Fala pessoal, acredito que muitos de vocês conhecem a obra a ser analisada hoje. Belíssima, não é mesmo? Pois bem, o melhor de tudo é que podemos trabalhá-la em sala de aula, tirando o maior proveito possível do presente que Jane Austen nos deixou.

Orgulho e Preconceito: tudo o que você precisa saber sobre esta obra e sua autora

Jane Austen foi uma escritora inglesa que viveu entre o final do século XVIII e início do XIX, considerada por muitos críticos literários ingleses a figura mais importante da literatura nacional depois de Shakespeare. A vida recatada e protegida que levou não teve nenhum efeito negativo sobre sua ficção. Austen (1775/1817) nasceu na casa paroquial de Stevnton, Hampshire, Inglaterra. Seu pai foi sacerdote e viveu a maior parte da vida nessa região. Jane era a sétima de oito irmãos. Com a morte de seu pai em 1805, Jane, a irmã Cassandra e sua mãe mudaram-se para Chawton, onde passaram a viver numa propriedade cedida por um de seus irmãos. Jane Austen nunca se casou.

Mesmo depois de ter seu talento como escritora reconhecido, Jane continuou a levar a vida num relativo isolamento, até porque a profissão de romancista (e qualquer outra profissão) não era bem vista pela sociedade, já que na visão da época (cujos ecos ressoam até hoje) uma mulher não deveria permanecer solteira e sem o respaldo de uma figura masculina. Devido a uma doença grave, Jane viajou para Winchester a à procura de tratamento, mas ali faleceu, aos 41 anos, e foi sepultada na catedral da cidade.

A fama de Jane Austen perdura até os dias atuais, seus livros permanecem entre os mais vendidos em listas ao redor do mundo, incluindo “Orgulho e Preconceito”, que já teve várias adaptações para o cinema, teatro e televisão.

“Orgulho e Preconceito”, publicado pela primeira vez em 1813, descreve a história das cinco irmãs Bennet: Elizabeth, Jane, Lydia, Mary e Kitty. Sua mãe, a Sra. Bennet, desenvolveu uma verdadeira obsessão por casar as filhas com homens que pudessem garantir os futuros delas e o seu. A propriedade em que viviam seria herdada pelo parente do sexo masculino mais próximo após a morte do Sr. Bennet, já que a Sra. Bennet não tivera um filho homem e se tratava de uma propriedade vinculada. Nessa busca por casamentos para as filhas, a família Bennet conhece o Sr. Bingley e o Sr. Darcy. Nesse encontro o Sr. Bingley se interessa pela irmã mais velha da Srta. Jane Bennet.  O Sr. Darcy e a Srta. Elizabeth Bennet, por sua vez, vão desenvolvendo uma aversão mútua devido aos seus temperamentos, baseados em suas ideias e sobretudo em seus orgulhos e preconceitos.

Elizabeth Bennet é uma mulher centrada e racional, que anseia por uma vida mais ampla do que àquela restrita à dedicação ao casamento e suas responsabilidades. Mesmo vivendo no século XVIII, a Srta. Bennet não achava que ser “bela, recatada e do lar” bastasse. Ela analisa o comportamento das mulheres e suas opções decorrentes da postura e posição que ocupam na sociedade. A falta de desenvoltura social da Sra. Bennet leva Elizabeth muitas vezes a ter que contornar situações vexatórias em público.

Elizabeth conhece o Sr. Darcy em uma reunião e a primeira reação de ambos é de total aversão. Lizzy (forma como Elizabeth é chamada em casa) considera o Sr. Darcy um homem rico e presunçoso que só vive para seu dinheiro, sua arrogância e sua comodidade. Suas ideias se verbalizam na cena onde ela satiriza o conceito de “mulher prendada” do Sr. Darcy, numa reunião na casa do Sr. Bingley:

“[…] então, observou Elizabeth, você deve abranger muita coisa em seu conceito de uma mulher prendada. – Sim, considero muita coisa nele. – Oh! Certamente, exclamou seu fiel assistente, – ninguém pode realmente ser considerada como prendada se não ultrapassa em muito o que é geralmente tido como prendada. Uma mulher deve ter um vasto conhecimento de música, canto, desenho, dança e dos idiomas modernos para merecer a palavra; e, além de tudo, ela deve possuir um certo quê em seu semblante e modo de caminhar, o tom de sua voz, sua maneira de falar e suas expressões ou a palavra seria meio merecimento. – Tudo isso ela deve possuir, acrescentou Darcy, – e a tudo isso ela deve adicionar algo mais substancial, no aprimoramento de seu espírito com uma ampla leitura. – Já não estou tão mais surpresa por você conhecer apenas seis mulheres prendadas. Agora me surpreende por conhecer alguma […]”

Outro tema retratado em “Orgulho e Preconceito é a utilização da influência pública e privada para proteger e aconselhar parentes e amigos a se afastar das pessoas indesejáveis que possam vir a denegrir a reputação do grupo. Elizabeth crê ter sido o Sr. Darcy a principal pessoa a influenciar o Sr. Bingley na decisão de desistir do casamento com sua irmã, e isso só reforça a opinião negativa que ela vinha construindo sobre o Sr. Darcy.

A história prossegue retratando os encontros entre a Srta. Elizabeth e o Sr. Darcy, o confronto entre o orgulho e o preconceito de ambos, que utilizam suas influências e imagens tanto na esfera pública quanto na privada para construírem sua argumentação e assim defender seus pontos de vista.

Somente após terem esclarecido todas as suas dúvidas e incertezas quanto aos prós e contras de uma união como casal é que eles derrubam a barreira representada pelo orgulho e preconceito de ambos para ficarem juntos.

PRINCIPAIS PERSONAGENS

 

Elizabeth Bennet– Protagonista do romance e uma das personagens mais conhecidas da literatura inglesa. Suas qualidades positivas se misturam à sua tendência aos pré-julgamentos.

Fitzwilliam Darcy– Homem inteligente, rico e tímido, que normalmente parece arrogante e orgulhoso aos desconhecidos, mas que possui por trás dessa fachada um interior honesto e bondoso. Inicialmente considera Elizabeth socialmente inferior, não merecedora de suas atenções, mas descobre que não pode negar a paixão que sente por ela.

Jane Bennet– A mais velha das irmãs Bennet. De personalidade tímida, é ingênua e pura de sentimentos. Se apaixona por Charles Bingley e fica desolada quando ele abruptamente termina seu relacionamento com ela sem dar maiores explicações.

Charles Bingley- O melhor amigo de Darcy, apesar de possuírem personalidades muito distintas. É um jovem extrovertido e extremamente amável.

Sr. Bennet– Patriarca da Família Bennet. Um homem agradável, sarcástico e algo excêntrico. Irresponsável e distante em relação à família.

Sra. Bennet- Esposa queixosa e mal-educada do Sr. Bennet, é a mãe de Elizabeth e suas irmãs.

 

ALGUMAS IDEIAS PARA TRABALHAR “ORGULHO E PRECONCEITO” EM SALA DE AULA

  • O livro pode ser trabalho no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio, nas Disciplinas: História, Literatura e Língua Portuguesa. É uma leitura altamente recomendada nos cursos de graduação em Direito, História, Ciências Sociais e Letras.
  • A obra apresenta uma narrativa linear e uma estrutura textual que torna sua leitura extremamente fácil, além de uma temática atraente para o público jovem, mesmo tendo sido escrito há mais de duzentos anos. Esses elementos tornam seu uso em sala de aula totalmente viável.
  • No aniversário de 200 anos da publicação do livro foram produzidas diversas matérias jornalísticas que podem ser utilizadas em atividades que trabalhem a intertextualidade.
  • Já que a história fala de estereótipos e pré-julgamentos, Orgulho e Preconceito é um bom ponto de partida para se debater essas questões sempre atuais.
  • Em Orgulho e Preconceito, Jane Austen faz uma profunda análise da sociedade inglesa entre fins do século XVIII e início do século XIX através da análise das relações sociais nas esferas pública e privada, o que apresenta a possibilidade de utilizar a obra como fonte histórica para a conjuntura à qual ela se insere, explorando a relação entre História e Literatura.
  • O fato de Orgulho e Preconceito ter se tornado um clássico mundial sem ter apresentado grandes inovações dentro do gênero literário ao qual pertence pode ser a base de um questionamento sobre quais características fazem um livro se tornar um clássico.
  • Do ponto de vista da Literatura, pode-se explorar a relação entre produção do texto literário e processo social.
  • A questão de gênero é um dos principais temas do livro, embora possa ser anacrônico chamar a heroína Elizabeth de feminista. “Orgulho e Preconceito” pode ser um ponto de partida para discutir a questão da desigualdade de gênero, focando nas mudanças e permanências da época em que a história se passa até os dias atuais.
  • O livro possui diversas adaptações para o teatro, cinema e televisão que podem servir para complementar a leitura.

Cena de “Amor e Inocência” (2007), filme inspirado na vida de Jane.

WEB

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