10 Poesias sobre livros

0
1219
10 Poesias sobre livros 6

Olá pessoal, hoje o Demonstre está trazendo uma lista de 10 poesias sobre livros. Isso porque estão próximos o Dia Nacional do Livro Infantil e o Dia Mundial do Livro, que acontecem – respectivamente – 18 e 23 de abril.

Em homenagem ao nascimento de Monteiro Lobato, o dia 18 de abril foi escolhido para comemorar o Dia Nacional do Livro Infantil. A data foi instituída em 2002. Quanto ao Dia Mundial do Livro, a UNESCO optou por 23 de abril por conta de uma tradição catalã que consistia em dar rosas para quem comprasse livros neste dia.

Ambas as datas tem por objetivo a conscientização do prazer proporcionado pela leitura, seu poder de transformar e influenciar vidas. Pensando nisso, o Demonstre selecionou poesias que exaltam tal magnanimidade literária.

1. Poesia sobre livros – Paulo Vogt

A primeira poesia desta lista é de Paulo Vogt. Estes versos refletem como um livro pode transportar o leitor para mundos diferentes, transmitir conhecimento e cultura e muito mais.

Livros livres, homens livres

Eu leio
Releio
Aprendo e conheço
Faço uma viagem pelo mundo,
Respiro fundo
E sou mais feliz !
Um outro mundo é possível, através dos livros.
Há um outro mundo a sua espera.
Conhecimento, Cultura e Felicidade
Lhe esperam a partir da primeira página!
 Poetas, Professores, Estudantes ou simples Trabalhadores
Todos beneficiados com este
 Mundo mágico dos Livros!
Ah meu livro!
quando te abro,
não quero te fechar!
Ah meu livro!
quando te acho,
não quero te deixar!
Ah meu livro!
quando te leio me encontro,
me completo,
 não quero descansar!

2. Poesias sobre livros – Pedro Mexia

A poesia que se segue é de autoria do poeta português Paulo Mexia. Pó apresenta um eu-lírico marcado por seus livros, revelando a relação do leitor com seus livros.

Nas estantes os livros ficam
(até se dispersarem ou desfazerem)
enquanto tudo
passa. O pó acumula-se
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas.
Quando a cidade está suja
(obras, carros, poeiras)
o pó é mais negro e por vezes
espesso. Os livros ficam,
valem mais que tudo,
mas apesar do amor
(amor das coisas mudas
que sussurram)
e do cuidado doméstico
fica sempre, em baixo,
do lado oposto à lombada,
uma pequena marca negra
do pó nas páginas.
A marca faz parte dos livros.
Estão marcados. Nós também.

3. Poesia sobre livros – João Pedro Mésseder

Mais um poeta português na nossa lista. João Pedro Mésseder, em sua poesia Um livro, retrata as viagens feitas pelo leitor durante suas leituras.

Um livro

Levou-me um livro em viagem
não sei por onde é que andei
Corri o Alasca, o deserto
andei com o sultão no Brunei?
P’ra falar verdade, não sei

Com um livro cruzei o mar,
não sei com quem naveguei.
Com marinheiros, corsários,
tremendo de febres e medo?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me p’ra longe
não sei por onde é que andei.
Por cidades devastadas
no meio da fome e da guerra?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me com ele
até ao coração de alguém
E aí me enamorei –
de uns olhos ou de uns cabelos?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro num passe de mágica
tocou-me com o seu feitiço:
Deu-me a paz e deu-me a guerra,
mostrou-me as faces do homem
– porque um livro é tudo isso.

Levou-me um livro com ele
pelo mundo a passear
Não me perdi nem me achei
– porque um livro é afinal…
um pouco da vida, bem sei.

4. Poesia sobre livros – Jorge Luís Borges

Jorge Luís Borges, poeta português, também versejou sobre o prazer da leitura em sua poesia Os meus livros. Versejou sobre como o leitor se encontra e se identifica com determinados livros.

Os meus livros

Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.

5. Poesia sobre livros – Rainer Maria Rilke

Anúncios do Demonstre que vão te interessar:

Primeiro anúncio:

Estamos com o nosso aplicativo de formação de professores baseado em QUIZ já na Google Play. Baixe agora e teste suas habilidade docentes.

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.demonstre.quizapp

O aplicativo é gratuito e recebe um teste novo por semana. Ideal para quem quer revisar o conteúdo ou estudar para concurso.

Obs: o aplicativo é preparado com uma metodologia baseada em reflexão de tarefa, então, cada questão e resposta são apresentadas de maneira a validar e construir o conhecimento do usuário.

Segundo anúncio:

Compre o nosso ebook de atividades educativas para o mês de julho. Material 100 ilustrado, com atividades e roteiros de atividades únicas e focadas no ensino de leitura e escrito:

31 atividades escolares para o mês de julho

Clique aqui ou na imagem para comprar o ebook por apenas 10 reais!

Terceiro anúncio:

Continuamos com o projeto Poema de bom dia firme e forte, com mais de 30 publicações. Para ter acesso basta visitar o canal do Demonstre no Youtube: https://www.youtube.com/user/demonstrec ou clicar no play aqui na nossa playlist:

Para enviar o seu poema, basta encaminhar o mp3 + o texto para o e-mail: [email protected].

O homem que lê

Eu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo. —
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde… em todas elas.
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. —
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que está disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.

6. Poesia sobre livros – Jorge de Sousa Braga

A próxima poesia é de mais um poeta português, Jorge de Sousa Braga.  Seu poema retrata a conectividade entre as árvores e os livros.

As árvores e os livros

As árvores como os livros têm folha
se margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta de zonas temperadas».
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

7. Poesia sobre livros – José Jorge Letria

A poesia de José Jorge Letria explicita o carinho e o cuidado que os amantes literários têm por seus livros.

Os livros

Apetece chamar-lhes irmãos,
tê-los ao colo,
afagá-los com as mãos,
abri-los de par em par,
ver o Pinóquio a rir
e o D. Quixote a sonhar,
e a Alice do outro lado
do espelho a inventar
um mundo de assombros
que dá gosto visitar.
Apetece chamar-lhes irmãos
e deixar brilhar os olhos
nas páginas das suas mãos.

8. Poesia sobre livros – Edith Chacon Theodoro

Ler

Ler
Ler sempre.
Ler muito.
Ler “quase tudo”.
Ler com os olhos, os ouvidos, com o tacto, pelos poros e demais sentidos.
Ler com razão e sensibilidade.
Ler desejos, o tempo, o som do silêncio e do vento.
Ler imagens, paisagens, viagens.
Ler verdades e mentiras.
Ler o fracasso, o sucesso, o ilegível, o impensável, as entrelinhas.
Ler na escola, em casa, no campo, na estrada, em qualquer lugar.
Ler a vida e a morte.
Saber ser leitor, tendo o direito de saber ler.
Ler simplesmente ler.

9. Poesia sobre livros – Eugénio de Andrade

A poesia que se segue soa como uma declaração de amor aos livros. É de autoria de Eugénio de Andrade, poeta português.

Os livros

Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais,
tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.

10. Poesia sobre livros – Carlos Drummond de Andrade

A poesia Biblioteca Verde de Drummond nos apresenta um jovenzinho ávido por seus livros. Tudo o encanta, desde  a aparência do livro até seu conteúdo.

Biblioteca Verde

Papai, me compra a Biblioteca Internacional de Obras Célebres.
São só 24 volumes encadernados
em percalina verde.
Meu filho, é livro demais para uma criança.
Compra assim mesmo, pai, eu cresço logo.
Quando crescer eu compro. Agora não.
Papai, me compra agora. É em percalina verde,
só 24 volumes. Compra, compra, compra.
Fica quieto, menino, eu vou comprar.
Rio de Janeiro? Aqui é o Coronel.
Me mande urgente sua Biblioteca
bem acondicionada, não quero defeito.
Se vier com um arranhão recuso, já sabe:
quero devolução de meu dinheiro.
Está bem, Coronel, ordens são ordens.
Segue a Biblioteca pelo trem-de-ferro,
fino caixote de alumínio e pinho.
Termina o ramal, o burro de carga
vai levando tamanho universo.
Chega cheirando a papel novo, mata
de pinheiros toda verde. Sou
o mais rico menino destas redondezas.
(Orgulho, não; inveja de mim mesmo.)
Ninguém mais aqui possui a coleção
das Obras Célebres. Tenho de ler tudo.
Antes de ler, que bom passar a mão
no som da percalina, esse cristal
de fluida transparência: verde, verde.
Amanhã começo a ler. Agora não.
Agora quero ver figuras. Todas.
Templo de Tebas. Osíris, Medusa,
Apolo nu, Vênus nua… Nossa
Senhora, tem disso nos livros?
Depressa, as letras. Careço ler tudo.
A mãe se queixa: Não dorme este menino.
O irmão reclama: Apaga a luz, cretino!
Esparmacete cai na cama, queima
a perna, o sono. Olha que eu tomo e rasgo
essa Biblioteca antes que pegue fogo
na casa. Vai dormir, menino, antes que eu perca
a paciência e te dê uma sova. Dorme,
filhinho meu, tão doido, tão fraquinho.
Mas leio, leio. Em filosofias
tropeço e caio, cavalgo de novo
meu verde livro, em cavalarias
me perco, medievo; em contos, poemas
me vejo viver. Como te devoro,
verde pastagem. Ou antes carruagem
de fugir de mim e me trazer de volta
à casa a qualquer hora num fechar de páginas?
Tudo que sei é ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio
de flauta-percalina eternamente.

Obrigado por ler até aqui!

É inegável o poder dos livros sobre o ser humano. Cultura, conhecimento, entretenimento. Todo (ou quase) conteúdo trazido por eles tem sua utilidade. Não só as palavras despertam o interesse, mas também a beleza da capa, o folhear de páginas e o cheiro do papel propiciam certa dose de prazer. As poesias listadas refletem toda essa nobreza tão própria da leitura, todo o prazer literário que o leitor vivencia.  Por conseguinte, o Demonstre incentiva essa prática sem qualquer tipo de contra-indicações.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.