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Músicas Sertanejas

Músicas Sertanejas 28

O sertanejo, como cultura, já virou patrimônio cultural no Brasil há muito tempo. Tendo mais de cem anos de vida, a música sertaneja passou por diversas evoluções até chegar aos dias de hoje. Das antigas modas e emboladas ao sertanejo universitário atualmente, esse é um gênero que, certamente, representa o povo brasileiro.

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Músicas Sertanejas

As músicas sertanejas sempre tiveram algum destaque entre o público, que consumia (e ainda consome) bastante as produções do estilo. A seguir, vamos enumerar algumas das músicas mais importantes desse gênero musical ao longo dos anos.

O Menino da Porteira, de Sérgio Reis – Músicas Sertanejas

Gravada pela primeira vez pela dupla Luizinho e Limeira em 1955, “O Menino da Porteira” se tornou uma das composições que melhor representa o mundo sertanejo, tendo ficado ainda mais conhecida na versão de Sérgio Reis, outro grande representante do estilo.

Letra de O Menino da Porteira, de Sérgio Reis

Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo

Quando a boiada passava e a poeira ia baixando
eu jogava uma moeda e ele saía pulando
Obrigado boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando
pra aquele sertão à fora meu berrante ia tocando

Nos caminhos desta vida muitos espinhos eu encontrei
mas nenhum calou mais fundo do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada o menino não avistei

Apeei do meu cavalo e no ranchinho a beira chão
Ví uma mulher chorando, quis saber qual a razão
– Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão
Quem matou o meu menino foi um boi sem coração

Lá pras bandas de Ouro Fino levando gado selvagem
quando passo na porteira até vejo a sua imagem
O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem

A cruzinha no estradão do pensamento não sai
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure, e eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão berrante eu não toco mais

Compositores: Luiz Raymundo / Teddy Vieira De Azevedo

Clipe de O Menino da Porteira, de Sérgio Reis

Áudio original da canção.

 

Chico Mineiro, de Tonico & Tinoco – Músicas Sertanejas

A composição de “Chico Mineiro” é o que chamamos de moda de viola, e foi a canção responsável pelo estouro nacional da dupla Tonico & Tinoco, uma das mais influentes do estilo até os dias de hoje.

Letra de Chico Mineiro, de Tonico & Tinoco

Cada vez que me alembro
Do amigo Chico Mineiro
Das viage que nois fazia
Era ele meu companheiro

Sinto uma tristeza
Uma vontade de chorar
Alembrando daqueles tempos
Que não mais há de voltar

Apesar de eu ser patrão
Eu tinha no coração
O amigo Chico Mineiro
Caboclo bom decidido
Na viola era dolorido e era o peão dos boiadeiro

Hoje porém com tristeza
Recordando das proeza
Da nossa viage motin

Viajemo mais de dez anos
Vendendo boiada e comprando
Por esse rincão sem fim

Caboclo de nada temia
Mas porém, chegou um dia
Que Chico apartou-se de mim

Fizemos a última viagem
Foi lá pro sertão de Goiás
Fui eu e o Chico Mineiro
Também foi o capataz

Viajamos muitos dias
Pra chegar em Ouro Fino
Aonde nós passemo a noite
Numa festa do Divino

A festa tava tão boa
Mas antes não tivesse ido
O Chico foi baleado
Por um homem desconhecido

Larguei de comprar boiada
Mataram meu companheiro
Acabou-se o som da viola
Acabou-se o Chico Mineiro

Despois daquela tragédia
Fiquei mais aborrecido
Não sabia da nossa amizade
Porque nois dois era unido

Quando vi seu documento
Me cortou meu coração
Vim saber que o Chico Mineiro
Era meu legítimo irmão

Compositores: Francisco Ribeiro Barbosa / João Salvador Perez

Clipe de Chico Mineiro, de Tonico & Tinoco

Apresentação rara e antiga de Tonico & Tinoco, em programa apresentado por Lima Duarte.

 

A Moda da Mula Preta, de Inezita Barroso – Músicas Sertanejas

Ao longo de muitos anos, “A Moda da Mula Preta” foi um clássico gravado por artistas como Torres e Florêncio, Luiz Gonzaga, Teixeirinha e Rolando Boldrin, tendo alcançado o seu nível maestria na versão feita por Inezita Barroso.

Letra de A Moda da Mula Preta, de Inezita Barroso

Eu tenho uma mula preta
Tem sete palmo de altura
A mula é descanelada
Tem uma linda figura
Tira fogo na calçada
No rampão da ferradura
Com a morena dilicada
Na garupa faz figura
A mula fica enjoada,
Pisa só de andadura
O ensino na criação
Veja quanto que regula
O defeito do mulão,
Se eu conta ninguém calcula
Moça feia e marmanjão,
Na garupa a mula pula
Chega a fazer cerração
Todos pulos dessa mula
Cara muda de feição,
Sendo preto fica fula
Eu fui passear na cidade,
Só numa volta que eu dei
A mula deixou saudade
No lugar onde eu passei
Pro mulão de qualidade
Quatro mil eu injeitei
Prá dizer mermo a verdade,
Nem satisfação eu dei
Fui dizendo boa tarde,
Prá minha casa voltei
Soltei a mula no pasto,
Veja o que me aconteceu
Uma cobra venenosa
A minha mula mordeu
Com o veneno desta cobra
A mula nem se mexeu
Só durou mais quatro horas
Depois a mula morreu
Acabou-se a mula preta
Que tanto gosto me deu

Compositor: Raul Torres

Clipe de A Moda da Mula Preta, de Inezita Barroso

Apresentação no programa “Viola, Minha Viola”, em 2008.