Hoje o papo é sério sobre Violências contra professores e preciso do feedback de vocês.

Violências contra professores

Dou duas opções de ver o material, claro que cada uma tem complementações únicas. Como vídeo, clicando no play abaixo:

ou como texto, com o que escrevo abaixo:

Agressões que os professores sofrem

O Brasil parece ter tomado o sentido inverso da proposta para sua formação enquanto nação. O discurso de que a educação seria a arma para a construção de um país desenvolvido já não corresponde mais ao panorama que vemos atualmente sobre as políticas públicas na área educacional.

A OCDE denuncia o Brasil como o país com mais agressões aos professores

A OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico realizou uma pesquisa sobre a violência praticada contra professores em 34 países. Foram entrevistados mais de cem mil profissionais. Os resultados não foram nada agradáveis. O Brasil é o pais que mais registra casos de violência contra professores.

A pesquisa realizada levou em conta as condições de trabalho dos professores, da aprendizagem na escola e do perfil de convivência entre os sujeitos que compõe a comunidade escolar. Entretanto, esse tipo de violência descrito na pesquisa é apenas a ponta do iceberg.

A violência simbólica atinge os professores

Basta abrirmos os jornais que vemos pelo menos uma notícia de greve de professores em algum Estado da nossa Federação. Os profissionais estão desgastados, sofridos, cansados e prejudicados. Trata-se de uma violência simbólica, que acontece dia após dia, por vinte e cinco ou trinta anos de serviços. Em alguns casos, por até mais tempo.

Essa violência institucionalizada percorre desde a desvalorização profissional até as condições precárias de funcionamento das escolas. O professor, quando ingressa no serviço público, não faz idéia dos desafios que enfrentará ao longo de sua carreira. Muitos deles certamente poderiam ser evitados caso o governo se empenhasse em resolver alguns dos sérios problemas que hoje atingem a classe docente.

O salário dos professores

Os salários dos professores brasileiros, hoje em dia, estão entre os piores do mundo. Ganha apenas da Indonésia. Em relação à média salarial prevista pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, representa um terço do que um professor deveria receber dignamente. Luxemburgo e Alemanha, os dois primeiros colocados da lista, pagam salários seis vezes mais altos aos seus professores.

Os noticiários trazem manchetes diárias que denunciam o parcelamento de salários de professores em muitos Estados Brasileiros, assim como de todo o funcionalismo público. A justificativa é a crise financeira que se instalou no país. São duas, três ou até quatro parcelas pagas ao longo do mês.

Ora, o professor já tem seu salário defasado, imagine então dividido em três vezes! Gastos básicos como aluguel, contas de água e luz, e principalmente a alimentação e tratamentos médicos são muito prejudicados.

Apesar de haver um piso nacional dos salários dos professores definido, quase todos os Estados e municípios se esquivam dessa uniformidade se apoiando no fato de que cada qual deverá ter sua autonomia para decidir.

Os planos de saúde e sistema previdenciários estaduais estão cada vez mais caóticos. Há lugares onde exames, consultas médicas e procedimentos não são realizados há anos. O atendimento somente é acessível de forma particular.

Como pode o professor, com seu minguado salário , parcelado, ainda pagar uma consulta médica particular?

A violência atinge a saúde dos professores

A área docente é a que mais sofre com problemas de saúde ocupacional. Além dos problemas que envolvem a parte emocional, o físico também fica desgastado.

Mais de 35% dos professores da rede pública já atingiram o nível de exaustão, e infelizmente não dispõe de recursos suficientes para tratamento. Com salários tão baixos, a acumulação de cargos é a principal opção.

As condições das escolas públicas ao professor e o aluno

Além disso, as condições das escolas públicas se tornam cada vez mais difíceis. Apesar da intenção de se orientar o planejamento e a gestão através do Plano Nacional de Ensino, com vigência entre 2014-2024, o descompasso entre os sistemas municipal, estadual e federal de ensino ainda continuam.

Os recursos destinados às escolas acabam se perdendo pelo caminho ou então sendo desviados para outros fins. Isso impacta diretamente na qualidade de trabalho em sala de aula: escolas sem merenda, alunos sem livros didáticos ou materiais de necessidade, prédios caindo aos pedaços.

Soma-se a tudo isso as exigências cada vez mais elevadas com relação ao rendimento dos alunos, medido através das avaliações em nível nacional. Tais políticas públicas de avaliação expõem o tendão de Aquiles da educação Brasileira: as disparidades culturais, regionais e econômicas.

Trata-se de uma violência anual ao professor, que apesar de se desdobrar em esforços, as provas pré-fabricadas que não correspondem às realidades de suas salas de aula avaliam de uma forma bem distante o real potencial dos seus alunos.

O professor se vê no meio dessa guerra silenciosa, lutando para fazer o melhor que pode, mas com as mínimas condições para tal. Ele acaba virando o espectro do que realmente é, tornando-se uma sombra que percorre os anos até se aposentar. Grande parcela dos professores brasileiros está vinculada ao serviço público.

Conclusão

Mudanças precisam acontecer, principalmente com relação ao valor que se dá ao professor. Quando se é valorizado, o profissional passa a ser respeitado. Por isso, é importante permanecer pleiteando mudanças, buscando soluções. Somente assim o professor resgatará sua real função: construir o futuro do país pelo lápis, livro e papel.