Sócrates e a educação

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Sócrates e a educação 1

O que Sócrates tem a ver com educação?

Lembro que quando era criança uma professora do fundamental um me disse que tudo se resolve com o debate de ideias. O que eu não sabia era que essa composição de ideias contemporâneas partia da corrente socrática, muito mesmo que anos mais tarde seria justamente o que eu buscaria em minha sala de aula. Hoje vou debater com vocês a relação entre Sócrates e a educação, assim como tentar explicar de fato o que Sócrates tem a ver com educação.

Se você parou aqui com a intenção de ver algo mais amplo sobre esse filósofo, sugiro que veja o meu vídeo apresentando suas ideias, se não, passe adiante para o texto e boa leitura:

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Sócrates e a educação – a oposição de argumentos e ideias como forma de despertar o Saber

Socrates e a educação

Sócrates é visto como um dos fundadores da filosofia ocidental e uma figura ainda envolta em mistérios e incompreensões. O Filósofo nasceu e morreu em Atenas, entre os anos de c. 469 a.C. e 399 a.C.  e só pôde ser conhecido e estudado devido aos documentos deixados por seus discípulos, especialmente, Platão, com os diálogos socráticos.  A contribuição dele foi fundamental para a ética. O método socrático, que é um instrumento utilizado para não só chegar a perguntas específicas sobre determinado assunto, mas também, permitir uma compreensão mais profunda e clara do mesmo, foi utilizado por muitos outros filósofos ocidentais posteriores a Sócrates. Idealizado por Platão e visto como hereges por seus “inimigos”, Sócrates foi condenado à morte por seus ensinamentos e modo de pensar.

O ponto central do pensamento socrático e dos sofistas envolve a questão de como educar ou preparar as pessoas para viver na cidade. Esse objeto (o como e para quê educar) perpassa toda a filosofia ocidental, indo de Platão a Hegel. Para Sócrates era necessário revisar o sistema educacional que preparava o jovem para ser guerreiro, ou seja, ter uma boa e gloriosa morte em um campo de batalha. Também era preciso rever o fato dos ensinamentos morais e intelectuais serem objetos acessíveis apenas aos considerados de sangue puro e divino. O filósofo entendia que os tempos haviam mudado e que a educação centrada na formação de guerreiros era ultrapassada. Com o desenvolvimento da cidade, o objetivo da educação seria então o de preparar pessoas para viver plenamente o sistema democrático que vigorava na Pólis, o objetivo deveria ser o de preparar cidadãos.

Nesse momento, Sócrates e os sofistas começam então a questionar as verdades até então absolutas. Eles promoviam debates em praça pública, onde o saber é disseminado através da oposição de argumentação e oposição de ideias, algo que a sistema democrático permite e até tem como uma de suas bases.  A educação, nesse sentido, assume o papel de responsável pela formação humanística, pelo uso hábil da palavra e argumentação e se torna centrada em objetivos e em conteúdos pragmáticos. É possível notar que o pensamento educacional da época sai de uma lógica cosmológica, no qual as verdades absolutas não podem ser questionadas, para um pensamento antropológico. A preocupação de Sócrates era a de despertar nas pessoas a importância do autoconhecimento, o que, sem dúvida, as conduziria à sabedoria e à prática do bem.

A grande proposição entre Sócrates e a educação é encarar o diálogo como método de investigação ou de esclarecimento mais profundo de certas perguntas e indagações.  Essa forma de propagar um saber ou conhecimento é vista por muitos como o cerne da atividade de um professor à maneira clássica. Quero dizer, um professor que tenha a habilidade de fazer com que seus alunos, no decorrer do desenvolvimento intelectual, sejam capazes de pensar por si mesmos.  O Mestre seria então aquele que ilumina o caminho do discípulo, não uma fonte emissora de conhecimento e saberes.

Bom, é isso. Antes de acabarmos, acho bacana indicar esse vídeo da UNIVESP, que ilustra bem a dialética socrática:

Espero do fundo do coração que tenha apreciado esse texto. Até a próxima!

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