantas portas
Mas somente um tem coração
E eu não tenho nada a te dizer
Mas não me critique como eu sou
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou
Pedro, onde ‘cê vai eu também vou
Pedro, onde ‘cê vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou
É que tudo acaba onde começou

Compositores: Paulo Coelho / Raul Seixas

Clipe de Meu Amigo Pedro

Vídeo, dentre tantos, feito pelos fãs mais ardorosos do “Maluco Beleza”, que, ainda hoje, veneram o seu ídolo.

 

Ouro de Tolo – Músicas de Raul Seixas

Pra encerrar o primeiro disco de Raulzito, nada melhor do que uma letra desse nível, que coloca o dedo na ferida do cotidiano do cidadão comum. Uma grande canção, digna de um homem inconformado com o seu tempo.

Letra de Ouro de Tolo

Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque consegui comprar um Corcel 73
Eu devia estar alegre e satisfeito por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na cidade maravilhosa
Eu devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso, abestalhado, que eu estou decepcionado
Por que foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto: e daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado
Eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo
Pra ir com a família no jardim zoológico dar pipocas aos macacos
Ah, mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelho, se sentir um grandesíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
E que só usa 10% de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social
Eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador

Compositores: Raul Seixas

Clipe de Ouro de Tolo

Para ilustrar uma canção como “Ouro de Tolo”, nada melhor do que uma compilação com o cotidiano do próprio Raul Seixas, visto que ele era bastante crítico até mesmo consigo.

 

Aluga-se – Músicas de Raul Seixas

Quando todos achavam que Raul não poderia mais compôr nada de relevante, eis que surge “Aluga-se”, canção pra lá de provocativa que foi inserida no álbum “Abre-te Sésamo”. Faixa atemporal.

Letra de Aluga-se

A solução pro nosso povo eu vou dá
Negócio bom assim ninguém nunca viu
‘Tá tudo pronto aqui é só vim pegar
A solução é alugar o Brasil
Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free
Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá pra alugar ah ah ah ah
Os estrangeiros eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico tem vista pro mar
A Amazônia é o jardim do quintal
E o dólar dele paga o nosso mingau
Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free
‘Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Pois esse imóvel está pra alugar, alugar ei
Grande soluça, uh ei
Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
Agora é free
‘Tá na hora é tudo free
Vamo embora
Dá lugar pros outro entrar
Pois esse imóvel tá pra alugar ah ah ah ah
Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
Agora é free
‘Tá na hora é tudo free
Vamo embora
Dá lugar pros gringos entrar
Pois esse imóvel
Está pra alugar
Está pra alugar meu Deus
Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É absulamente free, tá na hora
É tudo free, vamo embora

Compositores: Claudio Roberto Andrade De Azeredo / Raul Seixas

Clipe de Aluga-se

Eternamente inconformado, mesmo quando não estava em seus melhores momentos, Raulzito conseguia compôr pérolas como “Aluga-se”.

 

Por Quem os Sinos Dobram – Músicas de Raul Seixas

Mesmo fazendo parte de um disco não tão badalado (também chamado “Por Quem os Sinos Dobram”), a faixa-título do disco possui bastante do DNA do “Maluco Beleza”. Brilhante.

Letra de Por Quem os Sinos Dobram

Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada
É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado, é
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais
É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, que eu sei que você pode mais
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, que eu sei que você pode mais
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais

Compositores: Raul Seixas

Clipe de Por Quem os Sinos Dobram

Um clipe que é mais uma contribuição valiosa dos fãs, mostrando que a letra dessa música continua atualíssima.

 

Gita – Músicas de Raul Seixas

Música que dá título ao segundo álbum-solo de Raul, “Gita” tem um clima mais romântico, porém, um romântico “à lá Raulzito”, com toda a estranheza que as composições dele eram peculiares.

Letra de Gita

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao seu lado
Você pensa em min toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar
Que eu sou a a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou
Gitâ, Gita Gita Gita!
Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição
Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar
Você me tem todo o dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim
Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra “A” tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor
Eu sou a dona de casa
Nos “peg-pagues” do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão
É, mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio

Compositores: Paulo Coelho / Raul Seixas

Clipe de Gita

Um vídeo original, da época, que mostrava um Raul no auge de seu sucesso.

 

Al Capone – Músicas de Raul Seixas

Uma das músicas mais divertidas do disco de estrei de Raul, é também uma baita crítica social em suas entrelinhas, mostrando que ele sabia, como poucos de sua época, ser popular, escrachado e mordaz ao mesmo tempo.

Letra de Al Capone

Hei, Al Capone, vê se te emenda
Já sabem do teu furo, nego
No imposto de renda
Hei, Al Capone, vê se te orienta
Assim desta maneira, nego
Chicago não aguenta
Hei, Júlio César, vê se não vai ao senado
Já sabem do teu plano para controlar o Estado
Hei, Lampião, dá no pé, desapareça
Pois eles vão à feira exibir tua cabeça
Hei, Al Capone
Vê se te orienta
Assim dessa maneira nego
Chicago não aguenta
Hei, Al Capone
Vê se te emenda
Já sabem do teu furo, meu nego
No imposto de renda
Hei, Al Capone
Vê se te orienta
Assim dessa maneira, nego
Chicago não aguenta
Hei, Jimi Hendrix, abandona o palco agora
Faça como fez Sinatra, compre um carro e vá embora
Ei, Jesus Cristo, o melhor que você faz
É deixar o Pai de lado e foge pra morrer em paz
Hei, Al Capone
Vê se te orienta
Assim dessa maneira, nego
Chicago não aguenta
Eu sou astrólogo
Eu sou astrólogo
Vocês precisam acreditar em mim
Eu sou astrólogo
Eu sou astrólogo
E conheço a história do princípio ao fim

Compositores: Paulo Coelho / Raul Seixas

Clipe de Al Capone

Mais um vídeo ao vivo para mostrar que Raul, em cima do palco, mesmo não estando em seus melhores dias, ainda era um espetáculo a parte.

 

Quais os cuidados que os pais devem ter com seus filhos? Confira esse vídeo que acabei de postar:

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Cowboy Fora da Lei – Músicas de Raul Seixas

Aqui, Raul já estava bastante debilitado, e praticamente caindo no ostracismo, mas, ainda assim, conseguia fazer músicas como “Cowboy Fora da Lei”, que, mas uma vez, parece descompromissada, porém, tem embutida nela uma grande crítica social.

Letra de Cowboy Fora da Lei

Mamãe, não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
E alguém pode querer me assassinar
Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar
Papai não quero provar nada
Eu já servi à Pátria amada
E todo mundo cobra minha luz
Oh, coitado, foi tão cedo
Deus me livre, eu tenho medo
Morrer dependurado numa cruz
Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
E entrar pra história e com vocês
Mamãe, não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
E alguém pode querer me assassinar
Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar
Papai não quero provar nada
Eu já servi à Pátria amada
E todo mundo cobra minha luz, minha luz
Oh, coitado, foi tão cedo
Deus me livre, eu tenho medo
Morrer dependurado numa cruz
Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
E entrar pra história e com vocês
Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
E entrar pra história e com vocês

Compositores: Claudio Roberto Andrade De Azeredo / Raul Seixas

Clipe de Cowboy Fora da Lei

Vídeo tão divertido quanto a própria letra da música, satirizando os antigos filmes de faroeste. Um barato!

 

Sociedade Alternativa – Músicas de Raul Seixas

Presenta já no segundo álbum de Raulzito, “Sociedade Alternativa” rapidamente se tornou um hino, não apenas no meio do insipiente rock nacional, mas, em todo país. Tanto é que a canção deu sérias dores de cabeça ao cantor, seja por conta da perseguição da censura, seja por conta dos fanáticos que viam na letra uma espécie de “nova religião”.

Letra de Sociedade Alternativa

Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (Viva! Viva!)
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (Viva o novo eon)
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (Viva! Viva! Viva!)
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa!
Se eu quero e voçê quer
Tomar banho de chapeu
Ou esperar Papai Noel
Ou discutir Carlos Gardel
Então vá
Faça o que tu queres pois é tudo da lei
Da lei
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (Faz o que tu queres, ha de ser tudo da lei)
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (Todo homem, toda mulher, é uma estrela)
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (Viva! Viva!)
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! Ham
Mais se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou discutir Carlos Cardel
Ou esperar Papai Noel
Então vá
Faça o que tu queres pois é tudo da lei
Da lei
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (Numero 666 chama se, Alestair Crowley)
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (Faz o que tu queres, ha de ser tudo da lei)
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa!
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (A lei do forte, essa é a nossa lie, e a alegria do mundo)
Viva! Viva!
Viva a sociedade alternativa! (Viva! Viva! Viva!)
Viva! Viva! (Viva o novo eon)

Compositores: Paulo Coelho / Raul Seixas

Clipe de Sociedade Alternativa

Vídeo, digamos, mais “coreografado” de Raul, mas, ainda assim, com a típica anarquia que lhe era peculiar.

 

Eu Também Vou Reclamar – Músicas de Raul Seixas

Aqui, Raul resolve apostar numa crítica às músicas de protesto (bastante em voga na época) para, ele mesmo, fazer declaradamente a sua música de protesto. Um dos pontos alto da carreira do “Maluco Beleza”.

Letra de Eu Também Vou Reclamar

Mas é que se agora
Pra fazer sucesso
Pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem
Que reclamar
Eu vou tirar
Meu pé da estrada
E vou entrar também
Nessa jogada
E vamos ver agora
Quem é que vai güentar
Porque eu fui o primeiro
E já passou tanto janeiro
Mas se todos gostam
Eu vou voltar
Tô trancado aqui no quarto
De pijama porque tem
Visita estranha na sala
Aí eu pego e passo
A vista no jornal
Um piloto rouba um “mig”
Gelo em Marte, diz a Viking
Mas no entanto
Não há galinha em meu quintal
Compro móveis estofados
Me aposento com saúde
Pela assistência social
Dois problemas se misturam
A verdade do Universo
A prestação que vai vencer
Entro com a garrafa
De bebida enrustida
Porque minha mulher
Não pode ver
Ligo o rádio
E ouço um chato
Que me grita nos ouvidos
Pare o mundo
Que eu quero descer
Olhos os livros
Na minha estante
Que nada dizem
De importante
Servem só prá quem
Não sabe ler
E a empregada
Me bate à porta
Me explicando
Que tá toda torta
E já que não sabe
O que vai dá prá mim comer
Falam em nuvens passageiras
Mandam ver qualquer besteira
E eu não tenho nada
Prá escolher
Apesar dessa voz chata
E renitente
Eu não tô aqui
Prá me queixar
E nem sou apenas o cantor
Que eu já passei
Por Elvis Presley
Imitei Mr. Bob Dylan, you know
Eu já cansei de ver
O Sol se pôr
Agora eu sou apenas
Um latino-americano
Que não tem cheiro
Nem sabor
E as perguntas continuam
Sempre as mesmas
Quem eu sou?
Da onde venho?
E aonde vou, dá?
E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como um avião pode voar
Ao meu lado um dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar
Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz
Latino-americano
Que também sabe
Se lamentar
E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo
Que eu quero chegar
E fim de papo!

Compositores: Paulo Coelho / Raul Seixas

Clipe de Eu Também Vou Reclamar

Vídeo muito legal de Raul, que, assim como outro, é “interpretado” por ele mesmo, dando o recado de maneira direta.

 

O Dia em que a Terra Parou – Músicas de Raul Seixas

Uma das músicas mais inspiradas de Raul, que, assim como “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”, conta uma história, no mínimo, peculiar, em que há diversas críticas sociais estrategicamente colocadas aqui e acolá.

Letra de O Dia em que a Terra Parou

Essa noite eu tive um sonho
De sonhador
Maluco que sou, eu sonhei
Com o dia em que a Terra parou
Com o dia em que a Terra parou
Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa
Como que se fosse combinado em todo
O planeta
Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém ninguém
O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não tava lá
Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não tava lá
E o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar
No dia em que a Terra parou (êê)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou
E nas Igrejas nem um sino a badalar
Pois sabiam que os fiéis também não tavam lá
E os fiéis não saíram pra rezar
Pois sabiam que o padre também não tava lá
E o aluno não saiu para estudar
Pois sabia o professor também não tava lá
E o professor não saiu pra lecionar
Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou
No dia em que a Terra parou
O comandante não saiu para o quartel
Pois sabia que o soldado também não tava lá
E o soldado não saiu pra ir pra guerra
Pois sabia que o inimigo também não tava lá
E o paciente não saiu pra se tratar
Pois sabia que o doutor também não tava lá
E o doutor não saiu pra medicar
Pois sabia que não tinha mais doença pra curar
No dia em que a Terra parou (oh yeah)
No dia em que a Terra parou (foi tudo)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou
Essa noite eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou, acordei
No dia em que a Terra parou (oh yeah)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou (eu acordei)
No dia em que a Terra parou (acordei)
No dia em que a Terra parou (justamente)
No dia em que a Terra parou (eu não sonhei acordado)
No dia em que a Terra parou
No dia em que a Terra parou (no dia em que a terra
Parou)

Compositores: Claudio Roberto Andrade De Azeredo / Raul Seixas

Clipe de O Dia em que a Terra Parou

Vídeo também protagonizado por Raulzito, quase como um profeta a nos guiar.

 

Loteria da Babilônia – Músicas de Raul Seixas

Música emblemática da carreira de Raul, que tem muito das principais características do cantor e compositor, como o lado místico, a crítica social embutida, e por aí vai. Grande música.

Letra de Loteria da Babilônia

E grita ao mundo
Que você está certo
Você aprendeu tudo
Enquanto estava mudo
Agora é necessário
Gritar e cantar Rock
E demonstrar o teorema da vida
E os macetes do xadrez
Do xadrez!
Você tem as respostas
Das perguntas
Resolveu as equações
Que não sabia
E já não tem mais nada
O que fazer a não ser
Verdades e verdades
Mais verdades e verdades
Para me dizer
A declarar!
Tudo o que tinha
Que ser chorado
Já foi chorado
Você já cumpriu
Os doze trabalhos
Reescreveu livros
Dos séculos passados
Assinou duplicatas
Inventou baralhos
Passeou de dia
E dormiu de noite
Consertou vitrolas
Para ouvir música
Sabe trechos da Bíblia de cor
Sabe receitas mágicas de amor
Conhece em Marte
Um amigo antigo lavrador
Que te ensinou a ter
Do bom e do melhor
Do melhor!
Mas o que você
Não sabe por inteiro
É como ganhar dinheiro
Mas isso é fácil
E você não vai parar
Você não tem perguntas
Prá fazer
Porque só tem verdades
Pra dizer
A declarar

Compositores: Paulo Coelho / Raul Seixas

Clipe de Loteria da Babilônia

Vídeo que capta o áudio ao vivo da música, o que só ajuda a engrandecer essa canção.

 

Trem das 7 – Músicas de Raul Seixas

Eis aqui mais uma música profética do “Maluco Beleza”, que possui um forte teor místico, ao mesmo tempo que possui um lindo arranjo. Sem dúvida, uma das mais bonitas músicas de Raul.

Letra de Trem das 7

Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon
Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem
Quem vai chorar, quem vai sorrir?
Quem vai ficar, quem vai partir?
Pois o trem está chegando, ‘tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão
Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar
Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons
Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral
Amém

Compositores: Raul Seixas

Clipe de Trem das 7

Vídeo mais intimista, até para casar bem com a composição de “Trem das 7”.

 

As Minas do Rei Salomão – Músicas de Raul Seixas

Composição amalucada de Raul Seixas, divertidíssima, mas, que não abdica da inteligência. E, claro, mais uma vez, o lado mais místico imperando, algo constante na obra de Raulzito como um todo.

Letra de As Minas do Rei Salomão

Entre, vem correndo para mim
Meu princípio já chegou ao fim
E o que me resta agora é o seu amor
Traga a sua bola de cristal
E aquele incenso do Nepal
Que você transou num camelô
E me empresta o seu colar
Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó
E me empresta o seu colar
Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó
Veja quanto livro na estante!
“Don Quixote”, “O Cavaleiro Andante”
Luta a vida inteira contra o rei
Joga as cartas, lê a minha sorte
Tanto faz a vida como a morte
O pior de tudo eu já passei
Do passado me esqueci
No presente me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Do passado eu me esqueci
No presente eu me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Veja quanto livro na estante!
“Don Quixote”, “O Cavaleiro Andante”
Luta a vida inteira contra o rei
Joga as cartas, lê a minha sorte
Tanto faz a vida como a morte
O pior de tudo eu já passei
Do passado eu me esqueci
No presente me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Do passado me esqueci
No presente me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Ha!

Compositores: Paulo Coelho / Raul Seixas

Clipe de As Minas do Rei Salomão

Mais um vídeo feito em colaboração com os fãs de Raul, um culto que, ainda hoje, permanece forte.

Tente Outra Vez – Músicas de Raul Seixas

Ok, essa composição poderia ser, perfeitamente, rotulada como um chato manual de auto-ajuda, mas, certo mesmo, é que apesar de de cheia de conselhos, a composição também tem um quê de crítica, que instiga o ouvinte a “se mexer”.

Letra de Tente Outra Vez

Veja!
Não diga que a canção
Está perdidaTente Outra Vez
Tenha fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!
Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!
Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça aguenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!
Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!
Humrum!
Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!

Compositores: Marcelo Ramos + Motta / Paulo Coelho / Raul Seixas

Clipe de Tente Outra Vez

Mais um vídeo “interpretado” por Raul, onde ele realmente se traveste de guru

 

Abre-te Sésamo – Músicas de Raul Seixa

Quando se pensava que Raulzito não conseguiria mais fazer álbuns maravilhosos, em 1980, ele lança “Abre-te Sésamo”, cuja faixa-título é um dos destaques absolutos desse grande disco do “Maluco Beleza”.

Letra de Abre-te Sésamo

Lá vou eu de novo
Um tanto assustado
Com Ali-Baba
E os quarenta ladrões
Já não querem nada
Com a pátria amada
E cada dia mais
Enchendo os meus botões…
Lá vou eu de novo
Brasileiro, brasileiro nato
Se eu não morro eu mato
Essa desnutrição
Minha teimosia
Braba de guerreiro
É que me faz o primeiro
Dessa procissão…
Fecha a porta! Abre a porta!
Abre-te Sésamo
Fecha a Porta! Abre a porta!
Eu disse:
Abre-te Sésamo…
Isso aí!
E vamos nós de novo
Vamo na gangorra
No meio da zorra desse
Desse vai-e-vem
É tudo mentira
Quem vai nessa pira
Atrás do tesouro
De Ali-bem-bem…
É que lá vou eu de novo
Brasileiro nato
Se eu não morro eu mato
Essa desnutrição
A minha teimosia
Braba de guerreiro
É que me faz o primeiro
Dessa procissão…
Fecha a Porta! Abre a porta!
Abre-te Sésamo
Fecha a Porta! Abre a porta!
Abre-te Sésamo
Fecha a Porta! Abre a porta!
Eu disse:
Abre-te Sésamo
Hêêêêi!
Abre a porta!
Eu disse:
Abre-te Sésamo…

Compositores: Cláudio Roberto / Raul Seixas

Clipe de Abre-te Sésam

Vídeo, originalmente, produzido pelo programa Fantástico, que até os anos 80, tinha muito desse hábito.

 

Metrô Linha 743 – Músicas de Raul Seixas

Os anos 80 foram bem difíceis pra Raul, bastante ignorado por público e crítica. Nessa fase de quase ostracismo, ele compôs uma de suas músicas mais fortes, “Metrô Linha 743”, que, obviamente, foi censurada pelos órgãos de repressão.

Letra de Metrô Linha 743

Ele ia andando pela rua meio apressado
Ele sabia que tava sendo vigiado
Cheguei para ele e disse: Ei amigo, você pode me ceder um cigarro?
Ele disse: Eu dou, mas vá fumar lá do outro lado
Dois homens fumando juntos pode ser muito arriscado!!
Disse: O prato mais caro do melhor banquete é
O que se come cabeça de gente
Que pensa e os canibais de cabeça descobrem aqueles que pensam
Porque quem pensa, pensa melhor parado!
Desculpe minha pressa, fingindo atrasado
Trabalho em cartório mas sou escritor,
Perdi minha pena nem sei qual foi o mês
Metrô linha 743
O homem apressado me deixou e saiu voando
Aí eu me encostei num poste e fiquei fumando
Três outros chegaram com pistolas na mão,
Um gritou: Mão na cabeça malandro, se não quiser levar chumbo quente nos cornos
Eu disse: Claro, pois não, mas o que é que eu fiz?
Se é documento eu tenho aqui
Outro disse: Não interessa, pouco importa, fique aí!
Eu quero saber o que você estava pensando
Eu avalio o preço me baseando no nível mental
Que você anda por aí usando
E aí eu lhe digo o preço que sua cabeça agora está custando
Minha cabeça caída, solta no chão
Eu vi meu corpo sem ela pela primeira e última vez
Metrô linha 743
Jogaram minha cabeça oca no lixo da cozinha
Eu era agora um cérebro, um cérebro vivo à vinagrete
Meu cérebro logo pensou: que seja, mas nunca fui tiéte
Fui posto à mesa com mais dois
E eram três pratos raros, e foi o maitre que pôs
Senti horror ao ser comido com desejo por um senhor alinhado
Meu último pedaço, antes de ser engolido ainda pensou grilado:
Quem será este desgraçado dono desta zorra tôda?
Já ta tudo armado, o jogo dos caçadores canibais
Mas o negócio é que da muito bandeira
da bandeira demais meu Deus
Cuidado brother, cuidado sábio senhor
É um conselho sério prá vocês
Eu morri e nem sei mesmo qual foi aquele mês
Metrô linha 743

Compositores: Raul Seixas

Clipe de Metrô Linha 743

Claro, como era de se imaginar, o vídeo pra uma música tão polêmica teria que vim recheado de críticas sociais.

 

How Could I Know  – Músicas de Raul Seixas

Raulzito sempre teve um pé na música internacional, apesar de valorizar bastante os sons da nossa terra. E, uma das suas melhores composições em inglês é “How Could I Know”, que possui um belíssimo arranjo, de muito bom gosto.

Letra de How Could I Know

Reformulation, rearrange the game you’re in
Let us start from the begin
With confidence you’ll win
That’s the reason you were born
‘Cause Jesus Christ, man
Won’t be coming back no more
He set up his proper laws
And you know well that he did
Just what he should have done
As I was growing
And my hair was getting longer
I was feeling so much stronger
I could carry my guitar, and I knew
That I could sing
But hey, how could I know?
The wind would blow with the rain
Hey, how could I see
What would they make out of me?
When I was little
Used to dream I was a king
Now they taught me how to sing
Think I’ve got most everything
I could ever ask for
You’ve got your pencil, your guitar
Your amplifier
Searching for the lousy liars
You will set this world on fire
Like Nero did to Rome, yeah!
But hey, how could I know
My eyes could see in the dark?
Hey, don’t press on me
I’m not to blame can’t you see?
It’s been so long now
Since the latest red has gone
Who knows you’ll be the next
To go down the history

Compositores: Raul Seixas

Clipe de How Could I Know

Vídeo que capta mais um momento ao vivo do “Maluco Beleza”.

 

Toca Raul!

Sem dúvida, Raul Seixas foi um dos maiores artistas que tivemos nos últimos anos, que contribuiu enormemente para a consolidação do rock nacional (sem deixar as suas raízes regionais de fora), e ainda sendo sempre crítico, certeiro e mordaz. Grande Raul!

 

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