Poesias de Jessica Melo

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Poesias de Jessica Melo 3

No post de hoje eu te convido a conhecer minha escrita, que não segue regra nem possui definição, mas que carrega a única coisa que dá vida a uma leitura. O sentimento.

Minicontos e poesias de Jessica Melo

Seguem então 10 minicontos e poesias de Jessica Melo:

Minicontos de Jessica Melo: SEU KARMA

Minicontos de Jessica Melo- SEU KARMA

Você não tem ideia do quanto te amo quando usa minha camisa; quando te examino enquanto dorme feito anjo; quando deita de bruços, cruza as pernas no alto e relaxa lendo um livro qualquer; quando seu cabelo está todo bagunçado; quando me acorda de manhã com um beijo molhado; quando passeia com a nossa poodle pela vizinhança, e sorri, espalhando uma enxurrada de boa tarde; quando dança toda desengonçada e continua sendo a garota mais sensual que já conheci; quando sorri de lado e elogia o prato que te preparei, mesmo sabendo que errei no ponto; quando deita no meu peito em um final de noite e conta com todo entusiasmo a novidade da vez; quando percebe que não estou bem, não por eu fingir mal, mas por conhecer meus trejeitos; quando cuida de mim se me machuco na pelada; quando briga comigo por ser um babaca se passo dos limites com o ciúme; quando assiste filme de terror ao meu lado, morrendo de medo, e mesmo assim permanece na sala, não arreda o pé; quando me ama, apesar de todos os “mas” que nos cercam.

Ah, menina, tudo parece tão simples ao teu lado que deixar tudo de lado pra te observar não demoraria mais que um piscar de olhos. Têm horas que paro e penso – meu Deus, que sorte!

É o que és: meu amuleto.

Por isso, te carrego por onde vou, sabendo que se um dia não estiver contigo, perderei toda e qualquer batalha.

Serei nada.

Hoje, tudo que te peço é que me deixe ao menos passar a vida ao teu lado. Como recompensa, darei a liberdade de fazer o seu pior, porque nem ele, amor, vai me impedir de te pertencer para todo o sempre.

Você está conectada em mim.

Sou seu karma.

Poesias de Jessica Melo: MARIA

poesia de jessica melo maria

Olha Maria, eu sei como é sentir essa dor. Quando acontece, as pessoas te olham com compaixão, se comovem, mas depois todos seguem sua vida.

O cômico é que há a suposição de que você também seguiu normalmente.

Os vizinhos conversam entre si quando você passa na rua, dizendo: foi só um “imprevisto” do  destino, ela já tá até sorrindo, né?!

E fim.

Logo depois,

outro acontecimento,

e novamente,

todo mundo esquece.

Afinal, em que afetou na vida do vizinho, colega de sala, ou primo de terceiro grau? Em nada.

Você, por sua vez, é afetada permanentemente.

“Alma de luto sempre incompreendida!(…) Sou aquela que passa e ninguém vê …”

Um marco.

Tudo sai de controle.

Perder um ente querido não é algo que um dia a gente supere.

O que nos resta é deixar que a dor faça seu efeito enquanto trabalhamos em fazer a armadura cair.

Somos corroídos por dentro, criando um buraco que,

diferente da nossa epiderme,

não se reconstrói.

Poesia de Jessica Melo: É SOBRE VOCÊ E O VAZIO QUE ME DEIXOU

É sobre você e o vazio que me deixou

Você me inspirou a escrever quando eu nunca imaginei que teria dom pra isso, e quando apagava tudo, você me pedia pra recomeçar

de novo

e de novo

porque eu tinha que acreditar em mim

você me acalmou quando tudo ao meu redor estava um caos,

e eu só conseguia tremer e chorar, enquanto a ansiedade dominava a ponto de me engolir

você esteve comigo no momento mais sombrio e mostrou que não havia problema algum em se deixar repousar na escuridão por algum tempo se você estava lá, do meu lado

e hoje eu não sei onde você tá

não tem nenhum resquício seu aqui

é estranho,

pra não dizer doloroso,

perceber o vazio

e eu não tenho noção nem de como terminar esse texto,

e tantos outros que foram inspirados por você, escritos pra você, inacabados num canto qualquer

a verdade é que talvez eu tenha medo de um ponto final,

e por isso insista em pôr tanta vírgula quando já não faz sentido algum

não faz sentido algum continuar vivenciando isso

mas acontece que, não quero aceitar que não há mais nada de você aqui,

em mim

e que decidiu por conta própria me abandonar, consumindo tudo o que havia me feito melhor um dia

você.

Poesias de Jessica Melo: VERMELHO

poesia vermelho

 O meu sangue é tão vermelho quanto o seu, no entanto, quando passo na rua você fixa um olhar de julgamento pro meu cabelo só porque ele é enjubado.

O meu sangue é tão vermelho quanto o seu, mas quando eu entro no busão percebo sua mão encobrindo os pertences, sinto o odor do medo embutido que a minha presença lhe causa.

O meu sangue também é vermelho, parça, mas se tô numa fila de primeira classe, o seu descontentamento é explícito, isso quando não ouço uma piada.

Meu sangue,

ele é vermelho,

cê sabia?

É que quando tô no mercado alguém sempre me confunde com o atendente. e quando vou numa loja daquelas “gran fina”, não recepcionam me com o mesmo apreço.

Por causa da minha cor

MINHA COR

Que carrega história desde as senzalas; que inspira minha gente a lutar pelo seu lugar. Gente que incomoda sem nem ver de quê, e que sofre com o preconceito velado por onde passa.

Que tantas vezes

se cala,

se priva,

se policia

Por sentir o descaso, sentir o cansaço de uma luta de tantas gerações nas costas, no encalço, na rotina. Todavia, ainda segue confrontando por um bem maior, o de produzir paz em vez de guerra.

Agora me diz você, por que causar tanta dor em nós quando o nosso sangue, irmão, ele é da mesma cor?

Poesias de Jéssica Melo: PARAÍSO E PERDIÇÃO

Paraíso e perdição

Eu te amo

tanto que chega a doer,

quase de maneira insuportável, insuperável

eu vibro ao ouvir o som da tua voz

e ao sentir o calor do teu hálito ao pé da nuca

caio em decadência assim que tua mão me toca

me desmonto

o teu perfume inebriante me conduz a um mar de delírios deliciosos que apenas palavras não conseguiriam explicitar

eu te amo

tanto que as vezes chego a sentir medo

medo da imensidão desse sentimento

e da intensidade com que ele flui

receio, no íntimo, a cratera que possa ser criada acaso haja um distanciamento entre nós

por favor, não esqueça

eu te amo

por mais clichê que possa ser

por mais fútil que essa frase tenha se tornado para a maioria

e a credibilidade da mesma tenha sido perdida em meio a tanta banalidade

acredite

não há outro alguém que possa me acalentar como você

cuidar das feridas

sentir prazer em desvendar os mistérios

desbravar os mais profundos sentimentos

dar de cara com os monstros internos

e ainda assim,

me amar

me fazer enxergar que há tanta beleza  na parte luz quanto sombra do meu ser

e me induzir a aceitar o fato de eu ser essa mescla

te amo e quero a sua felicidade

e ainda que isso signifique não fazer parte dela

não ouso, jamais, te prender

mesmo ciente da minha ruína

acredite em mim

quando te digo

você é meu paraíso e minha perdição.

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Poesias de Jessica Melo: GUILHERME

poesias para guilherme

Guilherme,

desde que bateu a porta do quarto e foi embora,

meus dias não têm sido os mesmos.

Eles se resumem em rotina, tudo o que não era quando eu estava contigo.

Não tenho saído de casa,

nem visto o sol,

confesso.

E não pense que quero te fazer sentir pena, porque gosto de estar aqui, de estar assim.

Só quero deitar agarrada ao teu travesseiro, porque na fronha tem teu perfume, o mesmo que exalava quando me abraçava enquanto eu aproveitava pra deitar a cabeça em teu peito.

Ainda lembro bem de como era sentir teu coração palpitar,

é o som mais bonito já ouvido,

depois da tua voz.

Falando nisso, numa noite qualquer achei uma gravação sua no meu celular, ela nunca sai do topo da playlist, talvez goste de saber.

Passaria minha vida aqui, mas preciso me alimentar, mesmo sem querer…

E quando chego na cozinha, é inevitável não rever tudo o que vivi contigo naquele cômodo,

parece um filme rebobinando toda hora, lembro, principalmente, daquele dia que a gente fez brigadeiro de panela e eu te melequei todo,

é clichê demais – eu sei.

A vida é um clichê barato, meu bem, e eram esses momentos que me faziam feliz, simplesmente porque continham você.

Qualquer lugar dessa casa me faz lembrar,

dos nossos momentos,

brigas,

reconciliações,

e eu não me importo, sabe?

É um alívio,

por mais errado que pareça ser,

ter esse cantinho que foi meu e seu,

que sempre será,

pra preencher um pouco do enorme vácuo que me tornei desde que te vi partir.

Talvez essa escrita não chegue nas suas mãos,

talvez o carteiro erre o endereço,

talvez seu cachorro rasgue tudo antes que retorne de mais um dia cansativo de trabalho,

mas, se talvez nada disso acontecer e tiver lido até aqui, meu bem,

saiba que todos os poros do meu corpo te amam.

Poesias de Jessica Melo: MEUS OLHOS TRANSBORDAM SAUDADE

 MEUS OLHOS TRANSBORDAM SAUDADE

Eu sinto falta de você.

Espero que em algum lugar desse mundo, ou em outra dimensão, ainda seja possível te fazer saber a falta que há aqui, em mim.

Só queria ter tido

a última oportunidade de dizer

o quanto eu te amava.

Mesmo sabendo que você entendia

a minha falta de jeito com as palavras

e principalmente com o

“eu te amo”

dito em voz alta.

Porque você também era assim,

no entanto, gritante em atitudes

e isso era o que eu mais admirava

Eu te admirava tanto…

Até hoje meus olhos transbordam saudade ao lembrar do seu abraço,

do seu beijo singelo na minha testa,

ou até da sua preocupação no dia em que me internei por dias a fio.

Você ligava toda hora.

Dizia que ia ficar tudo bem comigo

e eu só conseguia sorrir porque sabia que bem era o que você menos estava se eu me encontrava ali, naquele hospital – você sabia o quanto era ruim aquele ambiente –, mesmo assim tentava me consolar a todo custo.

Eu sinto falta de você.

Cheguei a pensar que nunca iria conseguir externar a dor desse vazio,

e todo esse sentimento entranhado,

que me amolece a alma

e me faz chorar sempre que ouço seu nome.

Hoje é a primeira vez em quase três anos.

Que saudade…

Obrigada por mostrar o amor, que eu a muito desconhecia

e por me cuidar como ninguém faria

eu te agradeço por permanecer

vivo

dentro de mim

porque isso é o que me faz acreditar

hoje, amanhã e depois, que você realmente

passou por aqui.

Quase três anos, vovô…

Mas parece que foi ontem que morei pela ultima vez no seu abraço

e nem as lágrimas que molharam me impediram

de te sentir

dessa vez

gelado.

Minicontos de Jessica Melo: AMANHÃ, QUEM SABE, TU ME PERDOA

Amanhã, quem sabe, tu me perdoa

Quando tu vai voltar pra mim? Essa é a vigésima vez que te escrevo. Talvez a vigésima primeira. Pra falar a verdade, já perdi as contas. Não sei se essas cartas tão amontoadas na tua caixa de correio ou se foram guardadas em alguma caixinha debaixo das roupas… Vai ver tu tenha queimado tudo pra não lembrar de mim, hein?! Mesmo torcendo pra que isso não passe por tua mente, admito, eu já tentei.

Queimei nossas fotos, aqueles teus bilhetes que estavam pregados na porta da geladeira, a camisa que tu me deu no dia dos namorados, teu ursinho de pelúcia que foi deixado aqui, assim como todos os outros pertences que me traziam recordações tuas. Não adianta.

Cansei de tentar tirar da minha vista tudo o que me faz lembrar, até porque a cama tem teu cheiro; o sofá tá manchado desde o dia que tu derramou café expresso; o banheiro tá lotado com teus produtos faciais e a cozinha, toda enfeitada com os artesanatos que a gente trouxe daquela viagem ao Ceará. O que eu ia fazer? Tocar fogo na casa toda? Aposto que nem assim teria sossego.

Mulher, tais impregnada na minha mente, e ela eu não tenho o poder controlar. Hoje, mais uma vez, só me resta continuar te escrevendo, e rezando pra esse teu coração amolecer. Amanhã, quem sabe, tu me perdoa, esquece que eu te quebrei e me permite te remontar.

Poesias de Jessica Melo: LINHA TÊNUE

Linha Tênue

Sabe, K., talvez não saiba mas o que eu queria era te livrar dessa dor, e te fazer feliz, como você merece.

Queria poder transbordar amor do jeitinho que você faz, da forma mais pura, mas nunca consigo chegar nem perto.

e dói.

Dói porque você não entende que eu não sou suficiente.

Não entende que eu não me enquadro, de forma alguma, na pessoa que você mentalizou. E tu se sente insatisfeito com o que tenho dado. Implicitamente.

Mas eu percebo… não há como negar.

E esse perceber me faz sentir uma insignificância sem tamanho no peito.

Eu sei, eu sei, não é sua intenção…

Eu só queria que soubesse, K., que a minha também não é te ver assim, desse jeito.

É que eu sou complicada demais, cheia de rupturas e de águas passadas… Águas que na verdade nem sequer passaram. Eu vivo olhando pra trás e isso não me deixa espaço algum pra olhar pra frente.

Pra seguir em frente.

Parece que sempre te dou uma rasteira quando tá tudo nos conformes. Parece que sempre estrago a sua expectativa de um futuro perfeito.

E você deixa claro, K.

Deixa bem claro que se doa demais enquanto eu sou incógnita, insuficiência, e mais, um mundo inteiro de receio.

E que culpa tenho eu de não querer te magoar?

Eu não consigo espantar nem meus próprios demônios, ou sequer me curar por inteira… Como conseguiria lidar com isso, e ainda cuidar de você?

É preciso ter responsabilidade afetiva, entende? É preciso saber se colocar no lugar do outro.

Então, se puder, se coloque no meu uma única vez. Porque é isso que eu venho tentando fazer.

Poesias de Jessica Melo: I N C O N S T Â N C I A

inconstância

Tu se sente pressionado, todo dia

a ser quem menos gostaria de ser;

a fazer o que menos gostaria de fazer; pelas pessoas que mais deveriam te motivar a realizar somente, simplesmente,

o que te aproxima da tua essência.

Do teu eu.

E isso se torna nada menos que pesado, acumulativo, de todos os lados, e eu entendo tua dor.

Por que não veem?

Logo teu eu que grita

E tamborila alegria

Cheio de vida

Cargas d’água!

Nem cismam de apreciar.

Deveriam era te enxergar.

Além dessa tal de beleza imposta e determinada.

VOCÊ!

Já percebi que alguém precisa é escrever em letra garrafal pra esse povo botar na cabeça que a beleza, meu amigo, se mistura.

Não é tua, não é minha, nem é uma.

Nunca seguiu regra muito menos deu trégua pra ouvir palerma de quem quer ditar.

E pra deixar mais claro ainda, nunca foi essa coisa monótona que tão querendo inventar.

Ô povo besta, minha nossa senhora…

Não perceberam ainda que o segundo nome da danada é inconstância. Eu só digo é uma coisa, aí de quem tiver a audácia de tentar alterar.

FIM

Por hoje é isso pessoal, espero que tenham sentido cada palavrinha com a mesma intensidade que eu, ao escrever. Gratidão por terem lido minhas poesias. Para encontrar mais como essas basta seguir página @te_descrever no Instagram. Muita luz

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